As normas do pacote ISO 14000 são normas de adesão voluntária que contém os requisitos para implantação do SGA em uma empresa, podendo ser aplicada a qualquer atividade econômica, fabril ou prestadora de serviços, independentemente de seu porte. Ela promove uma melhoria contínua do desempenho ambiental, por meio de uma responsabilidade voluntária.
A internacionalização dos padrões de qualidade ambiental descritos na série ISO 14000 propõe uma mudança de comportamento e de tomada de decisão pelo empresariado.
A visão sobre os conceitos de gestão ambiental é predominante em muitas das decisões internas das organizações, considerando que todas as influências provindas do ambiente externo sejam analisadas e tratadas, e seu contexto inclui aspectos de caráter social e político que se somam às tradicionais considerações econômicas.
A ISO 14001:2004 descreve os princípios básicos:
i) A organização deve concentrar-se no que necessita ser feito – ela deve garantir o seu comprometimento para com o SGA e definir a sua política ambiental;
ii) A organização deverá formular um plano para executar a sua política ambiental;
iii) Para implantação efetiva, a organização deverá desenvolver as competências e os mecanismos de apoio necessários para que sua política, objetivos e metas ambientais sejam alcançados;
iv) A organização deverá medir, monitorar e avaliar o seu desempenho ambiental;
v) A organização deverá rever e continuamente aperfeiçoar o seu SGA, com o objetivo de aprimorar o seu desempenho global.
Elkington e Burke (1989, apud DONAIRE, 1999), colocam que os dez passos necessários para a excelência ambiental são os seguintes:
1. Desenvolva e publique uma política ambiental;
2. Estabeleça metas e continue a avaliar ganhos;
3. Defina claramente as responsabilidades ambientais de cada uma das áreas e do pessoal administrativo;
4. Divulgue interna e externamente a política, os objetivos, metas e responsabilidades;
5. Obtenha recursos adequados;
6. Eduque e treine seu pessoal e informe os consumidores e a comunidade;
7. Acompanhe a situação ambiental da empresa e faça auditorias e relatórios;
8. Acompanhe a evolução da discussão sobre a questão ambiental;
9. Contribua para os programas ambientais da comunidade e invista em pesquisa e desenvolvimento aplicada à área ambiental;
10. Ajude a conciliar os diferentes interesses existentes entre todos os envolvidos: empresa, consumidores, comunidade, acionistas etc.
Diversos conceitos sobre gestão ambiental empresarial são definidos por muitos autores. Para os autores Tinoco e Kraemer (2004), por exemplo, definem gestão ambiental como um conjunto de procedimentos para gerir ou administrar uma organização, de forma a obter o melhor relacionamento com o meio ambiente.
Consiste, essencialmente, no planejamento de suas atividades, visando à eliminação ou minimização dos impactos ao meio ambiente, por meio de ações preventivas ou medidas mitigadoras.
Segundo Barbieri (2004), SGA é um conjunto de atividades administrativas e operacionais inter-relacionadas para abordar os problemas ambientais atuais ou para evitar o seu surgimento.
Maimon (1999) define a gestão ambiental como um conjunto de procedimentos para gerir ou administrar uma organização na sua interface com o meio ambiente. É a forma pela qual a empresa se mobiliza, interna e externamente, para a conquista da qualidade ambiental desejada.
O SGA é definido por D´Avignon (1996), como um conjunto de procedimentos para gerir ou administrar uma empresa, de forma a obter um melhor relacionamento com o meio ambiente. Sendo, a alta direção da empresa, responsável por definir o seu compromisso com as questões ambientais. Outro passo importante é a avaliação da empresa com o meio ambiente.
Um SGA prevê ordenamento e consistência para que as organizações abordem suas preocupações ambientais, através da alocação de recursos, definição de responsabilidades e avaliação contínua de práticas, procedimentos e processos (NBR ISO 14004, 1996).
Um SGA lineariza e sistematiza caminhos, atividades e responsabilidades e ações para monitoramento de ações e reações dentro de uma empresa norteando para novos rumos e aperfeiçoamento. Com isso segundo North (1997, apud BARBIERI, 2004), a gestão ambiental pode proporcionar os seguintes benefícios estratégicos:
a) melhoria da imagem institucional;
b) renovação do portifólio de produtos;
c) produtividade aumentada;
d) maior comprometimento dos funcionários e melhores relações de trabalho;
e) criatividade e abertura para novos desafios;
f) melhores relações com autoridades públicas, comunidade e grupos ambientalistas ativistas;
g) acesso assegurado aos mercados externos; e
h) maior facilidade para cumprir os padrões ambientais.
A NBR ISO 14004 (1996) aponta que
Podem ser obtidos benefícios econômicos com a implementação de um SGA. É recomendado que estes sejam identificados de forma a demonstrar às partes interessadas, sobretudo aos acionistas, o valor de uma boa gestão ambiental para a organização. Isto também concede à organização a oportunidade de ligar objetivos e metas ambientais e resultados financeiros específicos, assegurando, assim, que os recursos estejam disponíveis onde possam oferecer maiores benefícios em termos financeiros e ambientais.
Winter (1992, apud DONAIRE, 1999) aponta seis razões principais pelas quais um gerente responsável deveria aplicar o princípio da gestão ambiental em sua empresa:
a) sem empresas orientadas para o ambiente, não poderá existir uma economia orientada para o ambiente - e sem esta última não se poderá esperar para a espécie humana uma vida com o mínimo de qualidade;
b) sem empresas orientadas para o ambiente, não poderá existir consenso entre o público e a comunidade empresarial – e sem consenso entre ambos não poderá existir livre economia de mercado;
c) sem gestão ambiental da empresa, esta perderá oportunidades no mercado em rápido crescimento e aumentara o risco de sua responsabilização por danos ambientais, traduzida em enormes somas de dinheiro, pondo desta forma em perigo seu futuro e os postos de trabalho dela dependentes;
d) sem gestão ambiental da empresa, os conselhos de administração, os conselhos executivos, os chefes de departamento e outros membros do pessoal verão aumentada sua responsabilidade em face de danos ambientais, pondo assim em perigo seu emprego e sua carreira profissional;
e) sem gestão ambiental da empresa, serão potencialmente não aproveitadas muitas oportunidades de redução de custos;
f) sem gestão ambiental da empresa, os homens de negócios estarão em conflito com sua própria consciência – e sem auto-estima não haverá existir verdadeira identificação com o emprego ou a profissão.
Assim, com o objetivo de promover uma melhoria contínua no comportamento ambiental, as empresas utilizam o instrumento Sistema de Gestão Ambiental, que pode ser aplicado em qualquer empresa independente do seu porte e setor de produção com objetivos estratégicos relacionados com oportunidades mercadológicas de mercado atual ou futuro, interesse da opinião pública, bem como controles voltados para práticas de controle e prevenção da poluição.
2.3 O modelo de gestão ambiental conforme a serie NBR ISO 14000
Os Sistemas de Gestão Ambiental atuais tiveram suas origens com o desenvolvimento de sistemas de qualidade. Essa ferramenta de gestão possibilita a uma organização de qualquer dimensão ou tipo controlar o impacto das suas atividades no ambiente.
Para efeitos de certificação, a NBR ISO 14001 (2004) estabelece requisitos e especificações para o SGA conforme seção quatro da referida Norma, a saber:
• Requisitos gerais
• Política ambiental
• Planejamento
- Aspectos ambientais
- Requisitos legais e outros
- Objetivos e metas
- Programa(s) de gestão ambiental
• Implantação e operação
- Estrutura e responsabilidade
- Treinamento, conscientização e competência.
- Comunicação
- Documentação do SGA
- Controle de documentos
- Controle operacional
- Preparação e atendimento a emergências
• Verificação e ação corretiva
- Monitoramento e medição
- Não conformidade e ações corretivas e preventivas
- Registros
- Auditorias do SGA
• Análise crítica pela alta administração
No cumprimento desses requisitos, a aplicação de instrumentos convencionais para fins de qualidade e produtividade do modelo de gestão adotado utiliza-se o ciclo do PDCA (Plan – Planejar a implantação e operação; Do – fazer a verificação e efetuar a ação corretiva; Check – Checar a ação tomada e finalmente análise crítica, ação – action) – na qual também se baseia o modelo de SGA da família ISO 14000, análise de falhas, diagrama de causa e efeito, manutenção preventiva, cartas de controle, listas de verificação, entre outros, como ferramentas para o Sistema de Gestão Ambiental - SGA (BARBIERI, 2004).
2.3.1 Política ambiental
A política ambiental estabelece princípios do empresariado às partes interessadas3, é um documento formal que expressa os compromissos da instituição com o meio ambiente. Ela é definida pela alta direção ou norteada em princípios de legislação local.
Em muitos casos na política da organização constam as responsabilidades frente às questões ambientais além da visão, missão e valores da empresa,
3 A ISO 14004:1996 define parte interessada como sendo indivíduo ou grupo interessado ou afetado pelo desempenho ambiental de uma organização.
declaração da busca da melhoria contínua, prevenção da poluição princípios norteadores, conformidade com os regulamentos internos e legais pertinentes a organização.
A política ambiental das organizações deve ser considerada pelas organizações como uma declaração de seu comprometimento com as questões ambientais, devendo também:
• Estar disponível para as partes interessadas, quando requisitado.
• Ser comunicada de forma apropriada, internamente para todos os funcionários da empresa e para todos os terceiros que trabalham dentro ou para a empresa (manutenção terceirizadas, jardineiros, seguranças, funcionários em trabalho temporário, etc).
• Ser entendido por todos os funcionários e terceiros temporários ou não.
• Ser complementada com questões/ aspectos específicos da localidade na qual está instalada.
• Estar assinada pela alta gerência da corporação.
2.3.2 Planejamento
O planejamento estratégico da organização é de extrema importância para que a empresa possa prever com a planificação de ações o cumprimento de sua política ambiental.
Um bom planejamento pode garantir uma implementação de SGA de forma transversal ramificada para todos os setores da organização. Os processos de mudança requerem inicialmente uma sensibilização em todos os níveis tendenciando à cooperação voluntária dos funcionários aos temas ambientais, viabilizando de maneira mais efetiva a execução de todos os passos. Nessa fase o levantamento aproximado das necessidades futuras, minimiza possíveis entraves de mão de obra e/ou recursos.
2.3.2.1 Aspectos ambientais
Deve ser realizado o diagnóstico da situação ambiental presente que possibilita estabelecer o registro e a avaliação dos aspectos ambientais da atividade e também definir um gerenciamento para aqueles que forem julgados significativos:
Esse gerenciamento inclui:
• A definição e implementação de controles operacionais (como por exemplo, novos investimentos, adequações físicas, estabelecimentos de instruções operacionais/ estabelecimento de novas boas práticas).
• A indicação dos potenciais de programas ambientais para a empresa.
• A indicação da necessidade de treinamentos adequados e suas reciclagens
• A indicação de Planos de Emergência
Na maioria dos casos quando os aspectos ambientais são levantados é necessário uma análise mitigadora dentro do conceito de impacto ambiental com os respectivos planos de ação.
2.3.2.2 Requisitos legais
Compreende o registro e a atualização contínua de requisitos legislativos e regulamentares relevantes à empresa, especialmente os relacionados às licenças (de operação, outorgas, etc), os compromissos assumidos com a comunidade e as diretrizes da empresa para as suas atividades.
As atualizações significativas deverão ser comunicadas a todas as partes relevantes, incluindo empregados e contratados que estejam relacionados a essas mudanças.
É indicado que exista ferramenta eletrônica para registro das legislações bem como evidência objetiva de seu cumprimento.
2.3.2.3 Objetivos e metas
É recomendado que sejam estabelecidos objetivos para manter a política ambiental da organização. Consiste no planejamento do gerenciamento ambiental de forma a estabelecer e manter programas nos departamentos/setores para atingir os objetivos ambientais propostas pela organização, dentro de um tempo definido.
2.3.2.4 Programas de gestão ambiental
A ISO recomenda que dentro do planejamento geral das atividades, uma organização estabeleça um programa de gestão ambiental que aborde todos os seus objetivos ambientais. Podendo ser estabelecidos da seguinte forma:
• Programas específicos como, por exemplo, os relacionados aos aspectos ambientais e os impactos resultantes da empresa e do local na qual está instalada (relacionados à redução do uso de recursos naturais - energia, água, combustível e matérias primas - e minimização da geração de
resíduos líquidos, sólidos e gasosos), baseados nas indicações do levantamento de aspectos ambientais; ou
• Objetivos ambientais específicos da empresa.
Para esses programas é importante estabelecimento de metodologia para acompanhamento dos indicadores.
2.3.3 Implantação e operação
Ë importante o desenvolvimento de capacitação e mecanismos de apoio necessários para implementação do SGA, podendo garantir uma implementação e operação de forma mais ágil.
2.3.3.1 Estrutura e responsabilidade
A definição da estrutura organizacional que se responsabilize pela implementação e gerenciamento do sistema de gestão ambiental com pessoal qualificado conduzindo a garantia e a sustentabilidade do referido sistema.
2.3.3.2 Treinamento
É um processo contínuo e sistemático de fundamental importância que visa capacitar e desenvolver os funcionários para que a Empresa possa atender seus objetivos. Os registros dos treinamentos necessitam ser formalizados e após certificar que os treinandos estão habilitados.
A conscientização e sensibilização das questões ambientais em todo o corpo da empresa é uma questão que envolve valores e é ainda um campo de demasiados estudos em prol de uma sensibilização em todos os níveis hierárquicos.
2.3.3.3 Comunicação
Faz-se necessária à existência de procedimentos operacionais para sistematizar o envio e recebimento de informações interna e externamente, com definição do meio de comunicação a ser utilizado, a quem será direcionada os respectivos avisos, o público alvo a ser atingido, a freqüência de uso da ferramenta, a publicação de avisos internos e externos e as responsabilidades direcionadas com determinado tipo de informação, atendendo o organograma da empresa.
A comunicação Interna deve ser sistematizada de modo a atingir todos os níveis da empresa, sua aplicabilidade local e a outras áreas da empresa fazendo também a utilização de ferramentas como, por exemplo: campanhas de conscientização, relatórios ambientais, cadernos e outros documentos impressos, apresentações, intranet.
Na comunicação externa é necessário existir uma sistemática de fluxo de informações entre a empresa e as partes interessadas nos assuntos ambientais buscando/coletando informações demandada por eles, em especial sobre a performance da empresa, através de:
• Respostas às partes interessadas, o que deve incluir a recepção, documentação, tratamento e resposta às comunicações recebidas;
• Apresentações sobre a performance da empresa, entre outros assuntos de interesse;
• Relacionamento com o governo local, administrações e instituições selecionadas (inclui-se aqui participação em fóruns, grupos de discussão e etc);
• Patrocínio ambiental e programas de conscientização e educação ambiental.
É de extrema relevância que os procedimentos e requerimentos aplicáveis a empresa seja comunicado aos fornecedores e contratados, no intuito de informar, e/ou sugerir, e/ou tendenciar o alinhamento de ações entre contratado e contratante no que diz respeito aos conceitos de gestão ambiental.
2.3.3.4 Documentos do SGA
De acordo com a NBR ISO 14004: 1996, recomenda-se que os processos e procedimentos operacionais do SGA sejam definidos e adequadamente documentados e, quando necessário, atualizados. E ainda que a existência de uma documentação contribui para conscientizar os empregados sobre o que é necessário para atingir os objetivos ambientais da organização e permitir a avaliação do sistema e do desempenho ambiental.
2.3.3.5 Controle operacional
O monitoramento da qualidade ambiental através do estabelecimento de pontos de controle são necessários para o acompanhamento de parâmetros relacionados aos aspectos ambientais significativos.
Os controles operacionais são atribuídos a atividades de rotina ou de gestão diária acerca de atividades que influem de alguma maneira nas variáveis ambientais, a exemplo: medição de índice de dióxido de carbono em caldeiras ou chaminés, monitoramento de parâmetros diários de efluentes líquidos, inspeções de locais de armazenamento de produtos químicos ou inflamáveis etc.
2.3.3.6 Preparação e atendimento de emergências
É importante que a organização defina procedimentos de contingência em casos de acidentes e/ou incidentes que venham a afetar o meio ambiente. Devem
englobar os procedimentos eficazes para minimizar os efeitos ambientais quando da ocorrência de uma situação de emergência.
A análise deve considerar as seguintes possibilidades:
• Incêndio
• Vazamentos
• Explosão
• Enchentes
• Acidentes
• Danos propositais.
Os procedimentos de emergência devem estar disponíveis em locais de fácil acesso e consulta especialmente em áreas com potenciais riscos de ocorrência de situações adversas, além da necessidade de treinamentos teórico e simulações.
2.3.4 Verificação e ação corretiva
A empresa nessa fase deverá fazer uma revisão programada dos seus indicadores de performance, observando o atingimento dos objetivos e das metas, e adotando medidas de correção quando aplicáveis.
2.3.4.1 Monitoramento e medições
O contínuo monitoramento reforça a ação preventiva, diminuindo o número de ações corretivas. Eles devem ser registrados e serem de fácil acesso para rastreabilidade do próprio sistema.
2.3.4.2 Não conformidades e ações corretivas e preventivas
Deve ser adotada uma sistemática de acompanhamento, com freqüência mínima estabelecida, das ações corretivas propostas e validadas nas diversas ferramentas do Sistema. Esta sistemática deverá ser documentada.
2.3.4.3 Registros
Os registros são formulários ou documentos nos quais se registram os dados obtidos, constatações, observações, etc. Os registros deverão contemplar no mínimo:
• Relatório ambiental interno periódico incluindo os resultados do monitoramento ambiental e comentários de seu progresso, a situação dos Indicadores Ambientais, resultados das auditorias, comunicação com o externo (partes interessadas), status de conformidade legal, os objetivos propostos e metas alcançadas, prêmios recebidos, entre outros pontos.
• Relatório das Auditorias Ambientais;
• Soluções de problemas que podem se repetir no futuro.
2.3.4.4 Auditorias de SGA
Auditoria Ambiental consiste na etapa de auditar o SGA. Nessa fase o compromisso da empresa em formar auditores e preparar auditados para que seja possível descrever de maneira criteriosa a situação do sistema. Embora, essa leitura apresente uma situação pontual, mas que possa levantar pontos passíveis de melhoria e traçar um plano de ação a longo ou curto prazo com a definição de responsabilidades, o que fazer, como fazer e quando fazer, fechando o círculo com a apresentação do relatório de auditoria. E de relevante utilidade quando na auditoria os auditores indicam, sugerem ou recomendam ações a serem seguidas, facilitando assim planos futuros para a alta direção disponibilizar recursos (se cabível), treinar funcionários, modificar operações etc.
Nessa etapa a avaliação através de auditoria uma inspeção por meio de auditoria em fornecedores, recicladores e até em parte ou toda a cadeia produtiva oferece um mapeamento da situação do universo que a empresa se encontra propiciando um levantamento prévio do comportamento ambiental direcionando a tomada de ações legalmente corretas ou na busca da melhoria das condições atuais.
No Brasil, a busca pela certificação de acordo com a norma NBR ISO 14001, o incremento e rigor da legislação ambiental e a determinação da realização de auditorias ambientais por alguns Estados como Santa Catarina, Paraná, Rio de
Janeiro, Espírito Santo, Ceará e Amapá e, para alguns segmentos, em nível federal, como, por exemplo, portos, terminais marítimos e atividades de exploração e produção de petróleo, levaram as auditorias ambientais a fazerem parte do cotidiano das empresas (CANTARINO, 2003).
Um exemplo brasileiro acerca de legislação compulsória podemos verificar com a legislação do estado do Paraná, através da Lei Estadual 13.448 de 14 (quatorze) de janeiro de 2002, que criou e disciplinou a realização de Auditoria Ambiental Compulsória pelas empresas com potencial poluidor e degradador do meio ambiente, bem como em razão do Decreto nº. 2.076/2003 que a regulamenta, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), no dia 10 de março de 2005, fez publicar a Portaria nº. 49/2005.
Dita a Portaria, em linhas gerais, além de determinar e disciplinar a realização da aludida auditoria, visa, dentre outros aspectos, a criar e garantir medidas de segurança e de proteção do meio ambiente, da saúde humana, de minimização dos impactos negativos e recuperação ambiental, de capacitação dos responsáveis pela operacionalização dos sistemas e demais aparatos necessários a essas finalidades.
Em termos de regulamentação específica, a ordenação emanada do IAP estabelece que a Auditoria Ambiental Compulsória deverá ser realizada periodicamente, com intervalo máximo e impreterível, entre a primeira e a próxima, de 4 (quatro) anos.
Oliveira et al. (2005) retratam a relevante atenção acerca da legislação em vigor no Estado do Paraná, tendo em vista a severidade das penalidades pelo não atendimento as legislações em vigor. A portaria exige que sejam realizadas auditorias em empresas, inicialmente naquelas que apresentam maior potencial poluidor (refinarias, parques de estocagem de substâncias tóxicas, instalações de
tratamento de produtos perigosos, hospitalares, curtumes etc), e numa segunda fase, a partir de 1º de janeiro de 2006, as citadas exigências será ampliado a todas as atividades independentemente do número de funcionários e de qualquer outra condicionante lá prevista. A primeira auditoria deverá ser realizada até dia 30 de junho de 2005 e encaminhamento do relatório ao IAP até 30 de setembro de 2005.
Além disso, as empresas tiveram que encaminhar até 30 de dezembro de 2005 um plano de correção das não conformidades levantadas pela auditoria. A referida auditoria deverá ser realizada por equipe qualificada, independente da auditada indicada pelo IAP. Dos exercícios posteriores poderão ser realizados por equipe própria da auditada. O relatório final da auditoria deverá estar disponível às partes interessadas, por meio de publicação em jornal e as partes poderão se manifestar ao IAP no prazo de 15 dias. As penalidades do não cumprimento acarretam penas de impedimento da renovação de licença ambiental de operação junto ao IAP, além de outras medidas punitivas mais sérias, tais como a interdição da atividade e, até mesmo, eventual cassação do citado licenciamento.
Um aspecto muito relevante dessa legislação aplicável ao estado do Paraná é a cadeia de ações integradas que amarram o círculo desde a realização das auditorias condicionadas as expedições de licenças ambientais e multas, além de requerer ao auditado apresentação de um plano de ação para o que for detectado.
Tal exercício é de relevante importância para que as empresas enquadradas sistematizem suas avaliações com conseqüente planejamento de ações corretivas, trazendo benefícios para todas as partes.