O presente trabalho dedica-se à análise do instituto da inobservância da personalidade jurídica da sociedade comercial no procedimento de execução contenciosa. Portanto, o objectivo dos três capítulos é examinar como, quando e por que razões a personalidade jurídica de uma empresa devidamente constituída não é tida em conta.
A SOCIEDADE EMPRESÁRIA SEGUNDO O CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO .3
- Ato constitutivo
- A personificação da Sociedade Empresária, como pessoa jurídica de
- Classificação das Sociedades Empresárias
- Quanto à responsabilidade dos sócios
- Quanto à personificação
- Quanto à forma de capital
- Quanto à estrutura econômica
- Quanto ao objeto
Esse entendimento vai ao encontro de Diniz13, que afirma tratar-se de empresas que têm por finalidade a realização de uma atividade econômica organizada. São consideradas empresas personificadas aquelas que são reconhecidas como pessoas dotadas de personalidade jurídica,69 são sociedades normais ou jurídicas, são pessoas jurídicas, também denominadas sociedades comerciais70 e estão previstas no artigo 997 do Código Civil.
EFEITOS DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Como uma pessoa jurídica não pode praticar diretamente atos da vida jurídica, ela utiliza seus administradores para fazê-lo e estes são obrigados a fazê-lo. Ademais, segundo seus ensinamentos, a titularidade processual está relacionada à possibilidade de apresentação da sociedade comercial em um dos polos de uma ação judicial, que será contra a pessoa jurídica e não contra a pessoa de seus sócios. Assim, a pessoa jurídica responderá com o seu patrimônio já que, via de regra, os sócios não responderão com o seu patrimônio.
Contudo, Freitas103 destaca que embora a pessoa jurídica não possa ser confundida com a dos seus sócios, não pode tornar-se um dogma que impeça a atuação do Estado na implementação da justiça e assim, a divisão patrimonial deve por vezes ser ignorada em determinadas situações. A autonomia hereditária é a existência de sua propriedade, que corresponde às suas obrigações, o que não significa distanciamento total da pessoa dos sócios, uma vez que sendo as ações e seus frutos pertencentes aos sócios, são propriedade da pessoa jurídica. são também uma expressão da riqueza dos parceiros.
O PROCESSO DE EXECUÇÃO
Baptista111 acrescenta dizendo que “o processo de execução zela para que os bens do condenado sejam sujeitos à sanção executória, para que dele possam ser extraídos os bens e valores adequados ao cumprimento do direito do credor”. Para uma compreensão mais clara deste procedimento, é necessário fazer uma breve descrição histórica da origem do processo de execução. O processo de execução contém a disciplina da ação executiva específica ao cumprimento dos direitos representados pelos títulos executivos extrajudiciais.
É importante ressaltar que as regras do processo de conhecimento aplicam-se sempre ao processo de execução, nos termos do disposto no artigo 598 do Código de Processo Civil. Curso de Direito Processual Civil: Processo de execução e execução de sentença, processo conservatório e tutela urgente.
DOS PRESSUPOSTOS PARA REALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO
- Inadimplemento
- Título executivo
- Título executivo judicial
- Título executivo extrajudicial
Ressalte-se ainda que o cumprimento do disposto no artigo 614, II do Código Civil é pré-requisito para a validade do processo e o descumprimento deste artigo é motivo de nulidade do processo de execução128. A pesquisadora destaca ainda que os títulos podem ser judiciais (artigo 475-N do Código Civil) e extrajudiciais (artigo 585 do Código Civil), o que possibilita a instauração de processos de execução. O artigo 586 do Código de Processo Civil estipula que: “A execução para cobrança de dívidas basear-se-á sempre no título de obrigação específica, líquida e executória.”141 Portanto, é importante compreender os pressupostos do título executivo. , sejam eles quais forem. : segurança, liquidez e exequibilidade.
O Código de Processo Civil brasileiro prevê dois tipos de títulos executivos: título executivo judicial, método abrangido pela execução da pena, e título executivo extrajudicial. A execução da pena serve, portanto, para fazer cumprir esta disposição nos termos do disposto nos artigos 461.º e seguintes do Código de Processo Civil, sublinhando-se ainda que não se trata apenas de uma sentença condenatória, mas de uma sentença declaratória que tem carácter efeito executivo.
DAS PARTES NO PROCESSO DE EXECUÇÃO
- Legitimação para propor a ação de execução
- Legitimação para responder
I - os bens, os herdeiros ou sucessores do credor, sempre que, por morte do credor, lhes passar o direito derivado do título executivo; II - o cessionário, quando o direito derivado do título executivo lhe tiver sido transferido por escritura inter vivos; Esclarecendo o assunto, Humberto Theodoro162 escreve que, quando o título executivo for judicial, o vencedor da causa será o credor, aquele mencionado na sentença e, no título extrajudicial, aquele a favor de quem estava a obrigação. contribuído.
Contudo, segundo Wambier163, a legitimação é originária quando surge simultaneamente à identificação das condições de credor no título, e será derivada quando decorre de uma transmissão posterior dessa condição, por exemplo no caso de sucessão hereditária. A legitimação passiva pode ser dividida entre os devedores originários, nomeadamente os definidos pelo próprio título, os sucessores, incluindo os bens, os herdeiros e o novo devedor, e também apenas os responsáveis que não sejam os obrigados pela dívida, o que é o caso com fiadores. e o gestor fiscal.166.
DOS MEIOS PARA PROMOVER A EXECUÇÃO
Na conclusão deste estudo, devem ser destacadas as lições de Humbert Theodore168, que explica que o Estado utiliza duas formas de sanções: meios de coerção e meios de sub-rogação. Os meios coercivos incluem multas e prisão e são instrumentos de força indireta para alcançar o cumprimento das normas legais. Os meios de sub-rogação surgem quando o Estado atua como substituto do devedor inadimplente de forma independente da vontade deste após a atuação do credor, trata-se de uma execução direta.
Segundo Didier169, existem meios de coação indireta que atuam de acordo com a vontade do executado e servem de incentivo ao cumprimento da execução. Segundo Araken de Assis170, os atos de satisfação do credor que estão relacionados e adaptados às grandes operações são conhecidos como instrumentos executivos, que possuem forma direta e indireta, o que indica a necessidade de melhores esclarecimentos quanto aos tipos de execução.
ESPÉCIES DE EXECUÇÃO
- Execução de título judicial e extrajudicial
- Execução provisória
- Dos atos expropriatórios
Ainda segundo o autor, o processo de execução contém a disciplina da ação executiva especial para cumprimento dos direitos representados pelos títulos executivos extrajudiciais, que também serve como procedimento para cumprimento da pena, que consta dos artigos 475-I e 475. -J, ambos da KPr Civil. Lenzi174 completa esclarecendo que anteriormente era necessário tomar uma decisão final vinculativa e irrecorrível decorrente de um processo de reconhecimento e depois iniciar um novo processo, o processo de execução, para solicitar a concretização do empréstimo decorrente desta decisão. Com as reformas implementadas pelo Código de Processo Civil, teve início o novo procedimento de execução de título judicial, hoje conhecido como execução da pena.
O autor ressalta ainda que, caso a sentença não seja cumprida, aplicar-se-ão alternativamente as normas aplicáveis que regem o processo de execução de títulos extrajudiciais. É necessário apresentar um breve resumo da estrutura processual da ação executiva de determinado valor, a fim de
RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL
Ressalte-se que os bens que não podem ser penhorados constam como exceções na Lei de Processo Civil, e em seus artigos 648 e 649. Além disso, consta no artigo 648: “Os bens que a lei considerar inexequíveis ou inalienável”201. Por outro lado, o artigo 649.º enumera quais os bens que são absolutamente inalienáveis por lei.
A propriedade privada dos sócios não responde pelas dívidas da empresa, salvo nos casos previstos em lei; o sócio que for acionado pelo pagamento de uma dívida tem o direito de solicitar primeiro a apreensão dos bens da empresa. Portanto, se, no decorrer do processo, ficar estabelecido que houve discrepância na sua conduta, causada por pessoa física que obteve vantagem com pessoa jurídica, o juiz também poderá desconsiderar a personalidade jurídica.208 Fundamentado diante do exposto, iniciamos o estudo da teoria da desconsideração da personalidade jurídica, que é um importante meio de ingresso na esfera patrimonial dos sócios de uma sociedade comercial que atua como réu em um pedido de execução judicial.
A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Desconsiderar a personalidade jurídica é, portanto, uma forma de adequar a pessoa colectiva ao fim para que foi criada, limitando o privilégio da pessoa colectiva e reconhecendo a relatividade da personalidade colectiva. Desobservância da personalidade jurídica: análise à luz do Código de Defesa do Consumidor e do novo Código Civil. Ignorar a personalidade jurídica de uma sociedade comercial não visa, portanto, apenas atingir a impotência patrimonial, mas também corrigir o seu abuso, mas apresenta-se como um mecanismo.
Contudo, a teoria não pretende destruir o princípio da separação da personalidade jurídica da empresa da dos seus sócios, funciona sobretudo como um reforço da instituição da pessoa jurídica, limitando a sua utilização distorcida.231. Portanto, Diniz236 enfatiza que desconsiderar a personalidade jurídica “é uma forma de corrigir fraudes onde o respeito à forma societária levaria a uma solução contrária à sua função e aos ditames legais”.
A ORIGEM DA TEORIA DA DISREGARD OF LEGAL ENTITY
Para melhor compreensão do tema proposto, é de extrema importância traçar brevemente a história do surgimento da teoria da omissão da personalidade jurídica, que discutiremos a seguir. Segundo Almeida238, “[..] ficou claramente demonstrado o total controle societário de Aaron Salomon sobre a própria personalidade da empresa, justificando o desrespeito à sua personalidade jurídica”. As consequências causadas por esta decisão resultaram em desconsideração da personalidade jurídica, mas a sentença de primeira instância foi posteriormente alterada para a instância recursal, mas é importante o que começou com esta primeira decisão, pois é o início da teoria da desconsideração da personalidade jurídica . .239 No entanto, Tomazette240 relata a existência de um caso anterior ao famoso caso Salomon, em particular o primeiro caso de desconsideração ocorrido em 1809 nos Estados Unidos, no caso entre Bank of United States vs.
Nos Estados Unidos da América desenvolveu-se, portanto, a chamada “desconsideração da pessoa colectiva”, ou seja, a teoria da desconsideração da pessoa colectiva, com o objectivo de prevenir a utilização fraudulenta ou abusiva da pessoa colectiva. Nas palavras de Rocha Filho243, também é conhecida como doutrina da superação da personalidade jurídica, pois por finalidade existe a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica em juízo em decorrência de ações contra terceiros.
A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NO BRASIL
50 também permite a superação “em caso de abuso de personalidade jurídica, caracterizado por abuso de finalidade ou confusão de bens”.253 Segundo Requião254, o estudo intitulado “Abuso de direito e fraude por personalidade jurídica” (Rev. dos Trib ) inspirou o artigo 49 do Anteprojeto, hoje artigo 50 do Código Civil de 2002. O artigo mais recente que adota a teoria é o artigo 50 do Código Civil de 2002, que dispõe expressamente sobre a desconsideração da personalidade jurídica em caso de abuso cometidos caracterizados por uso indevido de alvos e confusão de ativos.
Freitas260 explica que no Brasil a derrogação da pessoa jurídica é regulada principalmente pelo que consta do artigo 28 da Lei de Defesa do Consumidor, que é uma lei específica. Após compreender o conceito da teoria da desconsideração da personalidade jurídica e seu alcance no direito brasileiro, faz-se necessário destacar os pressupostos que permitem ao Poder Judiciário aplicá-la.
PRESSUPOSTOS DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE
- Fraude
- Abuso
- Desvio de finalidade
- Confusão patrimonial
Portanto, quem quiser ver desconsiderada a personalidade jurídica da sociedade empresária deverá comprovar a suposta fraude. Portanto, os principais pressupostos para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica são: fraude, abuso, desvio de finalidade e confusão de bens. Tomazette276 ensina que uma forma de configurar o desvio de finalidade é quando uma empresa provoca sua dissolução e, em seguida, cria uma nova personalidade jurídica com objeto social idêntico em detrimento dos credores da sociedade de origem, prejudicando a função da pessoa jurídica.
Silva ensina279 que as instituições jurídicas não podem permitir que a sua finalidade seja desviada da função para a qual foram criadas, alcançando assim fins ilegais e resultados injustos. Portanto, sempre que houver desvio de sua função, este deverá ser utilizado como critério de desconsideração da personalidade jurídica da empresa. usado para fins distorcidos. Tomazette282 explica que no Código Civil Brasileiro a confusão de titularidade não é suficiente para causar negligência; é um meio importante de provar abuso de personalidade jurídica e fraude.
A APLICAÇÃO DA TEORIA DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDA -
RECURSO INSTRUMENTAL - EXECUÇÃO - APENASAÇÃO DE BENS - DANOS A TERCEIROS - HIPÓTESE CARACTERIZADA - ADICIONAL DE PERSONALIDADE JURÍDICA - APLICAÇÃO. A derrogação da pessoa colectiva visa garantir que a actividade comercial desenvolvida pela empresa empresária se desenvolve de forma adequada, de modo a não prejudicar quem com ela contrata. É importante destacar que a caducidade da pessoa jurídica é um instituto que deve ser utilizado com muito cuidado para não prejudicar o empresariado.
Portanto, entende-se que a desconsideração da personalidade jurídica é um instrumento processual que deve ser utilizado quando a sociedade empresária, devidamente constituída, é utilizada para fins diversos dos estabelecidos em seu ato constitucional, o que prejudica seus credores. Por fim, cabe destacar que o escopo deste trabalho foi abordar a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade empresária no processo de execução cível, sem esgotar o assunto, dada a abrangência das questões relacionadas a este trabalho.