Para que ocorra a formação de um Contrato, é necessário que, inicialmente haja conhecimento a respeito, ou seja, as negociações preliminares das partes devem ser as conversações prévias informando a respeito do objeto do Contrato para a verificação da possibilidade ou não da realização do negócio jurídico.
3.2.1 A Manifestação da Vontade
A respeito da manifestação de vontade, alguns pontos, entretanto devem ser abordados, a começar esclarecendo que, “a manifestação de vontade é o primeiro e mais importante requisito de existência do negócio jurídico. O Contrato é um acordo de vontade que tem por fim criar, modificar, ou extinguir direitos150”.
Dentro dessa premissa, Gonçalves leciona que:
A vontade humana se processa inicialmente na mente das pessoas. É o momento subjetivo, psicológico, representado pela própria formação do querer. O momento objetivo é aquele em que a vontade se revela por meio de declaração. Somente nesta fase ela se torna conhecida e apta a produzir efeitos nas relações jurídicas. Por isso se diz requisito de existência dos negócios jurídicos e, conseguintemente, dos Contratos151.
Na linha interpretativa de Gonçalves, a formação do Contrato nasce:
O Contrato nasce instantaneamente de uma proposta seguida de uma imediata aceitação. Assim sendo, o Contrato resulta de duas manifestações de vontade: a proposta e a aceitação. A primeira também chamada de oferta, policitação ou abloção, dá início à formação do Contrato e não depende, em regra de forma especial152.
150 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro: parte geral. p. 48.
151 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro: parte geral. p. 48.
152 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro: parte geral. p. 49.
Gonçalves explica que, “a manifestação de vontade pode ser expressa ou tácita. Poderá ser tácita quando a lei não exigir que seja expressa. Expressa é a exteriorizada verbalmente, por escrito, gesto ou mímica, de forma inequívoca153”.
Nesta concepção, o Contrato sempre resultará de duas ou mais manifestações de vontade. Assim sendo a declaração de vontade gera obrigações.
3.2.2 Negociações Preliminares
Com relação às negociações preliminares Gonçalves destaca que:
As partes ainda não manifestaram a sua vontade, não há nenhuma vinculação ao negócio. Qualquer delas pode afastar-se, simplesmente alegando desinteresse, sem responder por perdas e danos. Tal responsabilidade só ocorrerá se ficar demonstrada a deliberada intenção, com a falsa manifestação de interesse, de causar dano ao outro contraente, levando-o, por exemplo, a perder outro negócio ou realizando despesas. Embora as negociações preliminares não gerem, por si mesmas, obrigações para qualquer dos participantes, elas fazem surgir, entretanto, deveres jurídicos para os contraentes, decorrentes da incidência do princípio da boa-fé, sendo os principais os deveres de lealdade e correção, de informação, de proteção e
154cuidado de sigilo155.
Na fase da formação do Contrato, especialmente nas negociações preliminares é importante ressaltar que, as partes ainda não têm vínculo jurídico entre elas, todavia, é preciso esclarecer que em nosso direito atual apesar de faltar à obrigatoriedade na fase preliminar, porém, a responsabilidade civil terá uma relevância jurídica aos acordos preparatórios, fundada no princípio da boa-fé156.
No arremate desse tópico, novamente chama-se a atenção para o que ensina Diniz:
O Contrato preliminar, por sua vez, não é simples negociação, ou tratativa, por ser um Contrato que tem escopo delinear os contornos do Contrato definitivo que se pretende efetivar, gerando diretos e deveres para as partes, que assumem uma obrigação de fazer aquele Contrato final. Por exemplo:
promessa de compra e venda157.
153 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro: parte geral. p. 48.
154 DINIZ, Maria Helena. Tratado teórico e prático dos contratos. p. 79.
155 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro: parte geral. p. 49.
156 DINIZ, Maria Helena. Tratado teórico e prático dos contratos. p. 79.
157 DINIZ, Maria Helena. Tratado teórico e prático dos contratos. p. 79.
Diante dos ensinamentos acima mencionados, entende-se que “os Contratos reputam- se quando as vontades dos contraentes se acordam, em uma verdadeira acomodação de interesses. Para tanto é preciso que exista uma proposta e uma aceitação158”.
Desse modo as negociações preliminares, corresponde a finalidade de obrigar as partes a celebrar o que foi determinado nas negociações firmando consequentemente o Contrato159. 3.2.2.1 Proposta
Formalmente, cumpre-se lembrar o conceito de proposta, na lição de Rizzardo, o qual tem uma exposição que merece ser trazida a colocação, que assim ensina:
A proposta vem a ser o primeiro momento no desenrolar dos atos que levam ao Contrato propriamente dito. Uma das partes oferece a relação contratual pretendida a um possível interessado. É a mesma definida como a declaração de vontade dirigida a uma pessoa com quem se quer contratar. Denominada, também policitação, visa solicitar a manifestação da vontade da outra parte, que se denominará aceitante.160
A proposta deve atender todos os elementos essenciais do negócio proposto, como o preço, quantidade, forma de pagamento dentre outros. Além destes requisitos, a proposta deve ser seria e consciente, pois vincula o proponente, conforme art. 427161 do Código Civil.
Art. 427 - A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.
E ainda, deve ser, acima de tudo clara, completa, ou seja, a de ser formulada em linguagem simples e compreensiva ao oblato162.
Interessante, aliás, as observações de Diniz no que tange a proposta, “a proposta não produz conseqüências jurídicas para a outra parte, mas tão-somente para o policitante, pois ainda não se tem Contrato163”
158 AZEVEDO, Vilhaça Álvaro. Teoria geral dos contratos típicos e atípicos. p. 23.
159 GOMES, Orlando. Contratos. p. 160.
160 RIZZARDO, Arnaldo. Contratos: Lei nº. 10.406, de 10-01-2002. p. 46.
161 BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 20 jul. 2009.
162 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro: parte geral. p. 51.
163 DINIZ, Maria Helena. Tratado teórico e prático dos contratos. p. 79.
Importa dizer, que a proposta como vínculo contratual, possui características básicas, que na lição de Kümpel, são as seguintes:
a) declaração unilateral de vontades, o proponente convida o aceitante a contratar; b) força vinculante, o proponente está vinculado aquilo que oferecer. A proposta não vincula o oblato, tendo em vista que este ainda não manifestou sua vontade, obrigando apenas o policitante, que já exteriorizou a sua intenção de contratar; c) declaração receptícia de vontade, a proposta ou oferta necessita ser dirigida ao aceitante ou oblato, já que depende deste para a existência do Contrato. Ainda que se dirija ao publico, o conjunto determinado de pessoas, não perde a qualidade de receptibilidade para gerar no oblato ou aceitante o desejo de contratar, conforme artigo 429 do Código Civil; d) declaração séria do negocio jurídico, a seriedade da proposta é sua qualidade, pois apresenta todos os elementos essências do negocio jurídico, deve conter os direitos e obrigações de ambas as partes e todos os efeitos possíveis para o referido Contrato; e) declaração obrigatória de vontade, contendo a proposta todas as características acima traçadas, gerará responsabilidade ao proponente por tudo aquilo que ofertou164.
É possível verificar, nas informações acima mencionadas, que as negociações preliminares não são propostas, mas sim os meios para chegar as negociações, pois encontram-se em um período pré-contratual e não mantém todos os elementos e requisitos essenciais para vincular as partes.
3.2.2.2 Aceitação
Ensina Loureiro, que a “aceitação é a concordância com uma proposta. Ela precisa para ser eficaz, chegar ao conhecimento do proponente165”.
Verifica-se também, o posicionamento de Diniz, no que diz respeito à definição e requisitos da aceitação:
A aceitação da proposta por parte do solicitado é o fecho do ciclo consensual, constituindo-se na segunda fase para a formação do vínculo contratual. A aceitação está intimamente ligada a oferta no iter da formação do Contrato, pois sem ela não se terá negocio jurídico contratual e a proposta não obrigará o policitante166.
É oportuno lembrar que, a aceitação vem a ser propriamente dito a manifestação de vontades, podendo ser ela expressa ou tácita.
164 KÜMPEL, Vitor Frederico. Direito Civil : direito dos contratos. p. 57-58.
165 LOUREIRO, Luiz Guilherme. Teoria geral dos contratos em espécie. p. 193.
166 DINIZ, Maria Helena. Tratado teórico e prático dos contratos. p. 79.
Para Rizzardo, a aceitação “especificará todas as circunstancias da proposta. Se esta é alternativa ou genérica, e determinará seu objeto167”.
No entendimento de Diniz, quatro são os requisitos essenciais da aceitação, veja-se:
1) não exige obediência a determinada forma, pois, salvo nos Contratos solenes, a aceitação pode ser expressa, se o oblato declarar sua aquiescência, ou tácita, se um ato, inequívoco, do aceitante permitir concluir sua anuência a oferta; 2) a aceitação deve ser oportuna, pois necessária se torna que ela seja formulada dentro do prazo concedido na policitação. A oferta poderá ser sem prazo, caso que persistirá até que haja retratação, antes de se expedir a aceitação; 3) a aceitação deve corresponder a uma adesão integral a oferta, nos moldes em que foi manifestada, pois o Contrato pressupõe a integração de duas ou mais vontades coincidentes; 4) a resposta deve ser conclusiva e coerente. 168
Em linhas gerais, a aceitação pode ser entendida ou definida como a intenção definitiva do destinatário da oferta, podendo o Contrato ser concluso nas condições que o ofertante estabeleceu.