Portanto, o tabagismo envolve questões que não se limitam ao indivíduo fumante.
A problemática é resultante de todo um contexto social, político e econômico construído historicamente de forma a favorecer o início do tabagismo e dificultando seu término.
(BRASIL, 2003).
A portaria Interministerial n.º 477, de 24 de março de 1995, recomenda às emissoras de televisão que evitem a transmissão de imagens em que apareçam fumando entrevistados convidados ou personalidades conhecidas do público, em programas “ao vivo” ou gravados para posterior reprodução. Recomenda ainda, aos órgãos integrantes do Sistema Único de Saúde, a recusa do patrocínio, colaboração, apoio ou promoção de campanhas de saúde pública pelas indústrias de tabaco.
A Lei n.º 9.294, de 15 de julho de 1996, proibiu o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, tais como, as repartições públicas, os hospitais e postos de saúde, as salas de aula, as bibliotecas, os recintos de trabalho coletivo e as salas de teatro e cinema - salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente. Além disso, veda o uso dos produtos mencionados no caput nas aeronaves e veículos de transporte coletivo, salvo quando transcorrida uma hora de viagem e houver nos referidos meios de transporte parte especialmente reservada aos fumantes.
A referida lei trata ainda da propaganda dos produtos fumígeros, dizendo que a mesma somente será permitida nas emissoras de rádio e televisão no horário compreendido entre as vinte e uma e as seis horas e que deverá ajustar-se aos seguintes princípios:
I - não sugerir o consumo exagerado ou irresponsável, nem a indução ao bem-estar ou saúde, ou fazer associação a celebrações cívicas ou religiosas;
II - não induzir as pessoas ao consumo, atribuindo aos produtos propriedades calmantes ou estimulantes, que reduzam a fadiga ou a tensão, ou qualquer efeito similar;
III - não associar ideias ou imagens de maior êxito na sexualidade das pessoas, insinuando o aumento de virilidade ou feminilidade de pessoas fumantes;
IV - não associar o uso do produto à pratica de esportes olímpicos, nem sugerir ou induzir seu consumo em locais ou situações perigosas ou ilegais;
V - não empregar imperativos que induzam diretamente ao consumo;
VI - não incluir, na radiodifusão de sons ou de sons e imagens, a participação de crianças ou adolescentes, nem a eles dirigir-se.
A mesma lei dispõe sobre a obrigatoriedade das advertências sanitárias nas embalagens, painéis ou cartazes, jornais e revistas que façam difusão ou propaganda dos produtos fumígeros. As frases das advertências sanitárias (“fumar pode causar doenças do coração e derrame cerebral”; “fumar pode causar câncer do pulmão, bronquite crônica e enfisema pulmonar”; “fumar durante a gravidez pode prejudicar o bebê”; “quem fuma adoece mais de úlcera do estômago”; “evite fumar na presença de crianças”; “fumar provoca diversos males à sua saúde”) serão precedidas pela afirmação "O Ministério da Saúde Adverte".
O Decreto n.º 2.018, de 1º de outubro de 1996, regulamenta a Lei n.º 9.294/96, definindo os conceitos de “recinto coletivo” e “área devidamente isolada e destinada exclusivamente ao tabagismo”. Foram adotadas as seguintes definições:
I - RECINTO COLETIVO: local fechado destinado a permanente utilização simultânea por várias pessoas, tais como casas de espetáculos, bares, restaurantes e estabelecimentos similares. São excluídos do conceito os locais abertos ou ao ar livre, ainda que cercados ou de qualquer forma delimitados em seus contornos;
II - RECINTOS DE TRABALHO COLETIVO: as áreas fechadas, em qualquer local de trabalho, destinadas a utilização simultânea por várias pessoas que nela exerçam, de forma permanente, suas atividades;
III - AERONAVES E VEÍCULOS DE TRANSPORTE COLETIVO: aeronaves e veículos como tal definidos na legislação pertinente, utilizados no transporte de passageiros, mesmo sob forma não remunerada.
IV - ÁREA DEVIDAMENTE ISOLADA E DESTINADA EXCLUSIVAMENTE A ESSE FIM: a área que no recinto coletivo for exclusivamente destinada aos fumantes, separada da destinada aos não-fumantes por qualquer meio ou recurso eficiente que impeça a transposição da fumaça. (Decreto n.º 2.018, de 1º de outubro de 1996)
A Lei n.º 10.167, de 27 de dezembro de 2000, altera a Lei n.º 9.294/96, proibindo o uso de produtos fumígenos derivados do tabaco em aeronaves e demais veículos de transporte coletivo. Dispõe que a propaganda comercial desses produtos só poderá ser efetuada através de pôsteres, painéis e cartazes, na parte interna dos locais de venda. Proíbe ainda: a venda por via postal; a distribuição de qualquer tipo de amostra ou brinde; a propaganda por meio eletrônico, inclusive internet; a realização de visita promocional ou distribuição gratuita em estabelecimento de ensino ou local público; o patrocínio de atividade cultural ou esportiva; a propaganda fixa ou móvel em estádio, pista, palco ou local similar; a propaganda indireta contratada, também denominada merchandising, nos programas produzidos no País
após a publicação desta Lei, em qualquer horário; e a comercialização em estabelecimentos de ensino e de saúde.
O Decreto n.º 2.876, de 14 de dezembro de 1998, determina que os cigarros, quando exportados para a América do Sul e América Central, inclusive Caribe, ficam sujeitos à incidência do imposto de exportação à alíquota de 150%. Por meio da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 396, de 06 de fevereiro de 2004, foi aprovado o Programa Gerador da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à tributação dos cigarros (DIF – Cigarros). Esse Programa permite à Receita Federal um maior controle das empresas instaladas ou em fase de instalação no país, no que se refere ao registro, à distribuição, exportação e importação de cigarros, bem como à arrecadação tributária. As alíquotas de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) chegam até 330% sobre os cigarros por força do Decreto n.º 6.006, de 28 de dezembro de 2006, que sofreu alterações através do Decreto n.º 6.072, de 03 de abril de 2007. Este último diploma legal é regulado pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 753, de 10 de julho de 2007.
A legislação federal vigente sobre o tabaco é dividida em 12 categorias. São elas:
I. Proteção contra os riscos da exposição à poluição tabagística ambiental
II. Restrição do acesso aos produtos derivados do tabaco III. Proteção aos jovens
IV. Tratamento e apoio ao fumante
V. Publicidade e patrocínio dos produtos derivados do tabaco VI. Ações de conscientização da população
VII. Controle e fiscalização dos produtos derivados do tabaco VIII. Convenção-quadro para o controle do tabaco
IX. Financiamento à cultura do tabaco X. Taxação sobre os produtos de tabaco
XI. Financiamento às ações de controle do tabagismo no SUS XII. Políticas públicas de saúde
Especificamente para o Estado do Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 2009, a Lei Nº 5.517, proibiu o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados. Tal restrição se aplica para todos os “recintos de uso coletivo, total ou parcialmente fechados em qualquer dos seus lados por parede, divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios, onde haja permanência ou circulação de pessoas”.
“recintos de uso coletivo” compreende, dentre outros, os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias, drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, inclusive veículos sobre trilhos, embarcações e aeronaves, quando em território fluminense, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis. (Lei 5.517, de 17 agosto 2009).
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA