Retificação do direito à saúde na encefalopatia crônica não progressiva no Rio de Janeiro / Nathalia Letícia Souza Oliveira Espíndula. – 2023. Tabela 1- Processos judiciais com pedidos de tratamento especial para pessoas com diagnóstico de encefalopatia crônica não progressiva, site do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, período de janeiro de 2016 a maio de 2021.
Contextualizando o sistema de saúde antes da reforma sanitária
Esse modelo de serviço, construído no século XX, fragmentou as medidas de saúde pública e a assistência sanitária e hospitalar (PAIM, 2015). Nesse período não existia Ministério da Saúde e as campanhas de saúde não tinham caráter social.
Reforma Sanitária Brasileira
Mais adiante, ocorreu em 1986 a 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), presidida por Sérgio Arouca, uma das personalidades mais importantes e emblemáticas da reforma sanitária brasileira. Portanto, a reforma sanitária do Brasil garantiu constitucionalmente o direito universal à saúde e institucionalizou o Sistema Único de Saúde (FLEURY, 2009).
Princípio da Dignidade da Pessoa Humana
E por fim o marco histórico, onde a dignidade da pessoa humana é destacada em diversos documentos como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948); O princípio da dignidade humana refere-se aos direitos fundamentais, que são os direitos consagrados na Constituição Federal Brasileira.
O Mínimo Existencial e a Reserva do Possível
Mínimo Existencial
Reserva do Possível
Mínimo existencial versus a reserva do possível
Pessoa com deficiência – encefalopatia crônica não progressiva
Em 1843, a encefalopatia crônica não progressiva (ECNC) foi descrita pela primeira vez por William John Little, ortopedista inglês, que se dedicou ao estudo de 47 crianças com sinais clínicos de espasticidade, observando características negativas ao nascimento, tais como: ( 1 ) Apresentação pélvica, (2) prematuridade, (3) dificuldade no parto, (4) atraso no choro e na respiração ao nascer, (5) convulsões e coma nas primeiras horas de vida. Estes e outros sistemas de classificação oferecem às famílias e aos profissionais a oportunidade de avaliar e classificar melhor os pacientes com NPCE e assim prosseguir com a intervenção centrada no paciente e nos seus desafios.
Fenômeno da judicialização do direito à saúde
É evidente que o direito à saúde no Brasil vivencia incertezas causadas pela falta de políticas públicas, gerando uma insuficiência de tratamentos básicos de saúde (SOUZA, 2019). Segundo o Plano Estadual de Saúde, existe uma profissão que se diferencia do estado do Rio de Janeiro, com maior concentração nas regiões metropolitanas I e II. Contudo, o município do Rio de Janeiro avançou na cobertura da APS no modelo da Estratégia Saúde da Família (ESF) no período de 2009 a 2016, repercutindo positivamente na região metropolitana I e no estado indicado (SES/RJ, 2020 ).
Portanto, nota-se que os fundamentos se basearam na Constituição Federal de 1988, no Princípio da Dignidade Humana, na Lei do Mínimo Existencial e na Constituição do Estado do Rio de Janeiro. A Constituição Federal de 1988 materializa o SUS e o fortalece como conjunto de ações e serviços de saúde pública. O direito à saúde está intimamente relacionado ao princípio da dignidade humana e ao conceito de mínimo existencial.
Dessa forma, considera-se a não efetivação do direito à saúde a não efetivação dos demais direitos sociais, levando-se em conta o conceito ampliado de saúde. A adjudicação da saúde na perspectiva do princípio da igualdade e seu impacto no direito à saúde coletiva.
Determinantes sociais da saúde a acesso à justiça
O Poder Judiciário e seus limites de atuação
Portanto, o Judiciário ultrapassaria os limites de suas competências institucionais ao governar as políticas públicas. Ávila e Melo (2018) entendem a judicialização através do papel do Poder Judiciário na implementação de políticas públicas; Isso ocorre em decorrência da multiplicidade de determinações judiciais para garantir o acesso individual ou coletivo a bens jurídicos com recursos públicos. O ponto positivo é que há a mobilização da sociedade civil e das instituições jurídicas para a defesa coletiva e a promoção de políticas públicas por parte do Poder Público.
E a partir da percepção de alguns casos concretos, fica comprovado que o controle das políticas públicas pelo Poder Judiciário é legítimo e necessário, a partir da inércia dos demais poderes.
Ativismo Judicial e Judicialização
Os motivos da legalização são diversos e em algumas situações mostram uma tendência global e em outras expressam o modelo institucional brasileiro (BARROSO, 2008). Para Conti (2022), a juridificação da política é resultado de um processo histórico que tem origem no constitucionalismo democrático e possui muitos fatores, o primeiro é a centralidade e sua força normativa, que permite mudanças no exercício da jurisdição constitucional. Portanto, o Judiciário é o principal ator na tomada de decisões estratégicas em relação a assuntos que tradicionalmente eram reservados à esfera política deliberativa. A primeira razão para a legalização foi a redemoralização do país após a adoção da CF em 1988.
Segundo Conti (2022), a legalização da política é a transferência de competências devido à necessidade do Judiciário lidar com situações em que os demais poderes são evadidos, enquanto o ativismo jurídico é uma ação subjetiva sem contexto na interpretação das normas com o objetivo . para criar um direito.
Contextualização da saúde no Estado do Rio de Janeiro
Existe um entendimento de que a distribuição desigual dos serviços de saúde e das comodidades urbanas e outros impactos, como o crescimento descoordenado das favelas, a degradação ambiental, o desemprego e a exclusão social, estão presentes quando examinamos as desigualdades nas infra-estruturas de saneamento. Para tanto, as condições socioeconômicas regionais estão direta ou indiretamente fortemente relacionadas ao adoecimento e à morte, pois não apenas aumentam as possibilidades de riscos e vulnerabilidade, mas também significam acesso a recursos de saúde preventivos e curativos (SES/RJ, 2020). Para mudar esse cenário social nos serviços de saúde, foi fundada a organização Rede de Atenção à Saúde – RAS (SES/RJ, 2020).
Diante disso, os serviços de APS devem ser complementados com cuidados intensivos tecnológicos de média e alta complexidade para a implementação de atividades especializadas, tanto ambulatoriais quanto hospitalares (SES/RJ, 2020).
Tipo de estudo
Diante deste posicionamento, os autos afirmam em seus recursos (11%) que as decisões violam o princípio da separação de poderes. Compreende que o princípio da dignidade humana tem dupla função, pois integra direitos fundamentais, pode ser identificado como um núcleo essencial e também porque é um elemento significativo de proteção de direitos contra medidas restritivas impostas pelo Estado ao acesso a bens fundamentais. direitos (ALVES; BITENCOURT, 2017). Portanto, o princípio da dignidade humana baseia-se no “reconhecimento do social, ou seja, na valorização positiva das reivindicações de respeito social” (ALVES; BITENCOURT, p.
É verdade que existe uma ligação entre os direitos fundamentais e o princípio da dignidade humana, sendo uma chave para qualquer interpretação constitucional dos direitos fundamentais (ALVES; BITENCOURT, 2017). A função conhecida como eficácia negativa do princípio da dignidade humana, invocando o princípio como regra que impede determinados comportamentos (PUS-CHINSKI; MACIEL, 2022). Segundo Puschinski e Maciel (2022), definir as funções do princípio da dignidade humana no direito brasileiro é a chave para evitar a erosão que o princípio sofre no dia a dia com seu uso indiscriminado em todas as ações judiciais, tornando-o cada vez mais abstrato.
O princípio da separação de poderes e da ponderação de poderes: uma análise crítica a partir da decisão da fosfoetanolamina. A saúde como direito social e as garantias da dignidade humana: O princípio da universalidade e o poder judiciário das políticas públicas / A saúde como direito social e garantia da dignidade humana: A.
Local de pesquisa
Critérios de inclusão e exclusão
Amostra
Como critério de inclusão foram considerados casos encerrados e disponíveis com conteúdo completo, avaliados nos últimos 5 anos (janeiro/2016 – maio/2021), envolvendo pacientes com diagnóstico de encefalopatia crônica não progressiva. Atendendo ao tema e objetivos da investigação, considerou-se apenas um procedimento legal de pedido de tratamento por especialidade (ponto 1). Portanto, os processos mencionados incluem apenas aqueles da categoria de tratamento especializado para pessoas com diagnóstico de encefalopatia crônica não progressiva. Assim, a amostra de trabalho foi composta por 30 processos judiciais envolvendo pessoas com encefalopatia crônica não progressiva. , de janeiro de 2016 a maio de 2021.
Procedimentos éticos do estudo
Os conflitos relativos ao princípio da separação de poderes estão envolvidos numa questão sobre qual órgão pertence a qual competência. Atualmente, o princípio da razoabilidade é utilizado além do direito constitucional, bem como em outras áreas do conhecimento jurídico, tendo em vista o princípio da unidade do sistema (NISHIYAMA, 2011). Silva (2019) destaca que o princípio da razoabilidade é uma ferramenta que visa prevenir abusos nas ações administrativas.
O princípio da legalidade surge como forma de proteger o indivíduo contra o Estado, sendo a lei o instrumento de limitação do poder (GASPARETTO, 2012). Em termos concretos, o princípio da legalidade significa que a administração só poderá atuar se houver previsão legal prévia, ou seja, por uma das leis normativas previstas na Constituição Federal (GASPARETTO, 2012). Quando for estabelecido o princípio da universalidade, o acesso aos serviços públicos deverá ser proporcionado a todos os cidadãos – caráter genérico e universal (PANAZZOLO, 2020).
Para Kalichman (2016), o princípio da integralidade é o mais exigente de todos quando se fala em construção conceitual e prática. O princípio da razoabilidade como expressão do princípio da justiça e da competência do juiz.
Instrumento para a coleta de dados
Tratamento e análise dos dados
Esta tripla dimensão relaciona-se entre si e tem íntima ligação com outros princípios constitucionais, bem como impõe uma equação constitucional sistemática e harmoniosa para garantir, na perspectiva do princípio da máxima eficiência e eficácia dos direitos fundamentais, a prestação da sociedade . direitos de natureza benéfica (SARLET; FIGUEIREDO, 2008). Quanto à violação do princípio da separação de poderes, destaco que o entendimento deste Tribunal de que não configura descumprimento deste princípio é uma decisão do Poder Judiciário, que, em situações excepcionais, determina o dever do Estado tomar medidas para garantir direitos garantidos pela constituição (BRASIL, 2018 apud FERREIRA; VIANA, p. 16, 2020). O princípio da proporcionalidade faz parte daquele da razoabilidade, “há uma conexão entre a razoabilidade e a qualidade da ação concreta, bem como entre a proporcionalidade e a quantidade de razoabilidade, a fim de evitar excessos” (NISHIYAMA, p.
5º da Constituição Federal, o princípio da legalidade determina que “ninguém deve ser obrigado a fazer ou deixar de fazer nada senão com base na lei” (BRASIL, 1988). Segundo D’Arbo (2011), tanto o direito administrativo quanto o princípio da legalidade nasceram com o Estado de Direito, sendo a garantia básica do respeito aos direitos individuais, atentando-se para a submissão da administração pública às leis. O princípio do benefício segundo o Relatório Belmont é uma obrigação e deve-se atentar para regras básicas como: não causar danos, maximizar benefícios e minimizar danos potenciais (OLIVEIRA; RIBEIRO; ALEXANDRE, 2020).
Segundo Panazzolo (2020), o princípio da universalidade é a garantia de acesso aos direitos sociais fundamentais materializados pelas políticas públicas, acrescentando que é consequência do princípio da igualdade, uma vez que o serviço público deve ser prestado com igualdade de tratamento entre aqueles que procuram acesso.