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Localização e Tipos de Erros

Para qualquer atividade, as popula- ções estimadas das áreas comandadas que circundam os lugares normais são maiores do que aquelas dos lugares ele erro do tipo 2 em todos os dez casos para os quais existem dados. Somente em um caso (vestuário em 1951) a área tributária média desse tipo de erro foi maior elo que a área corres- pondente para os lugares normais. Os empresários parecem ter atuado com uma considerável lógica de localização ao reconhecer que os locais de erro do tipo 2 não eram viáveis, a despeito de ma favorável coincidência ele ativida- des complementares. Julgados pura- mente por sua localização com respeito aos lugares normais competidores, eles têm uma eficiência ele localização sub- marginal para servir a uma população dispersa.

Essa comparação ignorou os lugares de erro do tipo 1 que inesperadamente ofereceram os bens (fig-. 4). A hipóte- se óbvia de que as áreas de comércio das cidades do tipo 2 têm sido pré-es- vaziadas pelos empresários dos lugares do tipo 1 seria consistente com a no- - ção de Simon de comportamento ou o

conceito de adoção do meio ambiente de Alchian e Tiebout. 17 Apesar da lo- calização dos lugares ele erro do tipo 1 não ter sido ótima, ela era viável, e um negócio uma vez localizado naquela re-

17 A. A. Alchian, "Incerteza, Evolução e a Teoria Econômica", Jornal de Economia Política, Vol. 58 (1950), pp. 211·221; H. A. Simon, Modelos de Homens (Nova York: John Wiley e Filho, 1957), pp. 196-200; e C. M. Hiebout, "Teoria da Localização, Evidência Empírica e Evolução Econômica", Artigos e Deliberações da Associação Regional de Ciências, Vol. 3 (1956), PP· 74-85.

gião iria trazer os improváveis lugares vizinhos. De fato, esse tipo de compe- tição sempre acontece; só raramente a área •tributária dos lugares de erro do tipo l é impingida sobre as dos lugares de erro do tipo 2. A competição que os lugares do tipo l iriam ter com os lugares do tipo 2 pode ser aferida com- parando-se ao longo de cada fileira as áreas comandadas e a população de to- dos os três tipos de lugares sob a hipó- tese de competição mútua com os da- dos para o_s lugares do •tipo 2 (tabela 2) . Para o negócio de vestuário em 1970, por exemplo, não houve nenhu- ma ultrapassagem; em 1951 houve uma média de ultrapassagem de quarenta e quatro milhas (17,4 por-cento); e em 1939 a média de ultrapassagem foi de três milhas quadradas (1,5 por-cento).

Os lugares que inesperadamente ofere- cem bens não comandam as regiões in- ternas superiores, sejam medidas por áreas ou por populações (tabela 2) . Os lugares do •tipo 1 comandam maiores áreas em quatro dos oito casos para os quais existem dados, e menores áreas nos outros quatro. As populações de todas essas áreas são maiores para os lugares normais. A diferença entre as duas populações tem se tornado rela- tivamente pequena através do tempo, e suas taxas ·tem aumentado consisten- temente (fig. 6) . A despeito das mu- danças mui-to maiores nas áreas coman- dadas, as populações estimadas das áreas comandadas dos lugares normais mudaram de 6,025 em 1939 para 5,731 em 1970 para farmácias; de 7,244 para 7,103 para lojas de mobiliário; de 9,473 para l 0,914 para lojas de vestuário; e l O, 763 para 12,325 para lojas de varie- dades; as áreas declinaram em 30,1, 27,1, 11,4 e 14,2 por-cento. Os declínios da percentagem na população da área, de 4,88 para farmácias e 1,9 para lojas de mobiliários, e os aumentos de 15,2 por-cento para o vestuário e l 4,5 por- cento para as lojas de variedades, indi- cam que as mudanças nos modelos de

localização têm ajustado o sistema para transformar as concentrações de popu- lação.

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1939 1951 1970

ANOS

MTN

Fig. 6 - Aumento na taxa entre as populações das áreas tributárias dos locais de erro do tipo l e dos locais normais no sul de Minnesota desde 1939 até 1970. Os lugares de erro do tipo l têm a atividade até mesmo se o seu valor na escala de Guttman é abaixo do nível de entrada requi- sitado. Em cada caso, as suas populações das áreas tributárias se tornaram cada vez mais seme·

lhantes àquelas que circundavam os lugares nor- mais no período de 1939 a 1970.

Conclusões

Dentro de um sistema de centros, algu- mas formas coll,lplexas de. comércio são mantidas nas decisões de localização dos empresários. Algumas atividades es- tão se tornando mais fortemente associadas com atividades complemen- tares, mas outras estão se tornando mais independentes. A área de estudo de Iowa indica que a associação de ati- vidades declinou através dos anos 60.

As atividades que saíram do sistema funcional de Christaller em Minnesota foram explicadas por sua localização relativa aos competidores. Os lugares que se esperava fornecessem certa atividade com base em suas outras ati- Boi. Geogr. Rio de janeiro, 34(250): 46-60, jul./set., 1976

TABELA 2

Áreas tributárias e populações sob diferentes suposições de competição de espaço

Número de lugares Entre Todos os lugares Normais com lugares Normais com

Tipos de Três Tipos locais do Tipo 1 locais do Tipo 2

Cidades

1 1 1 1

Area Area Are a População Area População Área População

Exterior Interior

Farmácias

1970

Normais 216 142 126 5,555 132 5,731 126 5,555

Tipo 1 1 o

2:;;5

Tipo 2 13 11 72 2,116 72

1951

Normais 192 128 144 6,064 149 6,209 144 6,064

Tipo 1 1 o

Tipo 2 8 7 96 2,885 96 2,885

1939

Normais 153 102 179 5,812 189 6,025 180 5,831

Tipo 1 1 o

Tipo 2 12 7 100 2,272 100 2,272

Lojas de Mobiliário

1970

Normais 173 114 161 7,008 164 7,103 161 7,008

Tipo 1 1 o

Tipo 2 5 2 153 4,778 153 4,778

1951

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Tipo 1 Normais 161 2 109 1 169 192 7,075 5,933 171 229 7,147 6,949 172 7,154

Tipo 2 2 2 136 4,461 140 4,557

1939

Normais 128 '94 216 7,055 225 7,244 229 7,316

Tipo 1 11 B 115 2.592 128 3,014

Tipo 2 7 2 153 4,602 223 6,362

Lojas de Vestuário

1970

Normais 112 72 230 10,363 249 10,914 233 10,430

Tipo 1 1 1 361 9.461 379 9,877

6:233

Tipo 2 12 B 204 6,233 204

1951

Normais 118 79 215 9,214 223 9.431 221 9,369

Tipo 1 B 3 201 5,749 234 6,754

Tipo 2 6 3 209 6,605 253 7,883

1939

Normais 93 58 265 9,027 281 9.473 299 9,758

Tipo 1 14 9 214 4.753 215 4,779

Tipo 2 B 6 195 5,122 198 5,171

Lojas de Variedades

1970

Normais 98 64 284 12,325 284 12,325 302 12,834

Tipo 1 B 5 276 8,002 276 8,002

Tipo 2 1 o

1951

Normais '116 76 269 9,172 230 9.779 222 9,559

Tipo'1 9 6 187 5.421 202 5.782

Tipo 2 13 B 191 5.485 193 5,533

1939

Normais 80 52 324 10,642 33i 10,763 362 11,535

Tipo 1 11 9 249 5,775 249 5,775

Tipo 2 1 o.

Tipo 1 = Fornecem mas não deviam.

Tipo 2 = Não fornecem mas deviam.

Fonte: Computado pelos autores.

vidades, mas não forneceram, coman- davam áreas e população menores do que a média para os lugares com a ati- vidade. Os lugares que inesperadamen- te ofereceram uma função também ti- veram localizações mais pobres do que a maioria dos lugares. com a função, mas a discrepância de suas populações na área comercial, com aquelas dos lu- gares mais normais, tornou-se cada vez menor através do período de estudo. Os lugares onde as funções ocorriam ines- peradamente tinham áreas comerciais que geralmente não eram impingidas nas áreas daqueles que eram esperados a ter a função, mas não tinham; os lu- gares que ofereciam funções inespera- das eram isolados dos lugares adequa- dos com funções complementares, mas comandavam um terri<tório suficiente para permanecer vicíveis.

Esses resultados apontam para uma adaptação pelos empresários às condi- ções econômicas locais, com os diferen- tes princípios de aglomeração, adota- dos em vários níveis por diferentes atividades. As firmas exibem flexibili- dade ao sair dos princípios de aglome- ração seguidos por outras firmas com atividades semelhantes, quando as con- diç,ões locais justificam uma escolha de localização central contra as vantagens da aglomeração em qualquer outro lo- cal. '

Será que os excessos de lucros estão sen- do eliminados à medida que os sistemas de centros vem a ter um número maior de atividades que saem das associações estritamente funcionais de Christaller?

Alguma evidência realmente aponta para uma redução. Os lugares em Min- nesota, que inesperadamente ofereciam uma atividade, tinham as suas popula- ções 'tributárias mais chegadas à média para todos os lugares em 1970, do que em períodos anteriores. Se as variações na população tributária são uma in- dicação de variabilidade nos lucros, en- tão esta variação foi reduzida.

A evolução de um sistema mais antigo poderia mais apropriadamente refletir a realidade do que as teorias de equi- líbrio espacial de 'Losch e Christaller.

As teorias de equilíbrio sofrem esfor- ços para satisfazer o sis,tema de larga viabilidade, quando a realidade apre- senta condições variáveis nas quais o alcance de uma ótima localização é a meta. Recentes pesquisas sobre os pro- blemas de convergência dos métodos de distribuição de localização tem mos- trado que as mudanças sucessivas para ótimas localizações, com respeito às condições locais,. raramente irão, a lon- go prazo, dar em um sistema de gran- de' viabilidade. A evidência de Minne- sota aponta para uma .tendência de lo- calização com respeito às condições lo- cais e de partida do princípio de aglo- meração de Christaller, se os benefícios da localização ultrapassarem os déficits da aglomeração. A intrigante questão deixada sem resposta são as caracterís- ticas a longo prazo de um sistema no qual as decisões de localização tem se- guido essa prMica sucessivamente. Por exemplo, se os empresários fossem relo- calizar a região para comandar a maior área tributária dentro das áreas inters- ticiais dos centros existentes (sujeitos à viabilidade das populações limiares lo- cais nessas regiões) , tal sistema, depois de várias interações, iria ser diferente daqueles deduzidos por Losch e Chris-

·taller. Se o processo pudesse ser esten- dido para acomodar o coµiércio entre as vantagens da centralização e as van- tagens da aglomeração, o modelo iria corresponder mais de perto à realidade do que os atuais modelos. Essa conclu- são não é surpreendente, desde que tal modelo fosse baseado mais formalmen- te em um sistema empírico do que fo- ram os modelos desenvolvidos das teo- rias de Christaller e Lõsch .. Baseados na realidade, tais modelos seriam usa- dos para impedir os efeitos a longo pra- zo das mudanças observadas no.s _çami- nhos de comportamento dos. empresá- Bol. Ceogr. Rio de Janeiro, 34(250): 46-60, jul./set., 1976

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rios. O que mais podia se esperar de uma teoria de localização?

As desvantagens dos' modelos de locali- zação em desenvolvimento que incor- poram a variedade de forças modifica- doras exploradas nesse artigo foram apontadas por Lõsch. is

Quem quer que deseje adotar tudo isso como realidade deve ou incorporá-lo nas equações gerais de localização ou se contentar com uma apresentação geométrica parcial. De qualquer forma, a pessoa tem que renunciar às vanta- gens de uma apresentação geométrica completa.

A teoria geográfica está cada vez mais támando a forma de um processo de descrição da modificação de um mode- lo anterior; o resultado geométrico po- de assumir uma grande variedade de

formas. A teoria dos centros deve tam- bém permanecer pronta para abrigar os seus compromissos geométricos, mas a maneira pela qual os empresários co- merciam com as economias da aglome- ração das regiões alternadas, que tem diferentes populações tributárias, deve ser resolvida antes do modelo geral de localização ser construído.

RESUMO - Dentro de um sistema ter- ciário, os industriais freqüentemente devem escolher entre os locais que co- mandam a maior população tributária local e lugares que possuam a mais de-

sejável coleção de atividades de consu- mo complementares. Quando o coman- do da população tributária é escolhido sobre o complemento funcional, o sis- tema de centros assume cada vez mais a concentração de atividades nos do <ti- po do sistema Lõsch e diverge dos es- perados num sistema do tipo Christal- ler. De 1960 a 1970, algumas atividades em Iowa central estavam se tornando cada vez mais associadas com outras ati- vidades, mas as demais estavam se 'tor- nando mais independentes. De um modo geral, existiam mais saídas da ordem condicional do princípio de en- trada de Christaller, no fim desse perío- do de dez anos, do que no começo. Sete funções no sul de Minnesota de 1930 até 1970 mostraram saídas de uma or- dem de escala de entrada que pode ser explicada em termos de áreas tributá- rias que eram maiores do que a média, para ª'tividades em lugares que tinham falta de atividades complementares, e menores do que a média, para ativida- des ausentes de lugares que tinham um suplemento completo de atividades de base. Palavras-Chave: princípio de aglo- meração, teoria de centros Lõsch-Chris- taller, Iowa, Minnesota, escalograma, área comercial.

Agradecimentos ao Professor Edward Hassinger, do DepaNamento de Socio- logia Rural da Universidade do Mis- souri, por fornecer os dados das cidades de Minnesota de 1939 e 1951, usados neste estudo.

18 Lõsch, op. cit., nota de pé de página 1, p. 46.