33
3.3 Indicadores do mercado de trabalho: breve caracterização do
34 com 12.580 empregados, ocupados principalmente nas atividades de fabricação de calçados de couro (43,3%) e de material sintético (32,3%) (Tabela 6).25
Tabela 6
Empregos nas principais divisões e classes de atividade industriais na região do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Vale do Taquari — 2013
DIVISÕES E CLASSES DE ATIVIDADE NÚMERO DE
EMPREGOS
PARTICIPAÇÃO NO EMPREGO
INDUSTRIAL (%) 10 - Fabricação de produtos alimentícios ... 17.405 39,3 1012-1 Abate de suínos, aves e outros pequenos animais ... 8.914 20,1 1052-0 Fabricação de laticínios ... 1.704 3,9 1099-6 Fabricação de produtos alimentícios não especificados anteriormente ... 1.578 3,6 1093-7 Fabricação de produtos derivados do cacau, de chocolates e confeitos ... 1.546 3,5 11 - Fabricação de bebidas ... 541 1,2 13 - Fabricação de produtos têxteis ... 242 0,5 14 - Confecção de artigos do vestuário e acessórios ... 1.333 3,0 1412-6 Confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas ... 1.057 2,4 15 - Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e
calçados ... 12.580 28,4 1531-9 Fabricação de calçados de couro ... 5.448 12,3 1533-5 Fabricação de calçados de material sintético ... 4.067 9,2 1510-6 Curtimento e outras preparações de couro ... 1.374 3,1 16 - Fabricação de produtos de madeira ... 1.535 3,5 17 - Fabricação de celulose, papel e produtos de papel ... 330 0,7 18 - Impressão e reprodução de gravações ... 291 0,7 20 - Fabricação de produtos químicos ... 1.352 3,1 22 - Fabricação de produtos de borracha e de material plástico ... 515 1,2 23 - Fabricação de produtos de minerais não metálicos ... 1.374 3,1 24 - Metalurgia ... 184 0,4 25 - Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos ... 2.147 4,9 26 - Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos ... 70 0,2 27 - Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos ... 120 0,3 28 - Fabricação de máquinas e equipamentos ... 1.032 2,3 29 - fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias ... 711 1,6 30 - Fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores ... 22 0,0 31 - Fabricação de móveis ... 1.830 4,1 3101-2 Fabricação de móveis com predominância de madeira ... 1.537 3,5 32 - Fabricação de produtos diversos ... 425 1,0 33 - Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos ... 210 0,5 TOTAL ... 44.249 100,0 FONTE DOS DADOS BRUTOS: Brasil (2015).
NOTA: Os códigos referem-se aos usados na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 2.0.
Outras divisões com importância para o emprego industrial local são a fabricação de produtos de metal (2.147 trabalhadores) e fabricação de móveis (1.830 trabalhadores), que, juntas, respondem por 9,0%
dos empregos formais registrados em 2013.
O parque industrial do Vale do Taquari contava com 2.025 estabelecimentos com vínculos ativos em 2013, dos quais 96,6% enquadram-se no porte de micro ou pequenas empresas; 2,7%, no de médias; e
25 Na região, o segmento produtor de calçados apareceu cronologicamente mais tarde e adquiriu relevo na economia da região ao longo do tempo, figurando como o primeiro em importância, em termos de geração de emprego formal, no final do século XX. Na primeira década dos anos 2000, perdeu essa condição, já que o setor mais importante para o emprego formal voltou a ser a indústria de alimentos. Todavia, cabe observar que a indústria de calçados não tem raiz na região, diferentemente de outras atividades que, embora tenham uma repercussão menor no tecido produtivo, têm registro histórico no Vale do Taquari, como é o caso das indústrias de couro, peles e similares, do mobiliário, de bebidas e de perfumaria, sabões e velas.
35 apenas 0,7%, no de grandes (14 estabelecimentos).26 Porém é nas grandes firmas que está ocupada a maior parcela dos empregos formais das principais atividades industriais da região. Nas atividades de fabricação de calçados de couro e de material sintético, os seis estabelecimentos de grande porte, com 500 ou mais funcionários, respondem por mais da metade dos empregos formais (4.973 trabalhadores). Na atividade de abate de suínos, aves e outros pequenos animais, que conta com cinco grandes estabelecimentos na região, essa participação é ainda maior (7.877 empregos: 88,4% do total). Conforme será mais bem explorado na próxima seção, na indústria de laticínios, as grandes empresas respondem por uma parcela menor do emprego.
Se os empregos industriais do Vale do Taquari estão concentrados em termos setoriais, o mesmo se pode dizer em termos geográficos. Mais de dois terços dos empregos formais da indústria de transformação local situam-se em apenas cinco municípios: Lajeado (26,2%), Teutônia (13,5%), Estrela (9,2%), Arroio do Meio (8,5%) e Encantado (7,4%). Individualmente, nenhum dos demais municípios alcançou 5% de participação no emprego industrial, sendo que vários deles ficavam abaixo de 1%.
Em se tratando da renda do trabalho, os dados da RAIS-MTE apontam para uma situação de desvantagem da região frente ao Estado. Em dezembro de 2013, o rendimento médio no mercado de trabalho formal do Corede era de 2,3 salários mínimos27 (SM), enquanto, no RS, esse era bem mais alto (3,1 SM). O setor de serviços industriais de utilidade pública era o que praticava o melhor salário médio na região (4,7 SM), seguido pela indústria extrativa mineral (3,3 SM) e pela administração pública. O salário médio da indústria de transformação da região era equivalente a 2,1 SM, e os menores rendimentos médios eram observados na agropecuária (1,7 SM). Nas quatro principais atividades econômicas da indústria de transformação do Vale do Taquari, praticavam-se os seguintes salários médios: 2,2 SM (abate de suínos, aves e outros pequenos animais); 1,7 SM (fabricação de calçados de couro); 1,7 SM (fabricação de calçados de material sintético); e 2,7 SM (fabricação de laticínios). Observa-se, assim, que a indústria de fabricação de produtos alimentícios praticava salários médios superiores aos da indústria de calçados. Não se pode deixar de notar que, de maneira geral, o menor salário médio da indústria de transformação local — quase 30% inferior à média estadual — é reflexo da baixa intensidade tecnológica das principais atividades empregadoras. As atividades industriais com melhor remuneração na região — mas que são pouco representativas — eram a fabricação de motores e turbinas (5,7 SM), a fabricação de defensivos agrícolas (5,0 SM), a fabricação de produtos de trefilados de metal (4,8 SM) e a fabricação de equipamentos de informática (4,6 SM).
Nos últimos anos, entre 2006 e 2013, a dinâmica do emprego regional foi muito similar à nacional. O número de empregos formais avançou mais de 30%, tendo sido impulsionado pela construção civil (110,5%), pelos serviços (66,3%) e pelo comércio (52,1%), que cresceram acima da média. O crescimento do emprego na indústria de transformação foi menor (9,0%), tendo esse setor contribuído com aproximadamente 15% da variação total do emprego regional no período (Figura 6).
26 O porte dos estabelecimentos foi determinado segundo os critérios de classificação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae): micro e pequenas empresas (0 a 99 empregos); médias empresas (100 a 499 empregos); grandes empresas (500 ou mais empregos). A análise tomou por base as informações da RAIS-MTE para o ano de 2013.
27 O salário mínimo, em dezembro de 2013, era de R$ 678,00.
36 Figura 6
Evolução do emprego setorial no Vale do Taquari — 2006-13
0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000 35.000 40.000 45.000 50.000
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Extrativa mineral
Indústria de transformação
Servicos industriais de utilidade pública
Construção Civil Comércio Serviços
Administração Pública
Agropecuária, extração vegetal, caça e pesca
FONTE DOS DADOS BRUTOS: Brasil (2014).
4 Rede de formação de mão de obra e estrutura de P&D
Na região do Vale do Taquari, está localizado um conjunto de organizações voltadas para a educação e o treinamento da mão de obra. Essas instituições são as principais fontes locais de acesso ao conhecimento codificado, ou seja, de saberes transacionados e acessíveis no mercado. Dentre os cursos técnicos e de ensino superior que formam profissionais com habilidades para atuar em segmentos específicos do agronegócio, podem-se destacar os citados no Quadro 3.
Na oferta de cursos profissionalizantes, de níveis técnico e superior, a principal instituição da região é a Univates. Sediado em Lajeado, esse centro universitário já formou mais de 9.000 estudantes do ensino superior, 2.000 em nível de pós-graduação e 2.000 nos cursos técnicos. Atualmente, oferece 44 cursos de graduação (bacharelado, licenciatura e superiores de tecnologia), 1 sequencial, 13 técnicos, 24 de pós- -graduação, além de diversos cursos de extensão. É possível perceber que alguns dos cursos oferecidos pela instituição estão ajustados às necessidades da região, refletindo a sua estrutura produtiva. Os cursos de Tecnologia de Alimentos, Engenharia de Alimentos, Negócios Agroindustriais e Gestão de Cooperativas, por exemplo, refletem a vocação local para a produção agroindustrial.
37 Quadro 3
Cursos oferecidos nos municípios do Corede Vale do Taquari relacionados às atividades do agronegócio
MUNICÍPIOS INSTITUIÇÃO E CURSOS NÍVEL
Lajeado
Ensino Escola Profissional
Administração Técnico
Senac Lajeado
Administração Técnico
Administração de Micro e Pequena Empresa Técnico
UNIVATES
Mestrado em Biotecnologia Pós-Graduação
Gestão de Cooperativas Pós-Graduação
Tecnologia de Alimentos Pós-Graduação
Administração de Empresas Superior
Engenharia de Alimentos Superior
Engenharia de Produção Superior
Gestão de Micro e Pequenas Empresas Superior
Negócios Agroindustriais Superior
Intelectum
Administração Técnico
Taquari Instituto Estadual de Educação Pereira Coruja
Meio Ambiente Técnico
Teutônia
Colégio Teutônia
Agropecuária Técnico
Administração Técnico
Meio Ambiente Técnico
Instituto de Educação Cenecista General Canabarro
Administração Técnico
Encantado
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul - UERGS
Tecnologia em Agroindústria Superior
Bacharelado em Ciência e Tecnologia de Alimentos Superior LUME – Centro de Ensino e Qualificação Profissional
Cooperativismo Técnico
Estrela Faculdade La Salle
Administração Superior
Tecnologia em Agronegócio Superior
Colégio Martin Luther
Alimentos Técnico
FONTE: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (2011).
NOTA: Também foram consultados os sites das instituições na Internet.
A Univates também é a principal responsável pela implantação do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates). Inaugurado em 2014, o Tecnovates é uma iniciativa que conta com o apoio de entidades públicas e privadas da região para oferecer a pessoas empreendedoras espaço físico, laboratorial e capacitados recursos humanos para P&D, na busca de inovação em produtos alimentícios, tecnologias de proteção ao meio ambiente e energias renováveis. Segundo seus idealizadores, o Vale do Taquari é um dos principais polos de produção e exportação de alimentos do Rio Grande do Sul, e seu sucesso passa pelo empreendedorismo de sua gente e pelos modelos de gestão e produção avançados que adota. Contudo a região produz, principalmente, commodities, ou seja, produtos padronizados, com tecnologias difundidas. Visando mudar esse cenário, oportunizando o desenvolvimento de tecnologias pioneiras na produção de alimentos, nos cuidados com o meio ambiente e energias renováveis, com base em processos biotecnológicos e nanotecnológicos, foi criado o Tecnovates, com uma estrutura física, laboratorial e de pessoal capaz de receber as unidades de P&D de empresas locais, nacionais e internacionais, interessadas em criar novos produtos e serviços de alto valor nutricional, saudáveis, ambientalmente amigáveis e de grande aceitação pelo mercado. Os cinco laboratórios de P&D no
38 Tecnovates envolvem as áreas de Microbiologia de Alimentos, Química de Alimentos, Biotecnologia de Alimentos, Gerenciamento de Resíduos na Área de Alimentos e uma Micro Usina de Leite e Derivados. Já na área dos laboratórios de análises vinculados ao Unianálises, são realizadas análises físico-químicas, microbiológicas, de nutrição animal e por meio da tecnologia de Espectrometria de Infravermelho Próximo (NIR). Além disso, o local ainda conta com o Laboratório do Leite, onde são realizadas análises em amostras de leite cru oriundo de propriedades rurais e de indústrias de laticínios (UNIVATES, 2015). Em janeiro de 2013, o laboratório foi credenciado pelo MAPA para a realização das análises de qualidade do leite produzido no Vale do Taquari, o que representa um passo importante para a profissionalização e a qualificação da cadeia do leite.
Os cursos superiores ofertados pela UERGS de Encantado também parecem estar alinhados às vocações produtivas tradicionais da região. Outra referência local de ensino superior é a Faculdade La Salle.
Inaugurada em 2009, no Município de Estrela, essa instituição conta com sete cursos de graduação (um deles em Tecnologia em Agronegócio), três cursos de pós-graduação, especialização e MBA e três cursos de extensão. No Município de Lajeado, há ainda polos de ensino superior à distância (EAD) da Ulbra, da Unopar e da Uninter.
Algumas escolas técnicas locais também contribuem para a formação profissional, capacitando seus estudantes para assumir posições em áreas relacionadas ao agronegócio. Nesse quesito, destacam-se os cursos técnicos em Agropecuária e Alimentos, oferecidos, respectivamente, pelos colégios Teutônia e Martin Luther (Estrela). Essas escolas foram fundadas pelas comunidades locais de confissão luterana para suprir a necessidade de educação dos descendentes de imigrantes alemães. Atualmente, constituem-se em referências no ensino básico e profissionalizante. Ainda na qualificação técnico-profissionalizante, vale referir a presença de uma unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Lajeado, que atende a região do Vale do Taquari. O Senai desenvolve cursos nas seguintes áreas: marcenaria, metalmecânica, eletroeletrônica, automação industrial, informática, gestão, custos, segurança do trabalho, indústria automotiva e alimentos. Além disso, oferta serviços técnicos e tecnológicos nas áreas de gestão, custos, logística e implantação do Programa Alimentos Seguros.
Em termos da qualificação dos agricultores familiares, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) é a principal referência. Segundo Bühler e Manteze (2015), o trabalho da extensão rural no Rio Grande do Sul, capitaneado pela Emater, é um processo de educação não formal, direcionado para os públicos que vivem e atuam em atividades agropecuárias. Os extensionistas rurais são profissionais das mais diferentes áreas, capacitados no uso de diversas metodologias, que atuam como agentes de desenvolvimento rural, levando às famílias rurais tecnologias mais produtivas, com menores custos e mais adequadas ambientalmente, que possibilitem a essas famílias continuar vivendo no meio rural, produzindo com rentabilidade e com maior qualidade de vida.
A Emater é responsável pelo Programa de Qualificação Profissional de Agricultores, que é desenvolvido em dois cenários: nas comunidades e nos Centros de Formação. Nas comunidades, são utilizadas metodologias de caráter mais abrangente para divulgar ao público técnicas adequadas e mostrar os bons resultados obtidos, por meio do trabalho individualizado nas propriedades. Para as ações de
39 capacitação que requerem conhecimentos mais aprofundados em temas específicos, a extensão rural utiliza a capacitação profissional por intermédio de cursos em oito centros de formação, distribuídos no território gaúcho. Os cursos são coordenados por instrutores qualificados e têm carga horária amplificada e intensiva.
O processo de aprendizagem consiste em referencial teórico (reflexão) e prático (ação).
A prática é o principal processo de aprendizado nos Centros de Formação, onde aplica-se a metodologia do “aprender a fazer fazendo”, exercitando junto com o grupo e com o apoio e monitoramento constante dos instrutores. A continuidade de atendimento ao agricultor, quando do seu retorno do curso, é feito através da assistência técnica prestada pelo extensionista municipal, que poderá ajudá-lo na aplicação dos conhecimentos na sua propriedade e na evolução de suas atividades.
(ASSOCIAÇÃO RIOGRANDENSE DE EMPREENDIMENTOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL, 2015).
No Vale do Taquari, a Emater coordena o Centro de Formação de Agricultores de Teutônia (Certa), situado no Colégio Teutônia, e conta com a parceria da Cooperativa Regional de Eletrificação Teutônia (Certel), do Sistema de Crédito Cooperativo(Sicredi) e da Cooperativa Languiru. No Certa, estão instaladas quatro unidades didáticas, onde são ministrados os cursos de Bovinocultura de Leite, Qualidade do Leite, Dieta para Vacas Leiteiras e Gerenciamento da Propriedade Rural. O escritório regional da Emater para os vales do Taquari e Caí está situado no Município de Lajeado.
As atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelas instituições acima referidas
devem ser reforçadas pela atuação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio- -Grandense (IFSul), que será implantando em Lajeado e ofertará cursos técnicos em Administração,
Alimentos e Automação Industrial.
Nessa etapa da pesquisa, não será possível avaliar os saberes tácitos existentes na região da aglomeração estudada. Esses conhecimentos, manifestados nas rotinas organizacionais e na experiência coletiva de diferentes grupos, somente poderão ser adequadamente avaliados após a realização do estudo de campo, próxima etapa da pesquisa.