Democracia intrapartidária brasileira: comitês executivos interinos, estatutos e trajetória da presidência dos partidos políticos nacionais. Democracia intrapartidária brasileira: Comitês executivos interinos, estatutos e trajetória da presidência dos partidos políticos nacionais.
PARTIDOS POLÍTICOS E ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA
WEBER (1982) acredita que há uma infinidade de motivações que levam à associação para a ação política coletiva. Ele é menos determinista e/ou pessimista que Michels e afirma que os partidos políticos o são. Além disso, Katz e Mair argumentam que os partidos do cartel tornam-se verticais e oligárquicos e afastam-se da sociedade à medida que se aproximam do Estado, o que nos traz de volta à lógica anteriormente descrita por Robert Michels.
DEMOCRACIA INTRAPARTIDÁRIA
A personalização da política, a aparente verticalidade no processo de decisão partidária e as acusações de que os partidos são oligarquias que representam cada vez menos os cidadãos têm levado muitos a desconsiderar a importância dos partidos como instrumentos do sistema político, colocando em dúvida a capacidade de mobilização e representação destas associações. Nesse sentido, os partidos políticos são parte fundamental do regime democrático representativo, ainda mais no caso específico brasileiro onde os partidos detêm o monopólio da representação, uma vez que não há permissão legal para lançar partidos. Em suma, se existem normas, princípios, controles e incentivos que são fundamentais para a primazia da democracia numa sociedade, como podem os maiores instrumentos do regime democrático, os partidos políticos, não aplicar estes elementos no seu quotidiano.
Como instituições centrais para o funcionamento da democracia representativa, deve-se assumir que os partidos no momento da sua constituição tentam internalizar características imediatamente associadas à democracia, isto é, imaginar que os partidos dirigem basicamente o seu funcionamento e estrutura. de acordo com o que se espera de uma democracia. Vale destacar também que, se os partidos políticos são fundamentais para o funcionamento e institucionalização do regime democrático, a democracia interna destes grupos também desempenhará um papel importante em relação ao sistema político como um todo, ou seja, agir. não só no aprofundamento da democracia, mas também internamente, mas também externamente para a consolidação do regime democrático como um todo, principalmente em países com democracias mais recentes, como o Brasil e praticamente toda a América Latina. Com base nessas premissas, entendemos que é importante que os partidos políticos brasileiros sejam cada vez mais democráticos internamente e tentamos confirmar a hipótese de que existe atualmente uma variação relevante no nível de democracia interna dos partidos políticos brasileiros quando analisados individualmente. e não como um todo de um sistema partidário.
PARTIDOS POLÍTICOS BRASILEIROS
As diferenças entre o grupo de parlamentares que iniciou a construção do PSDB e o restante do PMDB já eram evidentes durante a Assembleia Constituinte do Estado de 1987 e culminaram na fundação do Partido Social Democrata11. Pode-se dizer que o PSDB nasceu grande e centrado em seus parlamentares, especialmente os paulistas, que compunham quase um terço da bancada de deputados federais do partido e um quarto de sua bancada senatorial. Vale ressaltar o fato de o partido não ter proporcionado lugar para aqueles na “máquina pública” e não ter apoiado a candidatura de Mário Covas à presidência da república em 1989.
Outro fato contundente foi a presença de uma imagem negativa do partido entre a população, dada a situação econômica vivida no período, com cortes salariais (sic) e inflação elevada [...] o grupo que formou o PSDB, percebeu que havia foi a abertura de um “nicho de mercado” eleitoral identificado com posições de um “centro ideológico” ainda não atendido pelas forças político-partidárias presentes naquele contexto. Dentro do partido no poder (PDS), um grupo liberal dissidente começou a ganhar força no início da década de 1980 a favor da liberalização do regime e da transição democrática. Ao longo dos anos, a figura de Luiz Inácio Lula da Silva consolidou-se cada vez mais como uma espécie de rosto do PT, tendo sido o candidato do partido à Presidência da República em 2006, tendo vencido os dois últimos.
ESTATUTOS E DESENHOS INSTITUCIONAIS DOS PARTIDOS ANALISADOS
Dessa forma, o PT evita que as comissões municipais temporárias permaneçam em vigor por tempo indeterminado ou simplesmente sejam renovadas com os mesmos dirigentes, o que significaria que só seriam substituídas caso houvesse vontade de fazê-lo por parte da esfera estadual. . Por outro lado, este tipo de obstáculo não existe no caso de eventuais comissões estatais temporárias. As Comissões Municipais Provisórias Tucana podem ser criadas pelo Presidente Nacional de forma individual e direta, o que só pode ser feito pela Comissão Estadual no caso do PMDB e do PT.
Os Comitês Municipais Provisórios serão chefiados por um Presidente, um Vice-Presidente, um Secretário Geral, um Tesoureiro e tantos membros quantos forem necessários, até o limite aqui estabelecido” (ESTATUTO DO DEMOCRATAS, 2007, p. 15, grifo nosso). Embora esse controle seja positivo, o PT não o prevê quanto a possíveis comissões estaduais temporárias que possam ser tratadas a critério da autoridade estadual. Vale ressaltar que isso também está acontecendo ao nível das comissões provisórias estaduais em relação às ordens da instância estadual, também no que diz respeito ao PT, cujo estatuto, como se pode verificar, apenas impede a instalação deste sistema a nível municipal.
Segundo o autor, a instituição dos comitês partidários temporários foi criada pela Lei Orgânica dos Partidos de 1971, a fim de permitir que os dois partidos existentes, ARENA e MDB, apresentassem candidaturas mesmo em cidades e estados onde ainda não o tinham. diretórios criados. . Se entendermos que, como prevê DAHL (1971), a possibilidade de contestação é um dos requisitos definidores para a existência de um ambiente democrático interno, se acreditarmos que este paradigma pode ser aplicado à análise da situação interna de um sistema político . partido e se entendermos que a instituição de comissões temporárias impede que os órgãos inferiores do partido contestem as decisões e instruções dos superiores, concluímos que a proporção de comissões temporárias existentes em relação ao número total de localidades onde determinado partido político está presente , seja no município. ou estadual, serve como uma variável importante para medir o grau de democracia intrapartidária de um grupo político no Brasil. Neste contexto, pode-se afirmar sem dúvida que, fazendo um paralelo, a existência da instituição da comissão temporária constitui um factor que reduz a possibilidade de contestação intrapartidária e, portanto, um partido político estará mais longe de ser. um partido poliárquico na medida em que possuem um percentual maior de comissões temporárias em relação a todas as suas diretorias municipais e estaduais.
Os dados recolhidos14 mostram-nos que a proporção das comissões provisórias varia muito quando se analisam diferentes jogos, o que mostra que, quando compreendida, a proporção das comissões provisórias aumenta. Se por um lado o grupo analisado organizado no menor número de cidades é o Partido dos Trabalhadores, que existe em 56% dos municípios brasileiros, e o partido organizado no maior número de municípios é o Democratas, que está presente em 63% das cidades brasileiras, o que mostra que todas as festas analisadas são organizadas em um número não muito diferente de cidades. Por outro lado, a diferença quanto à proporção de comissões preliminares municipais e provinciais é muito relevante. Em terceiro lugar, a Tabela 9 nos mostra que, ao analisar as estatísticas específicas de cada partido em relação a cada estado da federação, é possível perceber que as proporções das comissões provisórias em relação ao número total de municípios onde cada partido está organizado em cada estado variam mais quando se comparam partidos dentro do mesmo estado do que quando se comparam estados em relação ao mesmo partido, ou seja, a variação na participação das comissões executivas partidárias provisórias municipais é menor quando se comparam os números estaduais do mesmo partido do que quando se comparam número de partidos no mesmo estado, o que nos leva a crer que o fato de ser esse determinado partido é mais relevante para determinar a proporção de diretorias municipais comandadas por comissões executivas provisórias do que o fato de ser daquele estado e, consequentemente, de a situação socioeconómica existente nesse Estado.
Esta comparação sugere que o Partido dos Trabalhadores e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro têm menos comissões provisórias e os Democratas têm mais comissões provisórias, com o Partido da Social Democracia Brasileira numa posição intermédia. O Partido dos Trabalhadores reforça sua maior tendência à existência de dirigentes municipais e estaduais eleitos e estáveis por ser o mais homogêneo ao analisar a situação localizada de cada estado brasileiro e os Democratas reforçam sua maior inclinação à existência de dirigentes municipais e estaduais do Estado. assistidos sob o comando de comissões executivas provisórias e instáveis, pois são as mais heterogêneas quando se olha as estatísticas internas de cada unidade federativa, sendo esta associação com comissões provisórias municipais em 100% dos municípios em relação a sete estados e comissões provisórias estaduais em mais da metade das unidades federadas.
TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA PRESIDÊNCIA NACIONAL DOS PARTIDOS ANALISADOS
Terceiro, o detalhamento dos estatutos partidários dos partidos políticos analisados, apresentado no Capítulo 4, mostra que o Partido Trabalhista tem um desenho institucional diferente de outras associações, especialmente em relação aos esforços para limitar a possibilidade de manutenção de comissões temporárias municipais. . Esta constatação significa que, em relação à utilização da medida da proporção de comissões temporárias para medir o grau de oposição interna e, consequentemente, o caráter democrático dos partidos políticos analisados, pode-se argumentar que atualmente os democratas se configuram como um partido mais verticalizado e que permita maior controle dos órgãos inferiores pelos órgãos superiores, sendo o Partido dos Trabalhadores e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro os mais democráticos. Reconhecemos, no entanto, que isto não significa que os partidos políticos não possam renovar periodicamente o seu grupo de liderança, como Duverger prevê para os partidos de massas, e avançar em termos da possibilidade de competição e cooperação interna.
Nesse sentido, acreditamos que a diferença no nível de democracia interna entre os partidos políticos brasileiros analisados decorre justamente do fato de alguns estarem mais avançados que outros nesses aspectos. Neste contexto, relativamente aos quatro partidos políticos investigados, após análise dos estatutos partidários, das proporções das comissões provisórias e do percurso histórico da presidência nacional, parece correcto afirmar que,. Além disso, o ordenamento jurídico brasileiro deveria ajudar a evitar a retenção de representantes no comando dos partidos políticos e favorecer a troca de poder em todos os níveis, obrigando os partidos políticos a terem um limite máximo de mandato para o mesmo indivíduo na presidência municipal, estadual ou nacional. . associação, bem como o número máximo de anos especificado para a duração desses mandatos.