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Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Histórias em três tempos: lutas por moradia num contexto político-religioso na zona oeste do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.

Figura 1 – Barracão da Cooperativa Esperança
Figura 1 – Barracão da Cooperativa Esperança

A memória de Shangri-lá – Uma narrativa mítica

1 SHANGRI-LÁ E AS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO NO RIO DE JANEIRO – ENTRE A PARCERIA COM A IGREJA CATÓLICA E O FINANCIAMENTO DO GOVERNO. A fala de Jurema no início deste capítulo me parece emblemática, pois combina sua memória individual com a memória coletiva de Shangri-lá.

CEBs e as influências católicas no ideário da União e das

A narrativa mítica de Shangri-lá está imbuída de valores e ideais que vêm das CEBs: a necessidade das pessoas se unirem e construírem laços de solidariedade na luta por moradia. Enfatizo aqui o que já mencionei: a construção do Shangri-lá não está ligada apenas à criação do CEB Josimo Tavares, mas também à consolidação do escritório de representação da Associação de Habitação Popular no Rio de Janeiro.

Jurema e suas memórias

Infância, violência, trabalho e as remoções

Após a mudança relatada na fala anterior, ela conta que eles se mudaram para uma favela no Camorim. Jurema conta que logo após o episódio relatado acima, a mudança aconteceu e eles foram morar em Santa Cruz, no conjunto residencial Antares24.

De Realengo a Shangri-lá e o início do engajamento político

O início da construção da cooperativa Shangri-lá marca também a aproximação de Jurema com o Sindicato pela Moradia Popular. Jurema lembra que os primeiros projetos da União no Rio de Janeiro – como o Ipiiba, localizado em São Gonçalo e Shangri-lá – foram construídos com financiamento de instituições internacionais, como MISEREOR.

Os “grupos de Jacarepaguá” e o campo de pesquisa

Assim, enfatiza a necessidade de reiniciar outras formas de trabalho e financiamento que não funcionam com dinheiro público – como foi o caso de Shangri-lá. O grupo denominado Guerreiros Urbanos está em “fase de organização”: os encontros acontecem todos os meses no centro comunitário de Shangri-lá.

De Shangri-lá à Esperança – Uma nova forma de construir

Devido ao fracasso do programa Crédito Solidário no Rio de Janeiro, foi ironicamente apelidado de “Crédito Solitário” por militantes sindicais e também por membros da equipe da FBR. Representantes da União e da FBR levaram a proposta de “migrar” do MCMV para o grupo Esperança, por considerarem que haveria mais chances de obter financiamento por meio deste novo programa.

Colônia Juliano Moreira – De instituição psiquiátrica ao “bairro

Desde 2009, abriu-se a perspectiva de mudanças profundas no território da colônia com a aplicação de investimentos governamentais em infraestrutura urbana na região por meio do PAC-Colônia (Programa de Aceleração do Crescimento). 33 O reconhecimento da Colônia como bairro da cidade do Rio de Janeiro só ocorreu em 2011.

A Colônia e a Cooperativa Esperança

Desde 2009, a Assessoria Técnica Fundação Bento Rubião em conjunto com a União por Moradia Popular do Rio de Janeiro buscavam a cessão de terreno para construção da Cooperativa Esperança na Secretaria da União do Patrimônio (SPU). O termo é mais utilizado por membros da Associação de Habitação Popular ou consultores técnicos – assistentes sociais, arquitetos.

Moradores antigos e moradores recentes da Colônia

Os moradores, ex-funcionários e familiares, são chamados de herdeiros da Colônia pelos moradores de Esperança. Uma teia de rumores e incertezas permeia, portanto, as relações na área de Colônia: antigos moradores em relação aos novos moradores, que incluem pessoas de Esperança; e os moradores de Esperança em relação aos futuros moradores dos prédios do MCMV.

Rumores, inseguranças e ameaças

A desconfiança dos moradores de Esperança em relação a quem vai morar no complexo vizinho é permeada de julgamentos morais e de medo: não sabemos de onde vieram ou se são criminosos, disse-me um morador de Esperança durante uma conversa. Definido o terreno Esperança e passada a informação a todos os integrantes do grupo, o terreno foi imediatamente cercado: assinamos o contrato, tomamos posse do terreno e depois construímos o barracão (Neide).

Luta por moradia e a narrativa do sacrifício

Durante o período inicial de construção das casas cooperativas Esperança, também houve um episódio em que foi roubado um computador deixado em uma das casas. A dificuldade de acesso a informações relevantes para o processo de construção da cooperativa e os diversos entraves burocráticos que fazem parte da novela de contratação parecem refletir claramente um certo modo de atuação dos órgãos estatais em relação às populações pobres e aos movimentos populares.

A primeira reunião em Esperança

Duas mulheres com quem conversei em Esperança, Nilda e Wanda, disseram que já estavam acostumadas com a obra, tendo acompanhado o processo de construção na casa dos pais. Maricato (1978) também destaca que a lógica dos esforços conjuntos e da “solidariedade forçada” é observada nesse processo de construção de moradias para as classes pobres.

O risco de impeachment e a tensão sobre a “posse das casas”

Embora não tenha sido mencionado na reunião que descrevi anteriormente, o perigo de uma invasão iminente foi-me relatado como um medo presente entre os futuros residentes. Nota-se que embora os futuros moradores sejam maioria, a autoridade de Jurema como dirigente sindical e mediadora nas relações com as diversas instâncias do Estado lhe confere legitimidade para decidir não prosseguir com a inauguração.

Tensões, inseguranças e preparativos

Dado que não existe uma forma legal de impedir que as pessoas vendam as suas casas após a conclusão da construção, os dirigentes sindicais e os técnicos envolvidos tendem a desencorajar a venda, sublinhando a necessidade de valorizar a comunidade que ali se constrói. Segundo ela, foi muito difícil que as pessoas estivessem disponíveis para ajudar na organização do evento.

A inauguração de Esperança

Esta conversa foi seguida de um breve encontro com algumas mulheres que faziam parte da coordenação da cooperativa: Marlene, Neide e Maria. Mas o dia da inauguração pretendia sobretudo assinalar a data em que as pessoas finalmente começaram a viver nas casas da cooperativa.

Figura 5 – Faixa fixada no muro da Cooperativa Esperança
Figura 5 – Faixa fixada no muro da Cooperativa Esperança

Tensões e questões pós-inauguração

A possibilidade de concorrer ao prêmio Caixa deixou o encontro um pouco mais animado e eles começaram a conversar. De repente, uma equipe de construção.” As pessoas se entreolharam, aparentemente desconhecendo o “grupo” a que Cláudio se referia, e não discutiram mais o assunto.

As narrativas das mulheres de Esperança – o engajamento e os

Kathleen

Muitas vezes eu não tinha dinheiro para pagar a passagem e pedalava da Cidade de Deus até Shangri-lá – onde aconteciam os encontros – o que significava uma hora de pedalada. Por outro lado, considerou uma situação desagradável viver na casa da ex-sogra, principalmente por estar “em cima da casa do ex-marido”, que nessa altura já tinha constituído outra família.

Marlene

E ele disse: “Uau, encostado em você e você não sabe?” Trabalhei na Paróquia, mas morava perto de Shangri-lá. Porque tem muita gente que pensa ‘ah, não tenho condições de fazer isso’.

Neide

O grupo Guerreiras Urbanas também tem a opção de adquirir um terreno para construir uma cooperativa na região de Colônia. Em maio de 2018, o Guerreiras Urbanas passou por uma mudança significativa na formação – que incluiu até mudança de nome.

A primeira reunião de Guerreiras Urbanas

Não é incomum que a pessoa coordenadora que conduz a reunião (geralmente uma ou duas pessoas) repreenda a pessoa que está falando. Durante a reunião conheci Vania, que iniciou a conversa perguntando há quanto tempo eu frequentava as reuniões.

Quem está aqui pela primeira vez?

Eu disse a eles que não fazia parte do grupo e que estava pesquisando sobre cooperativas e continuamos conversando. No segundo encontro que participei, pedi à Cláudia uma cópia deste trabalho para que eu conhecesse esses critérios para participar do grupo.

A oração e a leitura da ata

Porém, para os coordenadores, eles já desempenham um trabalho adicional fazendo parte da coordenação, portanto a participação nos atos deverá ser do plenário e não deles. Assim, a tensão parece aumentar: durante as reuniões, os coordenadores enfatizam o pedido de Jurema, insistem para que as famílias participem, mas eles próprios não se comprometem a participar do evento.

O que forma uma “família” e quem pode participar da

As pessoas do grupo não se importavam com o relato emocional de sua condição precária e de seus problemas, mas o tipo de apoio oferecido baseava-se na lógica da caridade. É fácil observar que as famílias que fazem parte do grupo não se encontram em uma emergência que precise ser resolvida no curto prazo.

O Cadastro do grupo Guerreiras Urbanas

No caso de famílias compostas por marido, mulher e filhos, havia a possibilidade de ocultar o marido no registo, para que este não somasse os rendimentos. Um dos participantes respondeu com impaciência: Como assim estou no projeto porque não tenho casa e preciso ter comprovante de residência?

Tensões e desconfianças em relação à coordenação

Muitas pessoas não participaram desse cadastro e isso gerou desconfiança em algumas pessoas da coordenação. Nas palavras de uma das mulheres da coordenação que participou da inscrição: Tem gente que vem nas reuniões, mas não precisa, tem casa.

O desânimo e a vontade de desistir

Para ela parecia incompreensível que as pessoas não estivessem dispostas a mobilizar-se em defesa da Presidente Dilma. Aparentemente o discurso de Grazia dizendo que não era bobagem aconteceu justamente porque ela sabia que as pessoas considerariam seu discurso e o vídeo um absurdo.

A unificação dos grupos: Guerreiras da Esperança

O desânimo causado nas famílias levou ao esvaziamento quase total do grupo e à decisão de fundir os grupos de Jacarepaguá: Guerreiras Urbanas e Nova Esperança. Durante a reunião da tarde, com as plenárias de Guerreiras Urbanas e Nova Esperança, as pessoas foram informadas que a partir de hoje os dois grupos passariam a ser um só.

Afinal, quem “é movimento”?

Nas reuniões com os representantes da União, onde estive presente, foi muitas vezes colocada esta questão: aparentemente há uma explicação consensual entre os dirigentes da União de que as formas de mobilização e de formação política precisam de ser reconsideradas. O problema apresentado pelos coordenadores do Sindicato era que as famílias – o povo – não se interessavam pela discussão política e/ou não entendiam o que estava acontecendo.

A propriedade coletiva e a propriedade individual

Como mencionei em outra parte deste trabalho, os líderes da União mencionam que foi um intercâmbio com o Uruguai na década de 1990 que os levou a organizar o movimento no país, que foi uma das principais influências para a construção das casas cooperativas em Shangri-lá. Claudia disse que seu coração só relaxou quando alguém do Sindicato disse que até queria fazer assim, mas a lei não dá suporte.

Por que as pessoas não se mobilizam (da maneira esperada pela

A questão da doutrinação surgiu no sentido de não poder obrigar as pessoas a concordarem com as posições políticas da União. Em uma das reuniões, antes de chamar “voluntários” para participar de um evento na Caixa, Jurema perguntou: quem trabalha aqui para conseguir emprego? assinado.

O ato do Dia internacional do habitat

Então os seguranças se aproximaram e disseram que só poderiam autorizar a subida de três representantes do grupo. O povo tinha acabado de fechar a porta, não havia lugar para dizer que tinha havido “destruição”.

Figura 10 – Bandeiras dos movimentos no ato no prédio da Caixa Econômica
Figura 10 – Bandeiras dos movimentos no ato no prédio da Caixa Econômica

As eleições presidenciais de 2018 – “apunhalada pelas costas”

Uma Avaliação do Programa Minha Casa Minha Vida em Seis Estados Brasileiros, Letra Capital, Rio de Janeiro, 2015. Cooperativas Habitacionais de Montevidéu e Autogestão Habitacional no Rio de Janeiro: Bases Sociais, Políticas e Econômicas.

Imagem

Figura 1 – Barracão da Cooperativa Esperança
Figura 2 – Interior do barracão da Cooperativa Esperança
Figura 3 – Casas da Cooperativa Shangri-lá
Figura 4 – Planta da Cooperativa Esperança
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Referências

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Por fim, essa pesquisa defendeu a imprescindibilidade de que a sociedade civil seja compreendida como verdadeira agente no processo interpretativo da Constituição - e não como