Crise do capital e as consequências da reversão neocolonial para a questão agrária brasileira / Elaine Nunes Silva Fernandes. O objetivo desta pesquisa é analisar os efeitos causados pela crise estrutural do capital através do processo neocolonial latino-americano de retorno à questão agrária brasileira, desde que o sistema entrou em sua crise mais profunda por volta da década de 70 do século XX. a gestão de crises também faz parte do sistema sócio-metabólico do capital.
A importância da mercadoria força de trabalho para o funcionamento
Sem a participação da força de trabalho mercadoria, que portanto atua em ambas as frentes, o capital não se realiza, o trabalho excedente não é apropriado pelo capitalista e a acumulação de capital não é garantida. Essa redução da necessidade de mão de obra, cada vez mais intensificada pelo progresso da tecnologia, trouxe como consequência mais direta para o trabalhador a dificuldade de inserção no mercado de trabalho e, consequentemente, de sua participação na esfera da circulação como “um consumidor de bens. Portanto, a redução da necessidade de força de trabalho não pode ser entendida como uma indicação de que o trabalho vivo está com os dias contados, como argumentam os apologistas do capital.
Das crises cíclicas à crise estrutural do capital
O que se seguiu depois da guerra foi um período de grande crescimento para a economia mundial, que em nada lembrou a fase anterior. Esses fatos fizeram com que muitos pesquisadores se perguntassem o que teria acontecido antes de uma nova crise bater novamente à porta do sistema. Ao contrário da crise de 1929, uma crise estrutural não está relacionada com os “limites relativos”37 de uma estrutura global, mas com os seus “limites últimos”.
Crise estrutural e ativação dos limites absolutos do capital
É por isso que o crescente bloqueio à deslocação e exportação das contradições internas do capital é potencialmente tão perigoso e explosivo. A ideia de iniciar um processo de recolonização dos países periféricos é apontada pelos ideólogos do capital como uma das saídas possíveis para a crise. É um facto que não só a América Latina tem sofrido com programas de austeridade fiscal, os governos de vários países são reféns do capital financeiro.
Imperialismo: fase superior do capitalismo
Em termos gerais, esta é a forma especial de desenvolvimento do capitalismo nas regiões mais atrasadas do globo. É verdade que, no sector mineiro, a forma capitalista de produzir matérias-primas nos países subdesenvolvidos representou a introdução da maquinaria capitalista e o início do capitalismo industrial. É importante notar que não faltaram esforços teóricos para compreender a natureza particular do capitalismo latino-americano.
O imperialismo, questão agrária e a teoria da dependência
A ideia de implementar uma reforma agrária nos países latino-americanos foi inclusive incentivada pela CEPAL, por ser vista como fundamental para que ocorresse o processo de desenvolvimento industrial desejado pelas economias da região. Embora não seja uma proposta radical, esta concepção de reforma agrária encontrou grande oposição em países onde havia forte presença de oligarquias rurais, como Brasil, Argentina, Equador, Colômbia, entre outros. Os setores alinhados a um cenismo stalinista viam a reforma agrária como parte de uma revolução burguesa modernizadora que combateria os resquícios feudais da colonização.
Grupos de influência trotskista defendiam a reforma agrária como um elemento necessário de uma revolução democrática que transitava da revolução socialista, conforme proposto pela teoria da revolução permanente. A realização de uma reforma agrária inspirada na CEPAL foi considerada pelo documento como uma medida importante e necessária a ser tomada por países comprometidos com o progresso e a superação do subdesenvolvimento. Neste sentido, ambas as revoluções foram semelhantes na medida em que não acreditaram na necessidade de uma fase de modernização capitalista para superar os problemas do subdesenvolvimento, apostando diretamente na transição para o socialismo.
A actividade do partido, que sacrifica a vanguarda proletária aos interesses faccionais de uma casta de funcionários de carreira, é criminosa.” Apesar do trabalho relevante de Santos para criar uma nova abordagem ao capitalismo latino-americano, é graças a Rui Mauro Marini que a versão marxista da dependência se tornará mais conhecida101. Apesar de ter analisado o caso brasileiro em determinado período histórico, em que os militares apontavam a entrada do capital estrangeiro como única forma de desenvolver a produção nacional, Marini (1969) entendeu que o fenômeno do subimperialismo vai além de uma situação ou situação geográfica. situação. específico da região.
Garantir condições estruturais para garantir o retorno do capital investido pelas empresas transnacionais, ao mesmo tempo que proporciona condições para que os grupos capitalistas nacionais possam desfrutar de uma condição mais favorável no desenvolvimento da economia local, que, por sua vez, está integrada e associada ao imperialismo mundial.
O atual estágio do imperialismo e o “lugar” do Brasil na dependência
A rigor, o que os economistas chamam de financeirização do capital começou no período de crescimento da economia mundial que durou três décadas. 109 Lembremos que todas as medidas adotadas pelo sistema sociometabólico do capital para enfrentar a crise tiveram/tiveram o objetivo de reverter a queda da taxa de lucro e criar condições que levassem ao aumento da exploração do trabalho força fornecida. É graças a esta capacidade ilusória de criar riqueza que não existe de facto, mas apenas em ideia, à suposição de que um dia poderá tornar-se real, que nos últimos quarenta anos as finanças assumiram gradualmente a posição de comando no processo de acumulação de capital. em uma escala global.
Muitos teóricos concentraram-se no tema do imperialismo e, consequentemente, nas implicações da financeirização do capital para o mundo e para as economias latino-americanas. Segundo ela, a necessidade orgânica do capital de expandir os seus domínios para alimentar o fluxo de acumulação impõe ao sistema a necessidade de concentrar os recursos sociais – leia-se meios de produção – e de recriar permanentemente condições sociais que permitam ao capital dominar a massa garantindo a disponibilidade do capital. um exército de trabalhadores dispostos a vender a sua força de trabalho e a adaptar-se à procura do mercado. Fontes (2010) examina Marx e mostra a fragilidade das posições que defendem a soberania do capital financeiro sobre o capital industrial na atual fase do sistema119.
Segundo ela, ocorreria exatamente o contrário, ou seja, ocorreria um aumento exponencial do capital de giro (que extrairia mais-valia) porque disso dependeria o aumento das taxas de lucro causado pelo crescimento do capital monetário. 120 A citação do autor sobre esta questão é esclarecedora: “Do ponto de vista da reprodução do capital que rende juros, como detentor de meios sociais de produção em forma monetária, todo o processo subsequente não tem interesse para o capital e, portanto, para a atividade específica do capital. extração de. Esta é uma nova fase do imperialismo global, construída sobre os alicerces do capital financeiro, resultando em novas relações de dominação e dependência.
Como discutimos na secção 2, as soluções encontradas pelo modo de produção para superar a crise estrutural têm levado o sistema a avançar cada vez mais em direção ao que Mészáros chamou de limites absolutos do capital.
Renda da terra e o agronegócio no campo
Este valor, que Marx e outros economistas clássicos132 da sua época chamavam de "renda fundiária", será pago ao proprietário pelo capitalista que arrenda a sua terra. Isto acontece porque, ao contrário das formas pré-capitalistas133, no modo de produção actual, entre a produção da riqueza e a sua transformação em rendimento fundiário, existe a presença do capital que medeia o processo. A renda fundiária também tem a sua dimensão oculta; É por isso que não consigo entender se olhar apenas para o aluguel, quando ele existe.
A renda diferencial da terra resulta do carácter capitalista da produção e não da propriedade privada da terra, ou seja, continuaria a existir se a terra fosse nacionalizada. A renda absoluta da terra resulta da propriedade privada da terra e da oposição entre o interesse do proprietário e o interesse da comunidade. Isto resulta do facto de a propriedade da terra ser monopólio de uma classe que exige um tributo de toda a sociedade para a colocar em produção.
Assim, o exemplo clássico utilizado para explicar esta renda de monopólio fundiário é o do vinho do Porto em Portugal. Portanto, isso gera renda monopolista da terra, que, por sua vez, é auferida pelos proprietários dessas terras dotados dessas qualidades especiais. Dessa forma, sem perceber, o proprietário camponês acaba pagando ao banco o aluguel da terra e constituindo-se ao mesmo tempo como arrendatário e trabalhador da aldeia.
Há uma lógica na história da formação da propriedade fundiária capitalista no Brasil, que mostra justamente o processo de grilagem de terras como elemento fundamental.
Reforma agrária e as lutas sociais no campo
As consequências desta difícil situação vivida pelos trabalhadores agrícolas têm sido a dissolução das suas organizações representativas e a descrença na eficácia da reforma agrária na situação actual. 158 Para Perreira apud Sauer (2010, p. 104): “Esses quatro projetos ou programas (Reforma Agrária, Solidariedade, Certidão Fundiária, Landbank e Landkredit), apesar de pequenas diferenças, constituem a materialização da “reforma agrária de mercado no Brasil”. ". Foi nesse sentido que Lula da Silva fortaleceu fortemente o agronegócio, aumentando a agricultura familiar e ao mesmo tempo minando qualquer possibilidade de implementação de reformas agrárias.
O resultado dos programas de “reforma agrária de mercado” é, além de um conflito político-ideológico com os movimentos sociais agrários, um processo de endividamento crescente das famílias envolvidas. Este tem sido o argumento de praticamente todos os expoentes que defendem a superação da reforma agrária como uma necessidade real para promover maior igualdade de oportunidades no cenário brasileiro. Na verdade, segundo o pesquisador, a bandeira da reforma agrária tornou-se uma questão puramente política.
Se fosse apenas uma decisão exclusiva do presidente, nem estaríamos agindo na reforma agrária. Continua a utilizar outros argumentos para reafirmar que no contexto actual já não é necessário implementar reformas agrícolas, porque o desenvolvimento tecnológico teria eliminado esta necessidade rural. Ao contrário do que se acreditava, as reformas agrárias tiveram pouco impacto nesse desenvolvimento [o desenvolvimento capitalista da agricultura brasileira].
Contudo, ao contrário de um artigo de 2003 intitulado “Reformas Agrícolas no Segundo Mandato de Fernando Henrique Cardoso”, o autor não o fez.
A reforma agrária popular e as contradições do MST
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