2.2 METODOLOGIA
2.2.3 Protagonistas da comunicação on-line
2.2.3.2 Profissionais de saúde da UBS do Votorantim
exemplo, a UBS, já que assim seria evitado o deslocamento. Seria preciso realizar o processo de coleta para saber.
Após a transcrição da entrevista-piloto, fiquei mais atenta à forma de abordar as perguntas e como evitar a indução das respostas. Houve pequenas alterações no roteiro para entrevistas, e logo iniciei a coleta de dados.
Conforme planejado, no período de 22 de agosto de 2019 a 7 de outubro de 2019 (46 dias), realizei as 12 entrevistas com mães da UBS do Votorantim, maiores de 18 anos, primíparas, com bebês até 1 ano de vida e que tinham acesso à internet.
Durante o processo da coleta dos dados, conforme havia percebido durante a realização da entrevista-piloto, a maioria das mães optou por entrevista em ambiente domiciliar, ao invés de ter que deslocar-se até a UBS.
Apenas duas mães optaram por realizar a entrevista na UBS, e para isso conseguimos conciliar com uma data já agendada de consulta de rotina e vacinas. Essas duas entrevistas foram realizadas em meu consultório dentro da UBS, e não sofremos interrupções. Para as outras dez, foram realizadas entrevistas nos domicílios das mães e sempre fomos muito bem acolhidas.
Cada casa apresentava a sua peculiar singularidade, mas todas estavam com suas portas bem abertas para nos receber. Ao chegar às casas já conseguia enxergar, em alguns casos, a rede de apoio dessa mãe, pois muitas dividiam o mesmo espaço com familiares vizinhos. Como estavam em seus
“ninhos”, essas dez mães pareciam mais à vontade para conversar conosco, e as entrevistas fluíram com mais leveza, mais intimidade, do que as realizadas dentro da UBS. Registro, ainda, que tive extremo cuidado ao abordar suas memórias psicológicas, em relação aos cuidados de seus filhos ou a intercorrências no ambiente de trabalho, no sentido de minimizar eventuais retornos a experiências pregressas doloridas.
da UBS, aqueles que lidam diariamente com os usuários, aqueles que conhecem o contexto social de cada família, acolhem, escutam suas queixas, consultam, explicam e seguem os fluxos de atendimento, com o compromisso de efetivar a resolutividade de cada caso. Aqueles que fomentam a promoção de saúde da população, na medida em que participam das realidades expostas pelos usuários para lhe oferecer respostas às questões cotidianas que os afligem.
A propósito desse fomento à promoção da saúde, a vivência empírica da coleta de dados com os profissionais de saúde gerou uma hipótese para o meu estudo: se saúde é uma forma de manifestação de vida que reúne
“experiências singulares e subjetivas” vividas nas relações cotidianas (CZERESNIA; FREITAS, 2009, p. 46); é uma experiência particular, com raiz na coletividade, “requerendo solidariedade e sendo, portanto, por definição
„social‟” (BERLINGUER, 2011, p. 7-8), a própria comunicação on-line na AB, nosso objeto de pesquisa, tem potência para se apresentar como um veículo promotor de saúde. Esse encontro com a hipótese do estudo, no momento da coleta de dados, reafirmou a minha compreensão de que a beleza da pesquisa qualitativa está não no seu desenho, no seu esquema metodológico, mas nos encontros promovidos pelo setting em que ela transcorre (LIMA; GRIPA;
BAPTISTA, 2018).
Realizei a coleta de dados com profissionais da UBS por meio de grupo focal. O grupo focal é uma técnica de coleta de dados de pesquisa qualitativa que nos possibilita levantar respostas, em uma ambiência interativa, às questões desenhadas para responder aos objetivos de meu estudo. Com duração aproximada de 90 (noventa minutos), é formado por 06 (seis) a 10 (dez) participantes que são selecionados por apresentarem algum tipo de relação com o tema da pesquisa. “A essência do grupo focal consiste justamente na interação entre os participantes e o pesquisador, que objetiva colher dados a partir da discussão focada em tópicos específicos e diretivos”
(IERVOLINO; PELICIONI, 2001, p. 116).
O principal motivo pelo qual escolhi o grupo focal como recurso de coleta de dados foi a possibilidade de colher diferentes visões e opiniões de modo interativo, conforme esclarece a citação a seguir:
A possibilidade de intensificar o acesso a informações acerca de um fenômeno, seja pela intenção de gerar tantas ideias quanto possíveis ou pela averiguação de uma ideia em profundidade. Na medida em que diferentes olhares e diferentes ângulos de visões acerca de um fenômeno vão sendo colocados pelos sujeitos, desperta nos mesmos a elaboração de certas percepções que ainda se mantinham numa condição de latência. A passagem desta condição à de elaboração-expressão ocorre no processo interativo que vai se estabelecendo no grupo (DALL‟AGNOL; TRENCH, 1999, p. 6).
Os participantes do grupo foram escolhidos de forma intencional, a fim de que um representante de cada categoria profissional fosse ouvido na pesquisa. O grupo foi composto por sete profissionais, sendo: uma recepcionista, uma Agente Comunitária de Saúde (ACS), uma enfermeira, uma técnica de enfermagem, uma médica da ESF, uma dentista e o coordenador da UBS. Todos foram convidados a participar da pesquisa por meio da socialização do TCLE (Apêndice E).
Os critérios de inclusão para o grupo focal foram: ter mais de 18 anos;
trabalhar como profissional de saúde da UBS do Votorantim há, no mínimo, seis meses; ter acesso à internet ao menos uma vez por semana; ser um representante de uma categoria profissional; e concordar com os termos do TCLE. Já os critérios de exclusão foram: ter menos de 18 anos; não trabalhar na UBS Votorantim; trabalhar há menos de seis meses na UBS do Votorantim;
ser mais de um representante de uma mesma categoria profissional; não ter acesso à internet ao menos uma vez por semana; e não concordar com os termos do TCLE.
O convite foi aceito por sete profissionais, sendo um representante de cada categoria, e todos assinaram o TCLE. Após o aceite dos sete, optamos por fazer um grupo no aplicativo WhatsApp para combinarmos local e data para realização do Grupo. Em um primeiro momento, o meu objetivo era realizar o Grupo fora do horário de funcionamento da UBS para não haver nenhum prejuízo ao atendimento à população. Como já socializei anteriormente, a equipe de profissionais de saúde da UBS do Votorantim é diferenciada por ir além de suas obrigações. Prova disso foi a realização do grupo focal desta pesquisa com os profissionais em um domingo à tarde (22 de setembro de 2019), fora do horário de trabalho. Todos aceitaram o convite pelo
companheirismo, mas, principalmente, por acreditarem que esta pesquisa foi fundamentada no desejo de aprimorar ainda mais o atendimento à população do nosso território.
Coloquei o espaço social da minha residência (Figura 1) à disposição para ser o local da realização do grupo, pois era central para os sete participantes e sabia que conseguiria ali um ambiente silencioso e sem interferências. Utilizei gravador digital para o armazenamento dos dados (DALL’AGNOL; TRENCH, 1999; IERVOLINO; PELICIONI, 2001). O instrumento para coleta de dados no grupo focal foi um guia de temas (Apêndice F).
Figura 1– Local de realização do grupo focal em 22 de setembro de 2019
Fonte: A autora.
Assumi o papel de moderadora no grupo focal, procurando criar, desde o início, um ambiente favorável à discussão, a fim de que diferentes
posicionamentos fossem ouvidos e discutidos em grupo. Ao atuar também como uma facilitadora de debate, por meio de um guia de temas, busquei conduzir o grupo sem me posicionar a respeito de qualquer fala, apenas mantendo a discussão focada no tema do estudo.
Escolhi duas colegas do Mestrado para serem observadoras durante o grupo, e elas também demonstraram todo o engajamento e companheirismo ao doarem horas de descanso e lazer do fim de semana para esta pesquisa. Elas nos auxiliaram no controle de tempo, na gravação digital, mas principalmente no registro de falas, impressões e comunicações não verbais que aconteceram no decorrer da discussão. Logo após o término do grupo focal, eu e as observadoras compartilhamos informações e impressões para que não houvesse prejuízo de perda de dados, principalmente os empíricos (DALL’AGNOL; TRENCH, 1999; IERVOLINO; PELICIONI, 2001).
Como as colegas-observadoras conheciam o projeto, mas ao mesmo tempo desconheciam os participantes do grupo, foram de grande valor todas as observações que fizeram. A duração total do grupo foi de uma hora e 55 minutos, e a coleta de dados aconteceu com a presença de um gravador para que as falas fossem posteriormente transcritas. Cada participante foi identificado com um número para, dessa forma, assegurar-se o sigilo.