facilidade e relatam que gostariam que fossem atendidas pelo Ginecologista durante todo o processo gestacional, e após o nascimento do bebê ele fosse atendido pelo Pediatra, pois já que esses profissionais atuam na Unidade de Saúde. Diz A.S.: “Que elas fossem atendidas pelo Ginecologista, já que há no Posto, e pela Pediatra sempre até um ano de idade da criança. O mesmo discurso é observado por outro profissional que quando isso acontece fica mais difícil alcançar a qualidade do atendimento. E. (2) Quando ficamos sem Ginecologista, encontramos dificuldades, pois nem tudo podemos resolver, isso é um transtorno quando temos que encaminhar”.
14. Os profissionais que não encontram dificuldades no atendimento a gestantes e puérperas: na maioria da fala dos entrevistados observou-se que não houve dificuldades de realizar suas atividades em sua prática profissional, mas observa-se os conteúdos latentes nas falas dos profissionais no sentido de dificuldades em poder aplicar sua experiência profissional em seus atendimentos.
15. Dificuldades de cunho administrativo no atendimento a gestantes e puérperas:
observou-se a manifestação embora sucinta e cuidadosa, de parte dos entrevistados sobre ter dificuldade de ordem administrativa, no que se refere A.S.-“ As Enfermeiras não conseguem a liberação da administração interna da prefeitura, elas tem outro projeto além daquilo ali , e elas são podadas também” dizem que elas reclamam muito porque elas não tem a liberdade que elas queriam como profissão”. Por em prática seus projetos para qualificar suas práticas profissionais em seus atendimentos.
Segundo Silva (2004) na propagação dos primeiros PSFs, atribuídos no contexto histórico de 1993, a equipe era composta minimamente por: um (1) médico generalista, um (1) enfermeiro, um (1) auxiliar de enfermagem, quatro (4) à seis (6) agentes de saúde. Hoje as novas pesquisas de atualização desta equipe fez-se necessária implementação das chamadas equipes complementares compostas por Cirurgião Dentista, Ginecologista, Nutricionista, Psicólogo, Fisioterapeuta, Pediatra, Farmacêutico, Acupunturista, e demais áreas, conforme as necessidades do local. No PSF da Unidade de Saúde do município de Antonio Carlos, é composta pelos profissionais da equipe básica, e da equipe complementar, há um Médico Pediatra, Ginecologista, e Odontólogo.
Quanto a percepção do conceito de saúde da gestante para os profissionais do PSF, identificou-se que os entrevistados se preocupam com o bem estar, físico, mental, e social das gestantes e puérperas contemplando o conceito de saúde que visa um completo bem estar biopsicossocial, e buscam aplicá-los em seus atendimentos . A necessidade de se ter um atendimento biopsicossocial é confirmada por Stern (1997) ao qual descreve que durante a gravidez mulher passa por uma reorganização psíquica, no âmbito social, de identidade feminina e por mudanças familiares tão significantes que são chamados de constelação da maternidade.
A demanda das gestantes e puérperas nos aspectos emocionais durante a gravidez, mostrando a necessidade de um atendimento psicológico é evidente, pois são trazidas pelas gestantes nas consultas segundo os entrevistados , bastante ansiedade em relação ao feto, com o parto, e pelas puérperas preocupações com a amamentação, confirmando a teoria de Maldonado ( 2000) em que no primeiro trimestre da gravidez com os movimentos fetais geram para a mãe um sentimento de alivio um sinal que o feto está vivo, mas quando não consegue sentir os movimentos surge o temor de que algo não esta bem aí vem a ansiedade. O medo de ter um feto malformado requer atenção. Os temores da maternidade se expressam muitas vezes em fantasias, medo de morrer no parto, do corpo não voltar ao normal, de não ter leite o suficiente, ou fraco, simbolizando sentimentos de inadequação e desvalorização como mãe, e de autopunição. Nos últimos meses de gravidez, com a proximidade do parto, a ansiedade começa a aparecer com mais freqüência e os níveis tendem a elevar-se. Os sentimentos são contraditórios, da vontade de ter o filho, a de prolongar a gravidez para adiar a adaptação necessária com a vinda dele.
Os objetivos e ações desenvolvidas pelos profissionais de saúde que atuam no PSF, da Unidade de Saúde de Antônio Carlos, vão ao encontro com os conceitos do papel de um profissional do PSF, em proporcionar nos atendimentos á gestantes e puérperas e as crianças,
um atendimento voltado na prevenção de doenças, e a promoção da saúde de forma contínua, desde o período pré-natal após o parto acompanhando e até o desenvolvimento infantil .Os profissionais que atua m no PSF abrangem uma estratégia que prioriza as ações de promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos da comunidade bem como os membros de sua família, dos recém – nascidos, dos idosos sadios e doentes de forma integral e contínua na atenção básica (MINISTÈRIO DA SAÙDE, 2000).
Falando ainda sobe os objetivos de trabalho dois (2) dos entrevistados relataram ter a preocupação com o bem estar emocional da gestante, esses profissionais percebem através de seus atendimentos de gestantes pela demanda encontrada, de gravidez não desejada, de adolescentes, na primeira gestação, não tem apoio da família, segundo E. (02) “cada caso é diferente, por isso é muito importante um acompanhamento psicológico para que essas gestantes tenham uma gestação mais tranqüila”. E se não há como a gestante fazer um acompanhamento psicológico, estes profissionais tentam fazer este papel da melhor maneira possível. Contemplar este aspecto é muito importante para a gestante , pois a gravidez segundo Szejer (1997) é um período rico e intenso de vivências emocionais e que por si só, traz para o relacionamento familiar, novas atitudes e responsabilidades, e mudança do papel social, estará se instalando, tanto na gestante como no casal em si, uma nova identidade. A mulher precisa deste apoio do profissional, da família e da comunidade. A chegada de um novo membro à família pode gerar um aumento na tensão familiar, pois traz consigo a necessidade de uma reformulação nos papéis e nas regras de funcionamento dessa nova família (MINUCHIN, 1982).
Em relação às mudanças no corpo que a gravidez traz para a mulher, uma das preocupações em que a literatura considera relevante neste período, não foram observadas através dos relatos, as puérperas não trazem esta queixa, mas sim é o profissional que tem essa preocupação de mostrar a mãe a importância deste bem estar. O modo como a mulher reage perante as adaptações corporais segundo a teoria de Maldonado (2000) são de diferentes maneiras: oscilam entre sentimentos de orgulho do corpo grávido quando essa nova estética vem compartilhado pelo marido; outras mulheres sentem-se deformadas e feias incapazes de atrair sexualmente alguém É neste momento que surgem o medo da irreversibilidade, a dificuldade de acreditar que as várias partes do corpo terão a capacidade de voltar ao estado anterior à gravidez e a preocupação de ficar flácida depois do parto. E após o parto segundo Szejer (1997) apesar de ser a primeira constatação que a mulher faz é em relação a diferença que está seu corpo, a função de ser mãe preencherá esta nova fase.
Ao serem questionados sobre dificuldades no atendimento, de maneira geral os entrevistados relataram não haver dificuldades em desempenhar seu trabalho nos atendimentos das gestantes e puérperas, porém isto foi os dados manifestos, mas observou-se dados latentes através das falas de maneira minuciosa de alguns entrevistados,( M.C.G, E.
A.S) dificuldades administrativas, no sentido de aplicação de mais projetos, no intuito de melhorar a prática de atendimento ás famílias, bem como ter mais tempo para visitá-las a domicilio. Bem como fatores, pois a falta de conhecimentos sobre a gestação, acabam gerando ansiedade para as próprias mães ao mesmo tempo que nem todas podem participar do grupo de gestante onde é oferecido as informações decorrentes sobre a gestação.
Já na questão de possíveis alterações nos programas, embora os entrevistados relatarem que a Unidade de Saúde oferece um atendimento integral as gestantes e puérperas, a maioria deles sugeriram alterações, e uma delas bastante relevante, foi de que as gestantes tenham acesso ás consultas mensais com o Médico Ginecologista e Pediatra, essa demanda é advinda das próprias gestantes. E um (1) profissional relatou nesta questão que seria importante que a Unidade de Saúde tivesse um Psicólogo para participar do grupo de gestante dando palestras para que fiquem mais tranqüilas, e fazer acompanhamento psicológico em todo o processo gestacional.
No entanto apesar de o PSF conter uma equipe básica e uma equipe complementar, que juntos tentam atingir os objetivos do Programa, e a preocupação em contemplar todos os aspectos biológico, mental e social da saúde da gestante e da puérpera, percebe-se que nem sempre há a possibilidade de articular tais conceitos na prática. Pois não consta a atuação de um profissional Psicólogo na Unidade de Saúde, nem mesmo nas palestras oferecidas mensalmente no grupo de gestantes, onde atuam profissionais de várias áreas. Sendo assim são oferecidos a gestantes todo o aparato para o bem estar físico, mas para o bem estar psicológico, na prática, quem tenta amenizar essa demanda psicológica quando observada, acaba sendo, a Enfermeira e/ou os Médicos, e não por um profissional habilitado que possa acompanhar a mulher neste ciclo de vida.
Além disso foi observado com a pesquisa que uma das queixas das puérperas em suas consultas é de não ser atendida mensalmente pelos profissionais, Médico Ginecologista e pelo Pediatra, a não ser se a gravidez é de auto risco. Sendo que estes profissionais atuam na Unidade de Saúde e fazem parte da equipe complementar do PSF.
Todos assas reflexões analisadas através da pesquisa demonstram que um dos princípios e diretrizes do SUS, da LEI 8080, Art. 7, está prejudicada, a questão da integralidade, que garante o direito ao atendimento integral, reconhecendo o cidadão como
um todo, sem prejuízo dos serviços assistenciais, entendida como um conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todo os níveis de complexidade do sistema, ou seja, nos aspectos biopsicossociais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000 ).
Após categorizar e analisar e refletir sobre as entrevistas pôde-se compreender diante da percepção de saúde, que os profissionais entrevistados tem a compreensão de proporcionar a gestante e puérpera um atendimento que proporcione o bem biopsicossocial, porém percebe- se que não há uma integra articulação entre o conceito de saúde com a prática profissional, pois falta na Unidade de Saúde um profissional habilitado que atua na área psicológica, para poder contemplar o aspecto psicológico e também social da gestante e puérpera.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este Trabalho de Conclusão de Curso- TCC apresentou uma revisão da literatura sobre as características mais significativas sobre gestação e puerpério, em seus aspectos biopsicossociais, importância do apoio da família, do marido, os significados da função paterna materna, e sobre o vínculo e apego, a partir de autores tais como, Soifer (1986), Stern (1997), Szejer (1999) Bowlby ( 1989,19998, 2002) e fundamentalmente Maldonado (2000).
Incluindo informações como os conceitos de saúde, e das propostas e objetivos do SUS e Programa Saúde da Família a partir do Ministério de Saúde , de Brasil ( 1997,2000,2001).
Na seqüência, foram descritas categorias a partir dos dados coletadas das entrevistas realizadas com profissionais de saúde da Unidade de Saúde de Antônio Carlos – S.C. As categorias foram posteriormente analisadas e discutidas levando em conta a percepção de saúde e a articulação entre o conceito e a prática dos profissionais do PSF. A seguir, ainda no item considerações finais, são apresentados os principais resultados e contribuições bem como recomendações para trabalho futuro, considerando questões de pesquisa e desenvolvimento suscitadas a partir dos resultados.