Nesta análise, priorizamos o processo de criação da EAU com ênfase na problematização em torno da existência de uma cultura escolar agrícola, ou seja, voltada para a formação do trabalho agrícola. Assim, as fotografias do relatório de 1958 foram utilizadas para ilustrar a presença de uma cultura escolar agrícola, materializada na organização e realização de atividades por parte de professores e alunos.
Antecedentes históricos: a Fazenda Modelo de Criação
A importação de raças, cruzamentos e comercialização
No dia 23 (vinte e três) de janeiro de mil novecentos e trinta e sete (1937), nesta fazenda de criação experimental de Urutahy, estado de Gojaz, o Diretor de Promoção da Produção Animal (LIVRO DE VENDAS E TERMOS DE LEILÃO DO MODELO DE CRIAÇÃO DE FAZENDA página 89).
O desempenho de diferentes ocupações
O delegado da indústria pastoril, antes de mim, Cyelenêo de Araújo, secretário da Fazenda Modelo Urutahy, conferiu à citada senhora o compromisso legal para exercer o cargo que agora está investido; portanto é lavrado este termo, assinado por mim e pelo pactuado (LIVRO DE ATA, 1920, nº 1, verso, página 3). No dia 21 de dezembro de mil novecentos e vinte e um, às quinze horas, na Diretoria Provisória da Fazenda Modelo Urutahy, Cyelenêo de Araujo, secretário da mesma Fazenda, compareceu diante de mim o cidadão João Alves Jardim, por decreto de 30 de novembro do ano passado nomeou para exercer a função de guardião do material da referida Fazenda, a quem o secretário que ocupa assumiu o compromisso de desempenhar fielmente as funções do cargo, com a repetição da fórmula do compromisso; por isso é elaborado esse termo, que eu através da secretária e do sr.
A expansão produtiva agrícola para outras regiões do Estado de Goiás
A transformação da Fazenda Modelo Urutaí em EAU foi justificada pela possibilidade de retirada de benefícios em Goiás, uma vez que este estado não possuía escola agrícola regida pela Lei Orgânica do Ensino Agrícola e mantida pelo governo federal. Devido ao arcabouço legal, a Escola Agrícola de Urutaí esteve envolvida na dinâmica do processo produtivo característico da região Sudeste de Goia.
O município de Urutaí nos anos de 1950
A localização da Escola Agrícola na cidade de Urutaí foi decisiva para o desenvolvimento da cultura da Escola Agrícola, que foi colocada na instituição de acordo com as características do município e da região com base econômica centrada na agricultura. A produção agrícola em 1956 foi estimada em cinquenta e cinco milhões de Cruzeiros, destacando-se o feijão com 55 mil sacas de 60 quilos no valor de 29 milhões de Cruzeiros e o arroz com 45 mil sacas no valor de 18 milhões de Cruzeiros. Para 1956, a população pecuária foi estimada da seguinte forma: bovinos 72 mil cabeças no valor de 180 milhões de cruzeiros, cavalos 6 mil e quinhentas cabeças no valor de 13 milhões de cruzeiros [..] foram exportadas 12 mil cabeças de gado bovino e 8 mil suínos, também como outros em menor escala.
A pecuária constitui uma das atividades econômicas mais importantes da cidade; São criados gado de raça pura, gado comercial, gado comum e produtores de leite. Pires do Rio – A produção agrícola é suficiente para abastecer o Município, com os seguintes dados, no ano, sacas de arroz no valor de 4 milhões e 704 mil velas; 3.700 sacas de feijão, no valor de 2 milhões e 960 mil velas [..] A pecuária é melhor que a agricultura e constitui grande fonte de riqueza do município, que cria gado de raça pura e comercial, com as raças preferidas pelos criadores: gir, nelore , cebu e indu-brasil (ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS, 1958, p.
O contexto da Escola Agrícola de Urutaí
No processo de criação da EAU, o parecer da Comissão Económica mencionou a questão da desvalorização da agricultura e, portanto, da educação agrícola em comparação com a educação industrial. A EAU iniciou as suas atividades como instituição de ensino agrícola em 1957, na forma e organização da Lei Orgânica do Ensino Agrícola. Porém, há necessidade urgente de ação por parte do poder público, que o mais breve possível disponibilize pessoal administrativo, técnico e educacional (RELATÓRIO SOBRE AS ACTIVIDADES DA ESCOLA AGRÍCOLA DE URUTAÍ, 1960, pp. 23-24).
Quais as medidas tomadas pelo Ministério da Agricultura para o funcionamento da Escola Agrícola de Urutaí, no Estado de Goiás, instituída pela Lei nº. Pelo Decreto nº 60.731, de 19 de maio de 1967, a SEAV foi transferida para a alçada do Ministério da Educação e Cultura, com a denominação Diretoria de Ensino Agropecuário (DEA), conforme consta no Art.
Atos oficiais publicados no Diário Oficial da União: prescrições e adequações legais
As diferentes séries de cursos da Escola serão instaladas progressivamente, começando pela primeira série do curso de Iniciação Agrícola. Assim, a EAU foi a oportunidade de dar continuidade aos estudos, já que o Curso de Iniciação Agrícola tem duração de apenas dois anos. Assim, os alunos, após concluírem o curso de iniciação agrícola, poderiam matricular-se na Escola Técnica de Goiânia, mas aqueles que não conseguiram ir para a capital goiana permaneceram aguardando a implantação do Curso de Mestrado Agrícola.
Pedro Pereira Martins, aluno que pertenceu à primeira turma do Curso de Iniciação Agrícola após concluir o curso, matriculou-se no curso de sela em Goiânia, onde concluiu o ensino médio. O livro de diplomas da EAU menciona o primeiro curso de lavra de tratores, pois não foi encontrado no arquivo da instituição nenhum livro de diplomas do Curso Introdutório à Agricultura. O certificado do ex-aluno Mário de Lima foi encontrado gratuitamente entre outros documentos e foi possível verificar as disciplinas ministradas no Curso de Iniciação Agrícola oferecido pela instituição.
O Curso de Domínio Agrícola não teve início dois anos após o início de suas atividades conforme planejado, dificultando a continuidade dos estudos dos alunos que cursaram o Curso de Iniciação Agrícola.
A administração e gestão interna
O artigo 6.037 da Lei Orgânica do Ensino Agrícola conferia ao diretor a autoridade necessária para organizar a escola. Como pode ser observado, a gestão da Escola no período foi ocupada por agrônomos e veterinários respectivamente do quadro do estado federal. A administração de cada instituição de ensino agrícola é deixada à autoridade do diretor, que cuida do funcionamento do sistema escolar, do trabalho dos professores e conselheiros, das atividades dos alunos e da relação da comunidade escolar com a vida exterior.
A instituição desenvolveu uma forma própria de administração e funcionou “sem desvios” das normas estabelecidas pela SEAV e pela Lei Orgânica do Ensino Agrícola. No caso da EAU, foi significativamente determinado pela política de educação agrícola, liderada pelo governo federal.
Os alunos
Recomenda-se que os cursos de educação agrícola para mulheres sejam realizados em instituições de ensino frequentadas exclusivamente por mulheres. O conteúdo utilizado na formação dos alunos foi planejado levando em consideração as diferentes classes sociais dos alunos, como Agrostologia, dirigida aos alunos filhos da pecuária. A EAU foi a primeira instituição de ensino agrícola de Goiás, mantida pelo governo federal, que oferecia aos seus alunos regime de meia pensão e auxílio-estágio, uniformes, consultório médico e farmácia.
Em 1956, o consultório médico foi instalado com materiais obtidos na Superintendência de Ensino Agropecuário e Veterinário, mas não havia médico contratado. Embora os alunos tivessem médicos para ajudá-los, as fazendas de animais não tinham veterinário para ajudá-los.
A estrutura física e as condições de base da Escola Agrícola de Urutaí
O Núcleo Agrícola
Três fatores justificaram as restrições: falta de mão de obra, material para preparo do terreno e transporte insuficiente. A produção agrícola de 1957 a 1960 aumentou a cada ano, sendo um fator dominante para possibilitar o aumento anual das matrículas escolares. A Tabela 4 resume a produção da EAU em 1960, incluindo culturas perenes (frutas), anuais (arroz, feijão, girassol e milho) e hortícolas.
42 Pedra Branca é uma fazenda pertencente à Escola Agrícola e fica a 2 km da Fazenda Palmital, onde está localizada a Escola Agrícola Urutaí e onde são cultivadas culturas anuais. Foto 8 – Alunos do Curso de Iniciação Agrícola em aula prática com o Professor e Diretor Francisco Heliodoro Pereira da Rocha.
A horticultura
O objetivo do centro de horticultura era o cultivo de hortaliças (alface, tomate, repolho e outros) que serviam de laboratório para o aprendizado prático dos alunos. A relação professor/aluno foi modificada, tempos e espaços foram reconfigurados e novas regras e ordens foram estabelecidas e repensadas em função da emergência caracterizada pelo tempo e pelo contexto de cada realidade escolar. Nessas circunstâncias, desenvolveram aprendizagens práticas adquiridas pelo fazer, estabelecendo uma relação professor/aluno/aprendizagem típica da educação agrícola e da cultura escolar construída internamente.
A agrostologia
Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação, Juiz de Fora, 2006. LIVRO DE REGISTRO DE CORRESPONDÊNCIA nº. 1 Arquivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano - Campus Urutaí, 1934. LIVRO DE REGISTRO DE CORRESPONDÊNCIA nº. 2 Arquivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Urutaí, 1937.
IPAMERI – Jornal localizado no Museu do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Urutaí. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação, Juiz de Fora, 2004.
O Núcleo Zootécnico
O Núcleo Industrial
O núcleo industrial estava ligado aos setores zootécnico e agrícola da instituição, o que significa que os produtos industrializados provinham dos setores produtivos e eram alimentados de acordo com o que era produzido na EAU. A produção de doces foi outra iniciativa de carácter industrial, complementada com a plantação de árvores de fruto. Nesse sentido, aumentar o plantio de árvores frutíferas variadas serviria para manter um verdadeiro laboratório de aprendizagem de alunos de diversos cursos.
Mesmo convivendo com tais obstáculos, o núcleo industrial manteve as atividades de produzir e ensinar ao mesmo tempo que a Lei Orgânica do Ensino Agrícola, no artigo 61, § 7º, afirmava que os campos deveriam ser “organizados em todas as instituições de ensino agrícola experimental. e projectos de demonstração.” O núcleo industrial proporcionou uma interface entre a agricultura e o sector industrial, à medida que os alunos aprendiam a processar o leite e a fruta produzidos na escola.
As oficinas
Uma primeira resposta centrada na percepção da cultura agrícola escolar terá de reforçar a confirmação e relativizar a negação. Quando os professores trabalharam na EAU, desenvolveram uma cultura escolar agrícola caracterizada por metodologias e técnicas, em que as aulas resultavam em aprendizagem teórica e prática. Continuidade porque os professores inovaram e procuraram desenvolver ensinamentos que atendessem aos anseios da agricultura do estado de Goiás, o que determinou uma cultura escolar agrícola específica.
Durante pesquisa nos arquivos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano − Câmpus Urutaí −, encontrei diversos documentos: manuais, instruções, divisão de disciplinas pedagógicas, boletins de serviço, ementas, regulamentos, estatutos, instruções de funcionamento, diários e históricos . de alunos, que compartilhamos e lemos atentamente seus dados. Tendo a Cooperativa como um dos componentes do processo integral de formação do ensino técnico, como se desenvolveu a cultura escolar da instituição.