3. FLEXIBILIZAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA: BANCO DE HORAS 55
3.7 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO BANCO DE HORAS
Cumpre ressaltar que a mulher também terá direito ao referido intervalo de 15 minutos, pois é isso que preceitua o artigo 384 da CLT.
Senão vejamos:
Art. 384. Em caso de prorrogação do horário normal, será obrigatório um descanso de 15 (quinze) minutos no mínimo, antes do início do período extraordinário do trabalho.220
Da mesma forma, na situação de maternidade, o artigo 396 da CLT, dá direito a mulher, dois descansos de 30 minutos durante 6 meses para amamentar seu filho. Estes descansos serão remunerados. Senão vejamos:
Para amamentar o próprio filho, até que este complete 6 (seis) meses de idade, a mulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a 2(dois) descansos especiais, de meia hora cada um.221
Veremos então quais seriam as vantagens e ou desvantagens na utilização do banco de horas como forma de compensação da jornada.
seja, o objetivo principal de sua criação foi o de adequar a produção na empresa.222
Para Carrion, o banco de horas, há muito era anseio dos trabalhadores do ABC paulista. Tal instituto possibilita as empresas maior possibilidade de adequar a atividade dos trabalhadores às necessidades de produção. Impedindo possíveis demissões nos momentos de baixa produção.223
Martins224 ainda cita outras vantagens recíprocas advindas do banco de horas, como, compensar dias no final do ano; evitar ociosidade do trabalhador; reduzir horas extras e seu conseqüente pagamento em pecúnia; folga dos trabalhadores e trabalho aos sábados (sem pagamento de horas extras), quando há maior produção; evitar demissões em tempos de crise econômica; possibilidade de o empregado trabalhar uma hora a mais por dia para que não trabalhe aos sábados; trabalhar mais horas por dia, pelo sistema de compensação para que folgue nos dias intercalados entre feriados e finais de semana (os chamados dias pontes).
Para Goulart e Goulart225, o banco de horas é um mecanismo que considera as variações das necessidades da empresa, em uma economia instável, ao mesmo tempo em que concede benefícios ao empregado. Mesmo que se tenha um horário de trabalho, com o banco de horas, esse horário fica mais flexível para ser usado mais intensamente quando for necessário para a empresa.
No entanto, autores como Cassar226, entendem que, o banco de horas, assim como pode ser benéfico para as partes, também pode ser nocivo ao trabalhador, pois, exige o trabalho extra sem previa comunicação, somente por visar o lucro, desta forma favorecendo única e
222 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 24. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p.497.
223 CARRION, Valentin. Atualizada por Eduardo Carrion. Comentários a Consolidação das Leis do Trabalho. 27 ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p.106.
224 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 24. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p.497- 498.
225 GOULART, Adriana; GOULART, Renata. Horas extras e banco de horas quem ganha com isso? Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/noticias>. Acesso em: 20 abril 2009.
226 CASSAR, Vólia Bonfim. A Prática do "Banco de Horas": Direito ou Abuso? Disponível em: <http://www.editoraimpetus.com.br>. Acesso em: 20 abril 2009.
exclusivamente o empregador. Ou seja, as horas extras são laboradas aleatoriamente, sem pré-comunicações e as folgas, não são programadas, assim, o empregado não poderá se programar para o descanso, ou interagir em sua vida social, impedindo, a convivência do trabalhador com sua família durante as chamadas “folgas”, causando-lhe desgastes físicos, pois, o empregado nunca terá certeza de quando terá disponibilidade de tempo após o término de sua jornada normal de trabalho.
Dentre as vantagens em prol do empregador Rosa Pinto227, nos lembra que, com a adoção do banco de horas, o mesmo livra-se de pagar o adicional de horas extras. Não havendo horas extras não há reflexos, destas, no pagamento do repouso remunerado, salário, décimo terceiro salário, férias e FGTS.
Delgado228 entende que se adotado o banco de horas com compensação anual, perde-se a ponderação, uma vez que, assim sendo, inexiste vantagem recíproca entre os contratantes, pois passa-se a agredir a saúde, higiene e segurança do trabalho, logo tal instituto torna-se desfavorável ao empregado.
Contrário ao entendimento de Delgado, Pinto229 entende que o empregado não tem prejuízo com a adoção do banco de horas. Senão vejamos:
Um sistema de compensação de horas trabalhadas a menos, sem prejuízo do pagamento, com as trabalhadas a mais, sem a respectiva retribuição indenizada, para compensação após determinado período convencionado pelos contratantes, sindicalmente autorizados, com resgate do saldo pelo credor final.
227 ROSA PINTO, Bernadete Edith de. A Flexibilidade das Relações de Trabalho: a precariedade do contrato a prazo determinado da Lei n. 9.601, de 1998. São Paulo: LTr, 2001, p. 124 - 125.
228 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 5º ed.. São Paulo: LTr, 2006, p.864.
229 PINTO, José Augusto Rodrigues. Curso de direito individual do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTr, 2000, p.528.
Dentre as principais vantagens tanto para o empregador como para o empregado Guagnoni230, relaciona as seguintes vantagens para cada um deles senão vejamos:
Para o empregador:
• Melhor gestão da equipe em atividades sazonais (redução do índice de demissão nos períodos de crise).
• Diminuição da rotatividade de profissionais, decorrente do equilíbrio entre a exigência temporária de maior força de trabalho e a concessão do benefício de descanso.
• Redução de custos com novas contratações e treinamentos.
• Redução de custos com pagamentos de horas extras acrescidas de adicionais legais ou convencionados.
Para o empregado:
• Aprimoramento da gestão de tempo.
• Mais tempo destinado a atividades sociais e familiares.
• Maior índice de motivação e satisfação.
Muitos questionamentos surgem acerca do real benefício trazido pelo banco de horas, pois o mesmo, acima de tudo exige uma força maior de trabalho, abrindo possibilidades de jornadas de até 60 horas semanais. A nova ordem econômica exige, cada vez mais, maiores sacrifícios por parte das classes trabalhadoras, tudo com o escopo de se manter os postos de trabalho. Com a flexibilização, o bem maior do trabalhador passou a ser a manutenção do emprego.231
Se o mecanismo de banco de horas for utilizado de maneira adequada, sem exageros ou abusos, poderá beneficiar os contratantes, os empregadores no sentido de não terem de pagar horas extras, bem como seus reflexos nas demais verbas trabalhistas, aos empregados no sentido de poderem contar com maiores intervalos de tempo livre. Porém, hoje
230 GUAGNONI, Sandra Helena. Vantagens e Desvantagens do Banco de Horas Extras.
Texto revisado por Fernanda Bezerra. Disponível em: <http://www.portaldofranchising.com.br>.
Acesso em: 20 janeiro 2009.
231 GUAGNONI, Sandra Helena. Vantagens e Desvantagens do Banco de Horas Extras.
Texto revisado por Fernanda Bezerra. Disponível em: <http://www.portaldofranchising.com.br>.
Acesso em: 20 janeiro 2009.
na prática, são comuns atitudes abusivas e constrangedoras por parte dos empregadores com seus subordinados, onde estes são submetidos a jornadas de trabalho desumanas sem qualquer perspectiva de serem compensados ou remunerados, tudo por medo de perderem seus empregos. Desta forma urge a necessidade de se programar, por parte das autoridades competentes, formas de se fiscalizar com severas punições a quem comete estes abusos para que os submetidos a esta condição, não se sintam coagidos a não denunciar.232