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Superfaturamento no bairro X

No documento Artigos Técnicos que marcaram Nossa História (páginas 107-112)

2.DESENVOLVIMENTO

2.1 Superfaturamento no bairro X

Para que fosse possível comparar o aterro medido/faturado pela construtora com o real visualizado na imagem de satélite, foi necessário construir um modelo em escala real. Esse modelo foi elaborado no software livre Google SketchUp. O SketchUp é usado para construção de maquetes virtuais, principalmente de prédios e edificações.

Porém, ele permite elaborar vários tipos de modelos tridimensionais, e no caso foi utilizado para elaboração da maquete do aterro realizado. A empresa executora da obra apresentou as seções transversais do

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aterro do Bairro X representadas por 53 seções estaqueadas, com numeração de 01 a 42 + 11,494 metros. O volume total medido/faturado de aterro do bairro X pela construtora foi de 360.790,21 m³ e valor de R$ 8.734.730,98.

As figuras 1 e 2 mostram o modelo elaborado.

Figura 1 – Modelo elaborado do aterro do Bairro X a partir dos dados da medição.

Após a montagem da maquete digital, o software Google SketchUp permite uma interação dinâmica com o software de imagem de satélite Google Earth, através de funções de posicionamento da maquete digital na imagem do satélite do GeoEye. A figura 3 a seguir mostra a maquete geo- posicionada no local correspondente ao da realização da obra de aterro.

Figura 2 – Detalhe do modelo no SketchUp realizado do aterro do Bairro X.

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Figura 3 – Maquete posicionada no local da realização da obra na imagem de satélite do Google Earth.

A maquete foi transformada de opaca para transparente a fim de permitir a visão do local. A figura 4 apresenta a região onde houve o aterro de acordo com os dados da medição realizada pela empresa executora da obra.

Figura 4 – Maquete transparente evidenciando locais onde existem indícios de que não houve movimentação de terra.

Observa-se uma discrepância entre a área correspondente à medição apresentada pela construtora e a área onde se percebe ter havido movimento de terra na imagem de satélite do mês de novembro de 2009, gerando um indício de medição/faturamento superior ao efetivamente realizado. A partir do posicionamento da maquete, verifica-se que os perfis de medição fornecidos pela construtora abrangem locais onde existem casas e palafitas, bem como locais onde não existe qualquer indicativo de movimento de terra na imagem de satélite. Essa área medida e faturada foi calculada através do software GE Path for Windows - versão 14.4 e possui o valor aproximado de 69.224,7 m².

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A partir da imagem de satélite do Google Earth foi definido um polígono com a área onde se percebe efetivamente a movimentação de terra. Após a definição do polígono, com a utilização do software livre GE path for Windows - versão 14.4, foi calculada a área do polígono de aterro realizado, obtendo-se 41.099,8 m². Essa área onde se constatou movimentação de terra na imagem de satélite corresponde a aproximadamente 59 % da área que foi medida e faturada pela empresa.

Figura 5 – Polígono onde se observa a efetiva movimentação de terra a partir da imagem de satélite.

As duas imagens foram sobrepostas para permitir comparar a região onde foi detectado movimento de terra na imagem de satélite (contorno azul) com a superfície elaborada a partir dos dados da medição da construtora (contorno amarelo), apresentada na figura 6.

Figura 6 – Região onde foi detectado movimento de terra a partir da imagem de satélite e modelo elaborado a partir das seções transversais de aterro utilizado na fatura de medição da construção (contorno amarelo).

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As imagens de satélite não permitem avaliar de forma precisa a cota de nível ou altitude do solo. Em função dessa condição, a determinação do volume efetivamente realizado foi estimado a partir das cotas de referência e de profundidades de aterro utilizados na medição pela empresa e de um modelo indireto de estimação de profundidade, levantados a partir da linha de cheia do rio na região da orla do Bairro X.

Para isso, foram utilizados dados históricos do nível do rio da orla do bairro X apresentados pela empresa responsável pela obra em suas justificativas. Foi utilizada uma imagem de satélite do mês de junho de 2002 da região onde foi realizada a obra. Para essa mesma data, estabeleceu- se uma linha de cheia de acordo com os dados históricos de nível do rio fornecidos pela empresa, com os mesmos referenciais de nível do aterro. A figura 7 apresenta a linha de cheia com cota 8,10 metros, que corresponde à cheia do mês de junho de 2002, observada na imagem de satélite dessa data.

Figura 7 – Linha de cheia com cota de 8,10 metros de altura. A linha rosa separa a área inundada e não inundada.

A referência de nível é a mesma do aterro.

A linha rosa separa as superfícies com água do rio e o terreno não inundado. Essa imagem foi sobreposta à superfície onde foi realizada a obra. A linha azul da próxima figura demarca a área onde foi realizada a movimentação real de terra. As superfícies que não estão inundadas estão com a cota superior a 8,10 metros.

Foi montada uma representação temática, através da combinação de áreas, onde foi realizada a movimentação de terra e as superfícies com cotas inferiores a 8,10 metros. As regiões demarcadas com cor rosa estão com cotas inferiores a 8,10 metros e as demais com cotas superiores a 8,10 metros. Como consequência, pode-se afirmar que as regiões com cotas superiores a 8,10 m possuem uma altura de aterro máximo de 2,90 metros (Cota 11,00m – Cota 8,10m = 2,90 metros). A cota 11,00 metros é a cota máxima presente no aterro e a cota 5,19 metros é a mínima. As regiões com cotas inferiores a 8,10 metros possuem uma altura máxima de aterro de 5,91 metros (Cota 11,00m – Cota 5,19m = 5,81 metros).

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As áreas demarcadas em cor rosa ou marrom claro podem ser estimadas o seu volume máximo em função da limitação de profundidade de aterro (5,81 metros ou 2,90 metros). Os valores assim determinados representam os máximos valores de aterro que podem ser medidos ou faturados.

Ou seja, em uma situação que as profundidades de aterro estão constantes e com valores de 5,81 metros na área cor de rosa e de 2,9 metros na área em marrom claro. Os polígonos representam as superfícies alagadas (igarapés e/ou rio) e as linhas representam os córregos ou canais que ligam os igarapés, que possuem dimensões de largura pequenas em relação ao comprimento.

Foi calculada a área aproximada com cota superior a 8,10 e profundidade máxima de 2,9 metros, que possui uma superfície de 24.593,8 m². A região com cota inferior a 8,10 metros possui uma profundidade máxima de 5,81 metros e possui uma superfície de 24.593,8 m².

Figura 8 – Desenho temático definindo duas regiões de profundidades máximas de aterro possíveis. Na área rosa a altura máxima de aterro é de 5,81 metros e na área sem hachura a altura máxima é de 2,90 metros.

Foi estimado o volume de aterro para duas situações: 1 – Profundidade até 2,90 metros e 2 – Profundidade até 5,81 metros. Com os valores de profundidade estabelecidos, determinou-se o volume máximo possível para cada uma das duas situações e que é igual a: situação 1 – 71.322 m³ e situação 2 – 95.889 m³. De acordo com os quantitativos levantados, o volume máximo possível para realização de aterro no bairro X é de 167.211 m³. Como consequência, existe uma diferença entre os valores medidos/faturados pela empresa (360.790 m³) com o valor levantado na situação de movimentação real de 193.579,21m³, o que corresponde financeiramente ao montante de R$4.686.552,67.

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