2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.2. Iniciativas no Desenvolvimento de Indicadores de Sustentabilidade
2.2.1 Indicadores de Sustentabilidade Empresarial
Neste item são abordados os métodos pesquisados sobre indicadores de sustentabilidade aplicáveis ao âmbito corporativo.
2.2.1.1 Balanced Scorecard da Sustentabilidade (FIGGE et al., 2002)
Figge et al. (2002) basearam seus estudos no modelo desenvolvido por Kaplan
e Norton (1992), o Balanced Scorecard (BSC). Para Figge et al. (2002), o BSC
proporcionou através de uma ferramenta de gestão a oportunidade de incluir
aspectos ambientais e sociais na esfera estratégica das organizações.
A ausência de estudos sobre a causalidade dos aspectos ambientais e sociais com as transações econômicas das corporações, foi ressaltada por Figge et al.
(2002) no momento da publicação, sendo que doze anos após o estudo inicial dos autores, a temática já pode ser considerada um consenso por definições como o próprio tripple bottom line.
Os autores consideram que a gestão da sustentabilidade corporativa deve, inicialmente, identificar as oportunidades de melhoria nas dimensões ambiental, social e econômica, buscando a incorporação das metas prioritárias na estrutura do BSC. Dentre as vantagens mencionadas pelos autores em utilizar o BSC para a integração com a gestão da sustentabilidade estão (Quadro 4):
Quadro 4 - Vantagens na integração do BSC com a gestão da sustentabilidade
Vantagens Características
Viabilidade
Econômica
•
Os programas de gestão ambiental e social normalmente são percebidos como custos e em situações de crises financeiras, são os primeiros a serem descartados do orçamento. Segundo os autores, o BSC pode auxiliar a explicitar a viabilidade econômica desses programas, tornando-os sustentáveis e perenes.
Argumento
Comercial
•A gestão da sustentabilidade realizada de forma adequada e consistente, promove eficiência nos negócios e consiste em argumentos comerciais válidos.
Integração
•O BSC permite por meio de uma ferramenta a integração dos preceitos das três dimensões da sustentabilidade, segundo a percepção dos autores.
Fonte: Adaptado de Figge et al. (2002).
Para realizar a integração entre o BSC e a gestão da sustentabilidade, buscando alcançar as vantagens mencionadas na Quadro 4, os autores sugerem três possibilidades. Inicialmente, os aspectos ambientais e sociais podem ser identificados, analisados e inseridos de forma transversal nas quatros perspectivas padronizadas do BSC: financeira, clientes, processos internos, e aprendizagem e crescimento. Outra forma proposta pelos autores seria a criação de uma perspectiva adicional, não mercadológica, em que aspectos ambientais e sociais poderiam ser agrupados. E ainda em terceiro lugar, os autores sugerem o desenvolvimento de perspectivas específicas para a dimensão ambiental e/ou social. Os autores ressaltam que indiferente do formato de integração adotado, os fatores incluídos devem ser de fato relevantes para a inclusão na gestão estratégica da organização.
Figge et al. (2002) não sugerem indicadores específicos (apenas generalistas) para as perspectivas do Balanced Scorecard da Sustentabilidade, contudo, abordam de forma interessante e relevante para o estudo uma ferramenta de inserção da temática nas organizações.
Epstein, Buhovac e Yuthas (2015) realizaram um estudo baseado no
questionamento do ponto de vista dos gestores das empresas, ou seja, como são
atendidas simultaneamente as demandas conflitantes das dimensões da
sustentabilidade na tomada de decisão diária. Os autores investigaram quatro empresas no âmbito corporativo, Nike, Procter & Gamble, The Home Depot e Nissan North America, e verificaram que as teorias iniciais de Kaplan e Norton (1992) já não se aplicam a empresas maduras e líderes em programas de sustentabilidade.
Epstein, Buhovac e Yuthas (2015) analisaram que essas empresas encontram-se em um grau de desenvolvimento em que os os seus gestores não enfrentam concorrência na integração das perspectivas ambiental, social e econômica e sim complementaridade. Segundo os autores, os sistemas informais dessas empresas promovem a sustentabilidade e mais especificamente os programas sociais e ambientais e os sistemas formais, hitoricamente associados ao desempenho financeiro não enfrentam tensões para conciliar os múltiplos aspectos, pois a sustentabilidade já está incorporada na cultura organizacional e nos processos de tomada de decisão dessas empresas.
2.2.1.2 Mensuração da Sustentabilidade Corporativa através de Indicadores (STROBEL, 2005)
A dissertação de Strobel (2005) teve como objetivo o desenvolvimento de um modelo alternativo para a mensuração da sustentabilidade corporativa por meio de indicadores. A autora utilizou a técnica de análise comparativa para estabelecer as principais diferenças e similaridades entre as abordagens escolhidas, as quais foram: o Dow Jones Sustainability Index (DJSI), a Global Reporting Initiative (GRI), a ferramenta do Instituto Ethos, o Modelo de Planejamento Estratégico para a Sustentabilidade Empresarial (PEPSE) e o Método de Avaliação dos Indicadores de Sustentabilidade de uma Organização (MAIS).
Segundo a autora, a principal justificativa para escolha desses metódos foi a complementariedade entre eles. Strobel (2005) afirmou que três abordagens possuem uma base de dados representativa e que são reconhecidas no contexto industrial, tanto a nível nacional como a nível internacional (DJSI, GRI e Ethos). As demais metodologias (PEPSE e MAIS) são teses de doutorado da Universidade Federal de Santa Catarina, vinculadas ao Programa de atuação da autora, Engenharia de Produção.
Para o presente estudo é relevante a atualização das referências DJSI, GRI e
Ethos, as quais tiveram novas edições lançadas desde 2005, agregando, por
exemplo, indicadores específicos para outros setores industriais. Strobel (2005)
ressalta a importância da análise do público de interesse de cada metodologia, pois esse fator está associado diretamente ao âmbito da criação de valor. A autora reforça que questões como que tipo de valor deve ser criado, para quem, e como, devem levadas em consideração no desenvolvimento de ferramentas e na análise destas e de seus resultados.
2.2.1.3 Referência para Mensuração da Sustentabilidade Corporativa (DELAI;
TAKAHASHI, 2008; SIENA, 2008)
No âmbito da pesquisa nacional, Delai e Takahashi (2008) citam a ausência de coerência nos dados mensurados perante as demandas de sustentabilidade das organizações, como um dos empecilhos para a operacionalização desta, portanto desenvolveram o seu próprio método. Os autores criaram um modelo de mensuração da sustentabilidade corporativa composto por oito subcategorias de análise que contemplam desde a visão estratégica até a própria organização dos indicadores.
As iniciativas que fundamentaram o estudo de Delai e Takahashi (2008) foram a GRI, as Métricas de Sustentabilidade do IChemE, o DJSI, o Índice Triple Bottom Line, os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, o Barômetro de Sustentabilidade, o Painel de Sustentabilidade e os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial. Delai e Takahashi (2008) não apresentaram resultados empíricos da aplicação do modelo desenvolvido neste estudo. É válido ressaltar que no mesmo ano, Siena (2008) também publicou um modelo de avaliação do desenvolvimento sustentável, no entanto, utilizou indicadores com enfoque em usuários da sociedade, realizando a sua validação no Estado de Rondônia.
Nos estudos de Siena (2008) e Delai e Takahashi (2008), é possível notar que
a esquematização, as categorias e as subcategorias dos métodos são similares,
contudo, as bases teóricas diferem. Delai e Takahashi (2008) fundamentaram a
construção do seu modelo em Hardi e Zdan (1997), Gallopín (1997), e Phillis e
Andriantiatsaholiniaina (2001); e Siena (2008) definiu a concepção do sistema
composto de dois subsistemas por meio do método sistêmico para Avaliação do
Bem-Estar de Prescott-Allen (1999; 2001), o qual adotou a escala de desempenho,
desenvolvida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP,
2000) para calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
2.2.1.4 Grid de Sustentabilidade Empresarial (GSE) (CALLADO, 2010)
Produto da tese de doutorado de Callado (2010) o Grid de Sustentabilidade Empresarial (GSE), possui o objetivo de integrar as dimensões ambiental, social e econômica para a mensuração da sustentabilidade empresarial.
O autor realizou um levantamento de referências relevantes para o desenvolvimento do seu trabalho, contemplando iniciativas distribuídas no âmbito científico e corporativo. O modelo proposto contemplou 43 (quarenta e três) indicadores de sustentabilidade, sendo 16 (dezesseis) indicadores ambientais, 14 (quatorze) indicadores econômicos e 13 (treze) indicadores sociais.
Callado (2010) utilizou o método de avaliação de experts para alcançar a lista final de indicadores. É interessante observar, que a utilização da norma ISO 14001, foi um indicador considerado relevante e incorporado na versão final do método. A norma de gestão ambiental, com versão brasileira a partir de 2004 e expectativa de atualização no segundo semestre de 2015, contribui com a identificação dos aspectos e impactos ambientais da empresa, contudo, não é uma garantia de um desempenho mais sustentável.
Feil e Naime (2015) aplicaram o método de Callado (2010) para mensurar a sustentabilidade das corporações com selo ISE da carteita BM&FBovespa. Os autores afirmaram que 76,53% das corporações com selo ISE alcançaram Sustentabilidade Satisfatória no Grid de Sustentabilidade Empresarial de Callado (2010), e os 23,47% estão "muito perto da sustentabilidade", desta forma, nenhuma corporação com selo da ISE, em 2012, enquadrou-se como insustentável, fator esperado por estas empresas estarem presente na carteira citada.
2.2.1.5 Diretrizes G4 para Relatórios de Sustentabilidade da Global Reporting Iniciative (GRI) (2013)
A Global Reporting Iniciative (GRI), com sede em Amsterdã (Holanda) consiste em uma ampla e extensa rede de especialistas de diversos países, os quais participam de grupos de trabalho e órgãos de governança, analisando e elaborando relatórios e indicadores de sustentabilidade, bem como auxiliando na promoção de estratégias e políticas de gestão (GRI, 2013a).
Segundo a própria GRI (2013a), a principal função do organismo é consolidar-
se como um ponto de convergência e a aceleração dos temas: transparência,
prestação de contas, elaboração de relatórios e desenvolvimento sustentável. A GRI é um núcleo oficial de colaboração do PNUMA e em maio de 2013 lançou a quarta geração das suas Diretrizes de Sustentabilidade.
As Diretrizes da GRI apresentam Categorias conforme três dimensões elencadas pelo triple bottom line. Por meio da análise da estrutura proposta pela GRI, é possível perceber que assim como outras ferramentas de abrangência internacional, o foco é corporativo e baseia-se na melhoria contínua consolidada por modelos de Sistemas de Gestão, como a ISO 9001 (Plan - Do - Check - Act).
Em 2014, a GRI lançou um livreto informativo sobre relatórios de sustentabilidade direcionado para o público de pequenas e médias empresas.
Segundo a GRI (2014) o objetivo do documento é que os empresários avaliem se o relato é importante para as suas realidades e, em caso positivo, como iniciar o processo de elaboração de um relatório com base nas Diretrizes G4 da GRI. O documento ressalta a importância desse nicho de organizações com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), que afirmam que as PMEs representam mais de 90% das empresas em todo o mundo e respondem, em média, por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) de todos os países e por 60% dos seus postos de trabalho. Como observa a GRI, a elaboração do livreto é uma ação que propõe que o desempenho deve ser avaliado "no contexto dos limites e demandas colocadas sobre os recursos ambientais ou sociais no setor, local, regional, ou nível global" (GRI, 2013a, p. 17).
2.2.1.6 Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis (2013)
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização sem fins lucrativos, caracterizada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), criada em 1998 por empresários e executivos provenientes da iniciativa privada, é reconhecido nas esferas nacional e internacional como referência em conhecimento, experiências e desenvolvimento de ferramentas para auxiliar na gestão das empresas no que se refere à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável (ETHOS, 2013a).
O Ethos é responsável pelos Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis, os quais compõem uma ferramenta de gestão interna das empresas.
A metodologia foi reestruturada em 2010, proporcionando maior convergência com
iniciativas como a Norma ABNT ISO 26.000, as Diretrizes G4 para a Elaboração de
Relatórios de Sustentabilidade da GRI e o CDP (Carbon Disclosure Project), que detém o maior banco de dados corporativos sobre mudanças climáticas, água e florestas da atualidade (ETHOS, 2013b).
Em 2003, o Sebrae realizou uma parceria com o Instituto Ethos e foram desenvolvidos Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial para Micro e Pequenas Empresas. Em 2006, os indicadores foram revisados e atualmente encontra-se disponível a versão de 2012, a qual ainda não foi alinhada com o novo conceito de negócios sustentáveis proposto pela metodologia original revisada em 2010.
A ferramenta do Ethos/Sebrae para MPEs contempla 36 indicadores distribuídos em sete temas: valores, transparência e governança; público interno;
meio ambiente; fornecedores; consumidores e clientes; comunidade; governo e sociedade (ETHOS, 2012).
2.2.1.7 Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa (2014)
O International Finance Corporation (IFC), atrelado ao Banco Mundial, foi o responsável por investir no desenvolvimento do Projeto do Índice de Sustentabildiade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa (GVCES, 2012a).
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) é a instituição técnica que realiza a revisão da metodologia que dá suporte aos questionários distribuídos entre as empresas emissoras das ações mais líquidas da bolsa, sendo que o ano de lançamento do questionário-base foi 2005 (GVCES, 2012b).
Em 2007, iniciaram os processos de consulta pública e workshops com especialistas, buscando o aprimoramento em ciclos de melhoria contínua da ferramenta, os quais passaram a acontecer anualmente. O Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) (2012b) da FGV, ressalta a criação da dimensão Mudanças Climáticas no questionário de 2010, como uma garantia do avanço dos indicadores da ferramenta e do alinhamento destes com as tendências nacionais, internacionais e principalmente com a expectativas da sociedade no que tange as boas práticas empresariais.
O ISE BM&FBovespa analisa de forma comparativa o desempenho das
empresas participantes, nos âmbitos da eficiência econômica, do equilíbrio
ambiental, da justiça social e da governança corporativa. A revisão anual do
questionário em 2014, não realizou alterações significativas em termos de
Dimensões, apenas ocorreu a inclusão de uma nova pergunta na dimensão Governança Corporativa, relativa a diversidade de gênero no Conselho de Administração (ISE BM&FBOVESPA, 2014).
A estrutura do ISE foi desenvolvida para grandes empresas, portanto, aborda temáticas alinhadas com as características do ambiente corporativo. Contudo, é fundamental que as MPEs ao buscar inovação e competitividade, como preconizado por entidades como o Sebrae, sejam desafiadas a alcançar padrões de referência nacional e internacional em sustentabilidade, com os ajustes necessários para a compreensão e internalização deste nicho específico.
2.2.1.8 Dow Jones Sustainability Index (2014)
O Índice de Sustentabilidade do Grupo Dow Jones (DJSI - Dow Jones Sustainability Indexes) foi proposto pela parceria entre o Índice Dow Jones, a STOXX Ltd. e o Grupo SAM. Lançado em 1999, o DJSI uniu as duas maiores empresas relacionadas à provisão de resultados em bolsas de valores e o pioneirismo com relação a investimentos na área da sustentabilidade (DJSI, 2013).
Segundo o DJSI (2013), a metodologia é baseada na aplicação de critérios para a avaliação de oportunidades e riscos decorrentes das dimensões econômica, ambiental e social das empresas elegíveis ao DJSI. Os critérios gerais são aplicados a todas as empresas e os específicos dependem do setor de atuação das empresas, sendo que ambos foram criados a partir dos contínuos desafios nos âmbitos da sustentabilidade.
A metodologia adotada pelo DJSI é denominada Avaliação da Sustentabilidade Empresarial, de propriedade da RobecoSAM, e garante considerar apenas os fatores da sustentabilidade considerados viáveis economicamente e servem como engajamento efetivo para melhorar o desempenho das empresas (DJSI, 2013a).
Por serem índices corporativos é possível perceber semelhanças com a
abordagem da GRI, principalmente em relação às dimensões da sustentabilidade
abordadas, contudo o Índice de Sustentabilidade do Grupo Dow Jones ressalta o
fator da gestão de riscos, pois enfatiza a dimensão econômica e a necessidade da
análise de viabilidade de quaisquer ações a serem tomadas pela empresa. Essa
diretriz está associada ao histórico da metodologia que provém de gestoras de
bolsas de valores, no entanto, se aplica fundamentalmente às MPEs, considerando
que os recursos destas são escassos e devem ser maximizados e potencializados,
principalmente na utilização de argumentos para a implantação de ações no âmbito da sustentabilidade.
2.2.1.9 Ferramenta de avaliação rápida e holística da sustentabilidade para PMEs em nichos de fabricação (CHEN et al. 2014)
Dentre as pesquisas realizadas, a metodologia que agregou as palavras chaves sustentabilidade e pequenas empresas foi a publicação dos autores Chen et al. (2014). Os autores definiram como determinante para uma ferramenta de avaliação de sustentabilidade para pequenas e médias empresas (PMEs) quatro critérios fundamentais: avaliação rápida, aplicação no nível da fábrica, aplicabilidade genérica e uma visão holística da sustentabilidade. Ao avaliar diversas metodologias, inclusive algumas descritas no presente trabalho (GRI e DJSI) e outras mais específicas para o "chão de fábrica", os autores constataram que as ferramentas não continham todos os requisitos considerados importantes para uma aplicação bem sucedida em PMEs.
Chen et al. (2014) propuseram três módulos principais para construção da ferramenta: o quadro da sustentabilidade, o modelo da fábrica e o quadro dos indicadores. Esses módulos são conectados por meio de matrizes baseadas em revisão de literatura. O quadro da sustentabilidade apresenta 14 temas, 44 subtemas e 82 princípios, contudo as especificidades da ferramenta não foram apresentadas no artigo dos autores.
O modelo da fábrica é baseado em fluxos de entrada (inputs), elementos (edifícios, equipamentos, pessoas, entre outros), emissões (gases, líquidos, calor, entre outros) e fluxos de saída (outputs). O último módulo contempla 133 indicadores baseados em uma revisão de mais de 100 artigos e ferramentas da literatura, organizados em sete áreas funcionais da gestão: produção e manutenção, meio ambiente, saúde e segurança, logística, gestão e economia, compras e pessoal.
A ferramenta de Chen et al. (2014) foi habilitada em formato de software,
contando com uma base de dados e um questionário com os 133 indicadores
selecionados, não disponibilizados no artigo estudado.
2.2.1.10 Modelo conceitual para medir o desempenho da Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde (GCSV) e Gestão Sustentável da Cadeia de Suprimentos (GSCS) (AHI; SEARCY, 2015)
O método desenvolvido pelos pesquisadores Ahi e Searcy (2015) mostrou-se relevante no referencial teórico deste trabalho em função do foco em indicadores de desempenho para cadeias de suprimento, pois as MPEs são parcelas expressivas dos encadeamentos produtivos.
O objetivo do estudo de Ahi e Searcy (2015) foi identificar e analisar as métricas publicadas acerca das temáticas sobre Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde (GCSV) e Gestão Sustentável da Cadeia de Suprimentos (GSCS). Os autores realizaram uma análise de conteúdo de 445 artigos publicados até 2012.
Os resultados encontrados corroboram as afirmações de Lincoln e Guba (2006), Mattos (2009) e Munck e Souza (2011), os quais ressaltam que a ruptura entre as teorias e os resultados de estudos quantitativos e qualitativos prejudicam o aprofundamento de novos estudos na academia, mesmo sendo baseados em divergências. Os autores verificaram que a maioria dos indicadores foram utilizados apenas uma vez, ou seja, não há um consenso sobre a eficácia daquela métrica.
Cinco métricas foram utilizadas mais de 20 vezes: qualidade (31 vezes), emissões atmosféricas (28), as emissões de gases de efeito de estufa (GEE) (24), o uso de energia (24), e o consumo de energia (21).
Visando reduzir tais inconsistências, Ahi e Searcy (2015) elaboraram uma classificação com 13 características extraídas da literatura para analisar e assim construir um quadro conceitual original para estruturar o desenvolvimento de métricas nas temáticas de GCSV e GSCS.
2.3. MICRO E PEQUENAS EMPRESAS E A SUSTENTABILIDADE: É POSSÍVEL
No documento
universidade do vale do itajaí - Univali
(páginas 32-41)