caso do Brasil, o sistema eleitoral, por exemplo, sendo de lista aberta proporcional, favorece que a seleção dos candidatos se dê com base nos indivíduos e, consequentemente, encoraja os políticos a focar seus esforços na construção de sua imagem pessoal ao invés do fortalecimento dos partidos e até mesmo os coloca em posição de competição direta contra os seus correligionários.
Todo este cenário institucional e histórico do sistema político brasileiro precisa ser levado em consideração quando analisamos os partidos políticos nacionais, suas relações com os eleitores e sua configurações internas.
Os principais partidos políticos brasileiros atuais surgem a partir da reabertura política, que, ainda durante o regime militar, encerra o bipartidarismo de ARENA (apoio ao regime) e MDB (oposição ao regime) no final de 1979 com a edição da Lei Federal N° 6.767, que reinstaurou o pluripartidarismo.
A Aliança Renovadora Nacional (ARENA) transformou-se em Partido Democrático Social (PDS), que deu origem ao Partido Progressista Reformador (PPR), posterior Partido Progressista Brasileiro (PPB) e atual Partido Progressista (PP), além de ter sofrido uma dissidência7 em 1985 que deu origem ao Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM).
O grupo majoritário do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) transformou-se no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Contudo, o partido perde o monopólio da oposição ao regime militar que caminhava para o seu final a partir do momento que lideranças políticas como Luís Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola e Ivete Vargas, apoiados por diferentes membros do antigo MDB, criam, respectivamente, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em 1988, o PMDB sofre uma dissidência8 que dá origem ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
7 O Partido da Frente Liberal surge a partir de dissidência do Partido Democrático Social. Um grupo de lideranças políticas do PDS, capitaneado por nomes como Marco Maciel, Jorge Bornhausen e o Vice-Presidente da República Aureliano Chaves, rejeita a candidatura a Presidente de Paulo Maluf, do PDS paulista e visto como a continuidade do regime militar, e decide formar uma frente de apoio à chapa opositora encabeçada por Tancredo Neves. Esta frente é denominada Frente Liberal e dá origem ao PFL.
8 Insatisfeitos com os rumos do governo peemedebista do Presidente José Sarney e com a influência do Governador paulista Orestes Quércia, um grupo de lideranças políticas do PMDB, liderado por nomes como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José Serra, José Richa,
Entre o surgimento do PFL e a criação do PSDB, agremiações históricas como o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) retomam suas atividades formalmente e se registram como partidos, agregando lideranças egressas do PMDB e militantes que atuaram na clandestinidade durante o regime militar. Também neste período foi criado o Partido Liberal (PL), que deu origem ao atual Partido da República (PR).
Os dez partidos atuais supracitados (PMDB, PSDB, DEM, PT, PDT, PTB, PP, PSB, PCdoB e PR) são exatamente aqueles que, com a mesma ou com outra denominação, surgem entre o fim do bipartidarismo e o final da década de 1980, constituindo, portanto, o grupo que conduz a retomada do pluripartidarismo brasileiro. Além disso, entre os partidos citados, estão nove das dez agremiações com maior número de filiados9 nos dias de hoje, ficando de fora apenas o PCdoB, que é o décimo segundo partido com maior número de filiados, ficando atrás do Partido Popular Socialista (PPS) e do Partido Social Cristão (PSC).
No presente trabalho vamos estudar com mais profundidade o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o Democratas (DEM) e o Partido dos Trabalhadores (PT), que são aqueles que tiveram o maior protagonismo político a partir do fim do regime militar, especialmente nas últimas duas décadas, entre 1994 e 2014, conforme veremos a seguir.
3.1 Partido do Movimento Democrático Brasileiro
Após ter sido o partido ocupante do poder federal com José Sarney entre 1985 e 1990 e ter perdido as eleições presidenciais de 1989 com Ulysses Guimarães e o pleito de 1994 com Orestes Quércia, o PMDB se constituiu ao Franco Montoro, Pimenta da Veiga, Arthur da Távola e Teotônio Vilela Filho, deixa o partido para fundar o Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB.
9 Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dez maiores partidos políticos brasileiros em número de filiados são: PMDB (2.354.678 filiados), PT (1.589.213 filiados), PSDB (1.351.188 filiados), PP (1.415.634 filiados), PDT (1.208.949 filiados), PTB (1.185.971 filiados), DEM (1.088.415 filiados), PR (766.476 filiados), PSB (583.060 filiados) e PPS (465.310 filiados). (Tribunal Superior Eleitoral - Estatísticas de Eleitorado – Filiados. Disponível em: http://www.tse.jus.br/eleitor/estatisticas-de-eleitorado/filiados. Acesso em 19 de jan. 2015).
longo dos últimos vinte anos como um importante partido para a governabilidade, concedendo apoio parlamentar aos governos de cada ocasião e garantindo, com isso, importantes espaços de poder.
Tendo sua origem no MDB dos tempos do regime militar e sendo este, na época, uma frente que mesclava quase todas as lideranças políticas e grupos de oposição ao governo existentes no país, independentemente de ideologias, princípios doutrinários, conteúdos programáticos e planos específicos para o futuro do Brasil, o PMDB de hoje reproduz em grande medida a heterogeneidade do MDB, constituindo uma espécie de “federação de caciques”, que reúne diversos sub-grupos parlamentares e lideranças políticas regionais, que caminham juntos em prol de interesses comuns, mas não possuem uniformidade ou uma grande unidade político-ideológica, tendo sempre dissidências internas e muitas vezes divergindo em seu interior a respeito de qual rumo seguir no que tange a temas como a disputa pela Presidência da República, qual posicionamento tomar em votações congressuais polêmicas, entre outros assuntos.
“O MDB finalmente conseguiu se consagrar como porta-voz legítimo da oposição democrática, em função de seu sucesso nas eleições legislativas de 1974. Mas outra crise passaria a rondar o MDB. Não mais se tratava da dúvida quanto a ser ou não ser um partido de oposição, já que se firmara como tal com a vitória de 1974. O problema passou a ser como evitar a dissolução em face da reforma partidária urdida pelo governo militar em 1979, cujo intuito liberalizante escondia a intenção de fragmentar a força oposicionista agora concentrada no MDB. Mas o partido sobreviveu à reforma partidária de 1979. Em resposta às determinações da nova legislação partidárias, o MDB acrescentou a palavra partido ao seu nome, tornando-se Partido do Movimento Democrático Brasileiro. As baixas provocadas com a criação de outros partidos foram substanciais [...]
Mesmo assim, o PMDB se manteve como principal força oposicionista em 1982, quando PT, PDT e PTB estrearam como concorrentes no terreno da oposição. Sua vitória nas eleições para governador em estados importantes como São Paulo e Minas Gerais reforçou sua condição de interlocutor politico e peça fundamental em qualquer articulação política relevante para o aprofundamento do processo de democratização. Seu papel crucial como força arregimentadora no movimento popular pelas Diretas-Já, em 1984, decorreu desses avanços anteriores, e seria inconteste na liderança do processo de transição negociada que restaurou o governo civil no País, e culminou, em 1985, na eleição de Tancredo Neves e José Sarney, pelo Colégio Eleitoral, para presidente e vice, respectivamente.
Embora tenha conseguido superar agudas crises, o PMDB continuaria por muito tempo com sérios problemas de identidade, problemas vinculados às circunstâncias de sua formação e ao seu percurso durante o regime militar. [...] Como foi mencionado, o PMDB formou-se e se desenvolveu com base em um movimento de resistência ao regime militar-autoritário. Seu êxito nesse processo
decorreu justamente de sua capacidade de agregar grupos heterogêneos. Setores fortemente diferenciados sentiram-se igualmente representados no (P)MDB, até certo ponto do processo, em função do objetivo maior, que era o restabelecimento da democracia no pais. Esse objetivo é que dava identidade ao partido.
Com o tempo, porém, foi-se criando uma situação em que essa identidade passou a significar coisas muito diversas para os diferentes grupos que participavam do partido ou lhe davam apoio eleitoral (KINZO, 1993, pp 7-11).
Sendo um partido profundamente capilarizado ao redor do país e que serve aos interesses políticos daqueles que são influentes regionalmente, o PMDB sempre conseguiu eleger uma boa quantidade de governadores e possui o maior número de prefeitos, vereadores e filiados. Além disso, desde o seu surgimento, comandou diversos ministérios e esteve sempre à frente de pelo menos uma das casas legislativas do Congresso Nacional. Por outro lado, a falta de uniformidade da agremiação sempre torna difícil a união da maioria de suas lideranças em torno de uma candidatura a Presidente da República, fazendo com que o lançamento de um candidato próprio tenha sido descartado em todos os pleitos presidenciais desde 1998, inclusive abrindo mão de lançar candidatos que pontuavam bem nas pesquisas de opinião, como Itamar Franco em 1998 e Anthony Garotinho em 2006. Da mesma forma, dificilmente o PMDB apóia integralmente um candidato à presidência de outro partido, sempre existindo uma dissidência em relação ao apoio oficial, como em 2002, 2010 e 2014 ou decidindo não apoiar nenhum candidato a Presidente para melhor se adaptar de acordo com as circunstâncias políticas regionais de cada estado, como em 1998 e 2006.
A definição de KIRCHHEIMER (1966) de “partido catch-all” ou “partido- ônibus” cai como uma luva para o PMDB que, atualmente, não tendo mais a oposição ao regime militar dos tempos de MDB como geradora de unidade básica, nitidamente se configura como um partido que, em detrimento de uma ideologia uniforme e de posicionamentos políticos firmes, visa pragmaticamente obter mais apoio eleitoral e eleger mais representantes, em prol de sempre participar das coalizões de poder. É interessante ressaltar que Kirchheimer afirmava que, até por uma questão de abrangência e pluralidade interna, apenas aqueles partidos que estão entre os maiores dos seus países poderiam atuar na forma de “catch-all” e no Brasil o PMDB é, de fato, o partido que detém maior tamanho no que diz respeito ao quantitativo de filiados e de
detentores de mandato quando se leva em consideração os diferentes cargos eletivos existentes, principalmente a nível municipal e estadual10.
3.2 Partido da Social Democracia Brasileira
Já o Partido da Social Democracia Brasileira foi fundado em 1988 e formado majoritariamente a partir de políticos que deixaram o PMDB por conta de sua insatisfação com os rumos tomados pelo governo peemedebista de José Sarney. Os integrantes paulistas desse grupo, núcleo duro da dissidência, também possuíam diferenças com o então Governador de São Paulo, Orestes Quércia, igualmente do PMDB. As divergências entre o conjunto de parlamentares que iniciou a construção do PSDB e o restante do PMDB já se mostravam durante a Assembleia Nacional Constituinte instalada em 1987 e culminaram com a criação do partido social-democrata11.
Nomes de peso compuseram a lista de fundadores do PSDB, como Fernando Henrique Cardoso (SP), José Serra (SP), Mário Covas (SP), Franco Montoro (SP), Pimenta da Veiga (MG), Arthur da Távola (RJ), Afonso Arinos (RJ), Almir Gabriel (PA), Teotônio Villela Filho (AL), José Richa (PR) e Arthur Vírgilio (AM), além de parlamentares que teriam destaque posteriormente no Poder Executivo como Geraldo Alckmin (SP) e Aécio Neves (MG).
É possível dizer que o PSDB já nasceu grande e centrado em torno de seus parlamentares, principalmente os paulistas, que constituíam quase um terço da bancada de deputados federais do partido e um quarto da bancada de senadores.
“O PSDB a nível nacional foi fundado em 25 de junho de 1988, fruto de uma ruptura dentro do PMDB [...] o PMDB sendo um grande partido, possuia algumas tendências, dentre elas, a MUP (Movimento de Unidade Progressista) liderada por Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, a qual, acumulou divergências com as decisões tomadas pela cúpula do PMDB e do Presidente José Sarney, quanto
10Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, em 2012, o PMDB elegeu 7.825 vereadores, contra 5.146 do PSDB e 5.067 do PT. No que diz respeito aos prefeitos, o PMDB elegeu 1.024, contra 702 do PSDB e 635 do PT. Em 2014, o PMDB elegeu 142 deputados estaduais, contra 108 do PT e 97 do PSDB. Quando contabilizamos os governadores, o PMDB elegeu 7, contra 5 do PT e também 5 do PSDB.
11 Ver Partido da Social Democracia Brasileira. História. Disponível em http://www.psdb.org.br/psdb/historia/. Acesso em: 11 abr.2015.
a decisões de cunho eleitoral. Pode-se destacar, o fato do partido não garantir espaços para aqueles na „máquina p blica‟ e não apoiar a candidatura de Mário Covas para a presidência da República em 1989. Outro fato desencadeador foi a presença de uma imagem negativa do partido frente a (sic) população, dada a conjuntura econômica vivida no período, com arrochos saláriais (sic) e a alta da inflação [...] o grupo formador do PSDB percebeu que havia a abertura de um „nicho de mercado‟ eleitoral identificado com posiç es de um „centro ideológico‟ que ainda não havia sido atendido pelas forças político - partidárias presentes naquele contexto. Desse modo, podemos afirmar que o nascimento de um novo partido se deu no seio do governo, com grande representatividade, dos quais se destacam: quarenta deputados federais, oito senadores, um ex- governador, dois deputados federais (sem mandato) e dois ex- ministros” (PESTANA, 2011, p. 5).
Talvez por já ter sido fundado ao redor de uma estrutura consideravelmente robusta, o PSDB consegue o quarto lugar na disputa pela presidência já em 1989 com Mário Covas (SP). Em 1994, soma-se à força da agremiação o fato de Fernando Henrique Cardoso (SP) ter sido identificado pela opinião pública como o coordenador do bem-sucedido Plano Real, que estabilizou a economia brasileira, e o PSDB atinge, com apenas 6 anos de idade, a Presidência da República. A partir do período em que chegou ao Palácio do Planalto, o PSDB passou a ser cada vez mais competitivo em disputas eleitorais para cargos executivos, conquistando mais de uma vez, entre 1994 e os dias atuais, governos como os de Minas Gerais, Paraná, Ceará, Paraíba, Alagoas, Goiás e Pará, além de manter durante décadas e até o presente momento, o governo de São Paulo, conquistado pela primeira vez junto com a Presidência há aproximadamente 20 anos.
Após a saída de Fernando Henrique da Presidência da República, o PT assume o posto e o PSDB passa a ser, desde então, o partido de oposição mais robusto do país, tendo atingido o segundo lugar nas eleições presidenciais com José Serra (SP) em 2002, Geraldo Alckmin (SP) em 2006, José Serra novamente em 2010 e Aécio Neves (MG) em 2014, tendo sido este o primeiro candidato a Presidente da história do PSDB não oriundo da política paulista.
Até os dias de hoje, o PSDB se aproxima, em diversos âmbitos, do que Duverger denominou como partido de quadros, ou seja, uma agremiação centrada em torno de seus detentores de mandato de renome e que ainda não estabeleceu uma rede massificada de militantes ao redor do país ou uma relação de fato estreita com movimentos sociais.
3.3 Democratas
O Democratas, por sua vez, passa a ter esse nome em 2007, quando suas principais lideranças concluem que a mudança na denominação do partido seria necessária para recuperar espaço político, sinalizar uma renovação de seus quadros e caminhar para uma tendência ideológica de centro-direita, mais moderada e centrista do que a seguida quando ainda utilizava sua nomenclatura anterior, Partido da Frente Liberal (PFL).
O PFL nasce em 1985, a partir da institucionalização partidária de um grupo parlamentar dissidente do já extinto Partido Democrático Social (PDS), denominado Frente Liberal e formado por nomes como Marco Maciel (PE), Aureliano Chaves (MG), Jorge Bornhausen (SC) e Guilherme Palmeira (AL). A dissidência reúne diversos líderes que possuem suas raízes políticas na antiga União Democrática Nacional (UDN) e se dá pelo desejo de determinados parlamentares de apoiar a redemocratização e a candidatura do mineiro Tancredo Neves a Presidente da República na eleição indireta realizada pelo Congresso Nacional em 1985, contrariando a diretriz do PDS de dar suporte ao candidato oficial escolhido pelo partido, o paulista Paulo Maluf. Unido ao PMDB, o PFL formou a Aliança Democrática, que elegeu Tancredo Neves como Presidente e José Sarney (MA), que assumiria a Presidência em virtude da morte de Tancredo, como Vice-Presidente.
“No seio do partido governista (PDS) começou a tomar força, no início da década de 1980, um grupo dissidente de cunho liberal, favorável à liberalização do regime e à transição democrática. A dissidência colocou-se contra a candidatura oficial desse partido à presidência.
Paulo Maluf, o candidato do PDS, era visto como alguém que daria continuidade ao regime, o que frearia o processo de redemocratização. [...] A dissidência no âmbito do PDS levou paulatinamente à criação de um grupo político coeso e articulado, que formalmente adotou o nome de Frente Liberal em 3 de julho de 1984.
O grupo passou a atuar em bloco no Congresso, com autonomia análoga à de um partido político. A primeira iniciativa política da Frente Liberal foi aproximar-se das lideranças do PMDB, que, sozinho, não contava com força suficiente para vencer as eleições presidenciais indiretas. [...] A Frente Liberal uniu-se ao PMDB para apoiar o principal candidato da oposição, o político liberal e governador de Minas Gerais Tancredo de Almeida Neves. A chapa Tancredo Neves – José Sarney iria concorrer com o candidato da situação, Paulo Maluf” (CAMBRAIA, 2010)
Por se tratar de uma dissidência, o PFL já nasceu estruturado, com uma dezena de senadores, mais de cinquenta deputados federais e alguns governadores, principalmente nordestinos, em suas fileiras. Ao longo de seus primeiros anos, o partido atrai outras lideranças, entre elas Antônio Carlos Magalhães, que viria a ser um dos grandes nomes da agremiação.
Em 1989, o partido lançou a candidatura a Presidente de Aureliano Chaves, mas esta não obteve muito sucesso e o partido apoiou Fernando Collor contra Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Tendo participado da base de apoio dos presidentes Sarney, Collor e Itamar Franco, o PFL obtém ainda mais protagonismo a partir de 1994 ao se colocar como principal parceiro do PSDB na eleição de Fernando Henrique Cardoso e eleger Marco Maciel como Vice-Presidente. O partido forneceu grande parte do apoio parlamentar ao Presidente e manteve Marco Maciel na Vice-Presidência com a reeleição de Fernando Henrique. Durante os oito anos de governo do PSDB em aliança com o PFL, este último conseguiu implementar muitas de suas pautas liberais, sendo responsável por diversas das medidas econômicas empreendidas pelo governo FHC.
A partir de 2001, o PFL começa a se distanciar do protagonismo político e esse processo se acentua em 2003, quando o PFL passa a estar de vez na oposição, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao longo do governo de Lula, o PFL vê diminuir o seu número de parlamentares e busca alternativas para retomar sua influência política. É com este pano de fundo que o partido muda de nome para Democratas em 2007. Desde então, a agremiação tem sido sempre a principal aliada do PSDB em suas tentativas de retomar a Presidência da República e atuado como a oposição mais ferrenha aos governos petistas no Parlamento, o que não tem evitado a redução do quantitativo de detentores de mandato da agremiação, embora mantenha importantes lideranças e políticos de relevo, especialmente no âmbito do Congresso Nacional.
É possível afirmar que o Democratas, antes PFL, sempre se notabilizou por ser um partido de base parlamentar, sendo cada vez mais influente politicamente na medida em que cresciam suas bancadas congressuais e poucas vezes tendo um número alto de governos estaduais sob seu comando.
Nesse sentido, desde sua fundação em 1985 e mais ainda no momento atual, a
agremiação se configura como um partido de quadros, que se coordena em torno de seus parlamentares e se posiciona de forma mais ou menos clara no espectro ideológico como um partido de centro-direita, não sendo um partido de massas e tampouco caracterizando um partido-ônibus.
3.4 Partido dos Trabalhadores
O PT, Partido dos Trabalhadores, é distinto das agremiações citadas anteriormente já em sua origem, pois não é, como o PMDB, herdeiro direto do MDB que agregava toda a oposição ao governo militar e também não é, como o PSDB e o DEM, oriundo de uma dissidência que já nasce razoavelmente estruturada e capilarizada. O PT não nasce a partir da união de políticos detentores de mandato e filiados a outros partidos, mas sim a partir da junção de dirigentes sindicais, acadêmicos e intelectuais situados à esquerda ideologicamente e lideranças da corrente católica conhecida como Teologia da Libertação, também de viés ideológico de esquerda, embora alguns fundadores do partido, oriundos de movimentos políticos mais tradicionais de esquerda, já tivessem ocupado cargos eletivos.
“Foi num contexto como este que se estruturou o PT, ganhando rapidamente notoriedade os nomes dos líderes sindicais que, desde meados de 1978, iriam se decidir pela sua construção: Luis Inácio Lula da Silva, José Cicote, Henos Amorina, presidentes dos sindicatos de Metalúrgicos de São Bernardo, Santo André e Osasco;
Paulo Skromov, do sindicato dos coureiros; Jacó Bitar, dos petroleiros de Campinas; Olívio Dutra, dos bancários de Porto Alegre; entre muitos outros [...] Também desde o início, tomaram parte na iniciativa grupos revolucionários trotskistas, entre os quais, e principalmente, a Convergência Socialista, além de grupos remanescentes de organizações que haviam participado da luta contra a ditadura militar:
Ala Vermelha do Partido Comunista do Brasil/Ala-PC do B, Ação Libertadora Nacional/ALN, Ação Popular MarxistaLeninista/AP-ML, Partido Comunista Brasileiro Revolucionário/PCBR, Movimento de Emancipação do Proletariado/MEP, todos ingressariam nas articulações que deram origem ao PT [...] Finalmente, uma terceira componente participaria igualmente da formação do novo Partido: os militantes da esquerda católica. [...] Organizavam-se nas comunidades eclesiais de base, as CEBs [...] pela fé militante da teologia da libertação, doutrina que tinha a ambição de elaborar uma síntese revolucionária anti-capitalista entre cristianismo e marxismo”
(AARÃO REIS, 2007, pp. 2-3).
Nascido em 1980, o partido conquista sua primeira Prefeitura de uma capital em 1985, elege seu primeiro Senador em 1990 e seu primeiro