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Relatórios de Sustentabilidade

No documento Giovana Bueno.pdf - Univali (páginas 59-67)

Nos relatórios divulgados na BM&FBovespa, percebe-se a evolução da divulgação passando de 96 empresas no ano de 2011 para 160 empresas que divulgaram seus relatórios de sustentabilidade em 2014, vide Figura 2. Isso representa um crescimento de 67%. Assim o total de empresas que divulgaram os seus relatórios foi de 160, que representam 56% do total da amostra pesquisada. O total de relatórios codificados foi de 575.

Figura 2 – Evolução da divulgação dos relatórios de sustentabilidade

Fonte: Dados da pesquisa

Houve um aumento no número de empresas que se manifestaram tanto as empresas que indicaram não publicar os relatórios quanto às empresas que publicaram. Essa diferença foi mais expressiva para o ano de 2011 para 2012.

0 50 100 150 200 250

2011 2012 2013 2014

Não se manifestaram Não publicam Publicam

No entanto, ao observar a média de respostas para cada ano, nota-se que a média das empresas que não se manifestaram é maior que a média de respostas das empresas que não publicam e das que publicam de acordo com a Tabela 2, isso significa que mesmo com o aumento das manifestações, na média prevalece às empresas que não se manifestaram. No ano de 2013 para 2014 houve uma redução no número de relatórios publicados, devido ao cancelamento de duas empresas, a Anhanguera e a Embratel, ocorridas no período.

Tabela 2 – Descritiva das respostas das empresas na BM&FBovespa

2011 2012 2013 2014 média desvio padrão

min max

Não se manifestaram

245 149 126 123 161 57 123 245

Não publicam 107 136 149 151 136 20 107 151

Publicam 96 157 162 160 144 32 96 162

Total de empresas

448 442 437 434 440 6 434 448

Total da amostra

285 285 285 285 285 0 285 285

Fonte: Adaptado da BM&FBovespa (2015)

Desses relatórios, a família que recebeu maior pontuação em todos os anos foi o Indicador Econômico, com uma média de 98 pontos, seguido do Indicador Social e do Indicador Ambiental, com 89 e 84 pontos, respectivamente. A pontuação mínima foi da família Indicador Ambiental, com o total de 69 pontos e a pontuação máxima foi da Família Indicador Econômico com 104 pontos. A Tabela 3 demonstra os resultados estatísticos dos relatórios analisados.

Tabela 3 – Descritiva dos relatórios de sustentabilidade.

FAMÍLIAS INDICADORES 2011 2012 2013 2014 Media Desvio padrão

min max

Econômico 86 100 104 104 98 8 86 104

Social 75 91 93 98 89 9 75 98

Ambiental 69 85 89 95 84 11 69 95

Fonte: Dados da pesquisa.

Os resultados estão ilustrados na Figura 3. Nota-se que as três famílias de indicadores obtiveram um crescimento gradativo e constante.

Figura 3 – Divulgação dos relatórios discriminados por famílias.

Fonte: Dados da pesquisa.

Na Tabela 4, apresentam-se os resultados das análises dos relatórios, em percentuais, discriminados por famílias e com as categorias que mais se destacaram na análise. No total de relatórios divulgados em 2011, 54% pontuaram na família Indicador Econômico, 63% em 2012 e 65% em 2013 e 2014. A evolução dos números de 2011 para 2014 foi de 21%.

Tabela 4 – Divulgação dos relatórios em percentuais

FAMÍLIAS INDICADORES

Ano base do relatório

Evolução 2011-2014² 2011

% do total¹

2012

% do total¹

2013

% do total¹

2014

% do total¹

Indicador Econômico 86 54% 100 63% 104 65% 104 65% 21%

Indicador Social 75 47% 91 57% 93 58% 98 61% 31%

Indicador Ambiental 69 43% 85 53% 89 56% 95 59% 38%

CATEGORIAS

Desempenho 127 79% 137 86% 148 93% 152 95% 20%

Comunidades locais 116 73% 131 82% 143 89% 148 93% 28%

Efluentes e resíduos 84 53% 103 64% 109 68% 119 74% 42%

GRI 79 49% 103 64% 111 69% 118 74% 49%

Verificação externa 42 26% 52 33% 55 34% 62 39% 48%

Combate a corrupção 63 70% 77 79% 84 85% 110 90% 75%

Grupos engajados 75 47% 103 64% 110 69% 123 77% 64%

Direitos humanos 82 51% 110 69% 122 76% 130 81% 59%

Estrutura de governança 112 39% 127 48% 136 53% 144 69% 29%

Fonte: Dados da pesquisa

¹ Percentual do número de relatórios com a presença do indicador em relação ao número total de relatórios

² Comparação dos números de relatórios divulgados em 2011 com os números de relatórios divulgados em 2014.

Nas categorias, a que mais se destacou foi o Desempenho Econômico com pontuação em 79% dos relatórios divulgados em 2011, 86% em 2012, 93% em 2013 e 95% em 2014, com crescimento de 20% dos números de 2011 para 2014. Esses resultados eram esperados, pois mesmos as empresas que não seguem as diretrizes G3, ou divulgam seu Balanço Social

0 20 40 60 80 100 120

2011 2012 2013 2014

economico social ambiental

em que incluem o relatório financeiro ou divulgam o seu Relatório Anual, com os balanços e demonstrativos financeiros completos. Esses resultados vão ao encontro dos achados de Calixto (2013), que ao pesquisar o nível de divulgação na América Latina, observou que o aspecto desempenho econômico foi o mais relatado. Destaque para o Brasil, que foi o país com o maior número de companhias que enfatizaram o assunto, seguido do México. Na Argentina e no Chile esse aspecto recebe pouca ênfase entre as organizações estabelecidas naqueles países e em relação ao Peru, não foram identificadas quaisquer informações que pudessem ser classificadas na categoria de análise desempenho econômico ao longo de todo o período de análise.

A categoria Comunidades Locais também se destaca com a divulgação expressiva de 73% em 2011, 82% em 2012, 89% em 2013 e 93% em 2014, com evolução de 2011 para 2014 de 28%. A explicação desses números pode estar no fato das empresas, tanto as que seguem a GRI como as que não a seguem, divulgam algum tipo de obra social com engajamento da comunidade local. Na família do Indicador Ambiental a categoria que foi mais divulgada foi a de Efluentes e Resíduos, com 53% em 2011, 64% em 2012, 68% em 2013 e 74% em 2014, com crescimento de 42% ao compararmos o ano de 2011 com o ano de 2014. As categorias Energia e Água, também apresentaram números similares no mesmo período. O nível de divulgação das categorias está ilustrado na Figura 4.

Resultados similares foram encontrados por Calixto (2013), que revelaram que a maioria das companhias de capital aberto da sua amostra, que consiste em empresas da América Latina, não disponibiliza informações socioambientais nos seus relatórios anuais ou em relatórios específicos, entretanto, as companhias estabelecidas no Brasil se destacam com informações sobre gestão ambiental, certificação, emissões e efluentes líquidos. Farooque et al. (2014) descrevem resultados semelhantes nas empresas australianas da sua amostra. Elas apresentam um aumento de relatos nos aspectos energia, emissões e gestão ambiental seguido por água, materiais, transporte e produtos.

Oliveira et al (2009), encontraram resultados similares na categoria desempenho financeiro e comunidade local, mas diferem nas categorias ambientais. Sua amostra consiste em empresas brasileiras do Novo Mercado e as categorias mais frequentemente divulgadas foram: receitas totais; total de novos investimentos; pagamentos a governos; força de trabalho total, discriminada por tipo de emprego, contrato de trabalho e gênero, e as contribuições voluntárias para a sociedade civil. E os indicadores menos divulgados foram: média de horas de treinamento; dias de trabalho perdidos devido a acidentes de trabalho, lesões e doenças;

percentual de empregados abrangidos por acordos coletivos; fornecedores locais e número de multas.

Figura 4 – Divulgação dos relatórios discriminados por categoria

Fonte: Dados da pesquisa

Observa-se que as diretrizes da GRI foram seguidas em 49% dos relatórios divulgados em 2011, em 64% de 2012, em 69% de 2013 e 74% dos relatórios de 2014, o que confirma um aumento gradativo, com o crescimento dos números de 2011 para 2014 em 49%. No mesmo sentido os números para a categoria Verificação Externa obtiveram um crescimento de 48%, dos anos de 2011 para 2014. Esses resultados demonstram a melhoria da qualidade dos relatórios, tanto em relação à elaboração seguindo as diretrizes da GRI quanto à adesão a verificação externa, o que garante dessa forma, maior credibilidade das informações.

Outras categorias que se destacaram foram: Combate a Corrupção, Grupos Engajados e Direitos Humanos, pois apresentaram uma evolução dos números de 2011 para 2014 acima da média. A categoria Combate a Corrupção foi a que mais se destacou, com uma evolução de 75%. Seguida da categoria Grupos Engajados com 64% e Direitos Humanos com 59%. A explicação poderia ser dada pela implementação em 2013, da Lei 12.846, a Lei Anticorrupção que dispõe sobre a responsabilização administrativa de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, impulsionando assim, a aderência das empresas nesse tema. O crescimento dos Grupos Engajados pode estar vinculado com um aumento de interesse por parte dos stakeholders em participar e cuidar dos seus interesses. E o crescimento da divulgação na categoria Direitos Humanos pode ser interpretada pela aderência e compromisso com o Pacto Global por parte das empresas. Esses achados se assemelham aos de Calixto (2013), sua análise permitiu verificar que as companhias

0 20 40 60 80 100 120 140 160

2011 2012 2013 2014

desempenho comunidade efluentes GRI Verif Ext Governança Grupos

Direitos Humanos Comb Corrupção

estabelecidas no Brasil foram as que mais destacaram o assunto Engajamento dos Stakeholders, em todo o período analisado. O engajamento dos stakeholders tem se estabelecido como uma iniciativa justificada por aquelas companhias que buscam maior aproximação numa tentativa de diálogo, para o gerenciamento dos seus stakeholders considerados mais relevantes. Porém para o indicador direitos humanos, seus achados diferem, na sua amostra, essa categoria recebeu pouca ênfase.

Em relação à pontuação das empresas observou-se que a média geral ficou em 4,43 pontos no ano de 2011, 5,28 no ano de 2012, 5,64 para 2013 e 5,92 em 2014. Com uma evolução gradual, embora pequena, na pontuação dos relatórios, como pode ser observada na Figura 5.

Figura 5 – Pontuação média dos relatórios de sustentabilidade das empresas

Fonte: Dados da pesquisa

Ao considerar o período todo de análise, observa-se que a pontuação média ficou em 21,27 pontos, que corresponde a 66% do total a ser atingido e representa que os níveis dos relatos encontram-se acima da média. Os valores são ilustrados na Figura 6.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

2011 2012 2013 2014

Pontuação média atingida pelas empresas

Pontuação total a ser atingida

Figura 6 - Pontuação média das empresas no período total

Fonte: Dados da pesquisa

Esses dados podem ser observados de uma forma melhor quando se analisam as pontuações pelos níveis de divulgação, conforme a Figura 7. Nos relatórios analisados destaca-se que 49% classificam-se como de alto nível de divulgação, e que refletem a média de pontuação entre 24,01 a 32 pontos. Os outros níveis abrangem 22%, 17% e 12% dos relatórios e correspondem aos níveis médio alto, médio baixo e baixo de divulgação, respectivamente.

Figura 7 – Níveis de classificação dos relatórios de sustentabilidade

Fonte: Dados da pesquisa

Nota: Escala de classificação dos níveis de divulgação dos relatórios de sustentabilidade: de 0 a 8 pontos = baixo; de 8,01 a 16 = médio baixo; de 16,01 a 24= médio alto e de 24,01 a 32= alto.

Em relação às empresas, aquelas que atingiram 32 pontos e que caracterizam a maior pontuação no período de análise, cujos relatórios apresentam o nível máximo de divulgação,

21,27

32

0 5 10 15 20 25 30 35

Pontuação média atingida pelas empresas

Pontuação total a ser atingida

12%

17%

22%

49%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

baixo médio baixo médio alto alto

% de Empresas

segundo o critério desta pesquisa, foram: Ampla, Bandeirante, Coelce, EDP, Escelsea, Investco, Natura, Petrobras e Usiminas, e equivalem a 6% em relação às empresas que divulgam. Juntamente com outras 73 empresas que atingiram o nível considerado como alto de divulgação em sustentabilidade e que correspondem a maior proporção de empresas por nível de classificação. A distribuição das empresas de acordo com seus níveis de classificação estão expostos no Quadro 11.

Quadro 11 – Classificação das empresas por pontuação

PONTUAÇÃO DOS RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE

ESCALAS CLASSIFICAÇÃO EMPRESAS Total %

0 a 8 BAIXO

BRB, Banpará, Bematech, Cyrela Comercial , Forjas Taurus, Hypermarcas, Karsten, Libra, L. Americanas, Magazine Luiza, Magnesita, MRV, Ouro Fino, Paranapanema, Profarmar, Porto Belo, SLC, Tupi, Wilson.

19 12%

8,01 a 16 MÉDIO BAIXO

Alpargatas, Arezzo, Arteris, Banese, Bicbanco, BHG, Bombril, BV, Cambuci, Cedro Cachoeira, Cyrela Br, Gerdau Met, Gerdau, razziotin, Hering, Indusval, Inv Bemge, Linx, M Dias Branco, Mahle, Marcopolo, Melhoramentos, Raizen, São Carlos, Taesa, Tereos, Ultrapar

27 17%

16,01 a 24 MÉDIO ALTO

Algar Tel, Alliansce, B2W, Bco Pine, Braskem, CCR Autoban, CCR Pres Dutra, CCR Viaoeste, Ceg, Cielo, Comgas, Conc Raposo Tavares, Concepa, Cosern, Dasa Light, Dibens, Emae, Energisa Mato Grosso do Sul, Energisa Mato Grosso, Energisa, Equatorial, Estacio, Fras Le, Ind Romi, Itausa, Itautec, JBS, Kepler, Multiplus, Porto Seguro, Positivo, QGEP, Randon, Triunfo, Whirlpool

35 22%

24,01 a 32 ALTO

AES Brasil, Afluente Neoenergia Aes Sul, Aes Tiete, Ambev, Ampla, Baesa, Bandeirante, Banrisul, Bco Amazonia, Bco Nordeste, Bco Brasil, Biosev, BMFBovespa, Bradesco, BRF, Ceee GT, Ceee D, Celpe, Celesc, Cemig, Cesp, Coelce, Copasa, Copel, Cosan, Coelba, Cpfl, Cpfl Cia Paulista Força e Luz, Cpfl Energia, Cpfl Ger, Cpfl Pirat, Cteep, Duke, Duratex, EDP,Elekeiroz, Ecorodovias, Elektro,

Eletrobras, Eletropaulo, Embraer, Even, Escelsea, Eternit, Fibria, Fleury, Gol, Heringer, Invepar, Investco, Itau Unibanco, JSL, Klabin, Light, Marfrig, Minerva, Multiplan, Natura, Oi, Petrobras, Suzano Papel e Celulose, Renner, Renova Energia, Sabesp, Santander, Santos Brasil, Souza Cruz, Suzano, Tecnisa, Telefonica, Usiminas, Rio Grande Energia, Sonae Sierra Br, Tim, Tractebel, Valid, Vale, Via Varejo GPA, Weg.

70 49%

Fonte: Dados da pesquisa

Nota: Em negrito empresas com o nível máximo de pontuação.

Nota-se que seis das nove empresas que divulgam atendendo plenamente as diretrizes da GRI, são dos setores de energia, as outras três são dos setores de beleza e cosméticos, petrolífero e de mineração, respectivamente. Tais resultados corroboram com Conceição et al.(2012), que destacam em sua pesquisa que os segmentos com maior divulgação são:

energia, mineração, alimentos e bebidas, construção e telecomunicações. Razões possíveis seria devido aos impactos ambientais de suas atividades econômicas, a utilização dos recursos naturais em grande escala, o uso de substâncias conservantes e a geração de resíduos

industriais, provocando externalidades negativas. Assim, esses setores utilizam-se da divulgação de sustentabilidade como uma maneira de abrandar as consequências das suas atividades e ao mesmo tempo melhorar sua imagem para a sociedade. O número de empresas que mais divulgam é do setor de energia, tanto em quantidade, quanto em qualidade, apresentando as maiores pontuações.

Para Farooque et al. (2014) e Alonso-Almeida et al. (2015), esses resultados não os surpreendem, porque o setor da energia é considerado "a indústria suja" e para "limpar" a imagem da empresa requer este tipo de certificação, e também para justificar a sua política de engajamento com o meio ambiente e com a sociedade em geral. Uma vez que um número significativo de países latino-americanos tem reservas significativas de recursos energéticos, a maneira como explorar e cuidar do meio ambiente para as futuras gerações está se tornando cada vez mais importante. Além disso, os relatórios voluntários fornecem oportunidade para as empresas mostrarem suas iniciativas e defender suas ações ou infrações, que por meio das notificações não seria possível.

No documento Giovana Bueno.pdf - Univali (páginas 59-67)

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