Como formas de evitar, enfrentar e punir a agressão, a Lei de n.º 11.340/06 trouxe em seus artigos 22, 23 e 24, as Medidas Protetivas de Urgência, cujo objetivo é proteger rapidamente a vítima, e ainda, reprimir ou conscientizar o agressor, podendo o Juiz de imediato, determinar o afastamento do agressor do lar, proibição de contato e aproximação com a vítima, separação dos corpos e demais ações, conforme dispõe o artigo de lei:
Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas:
I - Encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;
II - Determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor;
III - Determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos;
IV - Determinar a separação de corpos.
V - Determinar a matrícula dos dependentes da ofendida em instituição de educação básica mais próxima do seu domicílio, ou a transferência deles para essa instituição, independentemente da existência de vaga.18
Além das Medidas Protetivas de Urgência, com o passar dos anos, a Lei Maria da Penha ganhou novos enriquecimentos que agregaram a Lei ainda mais. Um
17 DIAS, Maria Berenice- A Lei Maria da Penha na Justiça: A efetividade da Lei 11.34 /2006 de combate a violência doméstica e familiar contra a mulher/ Maria Berenice Dias-São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais. 2007 (pág.20).
18 BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.
REVISTA JURÍDICA UNIANDRADE ISSN: 1806-6771 deles, foi a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Família Contra a Mulher, órgão de competência Cível e Criminal, criado para julgar esses casos, quais são amparados pela legislação específica (Lei de n. º 11.340/06).
Portanto, as Medidas Protetivas é uma conduta rápida para proteger a mulher vítima de violência doméstica, independentemente de sua classe social, raça, étnia, cultura, idade e religião. As Medidas Protetivas podem ser requeridas pela vítima, pelo Ministério Público, Advogado, Defensoria Pública, e a Autoridade Policial, conforme menciona os arts. 19,12-C e 38-A da referida Lei.
A denúncia e o Boletim de Ocorrência registrado pela Delegacia de Polícia, a autoridade policial tem o prazo de 48 horas, para encaminhar o pedido de Medidas Protetivas ao Juízo competente.
Após o requerimento do pedido de Medidas Protetivas enviado ao Juízo, o Magistrado pode conceder ou não o pedido, caso ocorra o deferimento das medidas, o juiz determinará:
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:
I - Suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003;
II - Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;
c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida;
IV - Restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar;
V - Prestação de alimentos provisionais ou provisórios.
§ 1º As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor, sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser comunicada ao Ministério Público.
§ 2º Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor
nas condições mencionadas no caput e incisos do art. 6º da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão, corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte de armas, ficando o superior imediato do agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial, sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o caso.
§ 3º Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência, poderá o juiz requisitar, a qualquer momento, auxílio da força policial.
§ 4º Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que couber, o disposto no caput e nos §§ 5º e 6º do art. 461 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). 19
Ressalta-se que, o juiz poderá conceder o pedido de Medida Protetiva sem que a outra parte seja ouvida, ou seja, o agressor. Pois, o objetivo das Medidas Protetivas é proteger a mulher de forma rápida, sem depender de instauração de Ação Penal ou Inquérito Policial.
4.1 MEDIDAS PROTETIVAS QUE OBRIGAM O AGRESSOR
O art. 22 da Lei Maria da Penha, dispõe que o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência.
Uma das aplicações determinada pelo juiz, poderá ser o afastamento do agressor do lar, ou seja, do local em que convive com a vítima, bem como, proíbe o contato com a vítima, seja ele por meio telefônico, cartas, recados por terceiros, ou frequentação de lugares em que a vítima estiver, devendo manter uma distância mínima de aproximação entre vítima e agressor fixada pelo magistrado.
O juiz ainda pode determinar e fixar prestação de alimentos provisórios aos filhos menores ou a vítima, conforme prevê o art. 22, inciso V, da Lei Maria da Penha.
Ainda, o juiz pode suspender ou desautorizar as visitas prestadas aos filhos menores, desde que ocorra riscos de vida aos mesmos, e que seja acompanhada tal situação pelo Conselho Tutelar ou Serviço Psicossocial do Foro.
19 BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006
REVISTA JURÍDICA UNIANDRADE ISSN: 1806-6771 4.2 DAS MEDIDAS PROTETIVAS À VÍTIMA
As medidas que obrigam a vítima, está disposto no art. 23 da Lei Maria da Penha:
Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas:
I -encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;
II -determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor;
III -determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos;
IV -determinar a separação de corpos.20
Portanto, o Juiz deverá encaminhar a vítima aos programas de proteção e atendimento a mulher, em centros especializados e qualificados para prestar esse atendimento e apoio a mulher (nas áreas de psicologia, saúde e jurídica), podendo ainda, determinar a separação dos corpos sem haver prejuízos a mulher, e outras medidas previstas no próprio artigo de lei referido acima.
No Estado do Paraná, foi criado um órgão chamado Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar- CEVID, criado através do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, onde apresenta uma breve relação das intervenções com a vítima, encaminhada pelo Juízo, aos programas de proteção e atendimento:
• Realizar atendimento, individual ou em grupo, com vítimas e seus familiares, com o objetivo de informar, orientar e promover reflexões que possam contribuir para a interrupção do ciclo de violência.
• Promover entrevista com as mulheres vítimas, mediante agendamento prévio à audiência prevista no artigo 16 da Lei nº 11.340/2006, apresentando informações e considerações, que serão anexadas aos autos.
• Encaminhar vítimas e seus familiares aos recursos comunitários governamentais e não governamentais que compõem a rede de atendimento à mulher em situação de violência.
• Realizar, a critério técnico, visita domiciliar e visita institucional, com a finalidade de observar situações pertinentes ao processo.
• Promover contatos telefônicos com as vítimas de violência
20 BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006
doméstica para conhecer a gravidade/urgência da situação.
• Orientar sobre a necessidade de atendimento por Defensor Público ou profissional advogado.
• Elaborar laudos e pareceres por escrito ou verbalmente, quando em audiência.
• Emitir parecer com o objetivo de instruir o pedido de restrição ou suspensão de visitas do agressor(a) aos filhos.21
Ocorre que, muitas cidades brasileiras não possuem o encaminhamento das vítimas aos programas de proteção e atendimento a mulher, pois, se quer possui espaço para atendimento, e pessoas qualificadas. A lei ainda é falha em muitos aspectos, e esse é um deles.
Muitas mulheres não têm apoio e ajuda após as agressões, bem como, não possui condições financeiras de procurar um Psicólogo, ou até mesmo, ajuda da Assitência Social, para orientação de emprego, assistência jurídica, ajuda financeira e alimentação.
CAPÍTULO V- COORDENADORIA ESTADUAL DA MULHER EM SITUAÇÃO