5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
5.3 Facilidades
Elemiah (E) também verificou resistências em sua atuação: “Senti resistências com a diretoria e com a equipe de enfermagem no trabalho do psicólogo. Porque tem muita coisa que eles não querem que vejam, tem coisas que não pode vazar”.
As condições de trabalho discutidas estão em torno do tempo e espaço restrito, da baixa remuneração e das resistência em relação ao trabalho do psicólogo. A partir das condições de trabalho, o psicólogo pode contar com fatores que facilitem ou dificultem sua atuação. Portanto, se faz interessante esclarecer as facilidades e as dificuldades que estes profissionais encontram nas ILPIs.
única, de olhar pra pessoa enquanto ser integral. Ele tem uma preparação de cuidar da saúde de uma forma global. De cuidar da saúde psicológica, da saúde emocional. Então talvez o nosso olhar, a nossa construção enquanto profissionais, nos de mais subsídios pra lidar com isso. Eu acho que a facilidade que poderia existir, é a da construção da psicologia.
Nós enquanto profissionais de psicologia, temos sim uma visão, uma construção de homem, de mundo e de sujeito, que outras profissões não tem”.
Para Oliveira, Vagetti e Weinheimer (2007) trabalhar com o idoso de forma integral significa preocupar-se não só com a parte física, mas também com os aspectos cognitivos, motivacionais, sociais, buscando uma visão positiva da velhice.
Essa visão integral é importante, pois permite conhecer melhor os aspectos da vida e da saúde dos idosos, suas histórias, falas e comportamentos (FONSECA et al., 2007).
No entanto, como lembram Assis, Caldas e Motta (2008) também é importante na atuação junto ao idoso, que o profissional contextualize o processo de envelhecer, os serviços disponibilizados e que trabalhe de maneira interdisciplinar. Os autores veementemente enfatizam que este último aspecto, é fundamental para um serviço integral de qualidade.
Constatou-se que esta foi uma das facilidades levantadas por três profissionais, a possibilidade de realizar trabalhos com equipes interdisciplinares. Ariel (P): “A equipe que a gente trabalha aqui dentro, a gente tenta ser bem interdisciplinar sempre. Com as enfermeiras e com a fisioterapeuta a gente se encontra, sentamos, conversamos, quando tem algum problema”.
Sobre a importância em realizar este tipo de trabalho, Damabiah (P) explica: “Porque não adianta eu fazer e a fisioterapeuta fazer, tem que estar todo mundo fazendo, é um trabalho em conjunto senão não adianta”.
Oliveira, Vagetti, Weinheimer (2007) ressaltam a importância de uma atenção multidisciplinar a saúde da população idosa. Os termos equipe multidisciplinar (que envolve várias disciplinas) e equipe interdisciplinar (que é
a relação de duas ou mais áreas) significam compreender o homem de forma integral a partir de seu contexto e de seu ciclo de desenvolvimento.
Fragoso (2008) conclui que o trabalho de uma equipe interdisciplinar no cuidado com os idosos, deve resgatar a dimensão da capacidade funcional dos mesmos, não se atendo somente a intervenções e tratamentos, mas insistindo em medidas de prevenção e educação para a saúde. O autor lembra também da importância de combinar saberes da geriatria e gerontologia com os saberes populares dos idosos.
Segundo Siqueira e Júnior (2004) a ênfase da chefia e dos líderes nas relações sociais e pessoais com seus subordinados, a estimulação de oportunidades de participação dos funcionários em tomadas de decisão, e o incentivo a uma boa comunicação entre si, são fatores que propiciam o envolvimento dos funcionários no trabalho. Duas entrevistadas indicam como facilidade esta possibilidade de ter a chefia como aliada, Caliel (P) comenta
“Eu fiquei feliz porque tudo o que a gente precisa a coordenadora acata, principalmente de material, porque a gente não faz essas oficinas do nada, a gente tem que ter condições também, isso tudo ela facilita o trabalho do psicólogo, porque tudo ela vê como é importante, tudo isso facilita o apoio da coordenação, porque nada a gente poderia fazer se a coordenação não apoiasse”.
Outra participante também compartilha desta facilidade, Damabiah (P):
“Aqui eu tenho muita liberdade pra fazer o meu trabalho, isso eu vejo como uma coisa positiva, tenho bastante liberdade pra fazer. Tenho reconhecimento, até aos poucos foi tudo conquistado. Posso comprar material, então compro material, ele me autoriza e me reembolsa depois, então compro o material, as vezes vou lá e compro um jogo, faço alguma coisa”.
Siqueira e Júnior (2004) apontam que quanto maior o nível de contentamento com o trabalho, menor a chance de o funcionário sair da organização e maior será seu desempenho no trabalho.
Os autores indicam que o início da ligação de um sujeito com seu trabalho se dá na fase de socialização do mesmo com o novo trabalho, no momento em que são passados os valores sociais relativos a organização. A forma como essa relação se estabelece e quais são esses valores, influenciam
no envolvimento, no desempenho, na autoestima e na motivação do funcionário.
Caliel (P) demonstra como foi sua ligação com a instituição e a forma como foi explicada sobre seus valores: “Eu estou lá (na ILPI) uma porque eu me apeguei, uma que eu estou gostando dessa experiência, então agora eu não tenho como sair. Mas uma coisa que me marcou no dia da entrevista ela (coordenadora) disse assim, tu pensa bem porque os idosos, a vida deles foram cheias de perdas, então se tu fica aqui, se tu começa a trabalhar, então seria bom que tu pensasse pra ficar bastante tempo porque eles se apegam nas pessoas, e depois saem. Então isso eu acho que é um compromisso pessoal meu, nem profissional”.
Uma das entrevistadas nota como facilidade sua idade, segundo Elemiah (E) de 51 anos: “Minha idade e minha experiência de vida facilitaram nas tomadas de decisão, meu posicionamento, embora sejam características de cada pessoa. Acho que houve um respeito maior por eu ser mais velha”. Compreende-se aqui, através da teoria da subjetividade de Gonzalez Rey (TACCA; REY, 2009) que este é o sentido singular que a entrevistada atribui a sua experiência. Este sentido está relacionado as vivências e as características subjetivas do sujeito, e agrega também suas relações com o momento e com as situações específicas experenciadas nos diferentes espaços sociais em que ele atua. Ou seja, esta é a percepção da entrevistada.
Um outro dado levantado, foi a carência dos idosos, Vasahiah (E) “Na medida que íamos fazendo os trabalhos, nós víamos muita carência neles”.
Esta carência pode ser interpretada de duas maneiras, como facilidade e como dificuldade. A facilidade deriva da abertura e da receptividade dos idosos devido a carência afetiva e necessidades de contato que os mesmos têm, o que os deixam mais dispostos a participar das intervenções propostas pela ILPI. Ariel (P) relata a respeito desta facilidade:
“Eu acho que a aceitação dos idosos e dos familiares que cuide da parte emocional deles”.
No entanto, essa carência também pode ser encarada como uma dificuldade. Os profissionais acabam tendo que suprir uma demanda afetiva de
carinho e atenção, ao invés de possibilitar um manejo terapêutico e de reabilitação, também podendo atrapalhar o desenvolvimento de atividades mais específicas. Na publicação realizada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social de Curitiba (IPARDES, 2008) é explicitado que muitos dos idosos residentes em ILPIs sofrem de solidão, apatia, saudade e carência.
Infelizmente não são só facilidades que os psicólogos encontram na atuação em ILPIs, estes profissionais também se deparam com algumas barreiras e empecilhos, portanto na próxima categoria serão discutidas as dificuldades que estes profissionais encontram neste contexto.
Em resumo, as facilidades de atuação do psicólogo em ILPIs se dão devido ao programa oferecido pelo município, Idoso em foco; a compreensão que a Psicologia oferece em compreender a pessoa enquanto ser integral, cuidando da saúde emocional e psicológica; trabalhar com equipes interdisciplinares; o apoio da coordenação das instituições e a liberdade oferecida aos psicólogos para a realização das atividades; e a aceitação dos idosos e familiares em relação ao trabalho da Psicologia.