4.2 CRITÉRIOS PARA FIXAÇÃO E MODIFICAÇÃO DA GUARDA: MELHOR
4.2.1 Aplicabilidade do novo instituto
4.2.1.1 Efeitos positivos – vantagens
São inúmeras as vantagens para o Menor com a aplicabilidade da Guarda Compartilhada diante da ruptura dos genitores, pois, essa decisão priorizará o que for melhor em favor da Prole.
É importante ressaltar o entendimento de Welter330:
[...] a lei da guarda compartilhada previne as manipulações, as tentativas de alienação parental, as falsas denúncias e toda perversão, que, com a nova lei, serão mais facilmente detectáveis; [...] os filhos não precisam apenas da companhia de um dos pais, e sim de ambos para seu perfeito desenvolvimento e equilíbrio psicossocial; [...] a guarda compartilhada fomenta os vínculos de afeto com ambos os pais, condição necessária para uma formação saudável dos filhos; [...] o direito à convivência em família é também um direito à integridade psíquica; [...] a guarda compartilhada é muito mais compreensiva, mais democrática [...]; [...] mesmo quando não há consenso, é possível a fixação da guarda compartilhada, porque os filhos têm o direito de conhecer e de compreender a infinita e ineliminável alteridade humana; [...] a diminuição do tempo de convivência entre pais e filhos faz reascender a competição [...] é preciso uma mudança de paradigma, para que a lei da guarda compartilhada seja compreendida pela principiologia constitucional, principalmente da convivência democrática [...].
Neste norte, é permitido que os filhos continuem vivenciando uma relação aproximada com os genitores, sendo beneficiados fisicamente e psicologicamente, além de manter uma
329 QUINTAS, Maria Manoela Rocha de Albuquerque. Guarda compartilhada, p. 93.
330 WELTER, Belmiro Pedro. Guarda compartilhada: um jeito de conviver e de ser-em-família. In: DELGADO, Mário; COLTRO, Mathias (Coord.). Guarda compartilhada, p. 63.
igualdade de direitos e deveres entre os pais, não gerando um desgaste, pois nem um nem o outro ficará sobrecarregado com as obrigações331.
Contudo, “As vantagens parecem óbvias: os maiores beneficiados de uma guarda compartilhada seriam os filhos menores, pelas razões de que partilhariam uma fração bem maior de tempo com cada um dos genitores [...]”332.
O sistema de Guarda Compartilhada, por ser flexível, e, por muitas vezes, oriunda de acordos, se adapta facilmente a eventuais mudanças que possam ocorrer com os envolvidos nesse laço. Muitas vezes os filhos precisam estar com a mãe, outras vezes, com o pai, “Essa flexibilidade é que faz a guarda compartilhada preferível [...]”333.
Se o filho conviver fisicamente, mantendo contato sempre, “[...] o pai não deixa de ser pai [...] nem se torna pai visita. Os vínculos de afeto se preservam”334. (destaque do autor).
Cabe expor que “A guarda compartilhada assegura ao filho a continuidade da relação afetiva com os pais [...], já que a relação material se perpetua por força dos deveres decorrentes do poder familiar [...]”335. (destaque da autora).
Os filhos desejam vivenciar pais que se entendem, até porque irão se espelhar neles durante sua vida. E a Guarda Compartilhada afasta a idéia de disputa, chantagem, presentes para agradar o filho, enfim, tudo que possa gerar discussões, brigas entre os genitores336.
Com a Guarda Compartilhada os pais, os filhos e a Justiça são beneficiados. É uma opção que exclui diversos problemas, tanto para filhos e genitores quanto para a própria Justiça. Quando os pais se entendem com relação à Prole, não precisam “brigar” judicialmente para obter êxito em alguma situação, não deixando assim, a Criança sentir-se a culpada pelos desentendimentos entre os pais, se ela não for o motivo337. (destaque nosso).
331RABELO, Sofia Miranda. APASE - Associação de pais e mães separados. Disponível em:
<http://www.apase.org.br/81003-definicao.htm>. Acesso em: 28 ago. 2010.
332ZIMERMAN, David. Aspectos psicológicos da guarda compartilhada. In: DELGADO, Mário; COLTRO, Mathias (Coord.). Guarda compartilhada, p. 106.
333QUINTAS, Maria Manoela Rocha de Albuquerque. Guarda compartilhada, p. 97.
334CASABONA, Marcial Barreto. Guarda compartilhada, p. 247-248.
335DECCACHE, Lúcia Cristina Guimarães. Compartilhando o amor. In: DELGADO, Mário; COLTRO, Mathias (Coord.). Guarda compartilhada, p. 215.
336SILVA, Ana Maria Milano. A lei sobre guarda compartilhada, p. 103.
337QUINTAS, Maria Manoela Rocha de Albuquerque. Guarda compartilhada, p. 87-88.
A Guarda Compartilhada tem em uma de suas vantagens, evitar a síndrome da alienação parental338, pois se ambos os genitores são os guardiões, em convivência com o filho, evitará que um deles tente denegrir a imagem do outro.
Neste norte, é importante frisar que o fenômeno da síndrome da alienação parental
“[...] é frequente nos divórcios, no tocante às visitas, pensão alimentícia e guarda dos filhos”339.
As chantagens emocionais geram uma modificação nos sentimentos do Menor, devastando o vínculo existente entre o genitor e a Prole e fazendo com que a Criança acredite que todos os fatos impostos pelo genitor guardião realmente são verídicos340.
Ante o exposto, nota-se que existe por parte do guardião a intenção de ficar com o filho só para si, tentando impedir que o outro genitor cumpra com seus direitos e deveres, visitando, colaborando com alimentos, tentando destruir o vínculo que existe entre eles, e o que pode ser pior: dessa forma não estará agindo no melhor interesse do filho.
Podemos destacar que é extremamente prejudicial à Prole achar que um dos genitores a abandonou, pensando que esse genitor é totalmente mau, se for repassado à Criança pelo guardião esse pensamento falso341.
Neste norte “[...] é de se consignar que a guarda exclusiva é solo propício ao aparecimento de tal patologia. [...] operadores do direito que estudaram esses comportamentos do genitor guardião, afirmam que a guarda compartilhada é a melhor forma de evitar seu surgimento”342.
Tal instituto “[...] induz à pacificação do conflito porque, com o tempo, os ânimos
“esfriam” e os genitores percebem que não adianta confrontar alguém de poder igual. O
338 Denomina-se “alienação parental” ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. Lei n° 12.318 de 26 agosto 2010. Disponível em:
<http//:www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12318.htm>. Acesso em 15 set. 2010.
339 SILVA, Denise Maria Perissini da. Guarda compartilhada e síndrome de alienação parental: o que é isso?
p. 43.
340 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias, p. 455-456.
341 CARVALHO, Dimas Messias de. Adoção e guarda. Belo Horizonte: Del Rey, 2010, p. 66-67.
342 CASABONA, Marcial Barreto. Guarda compartilhada, p. 239-240.
equilíbrio de poder torna mais conveniente o entendimento entre as partes para ambos”343. (destaque da autora).
A propósito, é oportuno mencionar que “Já existem comprovações de que o desenvolvimento psicoemocional das crianças que desfrutam da guarda compartilhada é de grau mais elevado que o daquelas que ficam a maior parte do tempo com um só dos genitores.
São elas mais calmas e pacientes”344.
Outra vantagem é que “[...] deixaria menos margem às manipulações, e se as houver, as deixa mais evidentes”345.
Prossegue a autora afirmando que “A nova lei é clara quanto à responsabilidade dos pais em participar das decisões, o que previne a culpabilização, a vitimação, as cobranças a posteriori e o eximir-se da responsabilidade”346. (destaque da autora).
Como na guarda única a guarda quase sempre é atribuída a mãe, “As mães que compartilham da guarda são mais satisfeitas de um modo geral, haja visto poderem melhor conciliar a vida profissional com a maternal sem prejuízo dos filhos”347.
Uma das principais vantagens da aplicabilidade da Guarda Compartilhada é que é uma das modalidades que mais se parece com a relação de Família que existia com a Prole enquanto os pais viviam juntos. Com o intuito de manter essa relação que existia durante o casamento, uma vez que, quem se separa é o marido e a mulher e não esses dos filhos, é que deve ser aplicado esse instituto, para continuar a convivência, o contato sempre que possível, entre pai e filho e mãe e filho, não havendo a necessidade, nem se pretende, que o ex-casal mantenha a mesma relação de quando eram marido e mulher348.
343 SILVA, Denise Maria Perissini da. Guarda compartilhada e síndrome da alienação parental: o que é isso? p. 5.
344 SILVA, Ana Maria Milano. A lei sobre guarda compartilhada, p. 104.
345 GROENINGA, Giselle Câmara. Guarda compartilhada – a efetividade do poder familiar. In: DELGADO, Mário; COLTRO, Mathias (Coord.). Guarda compartilhada, p. 166.
346 GROENINGA, Giselle Câmara. Guarda compartilhada – a efetividade do poder familiar. In: DELGADO, Mário; COLTRO, Mathias (Coord.). Guarda compartilhada, p. 167.
347 FONTES, Simone Roberta. Guarda compartilhada, p. 85.
348 QUINTAS, Maria Manoela Rocha de Albuquerque. Guarda compartilhada, p. 67-68.