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Antes do fim

No documento Diálogo Cordial: (páginas 167-174)

4. O FRACASSADO E O HERÓI (DESFECHO)

4.1 Antes do fim

Com a saída de Lourival Fontes da direção do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em agosto de 1942, a revista Cultura Política adquiriu um novo formato, segundo Almir de Andrade a pedido de seu novo diretor, o major Antônio Coelho dos Reis. De fato, essa seria a única mudança significativa por que a revista passaria durante todo o período em que foi publicada124. A partir daí e até o final, ela manteria o mesmo formato de seções, ainda quando Coelho dos Reis fosse substituído, em julho de 1943, pelo capitão Amílcar de Castro de Menezes. Fizemos anteriormente referência a essa mudança assinalando que, a partir de então, a revista deixaria de estar organizada em torno de grandes seções fixas e perderia a estrutura rígida que a havia caracterizado em seus primeiros dezoito números, isto é, no que consideramos aqui como tendo sido sua primeira fase.

Na verdade, se essa afirmação se aplica à revista como um todo, mais ainda à seção Brasil Social, Intelectual e Artístico que analisamos nos últimos dois capítulos. Não sendo a única grande seção da revista, ela contava dentre todas, no entanto, com o maior número de colunas e de colaboradores permanentes em suas três subseções: Evolução Social, Evolução Intelectual e Evolução Artística.

Desses colaboradores, alguns seguiriam escrevendo com periodicidade praticamente mensal, mas essa não seria a regra geral. Por um lado, mesmo os que seguiram colaborando, como Graciliano, Marques Rebelo e Wilson Lousada, entre outros, não o faziam com a mesma sistematicidade. Por outro, sem acompanhar a revista mês a mês, não era mais possível afirmar com segurança se o número conteria ou não essa ou aquela seção. Para darmos um exemplo: as crônicas de Graciliano e Rebelo, que antes apareciam dentro da subseção Evolução Social, sob os títulos Quadros e costumes do nordeste e Quadros e costumes do centro e do sul, respectivamente, tornam-se um pequena seção em si mesma:

Quadros e costumes regionais. Entretanto, além de não sabermos de antemão quem seriam os colaboradores do mês, não era possível nem mesmo ter certeza de que a seção estaria, ainda que ela estivesse em grande parte dos números.

124 A revista mudaria ainda de capa, a partir do número 34, de novembro de 1943. Outra mudança

aparentemente “menor”, mas que não deixa de ser muito significativa, é a substituição do tipo de papel utilizado na impressão da revista por ocasião da saída de Lourival Fontes. A piora na qualidade do papel é um indício provável de que a verba disponível não se manteve a mesma durante todo o período em que a revista foi publicada.

Afirmamos também que, em se tratando especialmente da seção Brasil Social, Intelectual e Artístico, a figura do colaborador acabava se sobrepondo a do autor, uma vez que os textos recebiam títulos fixos, próprios à coluna a que eles correspondiam. Assim, somente a partir de setembro de 1942 é que as crônicas de Graciliano, Marques Rebelo e mesmo Wilson Lousada surgiriam com seus

“verdadeiros” nomes, remetendo-nos não à organização da revista, mas ao tema de que efetivamente tratavam. A essa ausência de títulos, em si mesmo significativa, somou-se ainda, durante a primeira fase da revista, a presença, fossem dos textos introdutórios à seção como um todo e a cada uma de suas subseções, fossem dos cabeçalhos, que eram ao mesmo tempo uma apresentação do autor e da crônica que o leitor teria diante de si. Durante seus primeiros dezoito números, os cabeçalhos relativos a todas as seções apareceram, no entanto, aleatoriamente, ao contrário dos editoriais que Rosário Fusco escreveu mensalmente para a seção Brasil Social, Intelectual e Artístico. Assim mesmo, um e outro cumpriram uma função importante: para além do cuidado visivelmente dedicado à revista que eles atestam, eles serviram para enquadrar o discurso dos colaboradores da revista dentro de um marco geral de ampla colaboração dos intelectuais com o Estado Novo125. Assim, não era necessário que os autores apoiassem explicitamente o regime por meio de seus textos – o que, ademais, podemos afirmar agora que eles não fizeram.

Mas essa não foi a única função que eles cumpriram. Cultura Política tinha em média entre duzentas e trezentas páginas mensais, sendo, segundo seu editor, uma revista “pesada” e “maçuda” (ANDRADE, 1985, p. 2). Mesmo com uma excelente qualidade gráfica, ao menos em sua primeira fase, e textos que, ainda hoje, não deixam de ser interessantes, é pouco provável que seus leitores fizessem uma leitura completa da revista. Nesse sentido, como afirmamos anteriormente, as grandes seções permitiam uma delimitação temática bastante clara, facilitando uma leitura orientada por interesses potencialmente diversos, em relação aos assuntos

125 O melhor exemplo dessa interpretação continua sendo o editorial que Almir de Andrade escreve a propósito dos primeiros dezoito números da revista, isto é, no último número de sua “primeira fase”: “Todos aqueles que, em suas páginas, trabalharam, investigaram e pensaram, o fizeram sempre acima de quaisquer outros interesses de partido ou doutrina, que não fossem os grandes e verdadeiros interesses do Brasil. Em 18 números já publicados, com a colaboração de cerca de 200 intelectuais de todas as categorias e especialidades e cerca de 1000 artigos sobre todos os assuntos, Cultura Política se apresentou sempre como um só corpo e um só pensamento, numa demonstração sincera e esclarecida de compreensão, de quotidiano apoio e de perene solidariedade com a ação política do Governo” (ANDRADE, CP, agosto de 1942, p. 8). Exemplificando essa mesma perspectiva, ver ANDRADE, CP, abril de 1942.

políticos ou culturais. Assim, no que diz respeito aos potenciais leitores e já não mais aos colaboradores da revista, tanto os cabeçalhos quanto os editoriais acabavam dando um sentido implicitamente político mesmo a temas que aparentemente não diziam respeito à política, mas à cultura. Dizendo de outra maneira: abrindo-se um exemplar da revista em sua primeira fase, estamos diante de uma divisão temática explícita que sugere que a cultura ocupava aí um lugar por si mesma, independente dos temas políticos. E em certo sentido era assim, na medida em que os colaboradores da seção cultural parecem ter tido liberdade para tratar de seus assuntos sem se posicionarem a respeito das questões políticas que a própria revista apresentava. Nesse contexto, no entanto, o que os cabeçalhos e os editoriais permitiram foi realizar, na prática, o que o regime pregava em termos ideológicos, isto é, tornaram palpável a noção de cultura política.

Essa hipótese se reforça ainda mais se levarmos em conta que não só os colaboradores eram permanentes e escreviam mensalmente, mas também que seus textos apresentavam na maioria dos casos uma continuidade temática. Lembremos, por exemplo, das crônicas escritas por Pedro Dantas (Prudente de Moraes, neto) e Wilson Lousada: por si sós, elas não são favoráveis ao Estado Novo. Entretanto, a adoção por parte dos autores de uma perspectiva histórica de curto prazo, assim como a história que elas nos contam produz a sensação de que se vivia uma época de grandes e recentes mudanças e em que política e cultura caminhavam juntas – ou, nas palavras da revista, evoluíam juntas. A partir da história literária desse período sabemos que essa sensação não foi, em si mesma, um produto do Estado Novo, ainda que talvez ela tenha se imposto como resultado do clima social gerado pela Revolução de 1930. Entretanto, que o regime haja se apropriado e reforçado essa relação a partir de 1937 – e, no caso de Cultura Política, a partir de 1941 – confirma a existência de um projeto político-ideológico extremamente sofisticado baseado na manipulação da liberdade que o regime primeiro confiscou e, logo, cedeu dentro de limites estabelecidos por ele mesmo.

Era importante chamar a atenção para esse ponto para entendermos o significado da mudança de formato da revista a partir de setembro de 1942. Como já afirmamos, as grandes seções desaparecem e, se os temas que servem de pauta para a revista se mantêm mais ou menos os mesmos, a diminuição no número de artigos relativos às antigas seções ou subseções acaba por implicar uma perda de eficácia no que diz respeito à cobertura dos múltiplos aspectos da vida social

brasileira, considerados em termos regionais e históricos, que era o objetivo primeiro de Cultura Política126. Tendo como base o que havia sido a seção Brasil Social, Intelectual e Artístico, por exemplo, vê-se que as colunas relativas ao teatro, ao cinema e às artes plásticas vão paulatinamente desaparecendo. Também os quadros da vida regional tornam-se uma pequena seção independente que passa a contar com outros colaboradores além de Graciliano e Marques Rebelo e, assim mesmo, não aparece em todos os números. A preocupação com o passado nacional, seja com as tradições populares, seja com a recuperação documental da história brasileira continua presente. Contudo, é inegável que há uma sensível redução na multiplicidade de artigos antes dedicados aos temas culturais e históricos e, arriscaríamos a dizer, mesmo em relação aos temas econômicos ou referentes à administração, ao passo que os assuntos militares adquirem maior relevância.

Referimo-nos aqui a assuntos militares, assim de maneira generalizada, porque não se tratava somente de reportar os acontecimentos que diziam respeito ao conflito mundial ou à posição que o Brasil assumia nesse conflito.

Representantes dos distintos setores do exército passariam a ter mais espaço na revista, recuperando em seus artigos a história do exército brasileiro ou de seus patronos e, mesmo, enfocando aspectos da realidade regional brasileira desde uma perspectiva militar127. Tudo isso sem contarmos a exploração propagandística da figura de Getúlio Vargas como grande líder, com a reprodução exaustiva de seus pronunciamentos que eram seguidos de comentários por parte da revista.

Mudanças, ao final, compreensíveis se levarmos em conta que especificamente nesse contexto ambos os diretores que substituíram Lourival Fontes à frente do DIP eram militares128.

126 Para voltarmos ao conhecido editorial com que Almir de Andrade abriu o primeiro número da revista: “O que somos, o que pensamos, o que realizamos em todos os setores da nossa atividade criadora – na política, na economia, na técnica, nas artes, nas letras, nas ciências – ficará estampado nestas páginas, através do depoimento de todas as gerações que hoje vivem, em todas as cidades e rincões do Brasil. Uns após outros esses depoimentos virão, do norte e do sul, do litoral e do centro, de velhos e moços, de gerações da República e do Império, de antes e de após-guerra. Eles falarão pelo Brasil. Porque eles são o Brasil” (ANDRADE, CP, março de 1941, p.8).

127 Bom exemplo disso são os artigos escritos pelo coronel-aviador Lisias Rodrigues, que ademais chegou a publicar, nesse período, dois livros pela Livraria José Olympio Editora. No caso de Rodrigues, vê-se bem essa mistura entre mentalidade militar, enfoque da geografia física brasileira, em seus aspectos técnicos, e bajulação ao governo. Ver RODRIGUES, CP, abril de 1944, p. 47-50; RODRIGUES, L. O Roteiro do Tocantins, Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Ed., 1943.

128 Referindo-se à situação de crise entre o então ministro da Justiça Vasco Leitão da Cunha e o chefe de polícia Filinto Muller, que acabaria levando à saída de Lourival Fontes do DIP, Almir de Andrade afirmaria que a saída de Lourival, por um lado, e o controle do DIP, por outro, foram condições impostas por Dutra para a demissão de Filinto Muller. Segundo ele, Vargas haveria chamado “o marechal Dutra, porque o Filinto Muller tinha apoio total

Ainda no que diz respeito às pautas, outro exemplo interessante é o surgimento da pequena seção Literatura Pan-Americana que aparecia, às vezes, separadamente e, em outros casos, dentro da seção Literatura. Assinada pelo crítico Brito Broca, Literatura Pan-Americana pareceria vir em substituição à coluna Literatura Latino-Americana, primeiramente a cargo de Guerreiro Ramos e ao final do próprio Brito Broca durante a primeira fase da revista, como parte da subseção Evolução Intelectual129. Nesse caso, a mudança de nomes é sintomática da aproximação com os Estados Unidos propiciada pela Segunda Guerra que, na revista, também se reflete no espaço a partir de então dedicado à produção literária desse país. Assim mesmo, com o surgimento do noticiário “Movimento Literário” em setembro de 1943, inaugurando a maior seção da segunda fase da revista dedicada à literatura, Literatura Pan-Americana desapareceria.

A atenção dispensada à produção ficcional estadunidense seria, então, incorporada à nova seção “Movimento Literário”, em função dos lançamentos no mercado de autores norte-americanos. Uma única vez, em agosto de 1944, este noticiário viria assinado, e pelo mesmo Brito Broca. Não podemos afirmar com certeza que ele haja estado sempre a cargo dos noticiários. Entretanto, o fato é que a partir de setembro de 1943, com o início dessa seção, sua colaboração “autoral”

diminuiria. Ao mesmo tempo, seus textos passariam a tratar de temas aparentemente desconexos entre si, como o problema da tradução no Brasil ou a influência da medicina na literatura, relacionados, por sua vez, ao movimento no mercado editorial retratado em “Movimento Literário”.

No que diz respeito à cultura, a mudança mais significativa a partir da saída de Lourival Fontes, no entanto, diria respeito ao fato de as seções haverem perdido não somente sua sistematicidade como deixado de refletir, com isso, a idéia de evolução buscada por meio da adoção de uma perspectiva histórica. Os autores, como já afirmamos, deixaram de estar a cargo de colunas pré-fixadas de acordo com um objetivo estabelecido pela revista e, na maioria dos casos, mesmo quando seguiram colaborando, seus textos já não apresentavam mais aquela continuidade

do exército. Chamou o marechal Dutra, aliás, general Dutra, naquele tempo era general. E o Dutra disse: Bom, está certo, concordo com a demissão do Filinto, mas com uma condição, se o senhor demitir o Lourival. O Lourival não tinha nada a ver com o peixe, mas era uma velha birra. O senhor demite o Lourival e me entrega o DIP. O Dutra não gostava do Lourival, nem da atuação do Lourival no DIP” (ANDRADE, 1986, p. 15-6).

129 Guerreiro Ramos esteve a cargo da coluna Literatura Latino-Americana de março a novembro de 1941, quando cessa sua colaboração. A coluna reaparece entre maio e julho de 1942, assinada por Brito Broca.

temática a que nos referimos acima. Há, claro, exceções. Bastos Portela, por exemplo, ainda publicaria em mais duas ocasiões sua coluna dedicada a retratar o ambiente literário do início do século – Cenas da nossa vida literária – iniciada em fevereiro de 1942. Álvaro Salgado manteria sua coluna sobre os poetas parnasianos antes intitulada Poetas do Brasil, como parte da subseção Evolução Intelectual e posteriormente renomeada “Vida e Poesia”130. Nelson Werneck Sodré, que já era um colaborador da revista em sua primeira fase, também seguiria colaborando e publicaria uma série três artigos sobre o desenvolvimento da literatura nacional.

Assim mesmo, tanto no caso de Bastos Portela como no de Álvaro Salgado, a continuidade temática que encontramos nas crônicas não implicava, desde a primeira fase da revista, nenhuma idéia de evolução como resultado histórico de transformações sociais ou políticas. Desde o início, elas se centraram em períodos muito específicos da história literária, sem buscar fazer qualquer ponte entre o passado e o presente. Nesse sentido, a pequena série de artigos publicados por Sodré seria, de fato, a única exceção, mas como exceção ela não se destaca no novo conjunto da revista.

Por sua vez, as crônicas de Wilson Lousada se modificariam substancialmente em relação ao que haviam sido como parte da seção Brasil Social, Intelectual e Artístico. Se aí, tomadas em seu conjunto, elas formavam um ensaio sobre a recente história literária brasileira, já a partir da crônica de agosto de 1942 – dedicada ao novo romance de Dionélio Machado, O Louco de Cati – elas tratariam sempre de livros recém-publicados ou, mesmo, por ocasião de um lançamento, de algum aspecto específico da literatura. A propósito de Manuel Bandeira, por exemplo, Lousada escreveria duas crônicas sobre o reincidente lirismo da poesia brasileira e sua relação com a poesia portuguesa, respectivamente em outubro e dezembro de 1942. A publicação de Vida de Gonçalves Dias da escritora Lúcia Miguel Pereira lhe permitiria incursionar sobre as dificuldades características a um gênero bastante em voga na época, a biografia. Falando de Marques Rebelo e seu novo livro de contos, Stella me abriu a porta, falaria também de Maupassant, de André Gide e do problema do assunto no romance. E escreveria ainda sobre Edgar A. Poe, cujas obras completas estavam sendo publicadas pela Editora do Globo no ano de 1944.

130 Em duas ocasiões, a colaboração de Álvaro F. Salgado apareceria como parte de outra seção independente, intitulada “Biografia”.

Nesse sentido, as crônicas de fato se tornaram “autorais”: primeiro porque já não vinham intituladas em referência à organização da revista, mas ao assunto tratado e, depois, porque o assunto tratado remetia a temas pontuais que o cronista pareceria ter escolhido entre outros possíveis. Ademais, esses temas podiam ou não estar relacionados à “realidade brasileira” – que havia sido antes, lembremos, um conceito chave para entendermos a estruturação temática da revista em sua primeira fase. E, mesmo quando estavam, tratavam de aspectos circunscritos ou conjunturais dessa realidade.

Isso não significa que os artigos não respondessem mais a uma organização prévia. Ao contrário, se prestarmos atenção nos textos publicados por Wilson Lousada e Brito Broca, entre outros colaboradores, vemos que eles estão direta ou indiretamente relacionados aos lançamentos com que as editoras abasteciam o mercado literário e que constituía o conteúdo da maior seção de literatura que Cultura Política manteve nesse período. O que se vê aqui, pois, é uma mudança significativa em relação à mensagem que a revista transmitia e que a ausência tanto dos editoriais quanto dos cabeçalhos acabariam reforçando. Ao se voltar a um presente circunscrito e deixar de ser apresentada como parte de um processo histórico de transformação do país que, se não havia se iniciado, ao menos haveria se intensificado a partir de 1930, a cultura deixava de ser apresentada como cultura política.

É difícil saber se essa mudança se deveu ou não à saída de Lourival Fontes da direção do DIP, se estava vinculada ao novo contexto político mundial ou, mesmo, a ambas as coisas. Uma de suas conseqüências, no entanto, pareceria ser a adoção por parte da revista de uma postura mais agressiva, mas, ao mesmo tempo, menos sofisticada em termos ideológicos, sugestiva, quem sabe, do controle do DIP pelos militares e, ao mesmo tempo, da situação paradoxal gerada pela Guerra, em que a uma ditadura no plano interno se somava o apoio às forças democráticas, no plano externo. Outra conseqüência é que, se os assuntos militares adquirem maior relevância a partir da saída de Lourival Fontes, Cultura Política deixaria de conferir grande ênfase ao papel dos intelectuais, até então considerados fiéis colaboradores do regime.

Desse tema trataremos a seguir, por meio da análise da seção “Movimento Literário”.

No documento Diálogo Cordial: (páginas 167-174)