4. O Experimento Didático
4.2. As Atividades de Ensino, os Indícios de
4.2.3. Terceiro encontro: Estudo dos contextos
concentrado, refletindo, buscando expli- cações, participando; pode estar interes- sado – tal como o próprio termo sugere – estar entre alguma coisa. Embora Moi- sés (1515), de Michelangelo, possa parecer mais ativo do que O Pensador, a reflexão, por ser uma atividade intelectual, desfaz tal impressão (GALUCH, 2004, p. 49,).
De acordo com a Teoria Histórico-Cultural, a aprendi- zagem acontece, primeiro, no plano coletivo, externo ao indi- víduo, e posteriormente no plano individual, interno ao indi- víduo. A aprendizagem é um processo partilhado, envolve o outro. Inicialmente, a apropriação está vinculada à participa- ção do indivíduo na coletividade onde um determinado ins- trumento ou signo é socialmente significativo. Desta forma, a realização de uma atividade que, na origem, era externa e co- letiva, mediante o processo de interiorização, “[...] converte-se em individual, e os meios de sua organização, em internos.
[...] a atividade tanto externa quanto interna tem uma base material e um caráter sócio individual” (SFORNI, 2003, p. 06).
Apesar das acadêmicas permanecerem atentas aos questionamentos das colegas, às respostas e à exposição oral da pesquisadora sobre o tema, compreende-se que isso so- mente não basta, porque faltou a elas a base teórica para a participação.
4.2.3. Terceiro encontro: Estudo dos con-
ção de conhecer e compreender o contexto histórico, social, econômico e político da produção da Teoria Behaviorista.
O ensino iniciou-se com a seguinte problematização: quais condições contribuíram para o desenvolvimento da Teoria Behaviorista nos Estados Unidos e naquele momento de sua história?
Na busca por conhecimentos que favorecessem a res- posta desta questão, organizamos um roteiro sob a forma de slides, destacando o contexto social, econômico e políti- co da produção da Teoria Behaviorista, numa sequência que permitisse uma visão geral daquele momento histórico, no mundo, e mais especificamente nos EUA, onde esse conheci- mento encontrou terreno fértil ao seu desenvolvimento, por estar em processo de industrialização, com dificuldades so- ciais devido ao grande número de imigrantes, ao aumento do consumo de álcool e suas consequências, vivenciando a Grande Depressão, o impacto da Primeira Guerra Mundial.
Esses acontecimentos contribuíram para que o comporta- mento humano fosse foco da atenção de pesquisadores com vistas a responder questões e necessidades desse contexto (WIKIPÉDIA, s/d).
A importância desse estudo está no fato de favorecer o estabelecimento de relações entre os conceitos da Teoria Behaviorista e os fundamentos históricos e sociais que presi- diram o seu desenvolvimento como explicação para o com- portamento humano. Por outro lado, esse estudo abre, tam- bém, a possibilidade de se conhecer os motivos que levaram os homens à necessidade de desvendar como poderiam con- trolar o comportamento humano.
O conhecimento amplo do contexto em que se de- senvolve uma área do conhecimento científico e a reflexão
sobre ele, podem desenvolver uma atitude crítica nos alunos conduzindo ao que, de acordo com Oliveira (2004, p. 04) faz parte essencial dos efeitos desejados da escola que são as “[...]
mudanças qualitativas na direção de um constante aumen- to do controle do sujeito sobre si mesmo, da auto regulação e da transcendência em relação ao mundo da experiência imediata”.
Leontiev (1983, p. 192, tradução nossa) 38, quando es- tuda a consciência, e faz referência ao pensamento peda- gógico russo, afirma que a instrução e a educação, além de conduzir o aluno ao conhecimento, “[...] também conformam a tendência de sua personalidade, suas relações a respeito da realidade”. Para complementar seu pensamento, Leontiev (1983) afirma que:
A verdadeira instrução – escreveu em seu tempo Dobroliúbov é aquela que impul- siona o estudante para determinar sua relação com respeito ao mundo que o rodeia. ‘Isso é o que importa o que carac- teriza a consciência, o que faz o homem, moral não por hábito, mas por que tem consciência’ Chernishevski expressa na essencia à mesma idéia, quando se exige, acima de tudo, a educação ‘do homem no verdadeiro sentido da palavra’ (LEONTIEV, 1983, p. 192, tradução nossa) 39.
É de Leontiev (1983) ainda o ensinamento de que apenas memorizar as palavras, ou mesmo aprender as ideias
38 “[...] también conforman la tendencia de su personalidad, sus relaciones respecto de la realidad” (LEONTIEV, 1983, p. 192).
39 “La verdadera instrucción -escribió en su tiempo Dobroliubov es aquella que impele al educando a determinar su relación con respecto al mundo que lo rodea. ’Esto es lo importante, lo que caracteriza a la concien- cia, lo que hace al hombre, “moral no por hábito, sino por toma de concien- cia’ Chernishevski expresa en esencia la misma idea, cuando exige ante todo, la educación “del hombre en el sentido verdadero de la palabra” (LEONTIEV, 1983, p. 192).
e os sentimentos que nelas estão contidos, não é suficiente, mas é necessário que ideias e sentimentos se tornem deter- minantes internos da personalidade. Desta forma, continua afirmando que:
Dentro deste conceito simples se expres- sa à conclusão mais importante, extraí- da da experiência prática da educação humana. Por isso, está relacionado e é compreensível para aqueles que como Dobroliubov, Ushinski, Tolstoi e outros abordaram o problema da escola, o ensi- no e a educação em geral, antes de tudo, partindo dos requisitos do homem – que homem é o que necessitamos como este haverá de ser –, e não apenas partindo das habilidades, idéias e sentimentos que deve ter – quais são as habilidades, idéias e sentimentos que são necessários, como haverão de ser (LEONTIEV, 1983, p. 193-194, tradução nossa) 40.
A citação de Leontiev serve ao destaque da impor- tância de um ensino que evidencie as dimensões fundamen- tais do conceito, no caso, da Teoria Behaviorista; em como as circunstâncias e interesses conduziram à sua produção, para que os discente, no caso as acadêmicas, possam esta- belecer uma relação mais consciente com o mundo e com o conhecimento, promovendo uma educação mais eficaz. Essa educação, além de conduzir à aprendizagem, torna as ideias e sentimentos, contidos no conhecimento apropriado, inte- grantes da personalidade; e, portanto, serve à formação de
40 “Dentro de este sencillo concepto se expresa la conclusión más im- portante, extraída de la experiencia práctica de la educación humana. Por eso, es afín y comprensible para aquellos que como Dobroliubov, Ushinski, Tolstoi y otros trataron el problema de la escuela, la enseñanza y la educaci- ón en general, ante todo partiendo de los requerimientos del hombre -que hombre es el que necesitamos, como este habrá de ser-, y no meramente partiendo de las habilidades, ideas y sentimientos que debe tener - cuáles son las habilidades, ideas y sentimientos que son necesarios, como habrán de ser estos” (LEONTIEV, 1983, p. 193-194).
homens para um determinado momento histórico, que po- dem produzir mudanças ou compactuar com os interesses estabelecidos.