assim, sofre evento danoso, verbi gratia, acomodações sem a especificidade contratual, transporte inadequado, etc.
prestadores de serviços específicos cujas atividades estejam sujeitas a legislação especial ou tratados internacionais de que o Brasil seja signatário, ou dependam de autorização, permissão ou concessão.
Art. 16. A Agência de Turismo pode funcionar como mandatária do consumidor na busca de reparação material ou moral, caso exista previsão legal ou contratual nesse sentido, em eventos que não sejam objeto da responsabilidade da Agência.
Art. 17. Os serviços turísticos para fruição no exterior, salvo quando seu prestador tiver representação no Brasil, serão de responsabilidade das Agências de Turismo que os operem ou vendam. [...]
O projeto em apreço viola, não só o Código de Defesa do Consumidor, como também a Constituição Federal, especificamente seu artigo 5º, inciso XXXII:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
Atheniense237, em seus ensinamentos, pontua que:
O turista/consumidor lesado não pode ficar à mercê dos interesses de determinados grupos poderosos que, através de projetos e regulamentações internas, buscam esquivar-se de suas responsabilidades perante produtos/serviços que oferecem e prometem aos seus clientes. É inadmissível, portanto, deparar-se com ‘normas e projetos’ que podem frustrar a expectativa do
237 ATHENIENSE, Luciana Rodrigues. A responsabilidade jurídica das agências de viagem. Belo Horizonte: Del Rey, 2002, p. 144-145.
turista/consumidor em ser ressarcido pelos seus direitos legítimos, ocasionados pela má execução dos serviços/produtos oferecidos e, sobretudo, prometidos pelas Agências de Viagem.
Na análise do Projeto de Lei em apreço, retira-se parte do voto do Relator238:
[...] Com efeito, afigura-se mais aconselhável manter a responsabilidade civil das operadoras no tocante aos serviços turísticos por elas contratados, já que essas empresas cumprem precisamente a função de transformar um conjunto de serviços distintos, oferecidos por distintos fornecedores, em escopo e localização, em um único produto, vendido – ou revendido – ao consumidor final. Não se pode imaginar, a nosso juízo que esse consumidor final, tenha de se haver com cada um desses prestadores, no caso de eventos que impliquem danos.
Acreditamos, portanto, que se deva restringir a completa isenção da responsabilidade civil das Agências de Turismo relativa à prestação de serviços turísticos objeto de sua intermediação remunerada apenas àqueles estabelecimentos dedicados exclusivamente à venda comissionada ou à intermediação remunerada na comercialização de passagens, passeios, viagens e excursões.
Desta forma, decidimo-nos pela elaboração de um substitutivo [...]
No substitutivo elaborado pelo relator, apesar de submeter as relações estabelecidas entre o consumidor e a agência de turismo ao Código de Defesa do Consumidor, continua exonerar a responsabilidade pelos atos de prestação e execução de outros fornecedores239.
238 VASCONCELLOS, Ronaldo. Relator. Diários da Câmara dos Deputados, n.º 13868, 05 de abril de 2002.
239 VASCONCELLOS, Ronaldo. Relator. Diários da Câmara dos Deputados, n.º 13868, 05 de abril de 2002.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
À título conclusivo, vale destacar alguma idéias de suma importância apresentadas ao longo deste trabalho.
O turismo é um fenômeno que interliga as mais variadas áreas de conhecimento, unindo todas, tornando um sistema, relacionando o turismo e o lazer, o entretenimento, a recreação, o que de certa forma é muito pequeno, visto que há diversas formas, modalidades e motivações turísticas que nem sempre se unem ao lazer.
No âmbito constitucional o turismo é visto como um fator de desenvolvimento social e econômico, sendo que sua promoção cabe a União, Distrito Federal, Estados e Municípios.
Os contratos turísticos são revestidos das mesmas formalidades de quaisquer outros contratos. È composto por: sujeitos, o objeto, forma etc. (a forma é livre).
A responsabilidade civil nos contratos de turismo decorre da lesão a um direito. A obrigação da operadora de turismo, bem como da dos demais fornecedores de serviços (de prestar os serviços inseridos nos pacotes turísticos) é um dever originário. Ocorrido o inadimplemento no dever originário, nasce o dever sucessivo, da reparação, ensejando a responsabilidade civil.
O contrato de turismo dos pacotes turísticos, embora sejam contratos atípicos, não deixam de ser contrato de adesão, visto que o consumidor adere uma série de serviços previamente contratados. O objeto principal do contrato de turismo é o conjunto de serviços e a causa do contrato refere-se ao fato do turista-consumidor transferir os encargos preparatórios de todos os serviços inseridos no pacote as agências de turismo. Sendo assim, a causa do contrato de turismo impõe à relação jurídica a obrigação de resultado.
A agência de turismo contratada assume a responsabilidade quanto ao êxito do pacote turístico, haja vista ser a causa deste contrato. A responsabilidade independe de cláusulas estipuladas em cada serviço que integra o pacote turístico, cabendo ao consumidor lesado acionar qualquer dos fornecedores de serviços, solidariamente responsáveis pela sua inteira segurança e pelo atendimento do programa turístico que lhe foi vendido.
O Projeto de lei n.º 5.120-C/01 constitui uma afronta aos preceitos constitucionais, visto que busca a subtração da responsabilidade das agências em eleger serviços, transporte aéreo, serviços hoteleiros e afins, em detrimento do direito do consumidor, de contratar um serviço de qualidade e como conseqüência o consumidor terá suas garantias suprimidas.
Foram apresentadas duas hipóteses no presente trabalho:
A Operadora de turismo é responsável por vícios nos produtos, decorrente dos serviços prestados por seus prepostos e/ou auxiliares.
O consumidor ao deparar-se com vícios no produto adquirido pode ingressar com ação em face do fornecedor/prestador de serviço, bem como da operadora de turismo.
Ambas as hipóteses se confirmaram, demonstrando que o consumidor tem toda a proteção frente as abusividades ou vícios decorrentes dos pacotes turísticos.
O Código de Defesa do Consumidor respalda e dá segurança ao turista, que muitas vezes, longe de seu domicílio habitual e de seu círculo de relacionamento vê seus direitos suprimidos, sem a princípio ter mecanismos a seu favor.
A presente pesquisa demonstra a abrangência do Código de Defesa de Consumidor e a importância da Responsabilidade Civil no ordenamento jurídico, que atinge áreas, outrora inimagináveis, como o turismo, buscando sempre dar segurança as relações de consumo.
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ANEXO PROJETO DE LEI Nº 5.120 -C, DE 2001
PROJETO DE LEI Nº 5.120 -C, DE 2001
REDAÇÃO FINAL - comissão de constituição e justiça e de redação
Dispõe sobre as atividades das Agências de Turismo.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta lei dispõe sobre as atividades das Agências de Turismo.
Art. 2º Entende-se por Agência de Turismo a firma que tenha como objeto social, exclusivamente, a prestação das atividades de turismo definidas nesta Lei.
Art. 3º É privativo das Agências de Turismo o exercício das seguintes atividades:
I – venda comissionada ou intermediação remunerada na comercialização de passagens, passeios, viagens e excursões, nas modalidades aérea, aquaviária, terrestre, ferroviária e conjugadas;
II – assessoramento, planejamento e organização de atividades associadas à execução de viagens turísticas ou excursões;
III – recepção, transferência e assistência especializada aos viajantes;
IV – organização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens, individuais ou em grupo, e intermediação remunerada na sua execução e comercialização; e
V – organização de programas e serviços relativos a viagens educacionais ou culturais e intermediação remunerada na sua execução e comercialização.
§ 1º As Agências de Turismo poderão exercer todas ou algumas das atividades previstas neste artigo.
§ 2º O disposto no inciso I não inclui a organização dos programas, serviços, roteiros e itinerários relativos aos passeios, viagens e excursões.
§ 3º O disposto no inciso III deste artigo não elide a venda direta ao público dos serviços prestados pelas empresas transportadoras, pelos meios de hospedagem e pelas demais empresas fornecedoras de serviços turísticos, desde que efetuada pelos próprios estabelecimentos.
Art. 4º As Agências de Turismo poderão exercer, ainda, e sem caráter privativo, as seguintes atividades:
I – obtenção e legalização de documentos para viajantes;
II – transporte turístico de superfície;
III – desembaraço de bagagens, nas viagens e excursões de seus clientes;
IV – intermediação remunerada de serviços de carga aérea e terrestre;
V – intermediação remunerada na reserva e venda de hospedagem e na locação de veículos;
VI – intermediação remunerada na reserva e venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos e culturais;
VII – operação de câmbio manual, observada a legislação própria;
VIII – representação de empresa transportadora, de meios de hospedagem e de outras empresas fornecedoras de serviços turísticos;
IX – assessoramento, organização e execução de atividades relativas a feiras, exposições, congressos e eventos similares;
X – venda comissionada ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens e excursões e de cartões de assistência ao viajante;
XI – venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e
XII – outros serviços de interesse de viajantes.
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, as Agências de Turismo classificam-se nas duas categorias abaixo, conforme os serviços que estejam habilitadas a prestar:
I – Agências de Viagens; e
II – Agências de Viagens e Turismo.
§ 1º É privativa das Agências de Viagens e Turismo a execução das atividades referidas nos incisos II, III, IV e V do art. 3º.
§ 2º A Agência de Viagens e Turismo poderá se utilizar da denominação de Operadora Turística.
Art. 6º A Agência de Turismo deverá providenciar o seu registro no órgão federal responsável pelo cadastramento e pela fiscalização das empresas dedicadas à exploração dos serviços turísticos no prazo máximo de noventa dias, contados do arquivamento de seus atos constitutivos no registro competente.
§ 1º A abertura de filial ou de posto de serviço de Agência de Turismo é igualmente sujeita a registro, exceto no caso de posto de serviço instalado em local destinado a abrigar evento de caráter temporário e cujo funcionamento se restrinja ao período de realização do mencionado evento.
§ 2º O órgão federal responsável pelo cadastramento e pela fiscalização das empresas dedicadas à exploração dos serviços turísticos expedirá um certificado para cada registro de empresa, filial ou posto de serviço.
Art. 7º É vedado o registro como Agência de Turismo à empresa:
I – cuja atividade principal prevista no seu objetivo social seja distinta da estabelecida no art. 2º;
II – que não preencha as condições desta Lei e do Regulamento.
Art. 8º Constituem prerrogativas das Agências de Turismo registradas na forma desta Lei:
I – o exercício das atividades privativas de que trata o art. 3º, observado o disposto no art. 5º;
II – o recebimento de remuneração pelo exercício de suas atividades; e
III – a habilitação ao recebimento de incentivos e estímulos governamentais previstos na legislação em vigor.
Art. 9º São obrigações das Agências de Turismo, passíveis de fiscalização, em conformidade com os procedimentos previstos nesta Lei e nos atos dela decorrentes:
I – cumprir rigorosamente os contratos e acordos de prestação de serviços turísticos firmados com os usuários ou outras entidades turísticas;
II – disponibilizar e conservar instalações em condições adequadas para o atendimento ao consumidor, em ambiente destinado exclusivamente a esta atividade;