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MORBIDADE POR ESQUISTOSSOMOSE NA CIDADE ... - UEFS

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Academic year: 2023

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Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, como requisito para obtenção do título de mestre pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Objetivo: Analisar a distribuição espacial da esquistossomose em Feira de Santana-BA delinear as áreas de risco desta endemia no período de 2003 a 2006. Método: Foi realizado um estudo descritivo através da investigação de casos no Sistema Nacional de Doenças e Sistema de Notificações (SINAN), Mapeamento da Distribuição e Identificação de Áreas de Risco para Esquistossomose no Município de Feira de Santana Utilizando a Técnica de Estatística de Varredura.

Objectives: To analyze the spatial distribution of schistosomiasis in Feira de Santana-BA, delineating the risk areas for this endemic disease during the period 2003 to 2006.

1 INTRODUÇÃO

Objetivo Geral: Analisar a distribuição da esquistossomose na cidade de Feira de Santana-BA, delimitando as áreas de risco para esta enfermidade, no período de 2003 a

Objetivos Específicos

  • Ambiente, Espaço e Epidemiologia 1 Ambiente e epidemiologia: 1 Ambiente e epidemiologia
    • Espaço em pesquisas na área de saúde
    • Espaço Social segundo Bourdier
    • O Espaço Urbano em Feira de Santana
  • A ESQUISTOSSOMOSE E A SAÚDE PÚBLICA
    • A Esquistossomose e os aspectos clínicos e epidemiológicos
    • A esquistossomose e a urbanização
  • GEOPROCESSAMENTO APLICADO À ÁREA DE SAÚDE
    • Sistemas de informação geográfica e saúde
    • Detecção de aglomerados

Sorre discutiu a importância da ação humana na formação e dinâmica do complexo patogênico, que é composto pelos agentes causais, seus vetores, o ambiente e o próprio homem (LEMOS et al., 2002). A partir de suas ideias, o espaço foi incorporado aos estudos em saúde, como um processo, uma construção social (BARCELLOS et al., 2008). Áreas com alto nível de renda tendem a oferecer boa cobertura de serviços de saneamento, equipamentos de saúde e educação (BARCELLOS et al., 2002).

A implantação do CEI foi um momento importante para a cidade de Feira de Santana e região, pois fortaleceu a industrialização no Município e impulsionou outros setores da economia, com isso a cidade acolheu milhares de pessoas que buscavam uma vida melhor e condições de trabalho (OLIVEIRA et al., 2007). Este município passa por uma fase de esvaziamento do campo e de crescente vizinhança da sede municipal, em consequência têm sofrido uma periferização vertiginosa (OLIVEIRA et al., 2007). Grande parte dessas casas está localizada em áreas de conservação ambiental ou de fontes hídricas (rios, nascentes, córregos e lagos) (OLIVEIRA et al., 2007).

O uso das lagoas no município de Feira de Santana e sua ocupação inadequada tem comprometido a qualidade e a quantidade de suas águas, além de prejuízos socioeconômicos e ambientais para a sociedade como um todo, mas principalmente para a comunidade que vive próxima a esses locais (DINIZ et al., 2009). Ovos do esquistossomo - Helmintos do gênero Schistosoma - foram encontrados em múmias chinesas com mais de dois mil anos de idade (KATZ et al., 2003). Estudos mostram que a promoção e disseminação da esquistossomose está relacionada à forma como o espaço comunitário é ocupado e organizado (COURA-FILHO et al., 1997).

A ocupação das periferias das grandes cidades, acompanhada de precárias condições habitacionais e sanitárias, leva ao surgimento de surtos urbanos e altera o perfil epidemiológico das doenças transmitidas por vetores, incluindo a esquistossomose (BARBOSA et al., 1996, BARBOSA et al., 2000). A forma de ocupação humana dos espaços urbanos nas periferias das grandes cidades, aliada à elevada vulnerabilidade social, associada às condições de moradia inadequadas, tem causado grande impacto na dinâmica da esquistossomose (COURA-FILHO et al., 1997). Entende-se por geoprocessamento o conjunto de técnicas de coleta, processamento e exibição de informações referenciadas em um determinado espaço geográfico (HINO et al., 2006).

Métodos de análise espacial em saúde pública têm sido utilizados principalmente em estudos ecológicos, no planejamento e avaliação da utilização de serviços de saúde e na detecção de clusters espaciais ou espaço-temporais (CARVALHO et al., 2005).

Tabela 1. Progressão da população residente urbana e rural do município de Feira de  Santana, Bahia – 1950 – 2000
Tabela 1. Progressão da população residente urbana e rural do município de Feira de Santana, Bahia – 1950 – 2000

METODOLOGIA

  • Tipo de Estudo
  • Campo Empírico
  • Coleta de Dados
  • Análise de dados

Para a realização deste estudo, os dados de morbidade por esquistossomose foram provenientes das fichas de notificação da Vigilância Epidemiológica, da Secretaria de Saúde do município de Feira de Santana, que alimentam o Sistema Nacional de Notificação (SINAN). Para a análise de cluster foi realizado um levantamento da ocorrência de esquistossomose por bairro de residência, notificado no Município de Feira de Santana-BA, no período de 2003 a 2006. Os dados obtidos foram digitalizados utilizando o Static Software Package for The Social Sciences ( SPSS) versão 9.0.

Os dados referentes à população do município de Feira de Santana foram disponibilizados pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a partir do censo de 2000. A fase de compilação do SIG e construção dos mapas foi realizada no software ArcGIS, baseado no a versão digital do mapa de Feira de Santana. Os dados socioeconômicos foram obtidos a partir da amostra do censo demográfico de 2000, disponibilizada pelo IBGE, por meio do CD-ROM: Base de Informações por setor.

A partir dessa fonte, foram selecionadas duas variáveis: a renda mensal do chefe da família e os anos de estudo dos responsáveis ​​pelo domicílio, para categorizar os bairros de Feira de Santana segundo capital econômico e capital cultural (anexos 3 e 4 ). Para categorizar os bairros segundo o capital econômico, os dados relativos à renda mensal do responsável pelo domicílio, constantes nos censos, foram classificados por bairro e digitados no software Excel. Foi então realizada a classificação final: cada bairro foi classificado em um dos estratos de capital econômico, levando-se em consideração a maior proporção de chefes de domicílio no bairro dos respectivos estratos: CEB, CEM e CEA.

Com base na análise descritiva das variáveis, procuramos investigar os possíveis fatores preditores do padrão de distribuição dos casos de esquistossomose no município de Feira de Santana. A análise estatística Kulldorf Sweep também foi realizada no software Satscan utilizando a distribuição de Poisson, adotando nível de significância de 5%, considerando 30% da população em risco.

RESULTADOS

Em todos os anos do estudo, a prevalência da esquistossomose no município de Feira de Santana foi inferior a 1% (tabela 5). Prevalência de casos de esquistossomose no município de Feira de Santana-Ba, por ano de notificação. Os maiores percentuais de casos de esquistossomose no município de Feira de Santana foram encontrados na faixa etária de 10 a 29 anos.

Distribuição dos casos de esquistossomose em Feira de Santana, por faixa etária, no período 2003-2006. Fonte: SINAN/Vigilância Epidemiológica de Feira de Santana Para 26 casos de esquistossomose não havia informação sobre idade. A distribuição espacial dos casos de esquistossomose no município de Feira de Santana referia-se apenas à zona urbana, pois não havia informação geográfica digital sobre a zona rural.

Analisando a prevalência da esquistossomose em Feira de Santana, segundo o local de residência dos casos notificados, constatou-se maior incidência desta doença nos bairros Campo do Gado Novo e Subaé (tabela 8). Frequência de casos e prevalência de esquistossomose no município de Feira de Santana, segundo bairro das vítimas, no período 2003-2006. Ao agrupar as informações sobre o capital econômico e cultural da cidade de Feira de Santana, pôde-se observar a seguinte situação: o bairro dos Capuchinhos possuía alto capital econômico (51%) e médio capital cultural (51%), representando as melhores condições de vida para da população, o bairro Campo do Gado Novo apresentou as piores proporções, e foi classificado como bairro de baixo capital econômico (89%) e baixo capital cultural (92,5%), representando as piores condições de vida na cidade de Feira de Santana determinada (Mesa). 1).

Resultados do modelo de regressão logística para associação entre a incidência de esquistossomose nos bairros de Feira de Santana e a variável capital econômico (n = 44). Casos de esquistossomose na cidade de Feira de Santana, analisados ​​pela estatística de varredura espacial de Kulldorff.

Tabela 5. Prevalência de casos de esquistossomose, no município de Feira de Santana- Santana-Ba, 2003–2006, segundo ano de notificação
Tabela 5. Prevalência de casos de esquistossomose, no município de Feira de Santana- Santana-Ba, 2003–2006, segundo ano de notificação

DISCUSSÃO

A prevalência da esquistossomose aumenta rapidamente em pessoas entre 2 e 20 anos de idade e diminui mais ou menos lentamente em faixas etárias mais avançadas (REY, 1992; NUNES et al.). Pessoas em faixas etárias mais jovens correm maior risco de serem infectadas do que os adultos. mostram que a expansão da esquistossomose não se deve apenas à presença permanente de focos de caramujos e doentes, mas também está relacionada às condições. Portanto, é possível afirmar que em Feira de Santana existem mais áreas com focos de esquistossomose do que as detectadas.

Deve-se enfatizar também que embora a esquistossomose seja uma doença de notificação obrigatória, existem deficiências no seu registro que podem obscurecer os resultados destes estudos. 1996), a forma como o espaço é ocupado garante a reprodução da esquistossomose nas comunidades, portanto, para uma melhor compreensão da dinâmica desta doença, a esquistossomose deve ser considerada como o resultado de uma rede de fatores: biológicos, sociais, políticos e culturais . Segundo Martins et al.(2003), a ocorrência e prevalência da esquistossomose estão ligadas a uma ampla e complexa cadeia de determinação caracterizada pela contribuição de aspectos do ambiente físico e social. Em Feira de Santana existem muitos recursos hídricos na área urbana e suburbana, incluindo fontes, riachos e lagoas.

O bairro de Subaé, que também apresentava alta prevalência de esquistossomose, possui uma lagoa (Lagoa do Subaé) e faz divisa com o bairro de Lagoa Salgada, onde está localizada a Lagoa Salgada. Além da localização das lagoas, outro fator que deve ser considerado para entender a prevalência da esquistossomose em Feira de Santana é a forma como o espaço é ocupado na cidade. Esses fatores: a presença de reservatórios de água e as condições socioeconômicas precárias contribuem para a transmissão da esquistossomose entre os habitantes dessas áreas e regiões vizinhas.

Em Feira de Santana, muitos bairros considerados de condições de vida médias e altas, segmentos da população de baixo nível socioeconômico, apresentam resquícios de invasões que lhes deram origem. Outro fator que merece destaque é a falta de informações a respeito da classificação oficial dos bairros de Feira de Santana segundo condições socioeconômicas.

CONCLUSÃO

Inter-relação entre dados ambientais e de saúde: análise de risco sanitário aplicada ao abastecimento de água no Rio de Janeiro utilizando sistema de informações geográficas. Aspectos macroepidemiológicos da esquistossomose mansoni: análise da relação entre irrigação e perfil espacial da endemia no estado da Bahia, Brasil. O uso de técnicas de geoprocessamento na cartografia ambiental: uma aplicação no estudo dos recursos hídricos em Feira de Santana.

Estudo clínico-epidemiológico da esquistossomose mansoni em escolares da Ilha, município de Arques, Minas Gerais, 1983. Avaliação multitemporal da ocupação de lagoas urbanas em Feira de Santana-BA, utilizando SIG. Aspectos macroepidemiológicos da esquistossomose mansoni: uma análise da relação entre a irrigação e o perfil espacial da endemia no estado da Bahia.

Aspectos epidemiológicos da esquistossomose mansônica nos bairros Novo Horizonte e Campo Limpo, Feira de Santana, Bahia. O uso do sensoriamento remoto para localização de lagos no município de Feira de Santana-BA. A ocorrência das formas aguda e crônica da esquistossomose mansoni no Brasil, de 1997 a 2006: uma revisão de literatura.

Perfil clínico e epidemiológico dos pacientes com mielorradiculopatia esquistossômica atendidos em uma unidade de saúde de Pernambuco.

Cadastro das feições hídricas do Município de Feira de Santana

Modelo de Regressão Logística, ajustado por Idade

Distribuição de bairros de Feira de Santana –BA- segundo Capital cultural (anos de estudo)

Distribuição dos bairros de Feira de Santana –BA- por capital econômico (renda do chefe da família).

Distribuição dos bairros de Feira de Santana –BA- segundo capital econômico (renda do chefe de família)

CEB = percentual de chefes de domicílio com baixo capital econômico (sem renda até 2 salários mínimos). CEM = percentual de chefes de domicílio com capital econômico médio (renda acima de 2 a 5 salários mínimos).

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)

Imagem

Tabela 1. Progressão da população residente urbana e rural do município de Feira de  Santana, Bahia – 1950 – 2000
Tabela 2. Taxa de urbanização do município de Feira de Santana, Bahia – 1940 – 2000.
Figura 1: Mapa de distribuição dos bairros na cidade de Feira de Santana – BA.
Figura 2. Áreas endêmicas e focais da esquistossomose mansônica no Brasil, 2004.
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Referências

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