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Princípios Constitucionais do Processo

CONSTITUIÇÃO E PROVA

1.1.2 Princípios Constitucionais do Processo

Na linguagem comum, o vocábulo princípio possui vários significados dentre eles, no início, no começo.72

No sentido jurídico, quer significar as normas elementares ou os requisitos primordiais instituídos como base, como alicerce de alguma coisa

70 MONTESQUIEU, Charles Louis de Secondat, Barão de La Brede et de. O espírito das leis.

São Paulo: Martins Fontes, 1996.

71 ARAÚJO CINTRA, Antônio Carlos; et al. Teoria geral do processo, p. 78.

72 FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda, 1910-1989. Novo aurélio século XXI : o dicionário da língua portuguesa, 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.p. 1639 –(verbete: princípio)

e, ainda, como o conjunto de regras ou preceitos, que se fixaram para servir de norma a toda espécie de ação jurídica.73

Os princípios constituem-se em fontes basilares para qualquer ramo do direito. Em relação ao Direito Processual Civil não é diferente, já que os princípios estão presentes naqueles dois instantes, em sua formação e na aplicação de suas normas.

Segundo Dias74 há um antigo problema na definição dos princípios e, ainda, permanece o esforço no sentido de explicar sua natureza, função e posição no ordenamento jurídico, entendido, não apenas como conjunto legal, mas como um complexo que envolve normas de alcance e natureza diversa.

A Constituição, ao regulamentar a estrutura do poder judiciário e a forma de atuação processual, estabeleceu conceitos chamado pela doutrina de princípios constitucionais do processo, concretizados por aqueles aplicáveis ao processo.

A respeito de princípios preleciona Araújo Cintra75 et ali.

A doutrina distingue os princípios gerais do direito processual daquelas normas ideais que representam uma aspiração de melhoria do aparelhamento processual [...]. Assim. P. ex., [...] a verdade formal prevalece no processo civil, enquanto a verdade real domina o processo penal.

Desta forma, os princípios se tornam necessários, diante de sua importância, de suas características e, ainda, de sua influência em cada ramo do direito.

1.1.2.1 Princípios e regras

Constata-se que vivemos a era dos princípios, orientando e condicionando a aplicação do Direito. Neste diapasão, Milare76 ao externar a

73 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico: edição universitária, p. 447.

74 DIAS, Jean Carlos. Revista jurídica consulex: O princípio as inediticidade da demanda no processo civil brasileiro. Brasília n. 159, ago. 2003, p. 53.

75 ARAÚJO CINTRA, Antônio Carlos; et al. Teoria geral do processo, p. 51-52.

importância dos princípios como fonte de fundamentação das decisões, utiliza por exemplo o fato de que, no empenho de legitimar o Direito do Ambiente como ramo autônomo da árvore da ciência jurídica, têm os estudiosos se debruçado na identificação dos princípios ou mandamentos básicos que fundamentam o desenvolvimento da doutrina e que dão consistência às suas concepções.

Assim, apesar das alusões já feitas no tópico anterior, faz- se mister deixar assente a definição desta categoria e, para isso, utilizamos os ensinamentos de Costa77.

Como qualquer ramo do conhecimento sistematizado, o direito processual civil é determinado por princípios. A leitura ou interpretação dos princípios determina a leitura ou interpretação das normas, independente do conteúdo escrito ou intenção das mesmas. Se alguma norma estiver em dissonância com algum princípio, a interpretação deve integrá-la ao sistema, o que implica, assim o princípio da unidade do direito processual. A alteração dos princípios, a seu lado, altera a interpretação das normas, independente, ainda, de revisão legal.

Pode-se destacar então, que os princípios não são imutáveis, visto que derivam de determinada concepção filosófica da sociedade, que também pode mudar.

Por sua vez, o vocábulo regra possui, na linguagem jurídica, o sentido geral que é o modo de proceder, é a imposição de forma ou a conduta imposta no texto legal78.

Segundo Rios79.

A conduta das pessoas é disciplinada por meio de diversos instrumentos, que podem ser designados de várias maneiras:

norma, regulamento, decreto – e lei. Todos são tipos de regras ou normas (podemos dizer leis, coloquial e genericamente falando) destinados a determinar o que se pode e o que não se pode

76 MILARÉ, Édis. Direito do Ambiente, p.95.

77 COSTA, José Rubens. Manual de processo civil, p. 7.

78 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico: edição universitária, p. 75 vol III.

fazer, bem como o que se é obrigado a fazer. Na sociedade, temos normas morais, normas sociais e normas jurídicas. A diferença está em que, quando uma pessoa desobedece a uma norma moral ou a um costume social, essa pessoa não fica sujeita a uma punição imposta pela Justiça ou por uma autoridade pública.

Postas estas premissas, é possível supor que às regras e os princípios integram o ordenamento jurídico, entretanto, a distinção entre eles, nem sempre é simples.

1.1.2.2 Jurisdição

Data de longo tempo que as pessoas não resolvem as disputas pela força (justiça pelas próprias mãos). Naquela época não prevalecia o Direito, mas sim a lei do mais forte, daquele que tivesse mais força física, mais dinheiro, maior título.

Poder-se-ia deixar estabelecido, segundo Theodoro Júnior80 que a jurisdição:

[...] como o poder que toca ao Estado, entre as suas atividades soberanas, de formular e fazer atuar praticamente a regra jurídica concreta que, por força do direito vigente, disciplina determinada situação jurídica. A função jurisdicional só atua diante de casos concretos de conflitos de interesses (lide ou litígio) e sempre na dependência à ordem jurídica e a aplicação voluntária de suas normas nos negócios jurídicos praticados.

Para Greco Filho81jurisdição é:

[...] em primeiro lugar, um poder, porque atua cogentemente como manifestação da potestade do Estado e o faz definitivamente em face das partes em conflito; é também uma função, porque cumpre a finalidade de fazer valer a ordem jurídica posta em dúvida de uma pretensão resistida e, ainda, consiste numa série de atos e manifestações externas de declaração do direito e de

79 RIOS, Josué Oliveira. Guia dos seus direitos, p.14-15.

80 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil, p. 30.

81 GRECOFILHO, Vicente. Direito processual civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1998. p.167- 168.

concretização de obrigações consagradas num título. [...] o poder, a função e atividade jurisdicional têm o caráter de definitivo..

E, ainda, o mesmo autor82, afirma que jurisdição atua segundo os seguintes princípios:

a) a inércia: a atividade jurisdicional se desenvolve quando provocada. E garantia da imparcialidade que o juiz não passe a atuar em favor de interesses materiais das partes; b) a indeclinabilidade: o juiz não pode recusar-se a aplicar o direito, nem a lei pode excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão a direito individual; c) a inevitabilidade: a atividade dos órgãos jurisdicionais é incontrastável, isto é, não é possível a oposição juridicamente válida de qualquer instituto para impedir que a jurisdição alcance os seus objetivos e produza seus efeitos;

d) a indelegabilidade: as atribuições do Judiciário somente podem ser exercidas, segundo a discriminação constitucional, pelos órgãos do respectivo poder, por meio de seus membros legalmente investidos.

Pode-se concluir que jurisdição é uma das funções do Estado, a qual substitui os titulares dos interesses em conflito para, imparcialmente, buscar a pacificação da lide.

Esta função do Estado é exercida através do poder judiciário, respaldada no art. 5º, XXXV da CRFB/8883, onde preceitua que a “[...]

lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça de direito”.

Outrossim, denota-se que o poder, a função e a atividade somente revelam-se legítimos através do devido processo legal que passará a ser abordado a seguir.

DEVIDO PROCESSO LEGAL, ACESSO À JUSTIÇA E JUIZ NATURAL

Processo e jurisdição estão intrinsecamente ligados; pois, obrigatoriamente, deve-se passar por ambos para se alcançar á realização da Justiça.

82 Ibid,. p.168.

O conjunto de normas que propiciam as partes e ao juiz os instrumentos necessários para a justa composição do litígio está esculpido na CRFB/88 em seu art. 5º, incisos. XXXV, LIV e LV, que assim preceitua:

Art.5º – [...]

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes;

Para aclarar esta breve introdução utilizamos a precisa lição de TheodoroJúnior84

A garantia do devido processo legal, porém, não se exaure na observância das formas da lei para a tramitação das causas em juízo. Compreende algumas categorias fundamentais como a garantia do juiz natural (CF, art. 5º, inc. XXXVII) e do juiz competente (CF, art. 5º, inc. LIII), a garantia de acesso à justiça (CF, art. 5º, inc. XXXV), de ampla defesa e contraditório (CF, art.

5º, inc. LV) e, ainda a de fundamentação de todas as decisões judiciais (art. 93, inc. IX). [...] o due process of law realiza, entre outras, a função de um superprincípio, coordenando e delimitando todos os demais princípios que informam tanto o processo como o procedimento.

Estes preceitos têm sido a base garantidora dos cidadãos contra as arbitrariedades do Estado e a imposição da lei do mais forte nas demandas privadas. Apesar, ainda, dos poucos fragmentos da justiça privada (justiça pelas próprias mãos), que são legítimos somente em casos emergências, ex. apreensão do objeto sujeito a penhor legal (art. 1.467 – 1.471), legitima defesa (art. 188, I) e no esbulho possessório (1.210 § 1º) todos do Código Civil.

83 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF:

Senado, 1988.

84 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil, p. 23.

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