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INTERDISCIPLINAR E SEUS DESAFIOS NA UEG - UNU – FORMOSA

No documento Educação e Diversidade (páginas 100-115)

Ana Cláudia Vieira Braga1 Francisco Darci Feitosa2 Railson Soares Cardoso3

Introdução

O presente artigo tem por objetivo apresentar o contexto e os desafios da interdisciplinaridade encontrados na pesquisa de campo realizada na UnU4 Formosa da Universidade Estadual do Goiás (UEG) - GO. O corpo docente da UEG - UnU de Formosa é parte integrante da população do estudo de caso da pesquisa do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Educação, Gestão e Cultura Regional – GEGC, atuante na UnU da UEG - Luziânia, que desenvolveu

1 Doutoranda em Educação e Tecnologias- Universidade de Brasília-UnB(2019), mestra em tradução pela UnB(2013), especialista em Gestão e Administração Escolar (1994), licenciada em Pedagogia (1997), licenciada em Letras/Latim (1998), licenciada em língua francesa pela Aliança Francesa de Brasília (2003). É professora aposentada da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Membro pesquisadora do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Educação, Gestão e Cultura Regional -GEGC- UEG e do grupo ÁBACO- UnB. Tem experiência na área de Educação, ensino de língua portuguesa, língua estrangeira, formação de professores, edu- cação superior e revisão textual.

2 Mestrando em Educação, Gestão e Tecnologias na Universidade Estadual do Goiás – UEG (2020), especialista em Cenários e Modalidades de Educação à Distância da faculdade Metro- politana (2020). Graduado em Pedagogia pela UEG - Campus Luziânia– GO (2014). Presidente da instituição filantrópica Centro Ecumênico Universalista Nossa Senhora Aparecida (CNSA), entidade de natureza assistencial e educacional atuante no Distrito do Jardim do Ingá, Luziâ- nia - GO. Membro pesquisador do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Educação, Gestão e Cultura Regional- GEGC. Tem experiência na área de Educação nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e no ensino de língua estrangeira. E-mail: [email protected]

3 Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual de Goiás- UEG (2014), Especia- lização em Docência e Gestão do Ensino Superior pela Universidade Estadual de Goiás- UEG, Mestre em Educação Linguagem e Tecnologias UEG - Campus Anápolis de Ciências Socioeco- nômicas e Humanas, pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Educação, Lingua- gem e Tecnologias (PPG-IELT-2020). Atualmente é vice-líder do Grupo de Pesquisa Interdisci- plinar em Educação, Gestão e Cultura Regional – GEGC, sob a liderança do professor Dr. Jorge Manoel Adão. Tem experiência na área de Educação cursos de Pedagogia e Complementação Pedagógica, Educação Infantil, e com Educação Especial, ainda como participação de bancas de defesa de graduação e editor de revista acadêmica.

4 À época da pesquisa a Universidade Estadual de Goiás denominava as Unidades Universitárias como Campus. Atualizamos nosso texto para a nova denominação.

a pesquisa intitulada: Interdisciplinaridade e Educação Superior no Estado de Goiás: uma abordagem a partir da Quarta Região da Universidade Estadual de Goiás. Nessa pesquisa investigou-se o domínio dos Gestores-Professores sobre interdisciplinaridade - em níveis epistemológico, metodológico e técnico – e como a concretizam em seu cotidiano acadêmico. Em nível metodológico, essa é uma pesquisa qualitativa, que tem como modalidade de pesquisa o estudo de caso e como técnica a observação e entrevista semiestruturada.

A interdisciplinaridade tem sido considerada como a integração de conteúdos entre disciplinas dos currículos e, muitas vezes, os profissionais envolvidos em projetos interdisciplinares não têm clareza do seu conceito e não percebem resultados convincentes. Isto é, aqui há o desafio de tornar as disciplinas comunicativas entre si e de percebê- las como processos históricos e culturais autônomas sem perder de vista a discussão de natureza curricular e de ensino e aprendizagem.

Para Jappiassú e Marcondes (2001, p.107), a interdisciplinaridade tem um conceito amplo e pode ser definida como:

[...] um método de pesquisa e de ensino suscetível de fazer com que de fazer com que duas ou mais disciplinas interajam ente si. Essa interação pode ir da simples comunicação das ideias até a integração mútua dos conceitos, da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos procedimentos, dos dados e da organização da pesquisa [...] (JAPPIASSÚ, 2001, p. 107).

Relacionando os aspectos fundamentais da interdisciplinari- dade com a Educação Superior, buscamos, na definição de Univer- sidade, a motivação para a compreensão do contexto e desafios da interdisciplinaridade nessa etapa da formação educacional. O Mi- nistério da Educação e Cultura apresenta em seu portal na internet as características das universidades:

As Universidades se caracterizam pela indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão. São institui- ções pluridisciplinares de formação dos quadros profissio- nais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domí- nio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por: I

- produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural quanto regional e nacio- nal; II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titu- lação acadêmica de mestrado ou doutorado; e III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral (PORTAL DO MEC, acesso 08/05/2017, 9:30).

A indissociabilidade das atividades de ensino e aprendizagem preconiza uma visão interdisciplinar de Educação Superior e relacio- na a missão da Universidade com os projetos interdisciplinares. A partir da reflexão sobre o conceito de Interdisciplinaridade e Univer- sidade, podemos perceber os grandes desafios da prática cotidiana da Educação Interdisciplinar na Educação Superior. O conceito de interdisciplinaridade, muitas vezes, se confunde com os de multidis- ciplinaridade, pluridisciplinaridade e transdisciplinaridade.

A definição de cada uma toma como referência a disciplina- ridade (ligada à especialização dos saberes) que, segundo Pimenta (2006, p. 11) faz da interdisciplinaridade “um movimento comple- mentar e harmônico ou conflituante ao da disciplinaridade”. Esse autor complementa que a interdisciplinaridade está localizada em uma transição disciplinar qualitativa que pode romper com os fun- damentos da disciplinaridade.

A Educação Interdisciplinar requer profissionais, em todos os níveis de ensino, conscientes da importância de relacionar disci- plinas, trabalhar em grupo e principalmente entender o significado da interdisciplinaridade; como afirmam Fazenda e Godoy (2014, p.

15) no prefácio de seu livro: “este é a meu ver, o manifesto desta obra, tecida a tantas mãos: deslocar os docentes/pesquisadores de seu patamar disciplinar soberano para a efetivação de uma compla- cente autonomia”.

Os professores das Universidades devem oferecer projetos e fazeres educacionais voltados à interdisciplinaridade. Todavia há muitos obstáculos para a execução desses projetos, tais como relata Fazenda (1999, p. 18, grifos da autora): “num projeto interdisciplinar, comumente, encontramo-nos com múltiplas barreiras: de ordem

material, pessoal, institucional e gnosiológica. Entretanto, tais barrei- ras poderão ser transpostas pelo desejo de criar, de inovar, de ir além”.

Olhando nesse sentido, podemos observar que um dos desafios seja a necessidade de predisposição do professor a exercer o processo de ensino e aprendizagem de forma interdisciplinar, como também o reconhecimento da Universidade como um nicho de relações interdisciplinares. No entanto, muitos outros desafios aparecem na prática docente interdisciplinar. Nesta linha de raciocínio estão contidos desde elementos de práticas interdisciplinares simples, até focos complexos que envolvem projetos de grandes extensões educacionais. Essas práticas e projetos trazem consigo a necessidade de um profissional disposto a realizar o que se propõe em matéria de interação disciplinar, sem deixar que as disciplinas A ou B sejam prejudicadas em detrimento uma da outra.

Fazenda (1999), ao afirmar a necessidade do professor em

“perceber-se interdisciplinar”, nos remete à lembrança de que, para tal sentimento, há de se procurar o substrato dos estudos interdisciplinares, o que caracteriza um círculo que põe o professor, ora mestre, ora discípulo, criando e participando de projetos, sejam eles de formação continuada, ou de aulas teóricas e práticas, quando ele vai expor o “sentimento interdisciplinar”, na realização da teoria, a própria prática.

No livro Inovação e Interdisciplinaridade na Universidade, Audy e Morosin (2007) expõem a necessidade de se conhecer os desafios da Educação Interdisciplinar e destacam a Educação Superior como um meio propício para uma ação interdisciplinar inovadora:

Não há dúvida sobre o papel desafiador da interdisciplina- ridade na universidade contemporânea. Ela representa uma visão inovadora da ciência e da tecnologia, desinstalan- do consequentemente os posicionamentos e as estruturas tradicionais. A universidade, impulsionada por esta força, potencializa sua capacidade criadora, quer nos projetos de pesquisa, quer nos projetos pedagógicos dos cursos, quer na

sua estrutura interna, por meio da criação de novos institu- tos de pesquisa e de cursos. Desta forma, a academia pode contribuir favoravelmente à superação da fragmentação do saber, própria da pós-modernidade. Assim, é inequívoca a vinculação existente entre interdisciplinaridade e inovação (id. ib., p.10).

Voltando-nos para nosso lócus principal de pesquisa, identificamos que a Universidade Estadual de Goiás (UEG) surgiu do processo de transformação da Universidade Estadual de Anápolis (UNIANA) e da incorporação das instituições de ensino superior (IES) isoladas, mantidas pelo poder público estadual, em uma única instituição, a UEG, por força da Lei N. 13.456, de 16/04/1999, que vinculou a UEG à Secretaria de Estado da Educação de Goiás. Posteriormente, por intermédio do Decreto N. 5.158, de 29/12/1999, a Universidade é vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Goiás. A UEG foi organizada, portanto, como uma universidade multicampi, com sede central ou Campus na cidade de Anápolis.

A UEG possui Unidades Universitárias (UnU) fora da sede, localizadas em diversos municípios. A Universidade constitui-se de Unidades Universitárias localizadas em municípios do Estado de Goiás, que são responsáveis pela execução das ações didático- pedagógicas, científicas, culturais, administrativas, orçamentárias, de gestão financeira, patrimonial e disciplinar em suas áreas de atuação. Conforme o Plano de Desenvolvimento Institucional da UEG, a missão dessa instituição é:

A UEG tem como missão: Produzir e socializar o conhecimento científico e o saber, desenvolver a cultura e a formação integral de profissionais e indivíduos capazes de se inserirem criticamente na sociedade e promoverem a transformação da realidade socioeconômica do Estado de Goiás e do Brasil (Plano de Desenvolvimento Institucional da UEG, 2010-2019, p.16).

Conforme rege o Estatuto da UEG, o Plano de Desenvolvimento Institucional está fundamentado nos princípios norteadores da prática e filosofia de trabalho da Universidade, que se resume:

[...] na valorização do ser humano; no respeito à liberdade intelectual e de opinião; na ambiência do trabalho acadêmico; na interdisciplinaridade de ações; e na busca dos avanços científicos e tecnológicos comprometidos institucionalmente com a sociedade e com a qualidade de vida (Plano de Desenvolvimento Institucional da UEG, 2010-2019, p.19).

A palavra interdisciplinaridade aparece diversas vezes, tanto no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UEG quanto em seu estatuto. Esse detalhe traz consigo muitos indícios de que as intenções de princípios interdisciplinares estão presentes desde a concepção da missão da Universidade Estadual de Goiás até nas ações ligadas ao projeto pedagógico da instituição.

Na diagnose social de um locus de pesquisa é possível analisar os resultados alcançados que auxiliarão no entendimento da dinâmica da aplicação de projetos interdisciplinares na Educação Superior e qual o papel dos sujeitos pesquisados nessa dinâmica entre interdisciplinaridade e Universidade.

Para a coleta de dados adaptamos o roteiro de diagnose sugerido por Libâneo (2001), e utilizamos uma planilha de recolhimento de informações que incluísse os aspectos geográficos, administrativos, sociais e profissionais da UnU pesquisada. As análises dos diferentes dados mostram que a diagnose é uma etapa importante na orientação da pesquisa qualitativa, pois agrega informações importantes à análise de dados subjetivos como os coletados em entrevistas semiestruturadas. Recorrendo a Libâneo (2001) novamente, reiteramos que o diagnóstico, realizado a partir do levantamento de dados, objetiva analisar e explicar a situação, mas deve ser articulado com suas causas internas e externas.

As reflexões apresentadas acerca da relação Universidade / Interdisciplinaridade baseadas na diagnose social partem, em um primeiro momento de um diagnóstico. O termo diagnóstico é utilizado por profissionais das mais diversas áreas, sempre se referindo ao conhecimento prévio necessário para a tomada de decisão. Ferreira (2004) define em seu dicionário como um conjunto de dados em que se baseia uma determinação. Genericamente diagnosticar é obter um conjunto de elementos que orientam uma tomada de decisão. Em Turra et al. (1975, p. 47) encontramos que

“o diagnóstico expressa a configuração de uma situação de fato, ou melhor, retrata uma realidade”, o que equivale a fazer um retrato da realidade.

Consideramos, com esse artigo, que a diagnose social da UnU de Formosa aqui apresentada, reflete a realidade da época, da pesquisa, no ano de 2016, e que serviu para analisarmos os dados gerados a partir de instrumentos variados de pesquisa como a análise documental, as entrevistas semiestruturadas e as discussões sobre os resultados do estudo de caso.

Desenvolvimento

A fim de verificar o contexto e os desafios da aplicação da interdisciplinaridade na Universidade escolhemos como população parcial de pesquisa os professores e os gestores da UnU de Formosa, que fazem parte da quarta região da UEG. Desenvolvemos, então, uma diagnose situacional da UnU Formosa e esta apresentou um quadro geral das condições para o desenvolvimento da interdisciplinaridade como a natureza, a razão, o grau e o contexto e também nos ajudou a situar os aspectos principais da análise das entrevistas semiestruturadas feitas com professores.

A UnU de Formosa da UEG está localizada no setor noroeste do município de Formosa - GO. O endereço é situado à Avenida Universitária, esquina com a Rua Nagib Simão, sem número. Este município foi fundado em meados do século XIX, precisamente em primeiro de agosto de 1843, embora já existisse desde meados do

século XVIII. No princípio pertenceu à capitania de São Paulo. O povoado era chamado de Arraial dos Couros, seu primeiro nome, depois foi Vila Formosa da Imperatriz, batizado pelos antigos moradores do Arraial de Santo Antônio, que fugiram de uma epidemia de malária. Posteriormente foi chamado de Formosa.

O Município de Formosa está a setenta e cinco quilômetros de Brasília e a duzentos e oitenta e dois quilômetros de Goiânia.

Os formosenses formam uma população de 110 mil 388 habitantes, segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas Brasileiro - IBGE em 2014, com renda per capta anual de R$ 6 918, 88, seu índice de desenvolvimento humano -IDH é 0,744, segundo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD - 2010.

Criada pelo Decreto estadual nº 2519, de 30 de outubro de 1985, a faculdade de Educação, Ciências e Letras de Formosa, que era subordinada à Secretaria Estadual de Educação, passou a se chamar Faculdade de Educação, Ciências Letras Ilmosa Saad Fayad (FECLISF). Com a Lei estadual nº 13456, de 16 de abril de 1999, que criou a Universidade Estadual de Goiás, a FECLISF, foi transformada em uma unidade universitária em que funcionavam os cursos de licenciatura de Ciências, Geografia, História e Letras.

No ano de 2000 foram criados os cursos de Pedagogia, Matemática, Química e nesse mesmo ano o curso de Ciências foi encerrado. A Unidade Universitária de Formosa já ofereceu cursos de Pós-Graduação Lato Sensu, de Educação à Distância - EaD e do Programa de Licenciatura Plena Parcelada - LPP. O nome oficial atual é UnU- Formosa.

A UnU de Formosa tem área construída de 2.257,53 m2 composta de sete blocos (A a G) com térreo e primeiro andar. No prédio há 14 salas designadas para aula, outras salas do térreo são distribuídas em 01 sala de reunião, 08 laboratórios de curso, 01 videoteca, 01 sala de extensão e pós-graduação, 01 sala de apoio administrativo, 01 fotocopiadora, 08 banheiros (distribuídos no térreo e primeiro andar), saguão da lanchonete, 05 alas designadas à direção, 01 biblioteca, 01 laboratório de informática que atende de segunda a sábado à comunidade escolar. A biblioteca funciona

também de segunda a sábado, apoiada por uma Genuteca que facilita a pesquisa de títulos para empréstimo por meio de acesso eletrônico. A casa dos professores é um espaço reservado para descanso e hospedagem composto de dois quartos, um suíte, dois salas, cozinha, banheiro, área de serviços e garagem. Há um auditório em construção no bloco G.

Os cursos têm considerável grau de autonomia para suas gestões, no entanto devem respeitar às normas gerais da UEG e da UnU. A coordenação tem por tarefa convocar e presidir as reuniões do colegiado dos cursos e também pode convocar o Núcleo Docente Estruturante (NDE). As coordenações adjuntas do curso que são indicadas pelo coordenador são responsáveis por assuntos específicos como: laboratório de curso ou TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), por exemplo.

O colegiado, que é formado por todos os professores e pelos representantes estudantis, é o órgão superior do curso cujas decisões se transformam automaticamente em normas internas.

O Núcleo Docente Estruturante (NDE) é o órgão encarregado dos assuntos didáticos, pedagógicos e científicos do curso e deve promover permanente debate, atualização e aperfeiçoamento do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e estão disponíveis, na íntegra e atualizada, para consulta, no SITE da instituição (http://www.

formosa.ueg.br).

O PPC passa por avaliação periódica da UEG e do Conselho Estadual de Educação (CEE) de Goiás e é o documento que estrutura a política acadêmica, o funcionamento e as concepções educacionais e científicas do curso. Tudo o que o PPC determina vira norma interna.

À época de nossa pesquisa o quadro de funcionários estava dividido entre professores e técnicos totalizando 97 funcionários efetivos e temporários. Eram 26 professores efetivos e 43 de contrato temporário. O quadro atualizado do momento da pesquisa de formação dos professores estava assim delineado:

Tabela 1 – quantitativo de professores

Formação Efetivos Temporários

Graduação 00 05

Especialização 03 19

Mestrado 07 17

Doutorado 14 02

Pós-doutorado 02 00

Fonte: secretaria da UnU de Formosa

Os Projetos Pedagógicos dos Cursos ministrados na UnU de Formosa estão publicados no site da instituição (http://www.

formosa.ueg.br). O curso de Pedagogia funciona no turno matutino enquanto os de Matemática, Química, Geografia, História e Letras funcionam no turno noturno. Os PPC têm suas particularidades, cada um primando pela valorização de seu currículo, no entanto a missão de cada um deles, apresentada nos PPC, tem um ponto em comum voltado para a missão da instituição:

A missão da UEG-Formosa “é produzir e socializar o conhecimento e o saber, desenvolver a cultura e a formação integral de profissionais e indivíduos capazes de inserirem criticamente na sociedade, e promoverem a transformação da realidade socioeconômica do Estado de Goiás e do Brasil” (PPC Pedagogia, p.

07). Além disso, há outro ponto em comum entre os cursos que é a formação de professores, pois todos são de licenciatura:

Muitos Educadores defendem a função social da educação.

Consideram-na como um dos elementos responsáveis pela transformação da sociedade. Portanto, caberá aos educadores, a tarefa de organizar o currículo e proceder ao ensino, guiando e orientando os seus alunos para que reelaborem o saber, desenvolvam uma visão crítica do conhecimento e possam colaborar para a transformação social (PPC Pedagogia, p. 07).

Muitos dados e informações dos PPC publicados estão desatualizados, pois são do ano de 2015, principalmente no que diz respeito à organização administrativa, por isso foi necessário fazer um levantamento de dados in loco e atualizarmos os dados nessa diagnose, no item sobre a organização administrativa.

Em todos os PPC consta que a duração dos cursos é de quatro anos no regime anual que foi modificado para regime semestral e têm a duração de oito semestres. Sua duração máxima é de seis anos ou doze semestres.

A população de alunos da UnU de Formosa, na época de nossa pesquisa, era de 2.230 alunos nas graduações com acesso aos cursos por meio de vestibular semestral ou notas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Havia um sistema de cotas para negros, baixa renda e alunos egressos do ensino público. Estava em funcionamento um curso de pós-graduação em Educação com 46 alunos frequentes.

Considerações

A partir da reflexão sobre o conceito de Interdisciplinaridade e Universidade, podemos perceber os grandes desafios da prática cotidiana da Educação Interdisciplinar na Educação Superior. Em outras palavras, percebemos, até então, o grande desafio de superarmos a departamentalização, a fragmentação e o engavetamento realizados, implementados no cotidiano da formação em nível superior no Brasil.

A interdisciplinaridade na Universidade integra-se aos aspectos gerais e específicos da estrutura das UnU e inclui a promoção de uma interação entre o espaço, o aluno, o professor, os gestores e o cotidiano. Alguns aspectos constatados na diagnose da UEG de Formosa possibilitaram uma reflexão de qual seria o contexto propício para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares. Constatamos que existem desafios constantes que precisam ser superados para que o corpo gestor e docente implementem projetos interdisciplinares no Campus de Formosa,

que vão desde a elaboração dos PPC até à construção de espaços para eventos interdisciplinares.

Falar de PPC inclui a reflexão sobre uma participação mais ativa dos envolvidos em sua elaboração e execução. O PPC dos cursos, algumas vezes, encontra-se desatualizados, o que implica na falta de informações essenciais sobre inovações e projetos. Em alguns casos, a escassa participação coletiva dos docentes na sua elaboração e a falta de clareza na compreensão da ideia de “projeto”, favorece a implantação burocrática e fragmentada, impossibilitando a previsão de projetos interdisciplinares na instituição. A atuação do NDE, que é o órgão encarregado dos assuntos didáticos, pedagógicos e científicos do curso pode promover permanente debate, atualização e aperfeiçoamento PPC.

Na UnU de Formosa havia um auditório em construção no bloco G. É importante ressaltar que um projeto interdisciplinar envolve um grande número de participantes, por isso o ambiente precisa ter espaços adequados para sua execução. Auditórios, laboratórios, salas de aula multidisciplinares colaboram em muito para a ambientação de um fazer interdisciplinar.

Observamos que os alunos cursam as disciplinas somente com alunos de seus respectivos cursos. Em uma Universidade há possibilidade de que as disciplinas sejam oferecidas por área de conhecimento e, dessa forma, é possível que os alunos, de cursos diferentes, possam fazer juntos as disciplinas com as exigências curriculares comuns. Com a possibilidade dos alunos de várias áreas cursarem, ao mesmo tempo e com o mesmo professor, as disciplinas comuns, há a oportunidade de desenvolvimento de trabalhos de conclusão de curso com propostas interdisciplinares.

Seria recomendável que os alunos cursassem disciplinas com colegas de outros cursos para trocar conhecimento e visões epistemológicas.

Essa postura propicia uma ponte interdisciplinar e quebra a parede da especialização do saber.

Em relação ao corpo docente pudemos constatar, com a diagnose, que o quadro de professores apresentava 26 professores

No documento Educação e Diversidade (páginas 100-115)