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Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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No território onde está localizada a comunidade quilombola de Sobara, inicia-se a expansão das plantações de cana-de-açúcar com a implantação da usina Agrisa. Eles são transmitidos oralmente às gerações subsequentes e disseminados pelos membros da comunidade.

Foto 1: Crianças do Quilombo na escola - 1996
Foto 1: Crianças do Quilombo na escola - 1996

A comunidade de Sobara e os percursos educativos dos mais velhos

O trajeto do centro de Araruama até a comunidade do Prodígio é de cerca de 15 km, o que leva cerca de 20 minutos. O referido autor afirma que as pessoas trabalhavam muito no verão e muitas vezes sofriam desemprego no “inverno” – que na verdade incluía o período de março a novembro. A imagem que surgiu em minha mente era composta por pessoas em extrema vulnerabilidade, morando em cabanas de pau-a-pique, vestidas com trapos, mulheres com os filhos agarrados nas costas, um terreiro adorando deuses africanos.

Baseia-se na visão religiosa de que existe uma “guerra” entre “Deus” e o “Diabo” que acontece todos os dias e que eles são evangélicos. No caso de grupos sociais que permaneceram por cerca de 30 anos sem influência das áreas urbanas e dos processos de modernização do país, pertencer a igrejas evangélicas teria outro significado: justamente o de trazer recursos cognitivos, emocionais e institucionais que permitiriam aos seus adeptos a gradativamente “adaptar-se” às transformações que foram impostas gradativamente, mas que começaram a se acelerar em diferentes partes do Brasil na transição das décadas de 1980 para 1990 (CARREIRO, 2020; CARVALHO, 2015). No caso estudado por Carreiro (2020), o lançamento de uma base aérea e espacial como parte de um projeto de expansão da indústria militar e da pesquisa militar marcou o que pode ser chamado de “chegada da modernidade” no município de Alcântara no Maranhão. .

Mapa 1 - Estado do Rio de Janeiro – regiões turísticas
Mapa 1 - Estado do Rio de Janeiro – regiões turísticas

Religiosidades, escolas e currículos quilombolas

A esta lógica acresce ainda o facto de a “salvação da alma” ser entendida como um processo de responsabilidade e alcance exclusivamente individual, que serve para fortalecer a visão individualista do território quilombola, chocando-se com a noção coletiva. propriedade, criada e transmitida pelos antepassados ​​e que é importante para a obtenção da titularidade das terras quilombolas, através da mediação das associações quilombolas competentes. Tal distanciamento, aliás, caracteriza-se como um “companheiro” cultural, trazendo desafios às perspectivas coletivistas, tão essenciais às conquistas dos quilombolas. Os signos simbólicos e sociais nas comunidades sofrem um grande retrocesso diante dos valores reproduzidos pelas religiões evangélicas, criando assim no mesmo território a diferença entre os “eleitos” e os “não eleitos”, os “puros”.

Os autores relatam uma intervenção pedagógica realizada em uma das comunidades foco, o Tocantins, nas disciplinas de metodologia histórica e história e cultura afro-brasileira com acadêmicos do curso de pedagogia da Universidade Federal do Tocantins, onde foi verificada, com o testemunho de uma professora do ensino fundamental de que a conversão às denominações evangélicas resultou no apagamento da história e das tradições locais porque são reprovadas pelo sistema de crenças evangélicos, sob acusações. Entre alguns dos fatores que contribuem para a não confecção de instrumentos está o fato de que algumas pessoas da comunidade que dominaram as técnicas de confecção após a conversão às religiões evangélicas não participaram mais de eventos culturais nem confeccionaram instrumentos. representam o mal (NASCIMENTO; ABIB, 2016, p. 38). A partir dos fatos expostos, os autores propõem reflexões sobre o papel central dos currículos escolares, que valorizam verdadeiramente a tradição e a história local, as narrativas, os costumes e os rituais, enfim, a cultura e os modos de ser, agir, criar e viver, que foram tecidos ao longo de centenas de anos para essas pessoas.

Pertencimento evangélico, quilombos e currículos no interior do Rio de

Nesta etapa, para grande parte dos moradores da Rasa, o vínculo com a Assembleia de Deus parece ser mencionado apenas em um parágrafo do artigo, comentando uma declaração do professor que é personagem principal da pesquisa que está sendo realizada. relatado. pelos autores. Os quilombolas da Rasa, segundo os autores, acreditam que o antigo “pretexto” foi desaparecendo à medida que aumentava o número de pessoas que se convertiam à Assembleia de Deus e outras denominações evangélicas. Em sua pesquisa, a autora pôde verificar que embora a comunidade tivesse abandonado as práticas culturais e religiosas do passado, a partir do momento ocorreram as conversões para a Assembleia de Deus.

Conforme indicado na tese, a história da Associação das Relíquias do quilombo Rasa está intimamente ligada à história da Assembleia de Deus na comunidade. Mas, como relata a pesquisadora, a associação quilombola, depois de mais de 20 anos de existência, ainda é liderada por evangélicos pertencentes à Assembleia de Deus. Nas conversas que tive oportunidade de ter com o atual presidente da associação quilombola da comunidade, ficou muito claro que existe um entrelaçamento entre o pertencimento religioso à Assembleia de Deus, a origem da escola e, posteriormente, a organização do Associação de Relíquias de Quilombos.

O Pastor Alcebíades Ferreira de Mendonça

Embora já tenhamos destacado na introdução desta tese o percurso histórico e legislativo que construiu o caminho para a compreensão conceitual que temos hoje dos quilombos atuais, aqui voltamos ao desenvolvimento do conceito de quilombo, e apresentamos as formas de interpretação do fenômeno segundo os estudiosos que se dedicaram a contribuir com esse debate. Gomes (2005), por outro lado, mostrou que os quilombos nem sempre estiveram em situação de isolamento geográfico. Mas para além da ideia de ‘preservação cultural’, os quilombos também passaram a ser pensados ​​como centros revolucionários, como foi o caso do livro de Clóvis Moura publicado originalmente em 1959 “Rebelião na senzala – Quilombos, Insurreições e Guerrilhas”.

Ou seja, os quilombos não seriam o resultado improvisado e acidental da fuga de negros escravizados. Ao interpretar os quilombos como espaços essencialmente construídos a partir de uma historicidade e de um modo de existência social afrorreferenciados, as reflexões do historiador foram confrontadas. Para as potências dominantes durante séculos, os quilombos foram “assuntos de polícia” e não fenômenos históricos com significados a serem compreendidos e respeitados.

Foto 13 - Bairro Monteiro - São Vicente de Paulo - Araruama/RJ
Foto 13 - Bairro Monteiro - São Vicente de Paulo - Araruama/RJ

Gestão democrática: desafios e resistências

Porém, além de prescritos em regulamentações oficiais, a composição e o efetivo fluxo diário dos currículos quilombolas estão ligados à questão mais geral da democratização da gestão escolar e do desenho curricular escolar, questões que vêm sendo debatidas há décadas. , como veremos mais adiante neste capítulo. O autor explica que a escola de hoje não pode funcionar como antes, quando se esperava apenas transmitir o conhecimento científico nos livros didáticos. Segundo ele, as novas funções da escola dizem respeito à visão da pessoa como um todo, ou seja, não há nenhum aspecto da socialização de uma pessoa que não possa ser contemplado pela experiência escolar.

A educação escolar, em geral, é entendida como uma das estratégias socialmente disponíveis para a transmissão e transformação da cultura. O ser humano ultrapassa o simples âmbito da natureza em que nasceu, na medida em que adquire cultura através da educação. É justamente por isso que o homem se diferencia cada vez mais da natureza durante sua vida e transforma sua personalidade em um ser histórico-humano, ou seja, em um ser humano educado [...] a cultura é mais. e não informação, e a educação é aquisição de cultura (PARO, 2007, p. 50 - 51).

Princípios democráticos e desigualdades sociais entre negros e brancos

Há uma clara desvantagem para as famílias chefiadas por pessoas negras e de cor em comparação com as famílias chefiadas por pessoas brancas. A renda per capita das famílias chefiadas por brancos é mais que o dobro daquelas chefiadas por negros e pardos. O tamanho das famílias sob responsabilidade de brancos é menor do que o das famílias chefiadas por negros.

Por fim, as famílias chefiadas por pessoas pretas e pardas apresentam maior número de pessoas com menos de 15 anos, o que significa maior número de dependentes (CARRARA et al, 2009, p. 230). Em termos de renda, o economista Marcelo Paixão fez um estudo mostrando que é possível dizer que existem dois Brasis: um branco e um preto; Basta dizer que entre os 1% mais ricos, 11,0% são pardos, 1,8% são negros e 87,2% são brancos. Ao trazer esse arcabouço analítico para pensar a realidade das pessoas que conheci e de muitas das que entrevistei na comunidade de Sobara, fica claro que todos os achados apresentados fazem parte da história das famílias originárias do quilombo.

Isolamento, 'vergonha' e autoestima entre os moradores de Sobara

Marcos Fraga foi convidado para implementar o projeto porque tinha capacidade técnica – formação em música – e na época era pastor de outra sede da Igreja Assembleia de Deus, também em. Ao adotar a mesma perspectiva para analisar o impacto da participação do povo Sobara nas redes que compõem o movimento quilombola, fica claro que, por meio das trocas que por ele fluem, mediadas pelas ações da Associação dos Remanescentes Quilombos de Sobara , A vitória de uma “consciência infeliz” já aconteceu para eles. Santos (2016), ao relatar como ocorreu o processo de reconhecimento de uma Comunidade Remanescente de Quilombo do Sertão no Estado da Bahia, descreve que houve uma combinação de esforços de vários coletivos organizados, que também eram moradores de comunidades envolvidas. em si. como colaboradores externos.

Ressalta-se que cada integrante poderá enviar uma carta à Fundação Palmares para reconhecimento da comunidade, solicitando a presença de equipe no local para registro de dados populacionais e territoriais. Esta rede de conversas mútuas serviu para transformar as autorreferências históricas, sociais e subjetivas das pessoas, apoiou a reconstrução da identidade das subjetividades, promoveu a possibilidade de autoavaliação, avaliação positiva das memórias sociais tecidas nas experiências cotidianas, cultivo de comum reconhecimento e solidariedade, aspectos fundamentais para que os moradores da comunidade de remanescentes quilombolas sejam reconhecidos como participantes deste coletivo, como pessoas que compartilham uma origem e história comum. Da convivência com os moradores de Sobara fica claro que a constituição e o fortalecimento da identidade política coletiva que 'se tornou quilombola' se dá dentro das redes de diálogo e aprendizagem possibilitadas pelo movimento quilombola.

Cultura engessada da escola pública e as dificuldades de mudança

Reconhecer sem hesitação a diversidade e cultivar a intenção de incluí-la nos currículos praticados significa compreender e solidarizar-se com as causas e demandas de grupos que são apagados dos currículos escolares ou neles aparecem de forma marginal ou indigna. Por outro lado, mesmo o funcionamento quotidiano das escolas é em grande parte burocratizado e rígido, organizado por líderes completamente centralizados. Este sistema de nomeação está longe do ideal da democracia, onde o diretor da escola deveria ser a pessoa escolhida pela própria comunidade escolar, incluindo todos aqueles que convivem com as atividades da escola e seu entorno.

E esta ‘cultura escolar’ não deve ser confundida (..) com o que se entende por ‘cultura escolar’, que pode ser definida como o conjunto de conteúdos cognitivos e simbólicos que, selecionados, organizados, ‘normalizados’, ‘rotinizados’, sob influência de obrigações educativas, são geralmente objeto de transmissão deliberada no contexto escolar” (FORQUIN, 1993, apud OLIVEIRA, 2003, p. 295). Segundo os autores citados, esta cultura escolar só muda quando as próprias pessoas deste “mundo social” se sentem insatisfeitas e decidem assumir o papel de agentes de mudança. E quando os principais intervenientes da cultura escolar tomam esta decisão, devem estar conscientes da enorme dificuldade da tarefa e do facto de que poderá demorar muito tempo para se conseguirem as transformações necessárias.

A não aplicação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação

Daí resulta a necessidade da Associação participar na construção do Projeto Político Pedagógico da Escola. Discussão sobre as articulações (e desarticulações) entre a escola e a organização quilombola na concepção e construção do PPP da Escola Alcebíades Ferreira de Mendonça Pastor Municipal, bem como na gestão cotidiana. Ou seja, criou uma situação de baixa autoestima e, inúmeras vezes, de rejeição aos modos específicos de ser, criar e viver de negros e negras ex-escravizados e seus descendentes no Brasil.

Devo acrescentar uma nota final sobre algumas das minhas intervenções como investigador e funcionário do Ministério da Educação para contribuir para o 'aquilombamento' do pastor comunitário da Escola, Alcebíades Ferreira de Mendonça. O Plano de Poder da Igreja Universal do Reino de Deus: Estratégias Territoriais para a Expansão Neopentecostal no Brasil. Análise das categorias de subversão e resistência a partir da relação entre Igreja e Estado durante a Ditadura Militar no Brasil.

Foto 14 – Rosiele Vasconcellos – Presidente da Associação  Quilombola
Foto 14 – Rosiele Vasconcellos – Presidente da Associação Quilombola

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Foto 1: Crianças do Quilombo na escola - 1996
Foto 2 – Menino da comunidade em evento comemorativo do Dia da  Consciência Negra
Mapa 2 – Estado do Rio de Janeiro regiões “de Governo”
Mapa 1 - Estado do Rio de Janeiro – regiões turísticas
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