5.1 CONCLUSÕES
5.1.1 Q UANTO AOS OBJETIVOS DO TRABALHO
5 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES
Este capítulo tem por objetivo relatar as considerações finais a respeito dos objetivos, como forma de avaliação da execução do presente projeto. Ao final do capítulo são descritas recomendações para trabalhos futuros, a partir das oportunidades identificadas por meio desta experiência.
implantados pela Celesc Distribuição, estes permitiram alcançar o objetivo específico.
Ademais, foi possível concluir nessa pesquisa que os projetos com tipologia
“Baixa Renda” e “Residencial“ possuíram a maior abrangência de beneficiados, ou seja, atendeu maior número de destinatários, exercendo um forte apelo na população atendida, o que configurou o seu enquadramento enquanto uma política pública social, uma vez que estas se referem às ações que exercem um impacto sobre o bem-estar dos cidadãos.
O segundo objetivo específico - Verificar os resultados alcançados pela concessionária Celesc Distribuição na implantação do Programa de Eficiência Energética no Estado de Santa Catarina – Foi alcançado no momento em que os dados coletados forneceram a base para a elaboração e detalhamento dos projetos implantados pela Celesc Distribuição S.A, por meio da Tabela 3: Formulário Coleta de dados. Na análise realizada, foram especificados os itens que seriam importantes para apuração dos dados, sendo eles assim descritos: projeto, as tipologias de projetos permitidos pela ANEEL, a soma de todos os custos incorridos no projeto, o custo anualizado, a energia economizada, a redução de demanda na ponta, o benefício, o custo médio por Unidade de Energia Economizada, a relação custo benefício, o número de clientes beneficiados e por fim, o custo médio por unidade consumidora. Portanto, a partir da elaboração da Tabela 3, foi possível identificar e detalhar todas as informações necessárias para apurar os resultados dos projetos de eficiência energética, apontados no período definido na pesquisa, qual seja, os projetos implantados nos últimos 06 (seis) anos - 2009 a 2015. Desta forma, o alcance deste objetivo específico permitiu uma conclusão: As regras estabelecidas desestimulam a busca pela eficiência e efetividade na aplicação dos recursos dos PEE das concessionárias, em especial a Celesc Distribuição S/A.
O terceiro objetivo - Localizar as dificuldades da concessionária Celesc Distribuição na implantação do Programa de Eficiência Energética no Estado de Santa Catarina – tem-se que este objetivo também foi alcançado tendo em vista que foram identificadas as limitações e propostas sugestões de melhoria para a efetividade do PEE CELESC como política pública, ante a dificuldade de implantação de novos projetos de eficiência energética pela Celesc D, tendo em
vista a inexistência de público alvo destinatários do Programa no Estado, o que demanda maiores esforços da empresa quando da elaboração de projetos.
Considerando a necessidade de cumprimento da Lei nº 12.212/2010, bem como a quantidade de consumidores beneficiados pela TSEE em Santa Catarina, que até novembro de 2015 era de aproximadamente 86 mil UC, desses mais de 80% já haviam sido beneficiados. Além do que, pode-se igualmente concluir pela análise da Tabela 3: Acompanhamento Mensal da Tarifa Social de Energia Elétrica por Região que os Estados do Sul (Santa Catarina – 4,3% e Rio Grande do Sul – 5,89%), possuem os menores índices de consumidores beneficiados pela TSEE, ou seja, enquanto que os Estados do Norte e Nordeste possuem os maiores índices, demonstrando claramente a distorção quanto à questão social e econômica na aplicação do Programa de Eficiência Energética da ANEEL. Desta forma, por óbvio, que essas concessionárias de energia elétrica possuem maiores facilidades quando da implantação e aplicação dos recursos provenientes de Projetos de EE.
Outra dificuldade levantada trata-se do que prevê a Resolução Normativa Nº 300/2008, de 12 de fevereiro de 2008, da ANEEL, uma vez que desde janeiro de 2011, a concessionária ou permissionária que acumular na Conta de Eficiência Energética montante superior à soma do recolhimento dos últimos dois anos estará sujeita às penalidades previstas na Resolução Normativa N° 063, de 12 de maio de 2004 (advertência, multa, embargo de obras, interdição de instalações, suspensão temporária de participação em licitações para obtenção de novas concessões, permissões ou autorizações, bem como de impedimento de contratar com a ANEEL e de receber autorização para serviços e instalações de energia elétrica, revogação de autorização, intervenção administrativa, caducidade da concessão ou da permissão).
Por fim, com base na pesquisa realizada, tem-se que outra dificuldade apontada pelas áreas gestoras do Programa de EE na Celesc D, trata-se da questão das contratações das empresas para implantação dos projetos. Considerando a necessidade de cumprimento da Lei N° 8.666/1993, Lei de Licitações, muitas vezes às empresas participantes e vencedoras do certame, não são especializadas, não cumprindo o contrato a contento da administração, o que por certo demanda uma gestão eficaz e eficiente na condução dos contratos e projetos de EE.
O quarto objetivo - Sugerir melhorias para aumentar à efetividade do Programa de Eficiência Energética no Estado de Santa Catarina – Deve-se permitir maior flexibilidade nas alocações entre categorias de projetos, levando em conta as grandes diferenças entre as concessionárias, tanto em termos de seu tamanho como nas características de seus mercados.
O setor industrial é o que mais consome energia. O percentual de economia com a eficientização da indústria, por sua vez, é maior em relação ao investimento.
Projetos voltados a esse setor comprovam que é mais viável economizar do que investir em expansão. Os resultados obtidos trazem muitas vantagens também para a concessionária, que pode postergar investimentos em manutenção, ampliação de subestação, criação de nova linha de transmissão e usina. Projetos voltados ao aumento da eficiência no uso final força motriz apresentam retorno econômico superior ao obtido em outros usos finais uma vez que eles não se restringem à substituição de equipamentos obsoletos por outros mais eficientes, mas abrangem também a reestruturação de processos e racionalização do uso; projetos realizados em empresas de distribuição de água e de saneamento; projetos educacionais, para diferentes públicos-alvos e para diferentes níveis de formação. A educação básica é um foco prioritário, mas o ensino técnico, o ensino superior, a capacitação técnica e tecnológica de profissionais que atuam nos diferentes segmentos da eficiência energética tem forte papel de transformação de mercado, como por exemplo o treinamento de setores de manutenção e conservação de empresas e entidades públicas, o treinamento de compradores de empresas públicas, etc.
No tocante ao Objetivo Geral - Avaliar e sugerir melhorias à efetividade do Programa de Eficiência Energética no Estado de Santa Catarina por meio da identificação de suas características e peculiaridades e do contexto em que este se encontra inserido.
A abordagem proposta se focaliza em avaliar sua efetividade na perspectiva social, ambiental e econômica considerando o caso da concessionária de energia elétrica do Estado de Santa Catarina – Celesc Distribuição S.A.
Observa-se que este tópico foi concluído plenamente no alcance dos três objetivos, bem como quando da descrição e discussão do capítulo 4. A Tabela 3:
Formulário Coleta de dados onde constou o detalhamento de todos os projetos analisados, demonstrou a questão da efetividade dos mesmos, principalmente quando da análise da Relação Custo x Benefício. No tocante a efetividade na perspectiva social, tem-se que restou demonstrado pelo teor da Lei nº 12.212/2010, que determina a aplicação de, no mínimo, 60% dos recursos do PEE para unidades consumidoras beneficiadas pela Tarifa Social, ou seja, consumidores enquadrados na classe baixa renda, bem como na descrição do Capítulo 4, os impactos sociais e a abrangência. Assim, tem-se que sob esta ótica, o programa é efetivo, no atendimento ao público alvo.
Na perspectiva ambiental, pela análise realizada neste trabalho, quando do detalhamento de cada projeto no Capítulo 4, os Impactos sociais e ambientais e duração esperada, onde foi registrado especialmente a questão do: incentivo a utilização de equipamentos industriais eficientes; redução de consumo de energia;
conscientização dos consumidores e preservação de recursos naturais, o programa sob esta ótica, pode ser considerado efetivo, porém, conclui-se que os projetos voltados ao setor industrial, são mais eficientes, tendo em vista o maior “ retorno energético” .
Por meio da revisão da literatura, conforme capítulo 2, um sistema sustentável caracteriza-se pela habilidade de prover os serviços necessários sem exaurir os recursos naturais. O uso eficiente dos recursos faz-se necessário tanto pelo lado ambiental como pelo econômico. Utilizar a energia de forma ineficiente proporciona prejuízos em qualquer economia implicando, ao mesmo tempo, impactos ambientais em nível local, regional e global. A criação de um sistema de energia sustentável começa pelo uso eficiente dos recursos (usá-los com sabedoria) e continua com o aumento do uso de recursos renováveis e o uso controlado de não renováveis em tecnologias avançadas. Energia eficiente é a máxima prioridade na mudança para um padrão de energia sustentável (OCDE, 1997).
Quanto à perspectiva econômica, pode-se observar pelas análises da Tabela 3: Formulário Coleta de dados, Tabela 4: Quadro Resumo por classe consumo, Tabela 6: Relação Custo x Benefício, Tabela 7: Indicador Custo Anualizado x Energia economizada e Tabela 8: Custo Anualizado x Energia Economizada por
tipologia. onde apresentam os dados econômicos em especial, conclui-se que o Programa de EE da ANEEL não pode ser considerado eficiente, vez que a viabilidade técnica e financeira de aplicação dos recursos do referido programa em instalações industriais, tanto para o consumidor final, quanto para o sistema elétrico nacional demonstram que projetos de eficiência energética neste setor são os que apresentam os maiores índices de energia economizada com os menores custos de investimentos.
Desta forma ante ao exposto, ao compararmos a perspectiva social, perspectiva ambiental e a perspectiva econômica, podemos concluir pela pesquisa realizada que, destinar 60% dos recursos de Programas de Eficiência Energética para consumidores baixa renda conforme preconiza a legislação atual, compromete muito a capacidade do próprio programa em gerar resultados significativos que transformem o mercado de eficiência energética do país.
Os programas devem ser eficazes para promover economias de energias para os consumidores, reduzir suas contas de energia, aumentar a confiabilidade do setor elétrico, auxiliar fontes menos poluentes a serem mais competitivas, etc. É necessário que se estabeleçam objetivos e prioridades para programas de eficiência e P&D juntamente com procedimentos de avaliação e monitoramento para melhor utilização dos recursos regulados (JANUZZI, 2000).
É possível concluir com fundamento na presente pesquisa, se houvesse maiores investimentos em programas de eficiência energética voltados à classe industrial, de forma global, haveria maior retorno com relação à energia economizada.
O Governo Federal, ao tratar o PEE enquanto política pública de distribuição de renda à população baixa renda, desconsidera a necessidade do país em estabelecer uma política energética voltada ao desenvolvimento de fontes de energia renováveis, bem como para adoção da eficiência energética.
5.1.2 Quanto ao problema e pergunta de pesquisa
O problema de pesquisa do presente trabalho consistia na questão da efetividade dos programas públicos de eficiência energética em relação aos seus próprios objetivos de redução de consumo de energia elétrica.
Com o desenvolvimento da pesquisa, considera-se que problema foi solucionado com êxito, uma vez que Tabela 3: Formulário Coleta de dados, criada para analisar os projetos de eficiência energética implantados pela Celesc D, demonstrou quais foram os mais eficientes e menos eficientes, principalmente no tocante a perspectiva econômica.
Com base no problema de pesquisa definido, a pergunta de pesquisa considerando os valores investidos, os programas públicos de eficiência energética são efetivos na perspectiva social e ambiental, bem como quanto à redução de consumo de energia elétrica no tocante a eficiência energética?
norteou o desenvolvimento do trabalho como um todo, desde os estudos no tocante ao referencial teórico, quanto na elaboração, preenchimento e análise da Tabela 3:
Formulário Coleta de dados. Por meio dela, foi possível observar quais os projetos mais eficientes e qual a classe de consumidores a que pertence. Ademais, com fundamento igualmente nas análises realizadas por meio da Tabela 3: Formulário Coleta de dados, Tabela 4: Quadro Resumo por classe consumo, Tabela 6: Relação Custo x Benefício, bem como pela Tabela 7: Indicador Custo Anualizado x Energia economizada, chegou-se a conclusão que o Programa de Eficiência Energética da ANEEL não é efetivo e nem eficiente no tocante à redução de consumo de energia elétrica, porém efetivo para o seu público alvo. Além do mais, a criação do indicador Custo Total Anualizado por Energia Economizada para cada um dos projetos apresentados neste trabalho, foi possível mensurar a quantidade de recursos financeiros investidos para se obter a economia de 1 MWh/ano (Mega Watt hora por ano), denotando-se assim, qual o projeto mais eficiente.
Por fim, quando se observou os programas de maneira global, conforme as tipologias de cada projeto, foi possível verificar que os voltados ao atendimento da população de baixa renda, assim como comércio e serviços (hospitais filantrópicos), foram os de menor “ retorno energético“ , isto é, menor economia de energia por
real investido. Concluindo assim, de maneira geral, caso houvesse maior investimento em programas de eficiência energética voltados ao setor industrial, de forma global, haveria maior retorno com relação à energia economizada.
Destarte, pode-se constatar que a aplicação dos recursos destinados à eficiência energética, na forma do inciso V do art. 1º da Lei nº 9.991/2000 (introduzido pela Lei nº 12.212/2010), pela CELESC D não tem sido eficiente em termos de eficiência energética, pois destina a maior parte dos recursos do PEE para uma classe de consumidores que, apresenta um consumo reduzido do total de energia consumido no Estado.
Com fundamento na pesquisa realizada, conclui-se que os valores investidos nos programas públicos de eficiência energética não são efetivos e nem eficientes em relação aos seus objetivos de redução de consumo de energia elétrica, o que demanda urgente pelo governo federal, a alteração da legislação que rege a matéria, visando à mudança na repartição dos recursos de investimentos em projetos de eficiência energética, onde seja beneficiado o setor industrial do país, onde está o maior potencial de redução de energia elétrica. Registra-se que os resultados ora verificados se restringem aos projetos de Eficiência Energética analisados no período apontado pela pesquisa, não sendo possível a extrapolação fora do contexto da amostra estudada.
Na verdade, o objetivo de uma boa política pública para eficiência energética é maximizar o potencial realizado de economias de energia fazendo melhor uso dos recursos existentes, tanto públicos como privados. É possível remover barreiras para que investidores privados (as concessionárias, no caso) se interessem em investir em eficiência energética e deixar que o próprio mercado os guiem para tomar suas decisões. (JANUZZI, 2000).