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vance le débiteur. En livram ses titres en gage, il savait, qu'en cas de non payement, il serait procede à leur vente; puisquil le savait, et que, néanmoins, il a remis ses titres, c'est donc qu'il a consenti à cette vente.» -Daniel de Folleville, Tr. de la possessesston des meubles et des titres au porteur, n. 333.

Ora, si esta lição vale, e é incontroversa, a respeito dos títulos que são insequestraveis ou inarrestaveis, por maioria de razão acerca de quaesquer outros.

Quanto a acções de sociedades anonymas, é até expresso o artigo 37 do Dec. n. 434 de 4 de Julho de 1891 em permittir o penhor das que são passadas ao portador.

b) Quasi todos os papeis mercantis, maximé bancarios, são impressos: a obrigação de quem os assigna vem exclusivamente da assignatura.

Em conclusão, pois, respondo affirmativamente ao primeiro quesito.

2.0 Recusando-se o devedor assignar a transferencia das acções excutidas, penso que ad instar do que se pratica nos casos do art. 23 ultimo período do cit. Dec. n. 434, deve o Banco, provada a negociação, requerer alvará judicial, e por força deste operar-se a transferencia.

S. M. J.

S. Paulo, 25 de Maio de 1893

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Acto continuo, o sacador as endossou a Pedro e este a Paulo, valor em conta.

Dias depois, Paulo as endossou ao Banco X e ali as descontou.

Não as tendo pago os primeiros responsaveis, Paulo, para honrar a sua firma, as foi resgatar; e uma vez portador delias, accionou o acceitante Martinho, ostensivamente o unico solvente dos referidos responsaveis solidarios.

Martinho, vindo com embargos á acção, allegou :

1.° Que nada recebera do sacador; que nada lhe devia, sendo ao contrario credor delle por quantia superior á das letras; que só as acceitára para que por meio delias fizesse v dinheiro de que precisava para solver compromissos urgentes ; em uma palavra, que seu acceite foi de mero favor, e, portanto, não lhe podia trazer responsabilidade pelo valor delias.

2.0) Que quando assim não fosse, nullas seriam as letras porque, não exprimindo a declaração valor recebido nenhuma verdade, incidiam ellas no vicio da simulação.

Pergunta-se :

1.°) O acceitante de letras de favor não é responsavel pelo valor delias?

2.0) Taes letras são nullas pelo vicio da simulação ?

Resposta

Responderei aos dous quesitos englobadamente, pois tanto vale uma como a outra daquellas duas allegações. Arguir o acceitante, contra a letra, que o seu acceite foi meramente de favor, como que é nullo pelo vicio da simulação, é uma e a mesma coisa.

E desde já, digo categoricamente que aquella defesa é de todo ponto imprestavel.

Para resolver a questão convenientemente, forçoso é encarar as letras com relação: a) á propria letra ; 6) ás partes que lhe deram vida;

c) aos terceiros portadores.

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a)

E' sabido que modernamente a chamada letra de cambio escapou do estreito quadro em que figurava como instrumento do contracto de cambio propriamente dito, isto é, como prova da passagem de dinheiro de uma para outra praça, e entrou a figurar tambem como instrumento representativo de uma operação puramente de credito. Esta evolução economica devia trazer e trouxe modificações ao primeiro caracter juridico de taes títulos.

Isto posto, e considerada a letra quanto ao seu caracter economico, o pretender que são nullas as letras de favor, de todo subverte o mechanismo do credito mercantil e bancario e abstrae da historia commercial de todas as praças do mundo ; e quanto ao seu caracter juridico, desconhece noções vulgares de direito quem as quizer annullar pelo vicio da simulação.

Quanto ao seu caracter economico.

Basta ponderar que as letras de cambio ou da terra são, como se disse, meros instrumentos de credito, preenchendo por completo as funcções da moeda numeraria. Tanto assim, que a cifra representativa do valor das letras em circulação em qualquer praça excede sempre muito do valor do dinheiro nella existente. Para prova basta este facto. Na Inglaterra, onde as letras de cambio representam enormíssimo movimento, a relação entre ellas e o dinheiro era, em 1868, de quasi oito vezes mais—500.000.000 £ em letras para 70.000.000 £ em ouro.— And such is the proportion with the present value of the deferred payements bears to the actual money—

Macleod, Elem. of Politicai Economy, Prelim., n. 22. Imagine-se a que altura não terá hoje chegado, trinta annos depois, aquella desproporção I

Deste facto se conclue ainda que a cifra das letras em circulação não corresponde á das transacções que nellas figuram effectuadas; ou, como se exprime Macleod (obr. cit. cap III, sect.

1.a), as letras de cambio nem sempre são sacadas e acceitas por causa de uma transacção real (post transaction), visto que o engenho dos commerciantes descobriu que ellas bem podiam applicar-se a transacções futuras.

E o illustre economista basea nesta distincção toda a dif- ferença entre as letras reaes e as de favor, que os inglezeschamam accommodation bills, os francezes billets de complai. sance, os italianos cambiali di comodo, os allemães Freunden-

:

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wecksel, e são conhecidas e usadas em todo o mundo commercial. E para demonstração daquelle seu asserto, Macleod assim se exprime : A vendeu mercadorias (goods) a B, e este acceitou uma letra pelo valor delias; A, antes do vencimento da letra, vai ao seu banqueiro, que a desconta, adiantandoIhe o dinheiro, confiando no credito de A e de B. Eis uma letra real. Mas B é rico e gosa de credito. Empresta o uso do seu nome a A, sem que nenhuma transacção real tenha havido entre elles; A saca uma letra contra B, que a acceita, e A desconta-a da mesma maneira figurada no caso anterior. Eis uma letra de favor (accommodation bill).

Si, pois, as letras de favor representam poderoso elemento de credito no mundo commercial, sempre posto em largo jogo, beaucoup p/us considerable qu'on ne le pourrait soupçonner, no dizer de Dramard (Des effets de complaisance, n. 2), bem se vê que a Economia Politica o menos que poderá fazer é taxar de visionarios aquelles que em taes letras não vêm mais do que títulos nullos.

Nullos. . . mas giram no engenhoso mechanismo da circulação dos valores com toda a efficacia das letras reaes

Quanto ao seu caracter jurídico.

Nas letras de favor concorrem todas as condições essenciaes á validade das convenções, a saber (Cod. Napoleão, art. 1108): 1.a consentimento das partes; 2.a capacidade de contractar; 3.ª objecto determinado constituindo a materia da obrigação ; 4.ª causa licita.

Quanto ás duas primeiras, nenhuma duvida é possível. Os subsciptores são pessoas capazes de contractar, e a manifestação do respectivo consentimento está visível na propria letra—Dramard, ob.

cit. n. 9.

Quanto á 3.ª, si nas letras que chamaremos reaes, o objecto certo é a somma de dinheiro que deve ser paga pelo acceitante ou pelo saccador, nas de favor o objecto é o em prestimo do nome como motivo de credito e garantia do fim para que foi saccada e acceita a letra, isto é, levantar capitães ; é o compromisso que, para com o acceitante, toma o sacador de pagar a letra no termo do vencimento, e de o fazer, em logar delle, o acceitante, si o primeiro o não fizer. Na especie da consulta, o sacador Sancho não tomou o compromisso, perante o acceitante Martinho, de resgatar as letras ? e na juricidade das letras, não está subentendida a obri-

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gaçao que o mesmo acceitante assumiu de as pagar si o não fizesse o sacador ?

Quanto á 4.ª e ultima condição—causa licita — quem pretenderá que seja illicito o favor que B proporcionou a A de lhe fazer emprestimo do nome, como garantia de credito ? Só é illicito aquillo que a Moral reprova ou o Direito prohibe; mas desde que os subscriptores da letra livremente convencionam pagar, um ou outro, o valor delia ao respectivo portador, e este confiou no credito de ambos ou de um só, solidariamente responsavel, a Moral nada tem que reprovar; o Direito, por ser a mesma Moral legalizada, não pode prohibir o que a Moral não condemna. Nem no nosso Codigo do Commercio se encontra uma só disposição da qual implicitamente ao menos se possa induzir a prohibição ou condemnação das letras de favor.

E de resto, não vemos todos os dias os Bancos não descontarem letras sem que as garantam pelo menos duas firmas ? A segunda que coisa representa sinào um favor ?

Assim em tão larga escala empregadas, não sendo repugnantes á Moral ou ao Direito, taes letras são por muitos escriptores explicitamente consideradas como fonte legitima de obrigações jurídicas.

Além dos citados por Sirey, 1876, I, 457, são explicitamente claros: Macleod, obra cit., pag. 272, onde accrescenta —que as objecções levantadas contra taes títulos are perfectly futile and quite wide of íhe mark, isto é, são de todo futeis e totalmente indignas de consideração ; Thol, Trat. di Dir. Com., § 63, trad. de Marghieri, que em nota á pag. 180 reconhece que as letras de favor constituem o mais elementar systema para a producção de capitães; Vidari, La Cambiale, n. 48 : chi si obbliga cosi assume una vera e propria obbligazione cambiaria nel caso che la cambia/e non sia accettata o pagata alla scadenza. O nosso Silva Lisboa, Dir. Mercantil, Tr. 4, cap. 27, assim se exprime : «O motivo do acceite é indifferente para o rigor da divida cambial. Quer o sacado acceitasse por debito preexistente, quer por simples amizade e honra da firma do passador ou endossador. a obrigação não é menos valida: antes, a boa fé e franqueza do commercio faz esta obrigação mais sagrada. Pelo que seria inadmissível, e contra a honestidade mercantil, recusar o acceitante o pagamento com o pretexto de não

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haver causa de debito, como nas outras obrigações chirographarias.».

Nada mais positivo e justo.

b)

Considerada a letra de favor com relação ás partes que originariamente nella intervieram, isto é, sacador e accei tante, e sendo já conhecida a natureza da convenção que originou a letra, nada mais facil do que determinar a natu reza da relação jurídica que respectivamente liga as mesmas partes.

O acceitante figura como devedor do sacador, com qualquer das declarações do art. 354 n. 3 do Cod. Com. ; mas effectivamente não o é sinão do compromisso, que livre e licitamente assumiu, de lhe emprestar o uso do seu nome,! motivo occasional do credito, de que só por si carecia o sacador. Nas letras em questão, si a causa explicita da obrigação é o — valor recebido — e tal valor não o recebeu o sacado, visto é, que entre este e o sacador nenhum vinculo jurídico obrigatorio se estabelece em ordem a obrigar o sacado a pagar ao sacador o valor da letra, si este a houver pago ao terceiro portador. E' disposição expressa do art. 370 Cod. Com., perfeitamente applicavel ás letras de favor, em cuja hypothese é visto que o sacado não tem em seu poder provisão de fundos do sacador.

Eis ahi o que é claríssimo, e todos os dias realizado nas praticas mercantis. O sacador da letra de favor obriga-se para com o acceitante a, no dia do vencimento da letra, fornecer-lhe os fundos sufficientes para o respectivo pagamento ; si o não faz, e o acceitante deixa de pagar, nenhum direito de acção tem o sacador contra elle, pela razão obvia de que, entre elles, a obrigação cambial não tinha causa. Entre elles, como diz Bravard-Veyrières, o titulo não produzirá os effeitos da letra de cambio.

Mas nem por isso é nullo, não só porque a convenção preexistente versou precisamente na promessa feita pelo sacado de emprestar apenas o seu nome, como porque a falsidade da causa (na especie, a declaração de valor recebido) só annulla as convenções quando a causa é licita—Nouguier, Lettres de Change, n. 169 ; Laurent, Cours de Droit Civil, XVI, 121; Massé, Droit Commercial. IV, 134.

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C)

pa Mas com relação aos terceiros portadores, maxime si estes o são, como na especie dos autos, por via de endosso, seria, segundo a expressão do citado Bravard (Traité de Droit Comm., III, pag. 115), soberanamente iníquo e irracional allegar a pretensa nullidade das letras de favor. — Pour eux lapparence tiendra lieu de la realité et le titre vaudra comme lettre de change; la forme emportera le fond, parce que les tiers nont pu juger du fond que par la form?. — Cf. Vidari, Lettera di Cambio, n. 133.

Tal é a doutrina geralmente admittida—Pardessus, 6.a ed., n. 460;

Nouguier, obr. cit., I, 212 ; Massé, IV, 132 ; Dalloz, v. Efpets de commerce, n. 141 e segg., e o proprio Dramard, um dos mais encarniçados inimigos das letras de favor, obr. cit., n. 75, bem como Rousseau, Du trafic des billets de complaisance, pag. 25 e segg.

Do que precede, salta aos olhos a impropriedade da arguição que contra taes letras se faz do vicio da simulação.

Considerando a letra em si mesma e com relação ás; partes que originariamente nella figuram, si talvez á primeira vista se pudesse descobrir apparencias de simulação, que em direito é o acto de se dar a um contracto a figura de outro, ou, como dizia Ulpiano, um contracto que de outro colorem habet, substantiam vero alteram, basta ponderar, para excluir juridicamente da hypothese aquelle vicio das convenções, que estas se annullam por elle sómente quando ao contracto presidiu a fraude.—La simulation, diz o profundo Laurent, par elle-même n'est pas une cause de nullité; íl faut, pour qu'elle rende l'act nul, qii'elle fasse fraude à la loi ou aux tiers.

Ora, do que expuzemos largamente sobre o caracter economico e jurídico, em geral, das letras de favor; da convenção preexistente celebrada entre o sacador e o acceitante de favor, conclue-se inabalavelmente pela ausencia de qualquer fraude. Não ha violação de lei, porque disposição alguma positiva prohibe a circulação de taes letras; ao contrario, o nosso art. 370 suppõe a existencia delias, e o art. 422 obriga solidariamente todos aquelles que assignam uma letra de cambio. Quanto a prejuízo de terceiros, esse só haveria si vingasse a theoria dos que pretendem que taes

letras são nullas.

Finalmente, considerando a letra de favor com relação

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ao terceiro portador de bôa fé, seria o cumulo das violências jurídicas, quando mesmo tal letra fosse nulla pelo, vicio da simulação, oppôr contra elle a pretendida nullídade—Thaller, Dr. Comm., n. 130.

Todos estes argumentos eu os produzi, annos faz, na appellação n. 1087, de Santos, de D. Antonia Idalina do Amaral Albuquerque v.

Mathias Costa. A sentença da I.a instancia julgou no sentido exposto, e, antes de julgada a appellação chegaram as partes a accordo.

E mantendo o meu parecer, deixo-o sob a censura dos doutos.

Junho 1898.

XVL

- Conceito da marca de commercio. — Não ha contrafacção de marca de fabrica ou de commercio no facto de se pôr á venda em logar onde o industrial registrou a sua marca, productos do mesmo registro comprados em outra praça de onde são livre e francamente exportados.

Consulta

A firma A registrou, no Pará, como sua marca de commercio, os signaes que distinguem as manufacturas da Companhia de machinas de costura «New-Home», com a qual parece que tem contracto aquella firma; mas como as machinas da Companhia não são vendidas unicamente á firma A, mas pelo contrario expedem-se para toda a parte, aconteceu que o negociante B, da mesma praça, encontrando-as em Portugal, comprou as e as trouxe.

A firma A requereu apprehensão das machinas e vistoria para verificar si havia reproducçâo da marca que registrou. Os peritos affirmaram a semelhança dos emblemas registrados com as machinas apprehendidas, visto que estas são verdadeiras «New Home».

Pergunta-se então :

— Podia legalmente o negociante B trazer para Belem (Pará) as ditas machinas, que são verdadeiras «New Home» e que elle comprou incondicionalmente em Portugal ?

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—Ha n'este procedimento de B alguma offensa ao direito de A

?

—Em que consiste o direito de A diante da doutrina e da Lei n.° 3346 de 14 de Outubro de 1887 ?

Marca de commerdo, como, sobre o art. I° da L. n. 3346 de 14 de Outubro de 1887, Affonso Celso muito bem define, é o caracterisco ostensivo da proveniencia de productos e mercadoriaS que os distingue de outros identicos ou siviIhantcs de origem diversaMarcas fndustriaes, n. 24.

Daqui, os seus elementos organicos : I.° qualquer acto de invenção ,• 2.0 sua apropriação legitima pelo registro— ibid., n. 36.

E' nesta dupla manifestação da actividade individual—

manifestação subjectiva e manifestação objectiva que se funda esta especie do Direito Industrial, pela lei protegida contra a fraude dos imitadores inconscienciosos. Na marca ou signa que distingue os productos de uma fabrica ou os objectos de certo commercuo dos productos ou objectos similares, pôz a lei não só o cunho da propriedade industrial, intangível como qualquer outra, mas tambem a segurança dos consumidores—Renouard, Du Droit Industriei, pag.

371; Paul Cauwès, Econ. Polit., I, 371.

Isto posto, a lei somente prohibe e pune a contrafacção da marca, feita por forma que póde variar dentro dos moldes traçados nos arts. 353 e 354 Cod. Pen., reproducção do art. 14 da citada L. n.

3346 de 1887,

Concordam todos escriptores— Carrara, Programma, §§

3503—3511 Chauveau e Hélie, n. 1460; Garraud, Droit Pén., vol. 3, n. 104 Verbali del Codice Penale per il Regno d Italia, pag. 525, etc.

etc. etc.—e todos os codigos penaes : portuguez, art. 228 e segs.;

francez, 142;

italiano, 297 ; hespanhol, 291 e 292 ;

hollandez, 218 . uruguayo, 237 e 239 /

argentino, 427 ; chileno, 190;

etc. etc.

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Ora,

da propria consulta se vê que as machinas de costura «New Home», postas á venda por B, são verdadeiras, as quaes elle, comprando, em Portugal, como podia fazel-o ali ou em qualquer parte do mundo para aonde taes machinas são francamente exportadas, fel- o indubitavelmente para commercio, isto é, para as revender. Falta, pois, qualquer dos elementos do crime punido pela Lei: a) contrafacção dolosa das machinas verdadeiras; b) venda das machinas contrafeitas com prejuizo dos fabricantes e dos consumidores.

Logo,

não encontro fundamento legal para o procedimento de A ;e por isso respondo :

ao 1.°) Sim ; ao 2.0) Não ;

ao 3.º) Unicamente em pedir da Companhia de que se trata as indemnizações a que tiver direito segundo os termos do contracto que com ella celebrou— contracto que, para B, é res inter altos.

Salvo melhor.

Dezembro, 1896.

XLVI

1.º) Que é nome commercial, e em que se distingue de marca de fabrica

2 o) Quando o nome é a propria marca, deve ser registrado.

3.°) Competencia nas acções sobre marca de fabrica.

A., proprietario de fabricas de tecidos, fez registrar, para marcas de seus productos, rotulos ou etiquetas das quaes não consta a denominação «Brim Aosta», usada posteriormente pelo mesmo A.

para distinguir uma qualidade superior de seu producto.

B. funda tambem uma fabrica de tecidos e faz registrar para suas marcas rotulos tendo um delles a denominação «Brim Aosta.»

— 133 — Pergunta-se :

A denominação «Brim Aosta», asada por A e registrada por B, póde ser considerada nome commercial de A no seu sentido juridico ?

Pode A. intentar contra B. acção de indemnização por usurpação de nome commercial ?

Esta acção deve ser intentada perante o juizo federal ou estadual ? Não podendo a denominação «Brim Aosta» ser considerada nome commercial e sim marca de fabrica, pôde A. reclamar seu uso exclusivo sem o competente registro ?

Resposta

Nome commercial ou firma, palavras synonymas (Dizionario pratico dei dirilto privato, de Scialoja, v." Azienda commerciale), factor chrematologico do cornmercio, é, no sentido jurídico, a qualificação que serve para designar um estabelecimento commercial—Dalloz, Répert., v."

Nom Prénom, n. 88.

—Todo conmerciante, dizem Lyon-Caen & Renault, tem necessariamente um nome sob o qual exerce a sua profissão, que é o de sua assignatura commercial, nome que elle põe sobre os seus emblemas, suas cartas, suas facturas, e em geral sobre todos os documentos delia emanantes — Tr. de droit com., vol. I, n. 194 bis.

E' este nome que a nossa lei denomina firma ou razão commercial

—Dec. n. 916 de 24 de Outubro de 1890, art. 2°.

Esse nome póle ser o civil ou patronímico ou póde ser de designação imaginaria ou figurada, ordinariamente tirada da denominação particular do estabelecimento ou do emblema por este adoptado para se distinguir dos estabelecimentos congeneres ou do 1 >gar onde tem a sua sede ou do nome do producto fabricado — cit Dalloz, n. 79 ; Umberto Pipia, Nozione di diritto industriale, n. 197. As mesmas marcas de fabrica podem constituir razão commercial—Perrez Dindurra, Marcas de Fabrica, 129; L. n. 3346 de 14 de Outubro de 1887. art. 2.0.

Mas si firma ou razão commercial pôde ser o mesmo nome expresso na marca industrial, entre razão e marca intercorrem differenças juridicamente ponderaveis.

Em primeiro logar, se discriminam ex propria natura.

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O nome commercial, que os allemâes tambem chamam firma (Thöl Das Handelsrecht, § 19), é, como já se disse, a lepresentação externa do commerciante, ou na phrase de Meyer (De la contrefagon, n. 17), a marca social, o signal de sua identidade e individualidade mercantil: a marca da fabrica, na definição de Thaller (Tr. de dr. cem., n. 107), é o meto matirial de garantir a origem da mercadoria aos terceiros com- pradores. A firma cobre o estabelecimento, e a mana, o producto.

Em segundo logar, a firma, para constituir marca industrial, deve revestir-se de qualquer forma, figura ou desenho que a não deixe se confundir com outra—Loison, Noms commiriaux, n.° 25, apud Affonso Celso, Marcas de Fabrica, nt. 10 á pag. 102; cit. Dec. n. 916, art. 6.° ; L. n. 3346, cit art 2 ° alin.

Finalmente, a firma commercial constitúe propriedade do commerciante só pelo facto da respectiva adopção e uso;

independentemente de registro, exclúe reproducção ou imitação. A simples posse anterior impede qualquer concurrencia -Dec n. 9828 de 31 de Dezembro de 1887, art. 17. O registro da firma é apenas facultativo—cit. Dec. n. 916, art. 11. A marca da fabrica, porém, não constitúe propriedade exclusiva sinão depois que é registrada—L. n.

3346, art. 3.0.

Em algumas legislações, o direito exclusivo á firma tambem depende daquella formalidade—Marghieri, Diritio Com., n. 181 e segs. ; mas o nosso systema legal é aquelle, preconizado pelo citado Umberto Pipia, que nas suas Noções de Direito Industrial luziu, melhor que outro qualquer, as linhas differenciaes entre nome civil, firma commercial, razão social, marca de fabrica, emblema industrial, etc, etc.

« Per aversi usurpazione, contraffazione, ecc, di ditta, ensina elle, sobre julgados dos tribunaes de Florença, Bolonha, Veneza e Milão—non occorre che essa sia stata precedentemente depositata o registrata coH'adempimento di speciale formalità, come ad esempio si richiedi per i marchi di fabbrica ; la dittá é protetta per solo fatto che esiste, che è adottata ed usata da un industriale nell'esercizio delia sua industria; basta il fatto materiale dell'usurpazione per attribuire ai legitimo titolare doppia azione penale e civile per l'inibizione dell'uso successivo e per risarcimento del danno

No documento APPLIGAÇÕES DO DIREITO (páginas 137-152)