Tuan (1983) argumenta que existem vários tipos de espaço, ele fala, por exemplo, em espaço mítico, espaço experiencial e espaço arquitetônico. Destarte, essa abordagem humanista-cultural da disciplina valoriza e define a região e o lugar como categorias de estudo, elegendo-as os conceitos chaves de maior relevância. Apesar do destaque dado à região e ao lugar, a paisagem também se destaca e torna a ser revalorizada.
advento dessas mudanças tecnológicas ‘rearranjaram’ o espaço e o tempo – sentados em frente a uma máquina podemos nos relacionar a qualquer momento, com qualquer pessoa que esteja em qualquer lugar.
Essa nova condição apresenta à sociedade uma inevitável busca de novos paradigmas que se adaptem às atuais exigências técnicas, sociais e ambientais engendradas por esse processo. Em meio a essas mudanças permanecem vivas as relações tradicionais das populações com os seus territórios, que se encontram inseridas em processos universais mais amplos capazes de solapar formas nacionais de identidade cultural, comandados por “um complexo de processos e forças de mudança, que, por conveniência, pode ser sintetizado sob o termo globalização”. (HALL, 2003. p. 67).
As profundas mudanças que têm afetado os contornos da sociedade contemporânea, como a intensificação das relações entre o local e o global são bastante recentes, tendo-se acelerado nos últimos trina ou quarenta anos em conseqüência dos incríveis progressos no campo da comunicação, da tecnologia de informação e dos transportes. Costumamos usar o termo globalização quando nos referimos a estes processos que intensificam a interdependência e as relações sociais a nível mundial.
Trata-se de um fenômeno social com amplas implicações. É um erro e um exercício de reducionismo tremendo achar que a globalização diz respeito somente ao desenvolvimento de redes mundiais (geralmente financeiras) e afastadas das nossas preocupações individuais e locais. Ela é também um fenômeno local que afeta a vida cotidiana de todos nós e está mudando a forma como o mundo se nos apresenta e a maneira como olhamos para ele.
Fala-se, ainda, frequentemente em globalização com se tratasse apenas de um fenômeno econômico ou financeiro. Embora as forças econômicas façam parte desse fenômeno, elas não fazem por si só a globalização – esta é o resultado de uma conjunção de fatores econômicos, políticos, sociais, culturais, técnicos e informacionais.
Com a globalização aumenta as interações que envolvem, direta ou indiretamente, pessoas de outras nacionalidades ou culturas (por exemplo: urbana x rural), facilita o acesso (seja virtual ou presencial) da demanda à oferta, torna os consumidores mais exigentes e críticos. Essa condição desestabiliza, inclusive, o meio rural contemporâneo e o recoloca em uma nova condição.
Subjacente a esses processos globais há um processo de crescente internacionalização da produção capitalista, que resulta em padrões de localização que alteram profundamente as características do espaço e seu desenvolvimento. De fato, um radical processo de reestruturação produtiva tem ocorrido em todos os setores econômicos, ao mesmo tempo em
que há uma redefinição das estruturas políticas e regulatórias mundiais, as quais têm afetado todos os grupos sociais, sejam eles urbanos ou rurais.
Nas esferas rural e agrícola tem-se tornado evidente que tanto no âmbito do comércio de alimentos, quanto na influência sobre os métodos de produção, assim como na transferência de conhecimentos específicos referentes a alimentos; o desenvolvimento de novas relações tem sofrido a influência de processos globais, como o crescimento do capital transnacional e o uso de sistemas sofisticados de comunicação e transporte, que aproximam os meios urbano e rural.
Castells (1999) denomina de “espaços de geometria variável” a representação das articulações entre os agentes econômicos e sociais independentes da contigüidade física (articulações horizontais). Essa situação nos leva a novos conceitos referentes aos processos espaciais constituídos pela dinâmica de toda a estrutura social e ao próprio espaço.
Devido à atual conformação da sociedade contemporânea, chamada por Castells de
“Sociedade em Rede”; uma nova teoria em relação ao espaço pode ser proposta, onde os fluxos, em detrimento dos fixos, passam a ser um componente essencial presente nas novas relações entre populações e territórios apoiadas em novos sistemas de fluxos de elementos materiais e imateriais (fluxos de capital, fluxos de informação, fluxos de tecnologia, fluxos de interação organizacional, fluxos de imagens, sons e símbolos) que dão conformidade a nossa sociedade.
Tal prerrogativa leva-o a propor as noções de “espaço de fluxos” e “espaço de lugares”. Este último representa os arranjos espaciais formados por localizações contíguas, numa interação definida pela própria condição de moradia das pessoas e sua lógica cotidiana.
No entanto, o espaço dos fluxos é, crescentemente, o determinante das relações de poder e dos movimentos de circulação de informações, de bens e de serviços, gerando uma “esquizofrenia estrutural entre [essas] duas lógicas espaciais”. (CASTELLS, 1999. p. 20).
Para Hall (2003, p. 69) há certo consenso quanto à gênese dessa situação, que seria a partir dos anos 1970, quando “tanto o alcance quanto o ritmo de integração global aumentaram enormemente, acelerando os fluxos e os laços entre as nações” 10.
10 Hall (loc. cit.) descreve e examina três possíveis conseqüências desses aspectos da globalização sobre as identidades culturais, quais sejam: a) As identidades nacionais estão se desintegrando, como resultado do crescimento da homogeneização cultural e do pós-moderno global; b) As identidades nacionais e outras identidades locais ou particularistas estão sendo reforçadas pela resistência à globalização; c) As identidades nacionais estão em declínio, mas novas identidades – híbridas – estão tomando seu lugar.
Essa nova compreensão do espaço-tempo gerada pelos avanços da tecnologia e pela crescente integração das práticas econômicas e socioculturais tem levado a novas (e necessárias) definições e maneiras de analisar o espaço e o tempo.