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Destinos turísticos internacionais no Brasil

2.1 Turismo

2.1.1 Destinos turísticos internacionais no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil tem visto aumentar sua atratividade como destino turístico, isto ocorre fundamentalmente porque é um país com gigantescas diversidades naturais e culturais que se convertem em ricas oportunidades para

usufruir do lazer ou realizar negócios. Com a realização de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo FIFA 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, esse cenário positivo apresenta uma grande tendência a melhorar. Tanto para os locais que já são conhecidos e frequentemente visitados, como também para novos destinos a serem desbravados por esses visitantes.

Em virtude desses grandes eventos, o país parece entrar definitivamente na rota do turista estrangeiro. Segundo um estudo liderado pela Organização Mundial do Turismo divulgada, recentemente, o número de turistas que chega à América do Sul cresceu 6% no ano passado, o dobro do crescimento do ano anterior. Em 2013, foram 27,4 milhões de visitantes e, em 2014, esse número subiu para 29 milhões (OMT, 2014).

Os principais atrativos para os estrangeiros continuam sendo as belezas naturais do Brasil. O último dado quantitativo sobre a chegada de turistas revela que 5,8 milhões de turistas desembarcaram no País em 2013, desse total, a maioria era de argentinos (1,7 milhão), seguidos pelos norte-americanos (592 mil) e alemães (236 mil). Destes, 46,5% foram motivados por atividades de lazer e 25,3% pelos negócios.

Outros 21,8% estiveram no país para visitar parentes e amigos. Esse estudo de Demanda Turística Internacional, foi realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Mtur e foi realizado nos aeroportos internacionais e nas fronteiras terrestres brasileiras (EMBRATUR, 2014).

A lista dos destinos mais visitados por estrangeiros no Brasil é liderada pelas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, sendo a capital fluminense apontada como preferida entre os viajantes de lazer, enquanto a paulista é foco daqueles que tem como alvo negócios e eventos. Um terço dos visitantes internacionais motivados pelas atividades de lazer passaram pela cidade do Rio de Janeiro. Florianópolis (SC), que aparece em segundo lugar, recebeu 18,7% deste fluxo e Foz do Iguaçu, 17%. Na lista dos dez municípios mais visitados a lazer destacam-se, também, São Paulo, Armação de Búzios (RJ), Bombinhas (SC), Salvador (BA), Balneário Camboriú (SC) além de Angra dos Reis e Paraty, no Rio de Janeiro (MTUR, 2014).

São Paulo ficou com 47,6% do fluxo de estrangeiros que visitaram o Brasil a negócios ou para participar de eventos ou convenções. Líder como destino de lazer, o Rio de Janeiro é o segundo na preferência também do público que vem a trabalho, com 24,4% das indicações. Na sequência estão Curitiba (PR), Porto Alegre (RS),

Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu (PR), Brasília (DF), Salvador (BA) e Recife (PE).

Os estrangeiros que estiveram no País para a Copa avaliaram positivamente a hospitalidade do povo (97,4%), assim como a diversão noturna (93,4%), a gastronomia (93,2%), os restaurantes (92,8) e a informação turística (90,2%).

Consequentemente, os gastos de estrangeiros no Brasil chegaram a US$ 6,9 bilhões.

Em 2014, o gasto de turistas vindos do exterior bateu recorde, com US$ 203 milhões a mais do que foi registrado em 2013 – ano do recorde anterior, de acordo com dados fornecidos pelo Banco Central. Com isso, o turismo respondeu pelo ingresso de quase US$ 7 bilhões no Brasil (EMBRATUR, 2014).

2.1.2. Demanda turística internacional no Brasil

Cada vez mais um número maior de viajantes deseja passar férias no Brasil, segundo a rede social Minube. A comunidade é visitada por mais de 30 milhões de viajantes, reunindo Pinterest, Facebook, Twitter, Google+. Em 2014, a rede social noticiou os vencedores do prêmio “Social Destination Awards” (MTUR, 2014). É possível conferir os resultados disponíveis nos Quadros 3 e 4.

Quadro 3 – Os 10 países vencedores do prêmio “Social Destination Awards”

Países considerados melhores destinos turísticos

Espanha

França

Brasil

Itália

Índia

México

Grécia

Estados Unidos

Dinamarca

10º Malta

Fonte: elaborado pelo autor baseado em dados da rede social Minube (2014).

A partir das informações apresentadas, observa-se que o Brasil se encontra bem posicionado ocupando a terceira posição entre os países vencedores da

premiação. Está atrás somente da Espanha e França que ocupam o primeiro e segundo lugares do ranking respectivamente. O país ainda aparece em primeiro entre os países do continente americano, deixando México e Estados Unidos para trás.

Quadro 4 – As 10 cidades consideradas melhores destinos turísticos

Fonte: elaborado pelo autor baseado em dados do Minube (2014).

A cidade do Rio de Janeiro é a única cidade brasileira vencedora do prêmio e aparece na penúltima posição entre dois grandes destinos turísticos estadunidenses, Nova Iorque e São Francisco. É importante destacar que o destino Rio de Janeiro ocupa o segundo lugar entre as cidades do continente, ficando atrás de Cancun. A lista é liderada pela cidade de Paris, seguida por Cancun, Madrid, Roma e Zaragoza.

De acordo com o ranking de competitividade em turismo do Fórum Econômico Mundial, que avaliou 140 nações, o Brasil foi considerado o primeiro do mundo em atrativos naturais, está em 23º lugar por seus recursos culturais com muitos sítios do Patrimônio Mundial, apresenta uma boa proporção de área de terra protegida, e a fauna mais rica do mundo; conforme é possível ver em no anexo 1.

O setor de turismo de negócios e eventos é hoje o segundo maior fator de atração de visitantes estrangeiros para o Brasil: 25,6% dos turistas internacionais vêm ao país com essas finalidades, e seu gasto médio diário, US$ 127, é quase duas vezes maior que o desembolso dos turistas de lazer. O Rio de Janeiro se destaca por ser a cidade mais visitada pelos estrangeiros que vêm ao Brasil em busca de lazer. A cidade recebeu 1,6 milhão de turistas internacionais em 2012, segundo o último estudo do Ministério do Turismo (MTur) sobre a demanda turística internacional, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Posição Cidades (país)

Paris (França)

Cancun (México)

Madri (Espanha)

Roma (Itália)

Zaragoza (Espanha)

Barcelona (Espanha)

Londres (Inglaterra)

Nova York (EUA)

Rio de Janeiro (Brasil)

10º San Francisco (EUA)

A gastronomia, os restaurantes e os alojamentos, sobretudo a hospitalidade do brasileiro foram os itens mais bem avaliados pelos mais de 5,8 milhões de turistas estrangeiros que visitaram o Brasil em 2013. O percentual de aprovação desses serviços e infraestrutura turística superou os 93%, o país conseguiu também impressionar o visitante internacional com a segurança, a limpeza pública, o transporte urbano, os serviços de táxi e os aeroportos dos destinos brasileiros. Neste caso, o índice de satisfação foi superior a 72%, entre itens relacionados aos serviços turísticos e a infraestrutura (MTUR, 2014).

A fidelização do destino Brasil sofreu repercussão por causa da boa avaliação do turista internacional. Tanto que 96% dos entrevistados pela Fipe, executora da pesquisa do MTur, manifestaram intenção de retornar ao país. Um terço deles visitavam pela primeira vez os destinos brasileiros. O Estudo da Demanda Turística Internacional foi realizado em 15 aeroportos internacionais, que concentram 99% do fluxo aéreo, e 10 postos de fronteiras terrestres, que representam 90% da movimentação de estrangeiros. Ainda segundo levantamento, o país recebeu turistas de 203 nacionalidades durante o Mundial. A maioria (61%) ainda não conhecia o país e elogiou os serviços de infraestrutura e turismo. Os itens mais bem avaliados foram a hospitalidade e gastronomia, com 98% e 93% de aprovação respectivamente.

92% dos turistas avaliaram positivamente a segurança pública. Os táxis, informações turísticas e transporte públicos foram aprovados por nove em cada 10 visitantes internacionais e os aeroportos por oito em cada dez. “O Brasil se mostrou preparado para sediar um evento desse porte. Agora temos o desafio de transformar o interesse do estrangeiro em negócios para o país e benefícios para a população, com a geração de emprego e renda”, disse o então ministro do Turismo, Vinicius Lages (MTUR, 2014).

O estudo revelou ainda que os brasileiros são mais críticos que os estrangeiros.

O atendimento e a receptividade são considerados positivos para 90,5% dos turistas domésticos, e a segurança por 83,8% - 7,5 e 8,2 pontos percentuais abaixo da avaliação internacional respectivamente. Os estádios foram aprovados por 92% dos brasileiros e 98,2% dos estrangeiros. O estudo mostrou ainda que o Mundial beneficiou mais que as 12 cidades-sede. Os turistas estrangeiros, que permaneceram em média 13 dias no país, estiveram em 378 municípios brasileiros, incluindo as cidades-sede.

A avaliação dos turistas domésticos e internacionais foi feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) respectivamente. A pesquisa ouviu 6.627 estrangeiros e outros 6.038 brasileiros desde o início do Mundial. Além dos turistas a pesquisa ouviu a opinião da imprensa internacional. Os atrativos turísticos foram o quesito mais bem avaliado, com 98,4%

de aprovação, seguida da diversão noturna e da informação turística, com 96,2% e 90%. Praticamente todos (96,5%) os profissionais de mídia recomendariam uma viagem ao Brasil para amigos e familiares.

O gasto de turistas estrangeiros no Brasil bateu recorde no ano passado, com US$ 203 milhões a mais do que foi registrado em 2013 - ano do recorde anterior. Os números foram divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (23). Com isso, o turismo respondeu pelo ingresso de quase U$ 7 bilhões no país. Os viajantes internacionais gastaram US$ 524 milhões no Brasil apenas no mês de dezembro. Na avaliação do diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo, José Francisco Lopes, a quebra de um segundo recorde consecutivo comprova a evolução do turismo brasileiro. "A Copa do Mundo teve papel fundamental no novo recorde", disse ele.

Os dados do Banco Central mostram que em junho e julho - meses de realização da Copa, os visitantes internacionais gastaram US$ 1,5 bilhão no país, valor recorde que representou um aumento de 60% na comparação com igual período de 2013. Um levantamento realizado pelo Ministério do Turismo, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), revela que o país recebeu turistas de 203 nacionalidades durante o Mundial. Eles permaneceram em média 13 dias no país e estiveram em 491 municípios brasileiros, incluindo as cidades-sede (MTUR, 2014).

2.2. Hotelaria

A hotelaria é um dos principais serviços turísticos existentes, e sua evolução se deu com grandes influências gregas e especialmente romanas. A Bretanha, por exemplo, durante muitos séculos dominada por Roma, incorporou a sua cultura a arte de hospedar, multiplicando pousadas ao longo de suas estradas. Segundo Campos e

Gonçalves (1998), essa mesma tendência era comum a quase todos os países europeus, igualmente influenciados pelos romanos.

Pode se considerar que a rede hoteleira começou a se fortalecer e a ganhar espaço no mercado a partir do desenvolvimento da atividade turística, uma vez que é do turismo a origem da maior parte da demanda para os estabelecimentos de hospedagem. É interessante explicar que a palavra hospedagem vem do latim e, originalmente significa hospitalidade, dada ou recebida, e também aposento destinado a um hóspede.

O termo hospitalidade também do latim, mantém até hoje o sentido original, que serve para designar o bom tratamento oferecido a alguém que se abrigue em nossas casas. A palavra hospital tem a mesma origem, significando o bom recebimento dos doentes para tratamento de cura (CAMPOS; GONÇALVES, 1998).

A importância da hotelaria no turismo é indiscutível, já que sua falta pode afetar o desenvolvimento de determinado destino. É ela que propicia ao turista o amparo necessário para uma boa estada no núcleo receptor. Acredita-se que o surgimento da hotelaria teria se iniciado a partir da necessidade que os viajantes de outrora tinham de se abrigar e se alimentar durante suas viagens.

A primeira notícia sobre a criação de um espaço destinado especificamente à hospedagem vem de alguns séculos antes da era Cristã, quando na Grécia antiga, eram realizados os Jogos Olímpicos e para esses eventos foram construídos o estádio e o pódio. Mais tarde, acrescentaram-se os balneários de uma hospedaria objetivando abrigar os visitantes. Essa hospedaria teria sido o primeiro hotel de que se tem notícia (CAMPOS; GONÇALVES, 1998, p. 71).

Assim os meios de hospedagem têm sua origem nas hospedarias, cujos serviços quando comparados com os atuais não eram nem um pouco confortáveis.

Muito provavelmente tratavam-se de lugares desprovidos de infra-estrutura, de acomodações inadequadas e muitas vezes eram pouco higiênicos.

No que se refere ao Brasil, Pires (2001) explica que tarefa difícil é saber, precisamente, o momento em que a estalagem e o hotel começaram a se distanciar um do outro. Mas acredita-se que o Rio de Janeiro teve precedência, pois por volta da década de 1830 já ocorriam a presença de alguns hotéis franceses e italianos distintos das hospedarias, apresentando inclusive alguns serviços diferenciados.

Pires (2001) também esclarece em sua obra, que além do Rio de Janeiro ter apresentado precedência quanto à introdução de hotéis, estes estabelecimentos

também se proliferaram em São Paulo, tirando da mentalidade do povo, em um curto período, a visão pejorativa que levavam, pelo menos quanto à prestação de alguns tipos de serviços bem específicos.

Embora alguns defendam que o surgimento dos hotéis se deu à presença de fazendeiros de café na capital paulista, o fato é que dificilmente estes utilizavam tais serviços, pois tanto em São Paulo, quanto no Rio de Janeiro, eram raros os fazendeiros que não possuíam várias casas, não necessitando usufruir as referidas acomodações. Quem realmente utilizou os primeiros hotéis foram os viajantes.

Aos poucos os hotéis foram ampliando seus serviços, alugando suas dependências para bailes e disponibilizando os serviços de restaurante para o público.

Para aqueles com situações econômicas mais elevadas tornou-se comum a frequências nestes estabelecimentos, e a partir da década de 1870 alguns hotéis já se diferenciavam consideravelmente das hospedarias.

Para Campos e Gonçalves (1998) após a criação da Embratur várias instituições e empresários, com as possíveis obtenções de benefícios fiscais, viram- se tentados nos empreendimentos de novos projetos ligados ao setor hoteleiro. As atratividades das linhas de crédito e o financiamento dos bancos mediante os projetos analisados e aprovados pela Embratur, eram outras motivações.

Para uma melhor compreensão do estudo, apresenta-se sinteticamente o histórico e evolução da hotelaria no mundo, destacando os principais aspectos de cada época no Quadro 5, é possível observar que desde seu nascimento, a hotelaria tinha como propósito o abrigo, o descanso e a privacidade, assim como nos dias atuais; e sua notável expansão deu-se após a segunda guerra mundial.

Quadro 5 – Marco da hotelaria no mundo

Período Evolução da Hotelaria no mundo

Antiguidade

“O mais antigo registro a respeito da hospedaria organizada data da época dos Jogos Olímpicos, em cuja organização e instalações constavam o dispositivo de recepção e hospedagem, que consistia em um abrigo de grandes dimensões, em forma de choupana.

Denominava-se Asylon ou Asilo, porque era um recinto inviolável, com a finalidade de permitir o repouso, a proteção e privacidade dos atletas de fora, convidados a participar das cerimônias religiosas e das competições esportivas” (ANDRADE, 2000, p. 165).

Quadro 5 – Marco da hotelaria no mundo (continuação) Período Evolução da Hotelaria no mundo

Séc. IV a.C.

O governo romano iniciou a diversificação de caminhos, assim, os viajantes tinham maior variedade de destinos e possibilidades de alcançar os pontos e locais de diversão e lazer para realizar o turismo.

Nesta época, o alojamento era feito em casas, templos e acampamentos.

Séc. II a.C. a II d.C.

Em Roma os estábulos eram o ponto de descanso para os plebeus.

Em seguida, surgiram as estalagens junto às tabernas, para obrigar os nobres e oficiais

Séc. III d.C.

Em Roma, Jerusalém e Meca, iniciam-se as peregrinações religiosas com a liberação do cristianismo por Constantino – “o Grande” -, surgem as hospedarias, alojamentos e instalações rústicas e alimentação.

Séc. IX

Intensificaram-se as peregrinações religiosas jacobinas, por terra e por mar, para Santiago de Compostela (Espanha); budistas para o extremo oriente; Hindus e Muçulmanos para Shri Para (Índia), surgindo assim novas hospedarias.

Séc. XII

As viagens na Europa intensificaram-se devido maior segurança nas estradas, e rapidamente as hospedariam estalaram-se ao longo delas. Neste momento surgem leis e normas para regulamentar a atividade hoteleira, principalmente na França e na Inglaterra.

Séc. XIV Surgimento do primeiro hotel comercial do mundo e ainda hoje existente: o Wkalet-Al-Ghury, na cidade do Cairo, Egito.

1750 a 1850

Na Inglaterra, as estalagens foram substituídas pelos Inns (hotéis de categoria econômica), que ofereciam diversidades de serviços, alto padrão de limpeza e excelente alimentação. No interior da Inglaterra, muitas pousadas se desenvolveram a partir dos monastérios que fechavam suas portas.

Séc. XIX

O setor hoteleiro é impulsionado pela Revolução Industrial, o capitalismo, a produção, as facilidades de locomoção (máquina a vapor, motor de explosão), fluxos organizados por ferrovias (Thomas Cook, 1841 – a primeira agência de viagens) e também as reservas e o voucher hoteleiro. Os Estados Unidos tornaram-se os maiores do mundo em número de albergues e ofereciam os melhores serviços da época. Neste século, a expansão econômica norte-americana provocou aumento no turismo de negócios e no de lazer. As grandes transformações da hotelaria europeia vieram com o suíço César Ritz.

1870

Fundado o Conselho Internacional de Hoteleiros em Colônia, Alemanha, por quarenta hoteleiros de várias nacionalidades, que criaram estatutos próprios.

1950

Após a II Guerra Mundial, houve um estímulo no que se refere à construção de hotéis nas capitais e nos centros de atração turística de diversos países.

Fonte: Cândido; Vieira (2003); Beni, (2003); Andrade, (2000); Campos; Gonçalves, (1998).

No Brasil, inicia-se o desenvolvimento da hotelaria a partir de 1808. Porém, somente no início dos anos 1900 dá-se o avanço no setor devido a incentivos

econômicos, conforme se observa no Quadro 6. A chegada das redes hoteleiras internacionais impulsiona a competitividade e o crescimento no setor.

Quadro 6 – Marco da hotelaria no Brasil

Período Evolução da Hotelaria no Brasil

1808 Incentivo de implantação de hospedarias no Rio de Janeiro com a vinda da corte portuguesa para o Brasil.

1904 Primeira lei de incentivos para a implantação de hotéis no Rio de Janeiro.

1946 Proibição dos jogos de azar e fechamento dos cassinos.

1966 Criação da EMBRATUR e do FUNGETUR, que viabilizam a implantação de grandes hotéis.

1990 Entrada definitiva das redes hoteleiras internacionais no país.

Fonte: Andrade; Brito; Jorge (2007, p. 25).

2.2.1 Números da hotelaria mundial

Intrinsecamente ligada à indústria de viagens e turismo, a hotelaria é um setor que contribuiu sete trilhões de dólares para a economia global em 2013, com base nesses dados pode-se constatar que a indústria hoteleira é certamente rentável. É considerada um mercado promissor, pois segundo relatório publicado no ano passado pela consultoria Euromonitor International, a previsão é que essa indústria alcance cerca 550 bilhões de dólares em receita em dólares em 2016.

Em 2014, a taxa de ocupação de hotéis em todas as regiões do mundo tinha aumentado nos últimos 02 anos consecutivos, levando-se a concluir que houve um aumento da demanda para a indústria hoteleira a nível mundial; e segundo dados de relatório publicado no website Statista.com aEuropa foi a região com a maior taxa de ocupação em 2014, com 68,8%, seguida de perto pela região Ásia-Pacífico com 68,6 por cento, Oriente Médio e África tiveram 63,3% e Américas com 62,3%.

Ainda no ano de 2014, a indústria hoteleira registou um crescimento constante em todo o mundo, como resultado da expansão por parte das empresas, de seus serviços e instalações durante a implementação expressiva de novas tecnologias voltadas para o crescimento do mercado de tech-savvy1. O turismo internacional tinha como meta bater um novo recorde no final de 2014, com mais de

1 Tech-savvy: segundo o dicionário Oxford é um termo informal referente à pessoa bem informada ou proficiente no uso de tecnologia da informação, especialmente computadores.

1,1 bilhão de turistas internacionais que viajaram o mundo em um único ano (UNWTO, 2015).

Não obstante, durante o ano de 2014, o número de turistas internacionais cresceu 5 %, elevando-se acima de um esperado crescimento de 4,5 %, no mesmo período, mais de 1.470 hotéis de alto nível com 309.000 quartos foram inaugurados em todo o mundo. Estima-se que esse crescimento positivo deverá continuar em 2015 com projeções que haverá 2.400 novas propriedades de luxo, inauguradas em todo o mundo.

No que refere à indústria hoteleira como fornecedora de serviços que visa atender a demanda turística, a revista Forbes, em matéria veiculada em sua página na internet, diz que viagens e turismo representam 9 % do PIB global, e é a indústria que mais emprega em todo o mundo sendo responsável por 01 em cada 11 postos de trabalho. No entanto, tão grande quanto o tamanho dessa indústria, é o seu potencial que tende a ser muito maior. Ainda de acordo com a revista, na próxima década, prevê-se que esta indústria criará um adicional de 75 milhões de empregos, fundamentando-se nos números que dizem que a população de turistas dobrou nos últimos 20 anos na estimativa que ela deverá dobrar novamente nos próximos 20 refletindo-se também no aumento na população de classe média no mundo.

Com relação à criação de novos postos de trabalho, cabe uma reflexão acerca do capital humano, será que as empresas que compõem a indústria hoteleira estão investindo muito em tecnologia e automação, negligenciando a importância das pessoas na indústria da hospitalidade? Segundo o relatório da empresa de consultoria inglesa Deloitte Touche Tohmatsu sobre a indústria hoteleira em 2014, o engajamento dos colaboradores está correlacionado com a satisfação do cliente, retenção de clientes e desempenho geral da empresa, e muitas empresas hoteleiras perceberam isso e estão investindo pesadamente no desenvolvimento de talentos.

O relatório afirma ainda que as empresas com programas robustos de gestão de talentos estarão bem posicionadas para se beneficiar-se da recuperação econômica global ao longo dos próximos cinco anos, ao passo que as empresas globais começam a se expandir para novos mercados e enfrentar novas exigências dos consumidores. Sheldon Adison, Presidente e CEO2 da Las Vegas' Sands

2 CEO: Chief Executive Officer (Diretor Executivo).

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