Os principais determinantes da desnutrição em pacientes com câncer são a redução da ingestão total de alimentos, alterações metabólicas induzidas pelo tumor e aumento da demanda calórica devido ao crescimento do tumor.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
INTRODUÇÃO
Entre os pacientes com câncer, 66,4% eram desnutridos, e o risco nutricional mudava com a localização da doença, principalmente quando o câncer afetava o aparelho digestivo. Um estudo epidemiológico na Espanha, onde 60,0% dos pacientes tinham câncer, utilizando a avaliação subjetiva global produzida pelo próprio paciente (ASG-PPP), identificou que a maioria dos pacientes. Entre as ferramentas utilizadas para rastrear o risco nutricional em pacientes com câncer estão o ASG e o ASG-PPP, introduzidos por Detsky et al.
Os objetivos da Pesquisa Brasileira de Nutrição Oncológica (IBNO) foram realizar um exame nutricional multicêntrico nacional usando o ASG-PPP em pacientes com câncer e correlacionar o estado nutricional com a localização da doença e a presença de sinais e sintomas de pacientes com câncer. que foram admitidos neste período.
METODOLOGIA
Em pacientes internados para tratamento cirúrgico, a avaliação deve ser feita em até 48 horas da admissão por meio da realização de ASG e ASG-PPP. Hospital Universitário de Brasília (HUB) – Distrito Federal Centro-Oeste de Pernambuco Fundação de Hematologia e Hemoterapia (Hemope) – Nordeste de Pernambuco. Instituições e profissionais que participaram do projeto foram cadastrados nesse sistema e passaram a ter acesso ao ASG-PPP.
Alfredo Abrão Centro Oeste Hospital Santa Rosa – Escola de Nutrição/Departamento de Alimentação e Nutrição – UFMT Centro Oeste.
Nutritional status affects the rate of pancreatic fistula after distal pancreatectomy: a multivariate analysis of 132 patients.
O PAPEL DO CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS NA ELABORAÇÃO E NA CONSTRUÇÃO DAS POLÍTICAS DE
ATENÇÃO NUTRICIONAL ONCOLÓGICA
A região Nordeste é representada pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, cuja rede de atendimento inclui 40 Unacon e 10 Cacon. A distribuição percentual da amostra estudada quanto ao gênero e faixa etária está descrita na Figura 1 a seguir. Nas tabelas 4 a 9 a seguir, estão descritas as distribuições de frequências simples e percentuais por sexo, por faixa etária, por estado e distrito federal, dos que participaram da coleta nacional de dados.
Këto shtete ishin Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina dhe São Paulo .
AS ALTERAÇÕES DE PESO E A DOENÇA ONCOLÓGICA
Por muitas décadas, houve relatos de perda de peso como um importante indicador da presença da gravidade e desenvolvimento de muitas doenças, bem como de distúrbios nutricionais, como a desnutrição protéico-calórica. O peso corporal pode ser medido de forma simples e precisa e, portanto, a perda de peso pode ser facilmente determinada se o peso do paciente for medido antes e depois da ocorrência da perda. Os critérios para perda de peso grave em pacientes hospitalizados são: perda maior que 2,0% do peso por semana, perda maior que 5,0% ao mês, perda maior que 7,5% em três meses e perda maior que 10,0% em 6 meses.
Por esse motivo, a perda de peso é considerada o principal fator de risco nutricional em pacientes com câncer. Resultados semelhantes foram encontrados em pacientes ambulatoriais: um em cada cinco estava desnutrido com perda de peso maior ou igual a 10,0% em seis meses, portanto a triagem nutricional seria útil para esse grupo identificar a perda de peso em um estágio inicial (BURDEN et al., 2010). O acompanhamento e a interpretação de uma avaliação nutricional completa durante a quimioterapia são essenciais, pois as alterações no peso corporal afetam 36,0% dos pacientes.
Os efeitos da perda de peso no prognóstico de pacientes submetidos à quimioterapia mostram uma resposta reduzida ao tratamento em comparação com aqueles sem perda de peso. Por outro lado, a perda de peso e massa magra pode atingir um estado mais grave e irreversível, um estado de caquexia neoplásica, que é inversamente proporcional ao tempo de sobrevida e prognóstico (CORONHA; CAMILO; RAVASCO, 2011). Os critérios diagnósticos estabelecidos incluem perda de peso maior ou igual a 5,0% ou 2,0% em indivíduos que já estão abaixo dos valores de peso esperados, de acordo com o índice de massa corporal (IMC) - menor que 20 kg/m2 - ou a presença de sarcopenia ( ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CUIDADOS PALIATIVOS, 2011).
A caquexia, cujo sintoma mais marcante é a perda de peso perceptível e rápida, apresenta diversas manifestações clínicas como anorexia, alterações do paladar, astenia, aumento da fadiga, perda involuntária de peso (gordura e massa magra), perda da competência imunológica e da capacidade motora e física atividade física, apatia, desequilíbrio iônico, anemia, náuseas e alterações no metabolismo de proteínas, carboidratos e lipídeos (BROWN, 2002). Quando se estratifica o histórico de perda de peso entre adultos e idosos, encontra-se 41,96%.
INGESTÃO ALIMENTAR, SINTOMAS
GASTROINTESTINAIS E ATIVIDADE FÍSICA DO PACIENTE ONCOLÓGICO
As alterações metabólicas decorrentes da doença e a perda de peso têm impacto negativo nas funções orgânicas do paciente, influenciando no prognóstico (CARVALHO et al., 2011). Por sua vez, esses fatores contribuem para a manutenção da anorexia e perda de peso, levando à redução da qualidade de vida dos pacientes e menor resposta ao tratamento (CARVALHO et al., 2011). Por outro lado, estudos indicam que o gasto energético de repouso de pacientes com câncer avançado é significativamente maior em comparação com indivíduos saudáveis.
A diarreia é outro sintoma comum, especialmente durante a quimioterapia, mas o trato digestivo e os tumores neuroendócrinos também podem induzir esse sintoma (SHADAD et al., 2013a). O método de tratamento e a localização do tumor influenciam muito na ocorrência de sintomas digestivos em pacientes com câncer. Por ser difícil o retorno, a intervenção precoce é a principal estratégia para evitar a caquexia do câncer (CALIXTO-LIMA et al., 2012).
Finalmente, a irradiação do cólon, cólon e reto tem consequências para diarreia, tenesmo, dor retal, incontinência fecal e retite actínica (SHADAD et al., 2013b). Da mesma forma, a prevalência de mucosite é maior em pacientes tratados com quimioterapia e radioterapia (90,0%) em comparação com pacientes tratados apenas com radioterapia (62,0%) (SHADAD et al., 2013b). Pode atingir cerca de 74,0% dos indivíduos, principalmente nos estágios avançados da doença, sendo muitas vezes acompanhada de sintomas como dor, falta de ar, perda de apetite e náuseas (RAAF et al., 2013).
Observou-se que 45,46% dos pacientes da amostra relataram que suas atividades de vida diária foram mantidas, mas apenas 39,37% dos idosos apresentaram as mesmas características. As Tabelas 21 e 22 mostram a distribuição de frequência simples e o percentual de pacientes com câncer na população adulta e idosa e seu comportamento nas atividades de vida diária, segundo a localização da doença em 16 estados brasileiros e no Distrito Federal.
ALTERAÇÕES METABÓLICAS DO CÂNCER E DÉFICIT CORPORAL: RESERVA DE GORDURA, ESTADO DE
FLUIDOS E ESTADO DOS MÚSCULOS
IDOSOS: DEFICIÊNCIA ORBITAL, TRICESIPITAL, SEMICONDUTOR E GORDURA GERAL Tabela 31 - Distribuição simples de frequência e percentual de pacientes com câncer na população estudada e seu comportamento em relação à deficiência de gordura orbitária - idosos. ADULTOS E IDOSOS: TEMPORAL, SLIDE MÓVEL, OMBRO, INTEROSSEAL, ESCAPURAL, QUADRÍCEPS, PANTELEIRA E DEFICIÊNCIA MUSCULAR GLOBAL idoso.
CLASSIFICAÇÃO DO RISCO NUTRICIONAL POR MEIO DA AVALIAÇÃO SUBJETIVA GLOBAL
PRODUZIDA PELO PRÓPRIO PACIENTE
Portanto, a identificação precoce dos riscos nutricionais e a intervenção adequada são de extrema importância para o sucesso do tratamento. A partir de um método de avaliação nutricional já conhecido e validado, o ASG, Ottery criou uma adaptação específica para a população oncológica: o ASG-PPP (OTTERY FD, 1996; BARBOSA-SILVA MC e DE BARROS AJ, 2003). Isso visaria reduzir o tempo de aplicação do questionário, de forma que um método original de avaliação nutricional pudesse ser utilizado como método de rastreamento (LEUENBERGER M et al., 2010).
Desde as primeiras publicações para sua utilização, o ASG-PPP tem demonstrado excelente sensibilidade (98,0%) e especificidade (82,0%) quando comparado ao ASG original, considerado método padrão ouro na avaliação nutricional. Estudos têm mostrado que os resultados obtidos estão significativamente relacionados ao tempo de internação e à qualidade de vida dos pacientes (BAUER J et al., 2002; ISENRING et al., 2003). Outros métodos de triagem mencionados acima também foram usados em pacientes com câncer, mas o ASG-PPP oferece várias vantagens sobre outros.
Foi validado em pacientes oncológicos e é o único que permite a identificação de intervenções nutricionais ou farmacológicas específicas dependendo das necessidades e sintomas do paciente (BAUER J et al., 2002). O ASG-PPP trabalha com dois tipos de classificação: uma baseada no estado nutricional, semelhante à ASG tradicional, e outra baseada em escores numéricos. Essa classificação de pontuação numérica identifica quatro níveis de risco nutricional, permitindo diferentes intervenções para cada um deles.
Para isso, o ASG-PPP é um excelente instrumento se usado corretamente, rotineiramente, em todos os pacientes recém-diagnosticados com câncer. Ao avaliar os idosos, 55,7% apresentavam algum grau de desnutrição ou presença de risco nutricional (B = 40,9% e C = 14,7%), representando uma diferença de 10 pontos percentuais a mais do que os indivíduos da amostra como um todo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este documento possibilitará discussões sobre ajuda e diagnóstico nutricional para pessoas com câncer, dando novos passos para a construção da Rede de Atenção Nutricional em Oncologia. A elaboração deste documento permitiu estreitar as relações entre os profissionais e as organizações, o que frutificará no desenvolvimento de novos protocolos e projetos multicêntricos na área da nutrição e oncologia. O conteúdo deste documento descreve de forma geral o estado nutricional de um adulto com cancro nas diferentes fases da doença e do tratamento.
A escolha do instrumento ASG-PPP foi conjuntamente, descrita no documento do I Consenso Nacional de Nutrição Oncológica, como instrumento a ser utilizado para triagem nutricional no momento da internação do paciente com câncer. O registro, neste documento, da ocorrência de sinais e sintomas gastrointestinais, histórico de perda de peso, alterações corporais e estado nutricional ajudará os profissionais que atendem pacientes com câncer a antecipar essas manifestações clínicas e nutricionais, sugerindo mais planos terapêuticos. . O objetivo deste trabalho é garantir, em um país de dimensões continentais, equidade e qualidade na assistência nutricional aos pacientes oncológicos.
Os próximos passos incluem a divulgação do artigo e o desenvolvimento de novos protocolos de pesquisa que possam incluir segmentos importantes dessa população, como idosos e crianças com câncer. Outra medida importante será a criação de um grupo de revisão do documento do Consenso Nacional de Nutrição Oncológica nas Fases I e II. Foram incluídos profissionais e instituições que pudessem representar de fato a assistência nutricional em oncologia no Brasil.
Toda construção e discussões foram socializadas, todos os profissionais foram capacitados para melhor utilização da ferramenta ASG-PPP, e todos tiveram a oportunidade, com o mesmo grau de participação. Este documento certamente contribuirá para uma melhor definição das políticas públicas que envolvem o cuidado ao paciente oncológico no Brasil.1.
ELABORAÇÃO E COLABORAÇÃO
Região Norte – Nutricionista Ana Maria Calábria Cardoso (CRN-7) Região Nordeste – Nutricionista Isabel Cristina Leal (CRN-6). Nutricionista Ana Luiza Reis Nutricionista Ângela Benedetti Nutricionista Cláudia Magalhães Nutricionista Elisângela Pedreira Nutricionista Flávia Lima Nutricionista Mônica Meale Nutricionista Natália Guimarães Nutricionista Priscilla Melo.