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conjunto com a CBIC e a CNI, no dia 7 de novembro de 2012, na sede do jornal Correio Braziliense195:

O reaparecimento dos movimentos grevistas em 1978, a partir do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, estimulou o Presidente João Figueiredo a retomar a idéia de atualização da CLT, lançada em 1974, e reavivada em 1975, com a criação de Comissão Interministerial instituída pelos Ministros da Justiça e do Trabalho.

Da Comissão constituída por 9 juristas, presidida pelo Dr. Arnaldo Lopes Süssekind, resultou Anteprojeto divulgado em março de 1979. Sobre o trabalho, a revista Veja, na edição de 9 de maio, estampou matéria com o título ‘Grande por fora – O anteprojeto da CLT com mais de 1.300 artigos’.

Trazia a reportagem a opinião de ‘Lula e outros sindicalistas’, os quais diziam ‘não adianta remendar a CLT’. Necessária se faz, afirmavam, uma lei básica com garantias mínimas, como o máximo da jornada de trabalho, por exemplo, deixando o resto para ser discutido em convenção coletiva.

Prossegue a matéria: ‘Pelo menos no que diz respeito aos ‘remendos’, o governo parece concordar com Lula.

Alguns elementos, contudo, se repetem.

A necessidade de formalização do ato e as limitações de objeto, tempo e espaço estão novamente presentes, assim como a necessidade de contraprestação financeira em favor do laborista.

Por outro lado, diferenças importantes podem ser observadas.

Ao contrário das propostas legislativas anteriores, o Projeto de Lei nº 986/2011 define expressamente quem são os empregados que podem pactuar a cláusula de não concorrência.

Apenas aqueles que tiverem “conhecimento de informações estratégicas da empresa, cuja divulgação possa causar prejuízo ao empregador” estão aptos a celebrar a avença.

Tal limitação exclui do âmbito de aplicação do impedimento, de forma correta, empregados cuja rotina de trabalho não propicie qualquer conhecimento que possa por em risco à atividade empresarial de seu ex-empregador, mediante concorrência desleal.

Repetindo os mesmos parâmetros do anteprojeto de 1979, o prazo máximo para o pacto foi fixado em 2 anos, não havendo tratamento diferenciado para os empregados que exercem cargos de gestão.

A conjugação do caput do art. 444-A com seu parágrafo 2º permite concluir que o legislador fixou o momento em que ordinariamente a cláusula deve ser avençada, qual seja, o da contratação.

Excepcionou essa regra para a hipótese de o empregado, ao longo do contrato de emprego, ser alçado a cargo que lhe possibilite contato com informações estratégicas, cuja utilização indevida importe risco para a atividade empresarial.

Nessa hipótese, a pactuação poderá ser celebrada quando da promoção do empregado ao novo cargo.

O Projeto de Lei caminhou bem, preenchendo uma lacuna deixada pelos textos que o antecederam e que permitia que a pactuação fosse levada a cabo em momento que pudesse macular a vontade do trabalhador.

Além disso, a proposta em análise difere das suas antecessoras no que se refere à determinação de que, do pacto de não concorrência, conste expressamente as atividades que o empregado estará impedido de exercer e em que ramos de exploração financeira tal impedimento deve ser observado.

Tratando-se de um regime de exceção, uma delimitação mais específica das atividades é desejável. Contudo, a indicação de um rol exaustivo não parece ser a saída mais adequada, eis que o avançar das técnicas produtivas pode fazer surgir novas atividades cujo exercício atente contra o espírito do pacto de não concorrência, mas que não puderam ser previstas no momento de sua celebração porque simplesmente não existiam.

Dessa forma, mais interessante seria indicar o ramo de atividade em que a prestação de serviços está impedida e as informações ou segredos que serão objeto de proteção.

O parágrafo 4º diz o óbvio: o empregado está autorizado a trabalhar em atividades e ramos econômicos distintos dos que constam do rol de proibições.

Mesmo sendo redundante, o parágrafo exerce um papel que não pode ser ignorado: o pacto de não concorrência, em hipótese alguma, pode significar a absoluta impossibilidade de acesso ao trabalho.

O Projeto de Lei abandona o termo “compensação” e se refere ao pagamento a ser feito em favor do trabalhador como indenização, que deverá ser mensal em valor, no mínimo, igual ao que percebia enquanto era empregado.

A estipulação do pagamento mensal é a que melhor atende a função social da norma, permitindo a subsistência do trabalhador, sem o risco do dilapidamento que existe no pagamento feito em uma única vez.

Ademais, o Projeto de Lei avançou em relação às propostas anteriores, ao fixar um patamar mínimo, correspondente ao que era pago enquanto o empregado estava ativo.

Tal fixação reforça o regime de exceção do pacto, uma vez que a manutenção do pagamento do mesmo valor do salário só será justificável se efetivamente o empregador tiver um receio justificado de concorrência desleal.

A norma, no entanto, excepciona essa obrigação no caso de o trabalhador conseguir um novo emprego, em uma atividade que não esteja impedido de exercer.

Ocorre que a redação não é clara, sendo possível tanto entender que a obtenção do novo emprego desobriga por completo o pagamento da indenização, quanto que o valor mínimo equivalente ao salário deixa ser obrigatório nessa hipótese.

Não parece razoável que a obtenção de novo emprego autorize a suspensão do pagamento da indenização, uma vez que o trabalhador continuará obrigado a observar o impedimento que assumiu.

De toda maneira, melhor seria se o legislador tivesse adotado uma redação mais clara.

Além disso, ainda no que se refere à determinação de que a indenização deverá observar o mesmo valor salarial percebido pelo empregado enquanto laborava, algumas considerações se fazem necessárias.

A interdição decorrente do pacto de não concorrência pode ter objeto amplo, que abarque a totalidade das atividades que o trabalhador exercia em favor do antigo empregador, ou um objeto restrito, envolvendo apenas uma pequena parcela ou mesma uma única atividade.

Essa questão não pode ser ignorada quando da fixação do valor a ser pago em favor do laborista. Deve existir uma necessária proporcionalidade entre a restrição imposta e o valor pago ao trabalhador, sob pena de as obrigações de parte a parte se tornarem desproporcionais.

Por isso, a metodologia adotada pelo Projeto de Lei não é a mais aconselhável.

Por fim, a maior diferença entre o Projeto de Lei e as tentativas legislativas anteriores, está no tratamento dispensado para o caso de inadimplemento da obrigação assumida, haja vista prever sanções aplicáveis tanto ao trabalhador, quanto à empresa.

O projeto de lei em questão foi rejeitado, pois, de acordo com o parecer do relator, deputado Antonio Balhmann, do PSB/CE, “[a]inda que essa restrição seja temporária, por um prazo máximo de dois anos, há sérios riscos de que o trabalhador venha a ser prejudicado em sua carreira"197. Segundo ele, o trabalhador estaria restrito, neste período, ao salário do emprego anterior, tendo evidente prejuízo financeiro caso surgisse proposta mais vantajosa.

As razões expostas não traduzem a melhor análise da situação, e denotam uma apreciação incorreta do conflito entre a liberdade individual de trabalho e a livre concorrência.

197 Disponível em <

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=920807&filename=Tramitac ao-PL+986/2011>. Acesso em 19 jul 2015.