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2.3 De onde e de quem se fala?

2.3.1 EscoLA(DO) A

Focaremos agora um pouco da história da produção social do bairro onde a Escola A está localizada, concebendo-se que o entendimento da estrutura social se faz indispensável na compreensão de um espaço e salientando-se que os espaços públicos são imprescindíveis à qualidade de vida do homem urbano, especialmente em se tratando de moradores das periferias urbanas.

O Bairro Cidade Nova ocupa a periferia da porção oeste da área urbana do Município de Itajaí, constituindo-se num bairro popular, com seus limites dados

pela BR 101, Rio Itajaí-Mirim, Avenidas Adolfo Konder e Abrahão João Francisco (mais conhecida como Contorno Sul). De acordo com a divisão Municipal vigente, conforme Lei Ordinária de Itajaí/SC, nº 3359/1998 de 21/12/1998 e nº 3673/2001 de 10/12/2001, o bairro Cidade Nova á assim constituído: Dona Mariquinha, Eurico Krobel, Jardim Danielle, Loteamento Avelino Werner, Padre Schmidt, Promorar I, Promorar II, Promorar III e Verde Vale (Figura 4) (REISER, 2005).

Figura 4: Mapa do Bairro Cidade Nova, com a marcação da área onde fica a Escola Estadual selecionada para o estudo.

Fonte: REISER, 2005.

No bairro Cidade Nova existem residências em sua maior parte construídas pelo poder público (conjuntos habitacionais / loteamentos), além de áreas de invasão e proliferação de construções nas áreas mais periféricas do bairro, que não atendem a um padrão mínimo de segurança, sendo casas construídas por pessoas de pouco poder aquisitivo, feitas em etapas, sem um acompanhamento

técnico e sem regularização das propriedades. O bairro conta com pequenos comércios locais, como padarias, mercados, farmácias e algumas lojas. A maior parte dos moradores são trabalhadores com empregos informais, do comércio próximo a suas casas ou de fábricas, da pesca, do porto ou de empresas ligadas a essas atividades; muitos fazem bicos, são catadores de lixo ou mesmo estão desempregados, saem de manhã e retornam à noite; possuem uma renda mínima baixa. O bairro fica afastado do centro da cidade, sendo necessário se deslocar de ônibus, com linhas e horários bastante restritos, ou através de outros meios de transporte (bicicletas, por exemplo). Constatam-se muitas crianças e jovens nas praças existentes no bairro ou brincando no meio das ruas, disputando espaço com os carros ou fazendo de terrenos baldios campos de futebol improvisados (DOS ANJOS e BARROS, 2003; REISER, 2005). Há uma Policlínica (Promorar – Cidade Nova) e três Unidades Básicas de Saúde no bairro (Promorar II, Promorar III e CAIC), um Centro de Referência Assistência Social (CRAS), oito Centros de Educação Infantil (CEIs), um Núcleo Escolar de Contraturno, um Centro Educacional com Educação de Jovens e Adultos e, além dela, mais uma Escola Básica na região.

De acordo com estudo realizado por equipe de pesquisadores da UNIVALI e publicado no ano de 2005, com o objetivo de mapear geograficamente o comportamento das variáveis referentes aos riscos potenciais de saúde no Município de Itajaí, o bairro Cidade Nova estava entre o grupo com piores condições socioeconômicas (PRÓSPERO et al, 2005). Tal estudo demonstrou que a região do bairro Cidade Nova apresentava cobertura de serviços públicos de água, coleta de lixo e esgoto (fossas sépticas, com alguns pontos sendo despejados em esgotos pluviais); quanto à renda familiar dos responsáveis pelo domicílio, na época, foi de R$473,72 na região referente ao bairro Cidade Nova;

escolaridade de 4 a 7 anos em 45,47% dos responsáveis pelo domicílio, com sua maioria limitando-se ao ensino fundamental. A assistência à saúde foi indicada como realizada em unidades básicas ou policlínicas, e contando com equipes do Programa de Saúde da Família. Dentre as notícias mais recentes da Secretaria de Saúde de Itajaí que envolvem o bairro Cidade Nova, constam mutirões de

retirada de entulhos (PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2014) e ações do Núcleo do Controle de Zoonoses para captura de escorpiões amarelos – espécie Tityus serrulatus, considerada a mais perigosa, na região (contando com mais de 80 escorpiões encontrados entre janeiro e março de 2015) (ND ON LINE, 2015).

O Bairro Cidade Nova sofreu sua primeira intervenção em 1974, quando uma área que era utilizada por famílias que praticavam uma pecuária de subsistência, por intermédio de seu dono, deu lugar a um loteamento, onde hoje se situa o loteamento Cidade Nova, destinado às classes sociais de baixo poder aquisitivo. A área era de terreno alagadiço, com grande quantidade de mosquitos e previa uma quadra de área verde que hoje está ocupada por uma Igreja Católica e um Posto de Saúde.

A segunda intervenção ocorreu através do mercado imobiliário, que implantou o loteamento Danielle, deixando reservado uma quadra de área verde que também foi utilizada pelo poder público para a construção de uma escola, um centro de convivência da criança e um centro de internamento provisório de adolescentes infratores da região da AMFRI.

A terceira intervenção ocorreu em 1976, contando com a participação do poder público Estadual e Municipal, quando a Prefeitura doou um terreno para que o Estado, através da COHAB, construísse o Conjunto Habitacional denominado de Promorar I, com o objetivo de atender as famílias que moravam na região central da cidade, conhecida por ‘Matadouro’, pois com a decisão de ligar o centro da cidade com a BR 101, haveria a necessidade de desapropriar as famílias que moravam na área que seria cortada pela Avenida Contorno Sul.

Foram edificadas 150 casas, deixando-se duas áreas verdes, uma doada para a Associação de Moradores, que construiu sua sede e fez um campo de futebol. A outra área verde foi ocupada para a edificação de equipamentos institucionais do Município, dando lugar a um ginásio de esportes e um centro de saúde. Os outros 5 lotes foram doados a famílias carentes, mas que hoje comportam comércio de móveis e uma Igreja da Assembléia de Deus. Durante os primeiro anos o local não possuía escolas, creches, postos de saúde ou qualquer outro equipamento

institucional, utilizando a estrutura do bairro vizinho, o São Vicente. Isso, somado à distância da área central, dificultou o incentivo à ocupação da área. No final da década de setenta, todo o atual bairro Cidade Nova estava loteado, favorecido pela legislação vigente que não exigia condições de infraestrutura. Poucas empresas de interessavam pelo II Distrito Industrial, que apesar do baixo valor do solo dificultavam as instalações industriais devido a suas condições geomorfológicas (DOS ANJOS e BARROS, 2003; REISER, 2005).

A quarta intervenção ocorreu em 1979, numa parceria do Estado com a Prefeitura Municipal, que doou um terreno para a implantação do Conjunto Habitacional Promorar II, que, através da COHAB, construiu 250 casas. Nessa área o Estado já deixou um centro comunitário, com outra parte da área ocupada por uma escola estadual, uma unidade de saúde e um campo esportivo. Esse loteamento já vinha sendo ocupado, quando a parte sul foi vendida à Prefeitura para a construção desse novo conjunto habitacional. Ele foi invadido pelos primeiros moradores em sua fase final de implantação. O poder público regularizou a situação e para facilitar o acesso, construíram uma ponte sobre o rio Itajaí-Mirim, através da Rua José Gall (prolongamento da Brusque que ligaria à BR 101) e Avenida Ministro Luiz Galloti (rua central do loteamento). A nova ligação proporcionou novas condições de ocupação da área.

Ainda na década de 80 iniciaram-se obras de saneamento, fossas e drenagens das ruas principais. Instalam-se escolas, creches e postos de saúde no Promorar I. A área entre o Promorar I e a Adolfo Konder tem seus terrenos valorizados, proporcionando os loteamentos Danielle e Cidade Nova. Ao lado deles, há invasões de famílias de baixa renda em assentamentos. A ocupação da área é reduzida após as enchentes de 1983 e 1984. O transbordamento do rio destrói parte das obras e poder público reconstrói a infraestrutura e as casas. No período posterior às enchentes o crescimento da área ficou comprometido, com novo impulso para instalações industriais quando se ampliou a área do Distrito industrial II (REISER, 2005).

Outra intervenção, do Município e do Estado, deu-se com a edificação do Conjunto Habitacional Eurico Krobel, modelo Promorar I e II (onde está situada a escola A), inaugurado em 1984, com a construção de 224 casas, deixando áreas verdes no entorno do rio Itajaí-Mirim. Essas áreas estão em sua maioria ocupadas por habitações precárias. Neste loteamento existia uma área verde abandonada na qual se encontrava um mercado de peixe sem as mínimas condições de higiene. Em outra área verde foram construídas casas de madeira pela Prefeitura, para abrigar as famílias que ocupavam a área onde estava sendo construída outra ponte, que ligaria o bairro à região sul da cidade. A nova ligação proporcionou novas condições de ocupação da área.

Vários outros loteamentos foram sendo aprovados, a maioria pertencente a um único comerciante, que passou a adquirir terras na região para especulação imobiliária. As áreas verdes previstas estão ocupadas por escolas, postos de saúde, igrejas e áreas de invasão / assentamento popular. Parte do que ainda há de terras livres nessa região pertencem a uma família cuja principal fonte de renda atual provém da especulação imobiliária no bairro e para a criação de bois, que são abatidos em seu frigorífico no bairro Dom Bosco. As áreas verdes de um de seus loteamentos (Avelino Werner) foram invadidas em 1996 e permanecem em situação irregular, sem qualquer infraestrutura.

A população dessas áreas é formada por pessoas que, em busca de sobrevivência, deixam seus locais de origem com o sonho de conseguirem um emprego em uma nova cidade. Em confronto com a realidade, acabam trabalhando no mercado informal e muitas vezes como catadores de lixo. Sem opções, lhes resta invadir áreas, construindo suas habitações em precárias condições de higiene e segurança. Essas áreas ocupadas irregularmente (mata ciliar e áreas verdes de loteamentos) não são atendidas com melhorias como ligação de água, energia elétrica e drenagem pois são consideradas ilegais e acabam por fazer ligações clandestinas de água e luz. O problema da exclusão e segregação social começa a ser percebido não só na relação centro / periferia, mas também de forma muito evidente entre as próprias áreas da periferia (DOS ANJOS e BARROS, 2003).

Contribuindo para aumentar a complexidade social do local, nos últimos anos são implantados mais dois conjuntos habitacionais pelo Estado, o condomínio Bem Morar, financiado pela CEF, mas construído por agentes privados, num condomínio fechado, o que evidencia ainda mais a exclusão, pois, em sendo totalmente murado, não mantem relação alguma com o bairro. O fator que determinou sua localização foi apenas o baixo valor da terra. Em 2004 mais um loteamento foi aprovado, o Avelino Werner II, sendo a parte destinada a área verde ocupada por uma CEI e o restante destinado a famílias que moravam às margens do rio, os quais tiveram que abandonar a área em função da ponte que ali foi construída.

Ressalta-se que o bairro Cidade Nova é uma área de planície fluvial ainda sujeita às cheias do Itajaí-Mirim, muito frequentes até a abertura do canal de retificação, construido com o objetivo de dar vazão às águas que alagavam toda a região. Sua execução, entretanto, além de provocar o desequilíbrio natural do próprio rio Itajaí-Mirim, cujo fluxo de águas ficou comprometido, não resolveu o problema das enchentes. Lembrando que enchentes na área, entre setembro e outubro, levaram a reagendamentos das oficinas na escola A durante o período do estudo de campo. O bairro se constitui numa área frágil do ponto de vista ambiental e que, de certa forma, o próprio aparato de planejamento urbano passou a definir como um lugar para os pobres e excluídos. A área correspondente ao bairro Cidade Nova hoje se encontra praticamente ocupada por loteamentos destinados a famílias de baixa renda. O espaço que não é ocupado para fins de residência é destinado a empresas, sendo os limites com a BR 101 e a Avenida Governador Adolfo Konder, conforme determinações referentes ao zoneamento do solo, considerada uma zona industrial. A recente expansão do bairro Cidade Nova é fruto direto de um intenso processo de exclusão social, decorrente, entre outros fatores, do enfraquecimento do Parque Industrial, da diminuição dos empregos e das restrições de investimentos públicos em projetos sociais no país. O Cidade Nova foi um dos bairros que mais cresceu, sendo que tal crescimento não foi acompanhado por ofertas de serviços pela municipalidade (REISER, 2005).

O poder público vem investindo em infraestrutura e o bairro tem recebido consideráveis melhorias nos últimos anos. As principais ações foram a implementação de escolas, creches, ampliação e pavimentação das ruas, melhorias nos sistemas de drenagem, o que vem minimizando os estragos causados pelas cheias do Rio Itajaí-Mirim. Além da regulamentação dos moradores de áreas invadidas, promovendo a integração destes com a sociedade, através de ações sociais, em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com projetos de implantar mais áreas no Programa Habitar Brasil, com 3 áreas no bairro Cidade Nova. De forma geral a melhoria da infraestrutura também vem contribuindo para a diversificação do comércio local, mas ainda há muito a ser feito na região .

A Escola Pública Estadual escolhida para fazer parte da pesquisa tem 31 anos de existência, está localizada no Bairro Cidade Nova, no loteamento Promorar II, oferecendo desde o ensino fundamental até o ensino médio, com turmas nos turnos matutino, vespertino e noturno. De acordo com dados da Secretaria Estadual da Educação (SED) e o Instituto Nacional de Estudos Educacionais Anísio Teixeira (INEP – código 42068541) (accessados via sites no ano de 20157), a Escola A tem 1.143 alunos matriculados, sendo 483 deles no turno matutino, 442 no vespertino e 218 no noturno, constando 15 alunos incluídos (especiais).

No ensino médio, a escola conta com 14 turmas e 497 alunos, com uma média de 28,8 alunos por turma. A escola conta com 34 docentes, sendo 1 docente com formação continuada em educação especial e 6 funcionários (incluindo-se os docentes nesse número) (Figura 5).

7 Friso que não busquei informações atualizadas de 2016 por não se tratar do ano em que foram realizadas as atividades da pesquisa nas escolas, que ocorreram em 2015, mantendo-se, assim, os dados já encontrados no ano passado,

Figura 5: Fachada da entrada central da escola pública com placa de inauguração de reforma recente realizada pelo Governo do Estado de SC

Desde 2013 cada escola pública do país pode conferir sua situação em relação a quatro novos indicadores criados pelo INEP: indicador de nível socioeconômico (INSE), de adequação da formação docente, de esforço docente e de complexidade da gestão escolar. O primeiro, o INSE, é a média do nível socioeconômico dos alunos de cada escola, distribuídos em sete níveis (sendo o nível 7 o mais alto e melhor). O indicador é calculado com base nas informações fornecidas pelos alunos no preenchimento do questionário contextual da Prova Brasil. Os outros três indicadores foram criados com base nas informações prestadas pelas escolas ao Censo Escolar. O indicador de adequação da formação docente é a proporção de professores de cada escola que possui a formação adequada para a disciplina que leciona, nos termos da lei. O de esforço docente mensura a dificuldade enfrentada pelos professores para o exercício da profissão, considerando o número de escolas em que atuam, turnos de trabalho, número de alunos atendidos e de etapas nas quais lecionam. Por fim, a complexidade de gestão foi traduzida por meio de quatro características da escola: porte (número de alunos matriculados), número de turnos de funcionamento, complexidade das etapas ofertadas pela escola e número de etapas/modalidades oferecidas.

A Escola A está classificada como Grupo 4 no INSE8. Quanto aos indicadores do esforço docente, temos: 14,3% (anos iniciais), 5% (anos finais) e 5,6% (ensino médio). A escola está classificada como nível 4 no índice de complexidade de gestão (níveis elevados indicam maior complexidade). Quanto aos projetos, mencionam-se 5 turmas com 63 alunos cursando, mas não se detalham quais são os projetos. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Ensino Fundamental (IDEB) dos anos iniciais e finais está assim classificado, respectivamente: 3,4 e 2,8 (2005), 4,2 e 3,0 (2007), 4,4 e 2,7 (2009), 4,5 e 3,9 (2011) e 5,7 e 3,6 (2013). Quanto ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) teve uma nota de 42,91 em 2008 (INEP, 2015). Quanto à infraestrutura, segundo dados do Censo Escolar de 2012 e do INEP (2015), a escola conta com:

água filtrada, água, energia e esgoto da rede pública, fossa, coleta de lixo periódica e acesso à internet, mas sem banda larga; tem 15 salas sendo utilizadas, salas de diretoria, professores, secretaria, laboratório de informática (com 56 alunos por computador e 5 computadores exclusivos para o administrativo), quadra de esportes descoberta, cozinha, banheiro dentro do prédio, despensa, pátios descoberto e coberto. A escola não tem: refeitório, sala de leitura, auditório, laboratório de ciências, quadra coberta, banheiro na área externa, parque infantil, área verde, sala de recursos multifuncionais (inclusiva), almoxarifado, banheiro, dependências ou vias adequadas para alunos com deficiência. A escola não participa do Programa Mais Educação ou do Programa Ensino Médio Inovador (estratégias do Ministério da Educação para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização de currículos na perspectiva da educação integral), não oferece atividades complementares nem abre nos finais de semana para a comunidade (GOVERNO DE SANTA CATARINA, 2015; INEP, 2015).

8Neste nível, os alunos, de modo geral, indicaram que há em sua casa bens elementares, como um rádio, uma geladeira, dois telefones celulares, até dois quartos na casa e um banheiro e, agora, duas ou mais televisões em cores; bens complementares, como videocassete ou DVD, máquina de lavar roupas, computador e possuem acesso à internet; bens suplementares, como freezer, um ou mais telefones fixos e um carro; não contratam empregada mensalista ou diarista; a renda familiar mensal está entre 1,5 e 2 ou entre 2 e 5 salários mínimos; e seu pai e sua mãe (ou responsáveis) possuem ensino fundamental completo ou estão cursando.

Entre outras questões levantadas sobre a escola, destacamos algumas notícias obtidas de jornais do município e região. Um jornal de circulação local (DIARINHO, 2009), de maio de 2009, referia protestos dos alunos da Escola A devido à falta de professores e de Diretoria, além de infraestrutura ruim – o que nos remeteu a supor que encontraríamos um grupo de jovens atuantes e preocupados com a educação; outras notícias do ano de 2012, de Jornais on line (JI News, 2012), referiam obras do Governo do Estado na Escola A, com projeto final avaliado em mais de R$385.000,00, recebendo obras de ampliação da unidade de ensino e reforma geral nas antigas, além de drenagem, aterro, pavimentação, nova quadra poliesportiva (incluindo iluminação adequada), alambrados, grades de proteção sobre o muro (para evitar invasões), pintura e revisão elétrica – refletindo um pouco da história da escola e do contexto do bairro; reportagens mais recentes, de 2014, de Jornal Estadual, mencionavam que a Escola A é uma das 2.981 escolas do Estado de SC que não dispõe de uma biblioteca, tendo apenas uma sala improvisada, com estantes e livros, onde guarda livros didáticos, mas sem livros de literatura. O jornal ainda citava que na Escola A, ao invés do tradicional empréstimo de livros, as professoras usavam a caixinha de leitura de onde escolhiam um livro para trabalhar em sala de aula por semana. Na mesma matéria a Gerente Regional de Educação de Itajaí confirmou a informação dizendo que sabe que biblioteca é fundamental na escola, mas que não podiam deixar os alunos sem estudar; que a Escola A tinha uma população muito grande e acabavam desocupando a biblioteca para fazer mais uma sala de aula, que não era o ideal, mas que era a opção que tinham – outra notícia mostrando questões estruturais da escola A, buscando-se por melhorias numa preocupação e integração de ações de professores e da própria Gerência Regional da Educação no município de Itajaí. Dados do Censo Escolar de 2013 do Ministério da Educação mostram que 62% das escolas da rede Municipal de ensino não tem biblioteca. A Lei Federal 12.244/10, sancionada em 24 de maio de 2010 prevê que todas as instituições públicas e privadas de sistemas de ensino do Brasil precisam ter bibliotecas até 2020, com acervo obrigatório mínimo de um título para cada aluno matriculado, cabendo ao sistema de ensino determinar ampliações e orientações quanto à organização, preservação e guarda do acervo.

Salienta-se que, de início, tive bastante dificuldade em conseguir informações atualizadas acerca da Escola A, visto o site da própria Secretaria de Desenvolvimento Regional, responsável pela escola, não contar com dados mais atualizados, além do fato da própria Escola A não dispor de instrumentos e ferramentas virtuais oficiais, a despeito de outras escolas públicas Municipais e Estaduais do Município, encontrando-se apenas um blog desatualizado, com poucas postagens – as últimas datadas de 2011, uma página do facebook não oficial e sem informações da escola, apresentando, basicamente, conteúdo composto por selfies de alunos. O site do INEP foi o que me trouxe a maior parte das informações da escola e, após o início do projeto em si, as próprias observações, diário de campo e conversas com alunos, professores, na Secretaria e Diretoria da escola, sempre abertas e prestativas às minhas solicitações, resolveram as questões pendentes.

No documento Lys Maria Allenstein Gondim.pdf - Univali (páginas 56-67)