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Na Justiça Comum é vedada a denunciação a lide a terceiros em processos que envolvam a responsabilidade pelo fato do produto ou do consumo222.

Corroborando com essa vedação, observa-se o disposto no artigo 10 da Lei n.º 9099/95223:

Art. 10. Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de terceiro nem de assistência. Admitir-se-á o litisconsórcio.

Esse mecanismo visa à economia processual, isso porque permite que a ação regressiva seja intentada nos próprios autos, e ainda, vendando o prolongamento do processo com ação paralela, ao proiibir a denunciação à lide. Mesmo sem previsão expressa no CDC o chamamento ao processo é igualmente vedado, embasado no artigo 10 da Lei 9099/95, isto porque a finalidade da norma é impedir a aglutinação de ações224.

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço.

§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor.

§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não atendam às normas regulamentares de prestabilidade.

A responsabilidade por vício de qualidade é imposta ao prestador do serviço, independente de sua culpa, da culpa de seus prepostos ou auxiliares (representantes), independente de quem for a culpa, o fornecedor será o responsável226.

Com relação à solidariedade, explana Nunes227:

225 SILVA, Jorge Alberto Quadros de Carvalho, Código de Defesa do Consumidor anotado e legislação complementar, 5.ed., São Paulo, Saraiva, 2005, p. 98.

226 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. V. 1. 2. ed. rev.

atual. e ampl. São Paulo: RT, 1995, p. 417.

227 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor: Direito Material (art. 1ª a 54). São Paulo: Saraiva, 2000, p.271.

Ainda que a norma [art. 20 do CDC] esteja tratando de fornecedor direto, isso não ilide a responsabilidade dos demais que indiretamente tenham participado da relação. Não só porque há normas expressas nesse sentido (art. 34 e §§ 1º e 2º do art. 25), mas também em especial pela necessária e legal solidariedade existente entre todos os partícipes do ciclo de produção que geraram o dano (cf. o parágrafo único do art. 7º), e, ainda mais, pelo fato de que, dependendo do tipo de serviço prestado, o fornecedor se utiliza necessariamente de serviços e produtos de terceiros.

No mesmo sentido é a visão de Cavalieri Filho228:

[...] há responsabilidade solidária entre todos os fornecedores, [...]

podendo o consumidor, à sua escolha, exercitar sua pretensão contra todos ou contra aquele que mais lhe for conveniente.

Em conformidade com o artigo retro transcrito, também há vício no serviço prestado, quando houver desconformidade entre a oferta ou mensagem publicitária e a sua execução, aludindo o dispositivo, inclusive, aos vícios de quantidade mesmo sem referência expressa, visto que o vício de informação ocorre justamente quando se informa quantidade diversa da existente no produto229.

Os vícios de informação ocorrem quando há diversidade entre o anúncio e o resultado, entre a publicidade e o serviço oferecido, ainda pela omissão sobre a quantidade, a qualidade, prazos de validade, riscos, garantia, origens e composição230.

228 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 5. ed., ver., aum. e atual. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 496.

229 GRINOVER, Ada Pellegrin,.et. al. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001, p. 192.

230 LISBOA, Roberto Senise. Responsabilidade Civil nas relações de Consumo. São Paulo: RT, 2001, p. 213-214.

Também nos contratos de turismo, há a aplicação direta do preceito legal, aliás como Marques231 salienta que:

[...] esta novidade do CDC será especialmente utilizada em se tratando de contratos de viagem turística ou contratos denominados de ‘organização de viagens turísticas’, nos quais a oferta é feita pela agência de turismo e a prestação de serviços é executada por outras pessoas, consideradas juridicamente como seus ‘auxiliares’ no país ou na cidade para onde o consumidor se deslocou.

Na ocorrência de vício no serviço prestado, faculta-se ao consumidor a escolha entre as alternativas dispostas no artigo 20, incisos I, II e III do CDC, sem prejudicar as perdas e danos, desde que devidamente comprovados, além do nexo de causalidade entre as perdas e danos e o vício232.

Benjamin233 evidencia as opções do consumidor e no tocante as perdas e danos que:

[...] qualquer que seja a opção escolhida, sempre tem direito a perdas e danos, desde que comprovados. Mesmo no abatimento proporcional do preço, já que tal pode se dar levando em consideração unicamente a depreciação do próprio bem de consumo (produto ou serviço). Não inibe esse raciocínio o fato de que só o inciso III prevê, expressamente, o pagamento de perdas e danos.

Nos danos podem estar incluídos os morais, conforme o disposto no inciso VI, artigo 6.º do CDC:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

231 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. V. 1. 2. ed. rev.

atual. e ampl. São Paulo: RT, 1995, p. 419.

232 ARRUDA ALVIM, Theresa e Eduardo; MARINS, James. Código do consumidor Comentado. 2.

ed. rev. e ampl. 2. Tiragem. São Paulo: RT, 1995, p. 158.

233 BENJAMIN, Antônio Herman de Vasconcellos e et. al. Comentários ao Código de Proteção do Consumidor. Coordenação Juarez de Oliveira. São Paulo: Saraiva, 1991, p. 107.

[...]

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;

Com efeito, objetiva Bolson234:

O dano moral poderá advir dos vícios dos produtos ou serviços quando esses atingirem os direitos de personalidade do homem consumidor, conquanto a ocorrência de dano patrimonial seja a mais comum, justamente porque, a priori, os vícios dos produtos e serviços atingiram o bolso do consumidor (esfera econômica) [...]

O dano moral não é a dor, a angústia, o desgosto, a angústia espiritual. Esses estados constituem a conseqüência do dano. O dano moral, vem a ser a lesão de interesses não patrimoniais de pessoas físicas ou jurídicas, provocados pelo fato lesivo235.

Nos contratos de turismo, ocorre o dano moral quando o serviço é prestado inadequadamente, em virtude da frustração do turista- consumidor. Por conseguinte, deverá o consumidor ser reparado por danos morais, sempre que houver vício no serviço contratado236.

Se falou até o presente ponto, dos vícios do produto, da informação, e que geram desconforto, o dano em si, motivando a responsabilidade civil, porém de forma genérica.

Especificamente, na prestação de serviço de contratação de pacotes turísticos, também, ocorre a deficiência, os vícios, enfim as atividades que não atendem as expectativas contratadas pelo consumidor, o turista que,

234 BOLSON, Simone Hegele. Direito do Consumidor e o Dano Moral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 141..

235 DINIZ, Maria Helena, Curso de Direito Civil Brasileiro, São Paulo, 2005, p 91-92.

236 FEUZ, Paulo Sérgio. Direito do Consumidor nos Contratos de Turismo: Código de defesa do consumidor aplicado ao turismo. Bauru, São Paulo: Edipro, 2003, p. 110-111.

assim, sofre evento danoso, verbi gratia, acomodações sem a especificidade contratual, transporte inadequado, etc.

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