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E STUDO DA C OMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA B RASILEIRA

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Academic year: 2023

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A estratégia de comércio exterior das corporações transnacionais no Brasil mudou significativamente nas últimas duas décadas. No entanto, a aceleração da crise nos últimos três anos forçou as empresas transnacionais a empreender um processo de reestruturação industrial.

PROPOSI˙ES

As empresas com capital estrangeiro têm oportunidades efetivas de se tornarem veículos de modernização da economia brasileira e de promoção de sua competitividade internacional. Contudo, é muito mais provável que esta capacidade das empresas estrangeiras de promover a modernização da economia brasileira ocorra na presença de outras condições.

INDICADORES

No caso particular da economia brasileira, existem fatores específicos da localização que têm influência determinante no comportamento das empresas transnacionais no país. O objetivo aqui não é apresentar propostas concretas e específicas, mas apenas apresentar os elementos norteadores de uma política relativa às empresas transnacionais no Brasil, levando em conta as transformações globais e a competitividade da economia brasileira.

INTERNACIONALIZA˙ªO, GLOBALIZA˙ªO E COMPETITIVIDADE: ASPECTOS CONCEITUAIS

Na realidade, a medição da competitividade envolve problemas intransponíveis, que existem mesmo no caso de conceitos económicos menos controversos, como, por exemplo, a produtividade6. Além disso, quando a análise da concorrência se refere a subsidiárias de empresas transnacionais, surge um problema adicional, uma vez que estas empresas são propriedade e maioritariamente controladas por não residentes7. Quando analisamos a concorrência, por exemplo, das indústrias automotiva, farmacêutica, de fumo e de pneus no Brasil, estamos na verdade discutindo a concorrência de unidades industriais de empresas americanas e europeias localizadas no país.

Esta complicação é particularmente evidente no caso de economias com um elevado grau de internacionalização da sua produção industrial9. Na prática, porém, tanto as empresas nacionais como as subsidiárias de empresas transnacionais são consideradas “agentes” da competitividade da indústria brasileira. A relevância do tema da competitividade, no caso de uma economia altamente internacionalizada, e no contexto de rápidas transformações globais, decorre, entre outras coisas, de três factos importantes.

O segundo facto é o papel fundamental que as empresas transnacionais desempenham nestas transformações globais, quer porque são o principal actor privado que leva a cabo as mudanças, quer devido à resposta estratégica que têm à reestruturação global.

TEND˚NCIAS INTERNACIONAIS

Transformaıes Globais: Inovaıes Tecnolgicas e Organizacionais

A aplicação da tecnologia da informação, por meio do uso de circuitos integrados, tem permitido a difusão de tecnologias como o desenho assistido por computador (CAD), máquinas-ferramentas numéricas computacionais, robôs industriais, transferência automatizada e informatização do monitoramento da produção e do controle de qualidade. Isto se torna ainda mais importante com a onda contemporânea de novas tecnologias, especialmente aquelas relacionadas à tecnologia da informação"16. Por outro lado, o chamado "modelo japonês" ou "modelo Toyota" (uma referência à transnacional japonesa Toyota, precursor de importantes inovações organizacionais) envolve volumes de produção menores, mudanças rápidas nas linhas de produção que permitem mudanças nas características do produto, bem como baixos níveis de estoque e alto controle de qualidade.

Consequentemente, os novos métodos de organização da produção envolvem flexibilidade e integração, com ciclos de produção mais curtos e maior capacidade de resposta às mudanças do mercado. O sistema de controle de estoque (just in time) reduz custos e permite maior controle de qualidade. Verifica-se também que o avanço da tecnologia de informação permite o desenvolvimento de estruturas de tomada de decisão mais ágeis e flexíveis, combinando maior autonomia local com uma coordenação central mais eficaz.

Em particular, houve uma expansão de alianças tecnológicas entre empresas ao longo da última década, principalmente no segmento de tecnologia da informação17.

Reaªo EstratØgica das Empresas Transnacionais

Dentre os fatores que explicam o domínio das empresas transnacionais neste “núcleo duro” do progresso tecnológico, podemos destacar: a alta complexidade técnica das inovações; Nesse sentido, as empresas transnacionais estão ampliando as chamadas “novas formas” de internacionalização da produção como alternativa ao fluxo de investimento estrangeiro direto20. O aumento da concorrência a nível global resultou numa maior orientação estratégica das empresas transnacionais no sentido de reforçar a sua posição nos mercados nacionais.

No entanto, parece que a orientação policêntrica está cada vez mais a dar lugar à orientação geocêntrica das empresas transnacionais. Ainda no contexto da globalização, parece haver um movimento por parte das empresas transnacionais no sentido da internacionalização das atividades de I&D26. Neste sentido, a principal motivação do mecanismo de fusões e aquisições é uma reorientação da estratégia competitiva por parte das empresas transnacionais.

Os factores que determinam as estratégias das empresas transnacionais são de natureza económica e não económica.

TRANSFORMA˙ES GLOBAIS, FATORES LOCACIONAIS E REA˙ˆO ESTRATGICA DAS EMPRESAS TRANSNACIONAIS NO BRASIL

EstratØgia Financeira

As políticas monetárias restritivas que prevaleceram no passado recente foram também responsáveis ​​por uma queda significativa nas margens operacionais das empresas multinacionais. Em 1990, segundo as Nações Unidas, as empresas transnacionais representavam 44% do total das exportações de produtos industriais42. Nas últimas duas décadas, as empresas transnacionais mudaram drasticamente o seu desempenho no comércio externo: de um défice comercial significativo em meados do século XX para um

Esta mudança no desempenho comercial das empresas transnacionais foi determinada, em grande medida, pelas políticas de ajustamento da balança de pagamentos. Deve-se notar que o desempenho exportador das empresas transnacionais foi influenciado por grandes subsídios e incentivos fiscais, enquanto a diminuição das importações foi o resultado de barreiras não tarifárias muito eficazes. Além disso, durante a década de 1980, a estagnação do mercado interno levou as empresas transnacionais a olharem para os mercados externos como uma alternativa para realizar a produção.

Os esforços de exportação tornaram-se gradualmente um elemento mais importante na estratégia das empresas transnacionais ao longo da última década.

EstratØgia Industrial e Tecnolgica

Vale ressaltar que as empresas transnacionais têm desempenhado um papel fundamental não apenas na geração de superávit comercial, mas também no processo de atualização dos padrões de vantagem comparativa do país. Este processo envolve a desverticalização da produção e a redução da compra de insumos de fornecedores locais e, consequentemente, a intensificação da compra de insumos importados. Além disso, parece haver uma certa semelhança nos padrões de resposta das empresas transnacionais e das grandes empresas privadas nacionais, em termos da sua percepção da necessidade urgente de integrar inovações tecnológicas e organizacionais e aumentar a competitividade44.

Além disso, a percepção generalizada da necessidade urgente de introduzir inovações é uma indicação tanto do crescente fosso entre o Brasil e o resto do mundo como da perda de competitividade das empresas, sejam elas cidadãos privados ou empresas transnacionais que operam no país. Este facto é comprovado em inquéritos recentes baseados em questionários47, bem como em estudos sectoriais ou de caso de empresas individuais48. Contudo, o domínio do padrão de estratégia reativa não exclui outras estratégias, como por exemplo a formação de joint ventures, fusões, aquisições, alianças estratégicas, aquisições, mudanças no mix de produtos, e até mesmo a introdução de inovações tecnológicas e organizacionais51.

Nesse sentido, vale ressaltar que a discussão sobre a resposta estratégica (em termos financeiros, comerciais e de investimentos) das empresas transnacionais no Brasil nos últimos anos indica que a tolerância do mercado brasileiro, no contexto de estabilização macroeconômica restritiva , políticas, têm sido determinantes fundamentais de um comportamento estratégico lento ou reativo.

CONCLUSES E RECOMENDA˙ES

Oportunidades e Restriıes

Fatores locacionais: vantagem de capacidades tecnológicas nacionais relativamente avançadas; vantagem da existência de grupos privados nacionais relativamente fortes; desvantagem do comportamento inercial relacionado com a permissividade do mercado interno. Fatores de localização: vantagem da infraestrutura de telecomunicações; capacidade tecnológica nacional, especialmente a disponibilidade de mão de obra qualificada; desvantagem do comportamento inercial relacionado com a permissividade do mercado interno. TRANSFORMAÇÃO GLOBAL: integração vertical da produção em escala global (globalização da produção internacional) com a fragmentação do processo produtivo.

Fatores de localização: vantagem da política de liberalização comercial; vantagem da proximidade com mercados sub-regionais; Limitações: menor competitividade no mercado interno; maior poder de mercado para as corporações transnacionais; menor grau de liberdade para políticas industriais e tecnológicas; crescente predominância de padrões políticos reativos; crescente marginalização do país face à cartelização internacional. Fatores de localização: vantagem (ou desvantagem) da ausência de políticas de concorrência ou de controles sobre práticas comerciais restritivas; vantagem do alto grau de penetração das empresas transnacionais na indústria brasileira.

Fatores de localização: capacidade tecnológica nacional relativamente desenvolvida; vantagem do alto grau de penetração das empresas transnacionais na indústria brasileira.

SumÆrio e Implicaıes de Poltica Econmica

Durante o regime militar, as empresas transnacionais foram incentivadas a ter um desempenho comercial mais favorável ao país, exportando mais e importando menos. É fato que as empresas transnacionais reduziram drasticamente o seu nível de endividamento no Brasil, tanto externo quanto interno. A dimensão financeira das operações das empresas transnacionais é talvez a que mais depende e diretamente da política (macro)económica interna.

Por outro lado, a aceleração da crise nos últimos três anos obrigou as empresas transnacionais a empreender um processo de reestruturação industrial. No caso específico do Brasil, existem dois fatores que são fundamentais para explicar a resposta estratégica das empresas transnacionais no país, bem como para a competitividade internacional da economia brasileira. Naturalmente, as empresas transnacionais dão uma contribuição específica para o processo de desenvolvimento económico, principalmente como agentes de difusão do progresso técnico.

É evidente também que o comportamento, o desempenho e a estratégia das empresas transnacionais obedecem à lógica do capital (lucro, acumulação).

INDICADORES

A Survey of the Evidence, Nova Iorque, Centro das Nações Unidas sobre Corporações Transnacionais, 1992; e Reinaldo Gonçalves, Empresas Transnacionais e Internacionalização da Produção, Rio de Janeiro, ed. 12 Reinaldo Gonçalves, "Investimento estrangeiro direto e corporações transnacionais no Brasil: uma visão estratégica e prospectiva", em Ciências Sociais Hoje, 1991, São Paulo, ed. Ver também Reinaldo Gonçalves, “Os grandes grupos da economia do país”, Cadernos do Terceiro Mundo, ano XV, no.

41 O restante desta seção baseia-se em grande parte em Reinaldo Gonçalves, "Instabilidade macroeconômica e estratégias das corporações transnacionais no Brasil: paralisação, contenção ou desinvestimento?", Instituto de Economia Industrial/UFRJ, Texto para Discussão No. Baixe livros de gestão Baixe livros agronômicos Baixe livros de arquitetura Baixe livros de arte. Baixe livros de Ciência da Computação Baixe livros de Ciência da Informação Baixe livros de Ciência Política.

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Referências

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