2.1 O SETOR HOTELEIRO NO MUNDO E NO BRASIL
2.1.1 O setor hoteleiro Catarinense e de Florianópolis
Santa Catarina é um dos estados brasileiros que conservam mais sinais de imigração europeia dos séculos XIX e XX, sendo que a vasta maioria da população é descendente de europeus.
Os brasileiros de origem portuguesa, sobretudo açoriana, predominam no litoral. Os descendentes de alemães formam os principais grupos étnicos no Nordeste do estado (no Vale do Itajaí e na área em torno de Joinville e há muitas comunidades alemãs no Oeste catarinense). Os descendentes de italianos predominam no Sul do estado, assim como em muitas áreas do Oeste (WTTC, 2009).
Os primeiros europeus a chegarem na região foram os espanhóis que aportaram na Ilha de Santa Catarina em 1542. Os portugueses assumiram o controle em 1675, e a capitania de Santa Catarina foi criada em 1738. Um grande número de imigrantes europeus, especialmente da Alemanha, começou a chegar no início do século XIX, seguidos pelos imigrantes da Itália, Polônia, Rússia, Ucrânia, Japão, Síria, Líbano que formaram pequenas propriedades familiares no interior do estado (WTTC, 2009).
Em seus 95.346 quilômetros quadrados (3% do total do país), Santa Catarina reúne uma diversidade étnica e de cenários desenhados por montanhas e 561 Km de litoral bastante atraentes. De julho de 2008 a junho de 2009, segundo relatório da Santur (Santa Catarina Turismo, 2009), o estado atraiu quase vinte milhões de visitantes que passaram pelo menos uma noite no estado (19,8 milhões domésticos
e 1,1 milhões vindos do exterior, principalmente a Argentina)5. O relatório também aponta que o motivo da viagem foi principalmente negócios com 44,75%, seguido por família com 24,65% e turismo com 24,35%.
Segundo Associação Brasileira de Indústria de Hotéis de Santa Catarina (ABIH, 2013), o estado apresenta um total de cerca de 2.470 estabelecimentos para hospedagem de turistas que fornecem 59.680 unidades habitacionais e 162.726 leitos.
Santos (2012) afirma em seu estudo que a existência de redes hoteleiras no Estado de Santa Catarina é ainda incipiente e de baixa concentração frente à presença maciça dos hotéis independentes, principalmente familiares.
O setor de Viagens & Turismo gera cerca de 5,4% do total de empregos diretos em Santa Catarina, ou algo em torno de 230.000 postos de trabalho; a economia de Viagens & Turismo como um todo é responsável por 11,9% ou 509.500 empregos (WTTC, 2009). Segundo o Conselho Estadual de Santa Catarina (CET, 2013), o setor gera R$ 14,8 bilhões em receita, o que representa 12,5% do PIB catarinense.
Até o final da década de 1980 o desenvolvimento do setor hoteleiro em Florianópolis foi relativamente lento. A administração dos empreendimentos era familiar e os próprios empresários do setor investiam na ampliação dos negócios, construindo ou adquirindo outros hotéis (SANTOS, 2005).
Segundo Santos (2005), foi a partir de 1990 que surge em Florianópolis uma hotelaria voltada para o turismo de negócios e eventos, juntamente com a chegada das redes hoteleiras. Foi nesse período que os hotéis familiares começaram a adaptar as estruturas para atender pequenos eventos. O primeiro Centro de Eventos da cidade surgiu em 1998, localizado na área central, e possibilitou que a cidade fosse reconhecida como um destino para realização de convenções e feiras de negócios.
A partir daí intensificou-se o fluxo de turistas, incentivando maiores investimentos dos grupos incorporadores de projetos turísticos, gerando um incremento na capacidade de leitos na área central. Essa conjuntura mudou o setor hoteleiro de Florianópolis, antes sazonal e concentrado nos balneários, para uma hotelaria mais dinâmica e competitiva, principalmente devido à entrada das redes
5 Pesquisa Mercadológica Estudo da Demanda Turística - Estado de Santa Catarina – Projeção Anual julho/2008 a junho/2009 (SANTUR, 2012).
hoteleiras (SANTOS, 2005; GONÇALVES, 2013). Para se ter uma ideia da curva ascendente do crescimento, de 1990 a 2005 são instalados na capital 11 novos hotéis, entre empreendimentos familiares, surgiram os primeiros hotéis vinculados às redes nacionais (Blue Tree e Intercity) e internacionais (ACCOR), voltados principalmente ao público de eventos e negócios (SANTOS, 2005).
A Pesquisa de Serviços de Hospedagem 2011, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), aponta que Florianópolis possui 254 estabelecimentos de hospedagem, 10,098 UHs e 20.060 leitos com participação de 5,4% do total de estabelecimentos de hospedagem no Brasil. Ainda de acordo com a pesquisa, Florianópolis apresenta uma concentração de estabelecimentos de menor porte (com até 19 unidades habitacionais) com 43,6% dos estabelecimentos e também se sobressai entre as capitais que registram maior proporção de estabelecimentos com categoria turístico/médio conforto com 50,0% dos estabelecimentos. Já a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – SC (ABIH – SC, 2011), relata que Florianópolis possui 535 hotéis, 12.700 quartos e 38.500 leitos. Essa disparidade reforça a afirmação da Organização Mundial do Turismo (OMT) que diz que o Brasil não dispõe de mensurações confiáveis de sua capacidade hoteleira (WTTC, 2009).
Santos (2012, p. 210) coloca que de acordo com os dados do Guia Quatro Rodas de 2011, dos empreendimentos instalados na região de Florianópolis 74%
são de capital local e 26% são vinculados às redes hoteleiras. É a região com a maior concentração de hotéis administrados pelas redes hoteleiras de abrangência internacional, nacional, regional e local. Das unidades hoteleiras instaladas, quatro empreendimentos pertencem à maior rede hoteleira em operação no Brasil, a rede Accor, com as marcas Sofitel, Mercure e Ibis.
A estratégia de expansão utilizada pelas redes hoteleiras, segundo Santos (2012), apoia-se na associação com investidores do próprio Estado, originados da pequena produção mercantil catarinense. A distribuição geográfica privilegiou os centros mais adensados e a sua expansão está relacionada ao desenvolvimento do turismo de negócios e de eventos e não ao turismo e lazer.
Esse dado é pertinente uma vez que o turismo de negócios permite driblar os problemas ocasionados pela sazonalidade, considerado um dos fatores que causam a precariedade do trabalho no setor hoteleiro. Desta forma, o presente trabalho procurou focar essa tipologia de hotéis.