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2.3 Lei do Bem

2.3.9 Estudos sobre incentivos fiscais da Lei do Bem

Na figura abaixo, está a representação de boas práticas referentes à estruturação e controle das atividades de P,D&I:

Figura 8- Estruturação e controle (boas práticas)

Fonte: ABGI Brasil (2021).

Conforme apresentado na figura acima, o levantamento de projetos, o controle dos custos, o apontamento de horas, o estabelecimento de critérios de rateio, fazem parte de um conjunto de ações que auxiliam a gestão da inovação nas empresas.

sem o incentivo fiscal. O resultado da pesquisa constatou que os programas incentivaram os gastos em atividades de inovação e as atividades de pesquisa e desenvolvimento

Bueno (2016) realizou pesquisa com o objetivo de identificar e analisar se os incentivos fiscais da Lei do Bem estavam apresentados nas Demonstrações Contábeis (notas explicativas). Para este estudo, o autor considerou as empresas sociedades anônimas (S.A) abertas, do Rio de Janeiro, e que usufruíram do incentivo fiscal da Lei do Bem no período de 2010 a 2013. O resultado da pesquisa mostra que a maioria das empresas analisadas não apresentou, nas Demonstrações Contábeis anuais, a evidenciação da utilização do incentivo fiscal da Lei do Bem.

Calzolaio (2011) pesquisou sobre o desempenho inovativo das empresas beneficiárias da Lei nº 11.196/2005, a conclusão foi de que as empresas que usufruíram da referida lei, ampliaram suas atividades de P&D, assim como intensificaram a criação de redes de cooperação entre os diversos agentes do Sistema de Inovação, entre os anos de 2006 e 2008, o que sinaliza acerto das empresas em aderirem aos incentivos fiscais da Lei do Bem. Constatou- se também que não houve aumento na compra de máquinas e equipamentos, bens intangíveis, contratação de pesquisadores, registro de marcas e patentes e cultivares. Contudo, a intensificação dos gastos em P&D interno e adquiridos externamente acelerou-se significativamente.

N pesquisa realizada por Carneiro et al. (2012), sobre os incentivos fiscais da Lei do Bem e os Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial, foram analisadas as empresas listadas na CVM, no ano de 2010. O estudo procurou identificar se esses incentivos fiscais de estímulo à inovação influenciaram, ou não, a geração de riquezas das empresas beneficiárias dos referidos programas. Os resultados identificaram que as empresas beneficiárias desses incentivos fiscais tiveram um incremento positivo na geração de riqueza comparando-se com as empresas que não usufruíram de incentivos fiscais.

Carneiro et al. (2019) analisaram os incentivos fiscais no setor de tecnologia, das empresas listadas na CVM, entre os anos de 2008 e 2017, buscou identificar a eficiência desses incentivos e, para isso, utilizaram elementos da Demonstrações do Valor Adicionado (DVA), por meio dos índices de custo-benefício (ICB) dos valores apresentados na DVA. Os resultados identificaram que em todos os ICBS os incentivos fiscais superam os custos.

A pesquisa realizada por Chaves (2016) buscou inferir a efetividade do incentivo fiscal da Lei do Bem sobre a rentabilidade de empresas de capital aberto, de 2006 a 2012, que usufruíram do referido incentivo. Analisando o Return on Asset (ROA) de 173 empresas, buscou-se calcular o efeito do referido incentivo fiscal sobre a rentabilidade das empresas.

Como resultado do estudo, identificou-se que as empresas que usufruíram da Lei do Bem inclinam-se a obter um ROA maior.

Faccini (2005) realizou pesquisa que teve como objetivo analisar as políticas públicas de incentivo à inovação tecnológica, em particular a Lei nº 11.196/2005, popularmente conhecida como Lei do Bem e o Decreto nº 5.798/2006, que dispõe a referida lei, se essas políticas estão atingindo o seu propósito, que é de estimular a inovação tecnológica nas empresas brasileiras. Para responder à questão problema, o pesquisador fez um levantamento sucinto às práticas de incentivos fiscais em países reconhecidamente relevantes no cenário internacional e destacou as semelhanças e diferenças com as práticas de incentivo fiscal brasileiras. O resultado da pesquisa apontou que há limitações nas normas brasileiras de incentivos à Pesquisa e Desenvolvimento, especialmente no que diz respeito ao alcance dos incentivos, nem todas as empresas conseguem acesso às políticas públicas de incentivo à inovação tecnológica.

O estudo realizado por Perotti (2019) analisou, a partir dos fundamentos jurídicos, os registros contábeis das empresas que usufruíram dos incentivos fiscais destinados à Inovação e Tecnologia, em especial a Lei do Bem, o objetivo era identificar o registro contábil mais apropriado, tanto no que tange à escrituração contábil como para as demonstrações financeiras.

O resultado foi que os registros contábeis devem ser realizados considerando o Princípio do Confrontamento.

Pinotti (2021) pesquisou as empresas consideradas inovadoras lotadas na região oeste do estado do Paraná, o objetivo foi avaliar a utilização dos mecanismos de fomento à inovação tecnológica por essas empresas. O resultado foi que a maior parte das empresas inovadoras em algum momento utilizou incentivos fiscais e obtiveram bons resultados na inovação de produtos, processos, melhoria de infraestrutura e recursos humanos. Com relação às empresas que não utilizaram dos mecanismos disponíveis de incentivos, as razões identificadas foram:

excesso de burocracia, falta de conhecimento dos mecanismos de apoio existentes.

A pesquisa realizada por Shimada (2013) teve como objetivo contribuir com a literatura, baseado na experiência das empresas industriais e empresas com perfil inovativo, que usufruíram de incentivos fiscais em especial a Lei do Bem. A análise foi realizada por meio de estimativas, utilizando modelos econométricos com micro dados das empresas. O resultado rejeita a hipótese de crowding-out.

No quadro 4, apresenta-se um resumo dos estudos realizados sobre os incentivos fiscais da Lei do Bem e que foram considerados neste estudo.

Quadro 4 - Pesquisas brasileiras sobre incentivos fiscais da Lei do Bem

Autor Ano Pesquisa no Brasil Conclusão

AVELLAR, Ana P. 2008

Impacto das Políticas de Fomento à Inovação no

Brasil sobre o Gasto em Atividades Inovativas e em

Atividades de P&D das Empresas

O estudo conclui que os programas estimularam os gastos em atividades inovativas e em atividades de P&D das empresas beneficiárias.

BUENO, Fatima,

C.A.S. 2016

Os benefícios fiscais como

mecanismos de incentivo à inovação:

um estudo contábil da utilização da Lei do Bem pelas empresas sociedades anônimas (S.A), abertas do estado do Rio de Janeiro

O resultado da pesquisa mostrou que a maioria das empresas não

apresentaram nas demonstrações contábeis anuais as evidências da utilização do incentivo fiscal da Lei do Bem.

CALZOLAIO, Aziz

E. 2011

Política fiscal de incentivo à invocação no Brasil: Análise do desempenho inovativo das empresas que usufruíram benefícios da Lei nº 11.196/05 (Lei do Bem)

O resultado encontrado é o de que as empresas usuárias da LB ampliaram suas atividades de P&D, bem como intensificaram a formação de redes de cooperação entre diversos agentes do Sistema de inovação entre 2006 a 2008, o que indica acerto da LB. No entanto, não intensificaram a compra de máquinas e equipamentos e de bens intangíveis voltados para a inovação, a contratação de

pesquisadores e o registro de marcas, patentes e cultivares. Contudo, a intensificação dos gastos em P&D interno e adquiridos externamente acelerou-se de forma significativa.

CARNEIRO, Maria I. V.; Formigoni, Henrique; GOMES, Maria E.R.

2012

A relação entre os incentivos fiscais da Lei do Bem (PDTI) e a

geração de riqueza pelas companhias abertas brasileiras não

financeiras

Os resultados apresentaram a existência de uma correlação positiva entre incentivo fiscal e riqueza criada nas companhias participantes do PDTI e na Lei do Bem. Essa relação foi significativa estatisticamente para aceitar a hipótese que as empresas que participam do PDTI têm uma tendência de gerar maior valor adicional bruto do as que não participam do programa.

CARNEIRO, Maria I. V.; Formigoni, Henrique; GOMES, Maria E.R.

2019

Análise do Custo-Benefício dos Incentivos Fiscais no Setor de Tecnologia da Informação sob a Perspectiva da DVA

Os resultados confirmam a teoria, identificou-se em todos os ICBS que os benefícios dos incentivos fiscais superam os custos. Os dados

geração de riqueza pelas companhias abertas brasileiras não

financeiras

apontam uma relação negativa entre o incentivo fiscal e o valor destinado ao social, e relação positiva com valor distribuído ao governo, a terceiros e aos acionistas. Desta forma, os incentivos fiscais,

apresentaram relação positiva com os elementos da DVA, com exceção de pessoal.

CHAVES, Sigrid K. 2016 O impacto da Lei do Bem sobre o desempenho econômico de empresas de capital aberto

Os resultados do método de diferenças em diferenças apontaram que participar da Lei do Bem tente a aumentar o ROA das empresas em 1,65 p.p. em média, sugerindo que este é um mecanismo governamental que provoca resultados positivos no desempenho econômico das empresas. Assim, o estudo contribui para apresentar qual foi a influência da Lei do Bem sobre o ROA das companhias de capital aberto desde a criação deste incentivo fiscal.

FACCINI, Leandro

E. 2015

Incentivos fiscais à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica no Brasil: uma análise da Lei do Bem

Conclui-se que há limitações nas normas brasileiras de incentivos em P&D, especialmente no que diz respeito ao alcance, já que não possibilita que os incentivos alcancem as pequenas empresas e médias empresas, ocasionando atraso no aparecimento de tecnologia de ponto no país e menos

competitividade dos produtos e serviços brasileiros no mercado internacional.

FORMIGONI,

Henrique. 2008

A influência dos incentivos fiscais sobre a estrutura de capital e a rentabilidade das companhias abertas brasileiras não financeiras

Os resultados do estudo sugerem não haver correlação estatisticamente significativa entre incentivo fiscal e indicadores de estrutura de capital.

Por outro lado, identificou-se correlação estatisticamente

significativa entre incentivo fiscal e rentabilidade das empresas.

PEROTTI, Cristina

G. 2019

Artigo 19 da Lei 11.196/05 - A Lei do Bem: seu registro contábil e divulgação nas demonstrações financeiras

Lei do Bem - sua natureza jurídica é de subvenção governamental, que deve ser compreendido como tal tanto

para o registro contábil, como para as demonstrações financeiras.

PINOTTI, Janaina S. 2021 Utilização de mecanismos de apoio à inovação

por empresas do oeste paranaense

A análise dos resultados possibilitou identificar que a maior parte das empresas, caracterizadas como inovadoras, já utilizaram

mecanismos de apoio à inovação.

Para as empresas que utilizam os incentivos, observou-se resultados relacionados à inovação de produtos e processos, melhoria da

infraestrutura de P&D e a capacitação de recursos humanos, Quanto à não utilização dos

incentivos, foi possível constatar que as principais razões para a não utilização dos mecanismos disponíveis são, a excessiva

burocracia enfrentada pelas empresas para acessar os incentivos, a falta de conhecimento a respeito dos mesmos e a escassez de mecanismos

disponíveis às necessidades das empresas estudadas, indicando que é preciso realizar ações efetivas pelo setor público e privado para superar estas barreiras.

SHIMADA, Edson 2013

Efetividade da Lei do Bem no estímulo ao investimento em P&D:

Uma análise com dados em painel

Os resultados trazem evidências que existe impacto positivo no dispêndio em P&D nas firmas, rejeitando a hipótese de crowding-out Fonte: elaborado pelo autor, com base nos dados da pesquisa.