O objetivo foi contribuir para a reflexão sobre o tema, a partir de uma nova visão e atitudes baseadas no respeito e na promoção dos direitos humanos. Preservar o interesse comum, as diferenças sociais, religiosas, culturais e raciais, manifestadas no âmbito da lei suprema, com a dignidade humana e os direitos humanos fundamentais da ordem pública, que procura tipificar os crimes de tortura e as consequências para as pessoas.
FONTES HISTÓRICAS
É uma barbárie reconhecida pela maioria dos governos torturar o arguido durante o seu julgamento, quer para lhe extrair a confissão de um crime, quer para esclarecer as contradições em que caiu, quer para descobrir cúmplices ou outros crimes. do qual ele não é acusado, mas pode ser culpado, finalmente porque os sofistas ininteligíveis afirmaram que a tortura expurga a vergonha.23. Beccaria continua: “A tortura é muitas vezes uma forma segura de condenar inocentes fracos e exonerar criminosos poderosos.
FONTES HISTÓRICAS NO BRASIL
Outra conclusão é que ninguém ou nenhum país pode orgulhar-se de ter inventado um método que já não tenha sido testado ou aperfeiçoado por outra pessoa, noutro local27. “Toda a jurisdição civil e criminal, inclusive a justiça superior (pena de morte e amputação), em relação aos agricultores, índios e escravos” também foi transferida para os capitães-governadores. A condição dos escravos em que chegavam significava uma possibilidade constante de tratamento violento por parte do senhor.”30.
É por isso que temos uma Constituição onde os direitos e garantias fundamentais iniciam o texto constitucional e são detalhados e abrangentes: para serem conhecidos; a ser garantido; ser respeitado.
HISTÓRICO DA LEI Nº 9.455/1997
Além disso, prevista na Constituição ao lado dos crimes hediondos, a tortura não era crime previsto em nossa legislação pela denominação de júri. Sob o pretexto de revogar a Lei dos Crimes Hediondos, este projeto seguiu as mesmas linhas da Lei do Crime Organizado (Lei nº sob inspiração do chamado movimento da lei e da ordem. 38 BORGES, José Ribeiro, Tortura: Aspectos Históricos e Jurídicas O Crime de Tortura no Direito Brasileiro Análise da Lei nº 9.455/97, p.
Antes da Lei 9.455/97, a tortura era crime apenas quando cometida contra crianças e adolescentes, devido a uma lei separada que regulamentava esta questão.
BEM JURÍDICO PROTEGIDO E SUJEITOS DO DELITO
A TORTURA E A LEI 9.455/97
O elemento objetivo consiste em “sujeitar alguém, sob seus cuidados, poder ou autoridade, por uso de violência ou grave ameaça de intenso sofrimento físico ou mental”. O elemento subjetivo está presente no propósito ou intenção específica do agente de infligir sofrimento físico ou mental tão severo como forma de aplicar punição pessoal ou medida preventiva. O texto legal também menciona “ameaça grave” como forma de produzir intenso sofrimento físico ou mental.
Pode-se concluir, portanto, que o crime de tortura tendo como vítima criança ou adolescente (na verdade qualquer pessoa) será consumado se, a partir da violência ou ameaça grave, como forma de punição pessoal ou medida preventiva aplicada, causar intensa sofrimento físico ou mental.
MÉTODOS DE TORTURAS E SUAS CONSEQÜÊNCIAS
- PAU DE ARARA
- O CHOQUE ELÉTRICO
- O BANHO CHINÊS OU AFOGAMENTO
- O TELEFONE
- GELADEIRA
- PROCESSO CORCOVADO
- SABÃO EM PÓ
- CHURRASQUINHO
- ALGEMAS
- GINÁSTICA
- TENAZES E OUTROS INSTRUMENTOS CORTANTES
- INSETOS E ANIMAIS
- PRODUTOS QUÍMICOS
- LESÕES FÍSICAS
- A CADEIRA DO DRAGÃO
- PSICOLÓGICA
- SACO PRETO
Consiste em uma barra de ferro cruzada entre os pulsos amarrados e a dobra do joelho, com o “conjunto” colocado entre duas mesas, com o corpo do torturado a cerca de 20 ou 30 cm do chão. Consiste em colocar o prisioneiro em cima de um muro alto, de costas para o precipício e enfrentando revólveres ou metralhadoras por horas seguidas. Sabão em pó foi jogado nos olhos da vítima seguido da projeção de um feixe de luz no rosto da vítima.
Consiste em acender um pouco de álcool sob a pessoa que está sendo torturada ou inserir um pedaço de papel torcido no ânus, que depois é aceso.
TORTURA PARA OBTER INFORMAÇÃO OU CONFISSÃO
I – constranger alguém com uso de violência ou ameaças graves, causando sofrimento físico ou mental: .. a) com o objetivo de obter informação, explicação ou confissão da vítima ou de terceiro;” A primeira figura requer um elemento subjetivo explícito para obter informação ou confissão da vítima ou de terceira pessoa”. 69. Temos então a figura típica, descrita na Lei nº 9.455/97, em termos simples, a saber: é crime de tortura constranger uma pessoa com uso de violência ou ameaças graves, causando-lhe sofrimento físico ou mental, com o objetivo de obter informação, explicação ou confissão da vítima ou de terceiro.
A finalidade do agente é obter informações que levem ao autor ou autores de determinado facto, do local onde este se encontra, ou qualquer outra informação relativa à descoberta desse facto, ou à confissão da vítima, qualquer que seja. permitir a prática dos supostos atos criminosos suspeitos de terem sido cometidos contra a vítima, para que um terceiro que os testemunhe possa fornecer as informações desejadas ou mesmo admitir que ele, o terceiro, é o autor do crime de contravenção.70 .
TORTURA PARA A PRÁTICA CRIMINOSA
A disposição legal em causa não incluía, entre os meios utilizados para a prática de medidas coercivas, “outros meios”, como por ex. Magalhães Noronha (Direito Penal, vol., álcool e até hipnose.73. O uso destes meios não parece apropriado para ser classificado como uso de força ou ameaça grave, exceto nos casos em que esses meios sejam utilizados para reduzir a vítima a forçar uma confissão, causando sofrimento físico ou psicológico à vítima.
Por se tratar de norma penal incriminatória, com elementos especificados (violência ou ameaça grave) e sem cláusula genérica (qualquer outro meio), existe a possibilidade de analogia, interpretação ampla ou análoga para incluir o uso de uma substância entre os meios utilizados. narcóticos, álcool, anestésicos, hipnose e outros. 74.
TORTURA EM RAZÃO DE PRECONCEITO RACIAL
Ação e conduta positivas, que dependem da condução do comércio, do fazer, da ação do agente, enquanto a omissão é a abstenção, a ausência de movimento, é o não fazer, e não a prática de determinada conduta exigida por lei. Neste caso, a ação do agente para constranger a vítima com o uso de violência ou ameaças graves, causando-lhe dor ou sofrimento físico ou psicológico, tende a provocar um ato ou omissão de natureza criminosa, como no caso de impedir a vítima de prestar assistência a alguém, o que equivale à falta de assistência, ou à realização de comportamento positivo, como no caso do sequestro. Com a promulgação da Lei nº. 9.455, de 13 de maio de 1997, que alterou dispositivos da Lei que definem os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor, etnia e religião ou origem nacional, incluídos na proteção jurídica, cujos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, expressos na Lei Federal Constituição/88, art.
TORTURA PRATICADA PELO GARANTE
Na tortura, o agente pretende submeter a vítima a esse sofrimento, mas este não é o caso do abuso. 3º, inciso I, da Lei nº 4.898, de 1965, quando comprovada a intensidade do sofrimento físico ou mental causado pelo sujeito ativo. O crime de tortura exclui, portanto, conforme já especificado no capítulo anterior, o reconhecimento de crimes como agressão (CP, art. 136), coação ilegal (CP, art. 146), ameaças (CP, art. 147) devido a o princípio da especialidade.Abuso de autoridade (CP, art. 147).
SUBMISSÃO DE PESSOA PRESA OU SUJEITA A MEDIDA
O dispositivo legal incriminatório em questão exige uma situação especial para o sujeito passivo: ser preso ou submetido a medidas de segurança. Se o policial for preso em flagrante delito, deverá utilizar a força necessária para reprimir, [...]”84 portanto, o ato praticado pela autoridade policial, de algemar, deter, conduzir pessoa presa em flagrante delito, não constitui um ato criminoso, apesar de muitas vezes infligir sofrimento físico e mental ao acusado. Pelo contrário, podemos dizer que um ato que não resulta de uma medida legal e que causa sofrimento é um ato ilegal.
Causar sofrimento físico ou mental a pessoa presa ou sob medida judicial, por meio de ato ilícito, é crime.
OMISSÃO CRIMINOSA
Além disso, as restrições aos direitos dos reclusos também são impostas na Lei de Execução de Sanções Penais. Aqui, o ente ativo não é mais o fiador, mas sim aquele que tem a função de apurar a ocorrência de qualquer crime descrito na Lei nº. 9.455/97. Doravante, o secretário de Segurança Pública, o chefe da polícia civil, o comandante-chefe da polícia militar, o delegado de polícia, o comandante de unidade militar ou qualquer pessoa que tenha obrigação estatutária ou estatutária para investigar os atos criminosos especificados na Lei nº.
CRIMES COM RESULTADO LESÃO CORPORAL
Numa perspectiva subjetiva, o agente deve agir com dolo direto ou possível, em relação à violência ou ameaça grave, ou através da prática de ato não previsto em lei ou que não seja resultado de medida legal, eficaz para causar sofrimento físico ou mental à vítima, resultando em lesão corporal grave ou muito grave e com culpa pela morte resultante. Neste último caso, houve dolo no comportamento anterior à tortura e culpa no resultado resultante, a morte.91. No caso de dolo nos termos anteriores, qualquer dos crimes previstos na Lei nº 9.455/97, com exceção do último número do § 2º, e dolo nos seguintes, relativos a lesões corporais graves ou gravíssimas e morte, e coincidência de crimes (formais ou materiais, dependendo do caso específico).
Na hipótese aqui discutida, o crime de tortura absorve o crime de maus-tratos à luz da aplicação do princípio da subsidiariedade, de modo que quando o ato não implica sofrimento físico ou mental intenso, pode corresponder ao tipo definido no arte.
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA
Não há dúvida de que o crime de tortura cometido contra as pessoas aqui abordadas apresenta um maior alcance de injustiça criminal, o que justifica o aumento da incidência. A tortura perpetrada contra a mulher grávida merece maior repreensão, pois não se pode ignorar o facto de que durante o curso da sua gravidez a mulher passa por vários fenómenos físicos e psicológicos que afectam a sua normalidade, pelo que ela tem, no entanto, uma explícita protecção criminal. , há necessidade do agente estar atento ao referido estado de gravidez. Se, pelo contrário, abusarem desta condição, para aplicar a tortura, é necessária a aplicação da sobretaxa, pela maior gravidade do ato injusto.
O motivo do aumento da pena justifica-se pelo maior sofrimento da vítima e pela maior ousadia do sujeito ativo.
EFEITOS DA CONDENAÇÃO
Emprego público é a relação contratual estabelecida entre o funcionário público e o Estado, geralmente regulada pela legislação trabalhista e para a realização de trabalho temporário. A condenação pelo exercício de qualquer crime caracterizado pela Lei nº 9.455/97 resultará assim e resultará na perda de cargo, função ou emprego público e também na vedação, ou seja, na proibição do seu exercício. com o dobro da pena imposta. ,100. Desta vez, quando o réu for condenado, com a sentença penal transitada em julgado, ele perde o cargo, função ou emprego público.
VEDAÇÃO DOS BENEFÍCIOS LEGAIS
É verdade que a Lei nº 8.072/90 proibiu expressamente a concessão de liberdade provisória aos autores dos crimes sob investigação. Contudo, a Lei nº 9.455/97, ao regulamentar especificamente a tortura, reiterou o texto da Constituição, isentando provisoriamente o autor do crime de tortura, apesar de este ser um crime inafiançável. A nova lei, baseada nos critérios de especialidade, deverá, portanto, prevalecer sobre os ditames da Lei nº 8.072/90.
Portanto, apesar de o crime de tortura ser inafiançável, é bastante aceitável que o acusado de tal ato possa usufruir do benefício da liberdade provisória.
REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA
O PRINCÍPIO DA EXTRATERRITORIALIDADE
Buscar as origens da tortura na história é uma tarefa árdua, pois são raros os registros, principalmente quando entendida como punição. O uso da tortura foi facilitado pela adoção do sistema inquisitivo e intensificado pelo fato de os juízes, seguindo a teoria canônica, passarem a considerar a confissão do acusado como rainha da prova. O curso da tortura e da violência ao longo dos séculos está interligado com a história do próprio homem.
O próprio Estado brasileiro, em relatório ao Comitê Contra a Tortura da ONU, reconheceu as dificuldades em erradicar a prática da tortura no Brasil, à luz da corrupção policial e do abuso de poder, comuns nas autoridades policiais. Portanto, esta questão deve ser objeto de outras pesquisas e.