Houve uma ascensão do número de publicações referentes a produção e construção do conhecimento. Tal fato culminou na evolução dos modelos baseados na hélice quádrupla, partindo de uma tríade de atores (universidade, empresas e governo) para um processo colaborativo com a sociedade e o ambiente (MINEIRO et al., 2018).
Por conseguinte, como consequência do aquecimento global e crescentes demandas por economias baseadas na sustentabilidade, novas estratégias e objetivos foram traçados. Dessa forma, também cresceu a demanda por soluções sustentáveis baseadas no conhecimento para utilizar os recursos da melhor maneira possível (CARAYANNIS; BARTH; CAMPBELL, 2012). Esse processo é mais bem representado na Figura 6 que demonstra a evolução dos modelos que ocasionaram no surgimento do modelo hélice quíntupla.
Figura 6 - Evolução do modelo das hélices
Fonte: Carayannis, Barth e Campbell (2012).
Nesse ínterim, emerge a quinta hélice que remete ao ambiente natural baseado na sustentabilidade como fator principal para o desenvolvimento pautado na construção do conhecimento. O modelo hélice quíntupla começa a ser discutido por Carayannis e Campbell (2010), representando a evolução do modelo HQ, os quais sugerem que o modelo preserve um equilíbrio sustentável entre os caminhos do desenvolvimento da sociedade e da economia para a continuação do progresso das civilizações humanas. Apontam, inclusive, que esta nova hélice é propulsora na geração de novos conhecimentos em resposta a desafios ambientais.
Carayannis e Campbell (2010) consideram a hélice quíntupla como um modelo de inovação capaz de angariar soluções aos desafios existentes do aquecimento global por meio da aplicação de conhecimento e know-how combinado ao ambiente natural. Este modelo pode fornecer a base para compreender a gestão baseada na qualidade do desenvolvimento eficaz, recuperar o equilíbrio com a natureza e permitir às gerações futuras uma vida de pluralidade e diversidade na terra.
Dessa forma, a hélice quíntupla apresenta a interação coletiva e a troca de conhecimento por meio de cinco sistemas (hélices): sistema educacional, sistema econômico (empresas), ambiente natural (sustentabilidade), setor público (governos) e sociedade (sociedade civil) conforme a Figura 7.
A interação e a otimização desses fatores determinam o desenvolvimento futuro e devem ser vistas como uma estrutura transdisciplinar que analisa o desenvolvimento sustentável e ecologia social (CARAYANNIS; CAMPBELL, 2010).
Figura 7 - Modelo hélice quíntupla ilustrado
Fonte: Elaborado pela autora, 2023 e adaptado de Carayannis e Campbell (2010).
A Figura 7 representa todos os atores que compõem o modelo hélice quíntupla, onde as flechas em círculos simbolizam a interação e a sinergia criada por eles no processo de desenvolvimento do conhecimento.
Neste modelo, o recurso de conhecimento se move por meio da sua circulação entre os sistemas (BARTH, 2011). Essa circulação, implica que o conhecimento tenha entradas e saídas entre os cinco sistemas dentro de um Estado. Se uma entrada de conhecimento contribui para um desses sistemas, então ocorre uma criação de inovação ou contribuição tecnológica. Como resultado desse processo, Carayannis, Barth e Campbell (2012) afirmam que todos os sistemas exercem uma influência mútua para promover a sustentabilidade através da construção do conhecimento, inovações avançadas e pioneiras.
Carayannis e Campbell (2010) sintetizam a interação esperada entre os atores: o primeiro sistema refere-se a academia que é responsável pela qualificação e formação dos indivíduos. Destaca-se que os autores utilizam em seus estudos a nomenclatura “universidade”, mas explicam que esta hélice representa a academia e todas as instituições que geram conhecimento científico. Portanto, assim como Etzkowitz e Zhou (2017) que elegem os termos
“universidade” e “academia”, neste estudo, utilizam-se os termos “Instituições de Ensino Superior” e “Academia” com o intuito de representar todas as instituições existentes que promovam o conhecimento científico, tais como: universidades e institutos federais.
Os autores, Carayannis e Campbell (2010), afirmam que o segundo sistema, considera a economia que, como tal, concentra-se no "capital econômico" (produtividade de recursos, energia, produção e consumo, empreendedorismo sustentável etc.). O governo ou terceiro sistema, faz parte de um ambiente macro, e trata das políticas - ou seja, refere-se a regulamentações ambientais, impostos, tratados internacionais etc.
Logo, segundo os autores, o quarto sistema une o “social” e o capital de “informação”, inclui, por exemplo, a disseminação de informação, liberdade de imprensa e nível de democracia. Finalmente, o quinto subsistema, o ambiente natural (biodiversidade, sustentabilidade etc.) fornece à sociedade o “capital natural” (RYBALKIN et al., 2021).
De La Vega e Barcellos-Paula (2019) afirmam em seus estudos que os recursos naturais renováveis e não renováveis devem fazer parte de uma nova cultura que visa cuidar do planeta e as decisões de cada ator devem influenciar a favor desse aspecto.
O inovador modelo hélice quíntupla representa a forma como o conhecimento, as inovações e o meio ambiente (ambiente natural) estão inter-relacionados (CARAYANNIS;
CAMPBELL, 2010; BARTH, 2011). É uma estrutura capaz de construir conhecimento objetivando a sustentabilidade de vantagem competitiva (CARAYANNIS; BARTH;
CAMPBELL, 2012).
Neste modelo, o ambiente natural e econômico deve ser visto como um motor propulsor de competitividade baseado na sustentabilidade. Desta maneira, Mineiro et al. (2018) mencionam que as abordagens mais frequentes na literatura citam a quinta hélice, como: atores relacionados a eco inovação; sociedade sustentável; e um programa ou ação sustentável. Cabe ressaltar, que tais autores revelam ainda não haver uma caracterização da quinta hélice estabelecida pela literatura. Também destacam as principais funções atreladas a quinta hélice, que é responsável por estabelecer: a democracia sustentável; uma sociedade sustentável e a promoção do conhecimento sustentável.
A busca pelo desenvolvimento sustentável do planeta é uma realidade atual. Kholiavko et al. (2021) chama a atenção para a presente preocupação mundial com a sustentabilidade nos últimos anos. Em 2015, os principais países do mundo, membros da ONU, firmaram a Agenda 30 que contém 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Os ODS visam a erradicação da pobreza, da fome, promover uma educação equitativa, a proteção dos direitos humanos, igualdade de gênero, uso sustentável dos recursos naturais, desenvolvimento de cidades sustentáveis e a promoção do crescimento econômico sustentável (KHOLIAVKO et al., 2021).
Os autores, Kholiavko et al. (2021), ressaltam a importância da promoção da inovação baseada na sustentabilidade presente nos ODS. Especificamente, o que consta no ODS 9 (Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação) corrobora com esta afirmação. Tal objetivo estabelece ampla relação a promoção de pesquisa e inovação no mundo, inclusive nos países em desenvolvimento.
Dessa maneira, busca incentivar a realização de pesquisas sobre o desenvolvimento sustentável e transferência de inovação sustentável para a economia. Nesse sentido, o modelo hélice quíntupla oferece subsídios para que os ODS se tornem alcançáveis (KHOLIAVKO et al., 2021; CARAYANNIS; CAMPBELL, 2010).
Por fim, o modelohélice quíntupla representa um refinamento do modelo hélice tríplice, proposto inicialmente por Etzkowitz e Leydesdorff em 1995. As hélices adicionadas procuraram preencher as lacunas deixadas pelos modelos anteriores. A evolução dos modelos até o modelo hélice quíntupla está representada na Figura 8.
Figura 8 - Evolução do modelo hélice tríplice a hélice quíntupla.
Fonte: Elaborado pela autora, 2023 e adaptado de Carayannis e Campbell (2010).
Outrossim, cabe ressaltar, que o modelo hélice quíntupla não é o modelo final das hélices. O modelo está em constante evolução e assim conta com novas hélices adicionadas. É importante mencionar, que a literatura já aborda o modelo N-Hélix que conta com a colaboração entre múltiplos atores para a construção do conhecimento (DEL GIUDICE; CARAYANNIS;
MAGGIONI, 2017).