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RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL

No documento SOCIEDADE EMPRESÁRIA - Univali (páginas 61-65)

O devedor responde patrimonialmente com seus bens presentes ou futuros pela obrigação, ou seja, tanto com os bens existentes ao tempo em que foi constituída a dívida como aqueles que venha a adquirir, ficando vinculados a responsabilidade assumida. Destaca, ainda, que a responsabilidade patrimonial não se prende ao momento da constituição da obrigação mas sim os bens presentes ao tempo da execução.196 Assim dita o artigo 591 do Código de Processo Civil:

Art. 591. O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei.197

De acordo com Wambier198, a responsabilidade patrimonial é a sujeição à atuação da sanção, é a situação na qual o devedor não pode impedir

194 WAMBIER, Luiz Rodrigues. ALMEIDA, Flávio Renato Correia de. TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil: processo de execução. p.225.

195 LENZI, Carlos Alberto Silveira. O Novo Processo de Execução no CPC – Lei n. 11.232/05 e 11.382/06. p. 170.

196 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência. p. 191.

197 BRASIL. Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L5869.htm>. Acesso em: 20 fev. 2008.

198 WAMBIER, Luiz Rodrigues. ALMEIDA, Flávio Renato Correia de. TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil: processo de execução. p.121.

que a sanção seja realizada como uma agressão direta ao seu patrimônio, traduzindo-se assim na destinação dos bens do devedor para satisfazer a pretensão do credor.

Conforme Ovídio Baptista:199

O objeto da execução, portanto, não é a pessoa do devedor, e sim os seus bens, compreendido este conceito em seu sentido mais amplo, como qualquer valor jurídico capaz de ser transferido para do patrimônio do obrigado para o patrimônio do credor, para a satisfação do direito de crédito.

Destaca Humberto Theodoro200 que a execução é responsabilidade executiva do sujeito passivo e desta forma não pode atingir a bens que pertençam a terceiro. Desta forma, a lei exclui alguns bens da execução, “qualificando-os de impenhoráveis por motivos de ordem moral, religiosa, sentimental, pública etc.”

Deve-se registrar que os bens que não podem ser atingidos pela penhora estão contidos como exceções no Código de Processo Civil, e em seus artigos 648 e 649. A propósito, o artigo 648 dispõe: “Não estão sujeitos à execução os bens que a lei considera impenhoráveis ou inalienáveis”201. Por outro lado o artigo 649 lista quais os bens que por força de lei são absolutamente impenhoráveis.

Apreciando o tema, expõe Ovídio Baptista202 que esta é

“uma das mais importantes restrições ao princípio da responsabilidade universal de todos os bens do obrigado, que deveriam, segundo aquele princípio, ficar sujeitos à execução para satisfação do credor”.

199 SILVA, Ovídio A. Baptista da. Curso de Processo Civil: execução obrigacional, execução real, ações mandamentais. p.70.

200 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência. p. 188.

201 BRASIL. Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L5869.htm>. Acesso em: 20 fev. 2008.

202 SILVA, Ovídio A. Baptista da. Curso de Processo Civil: execução obrigacional, execução real, ações mandamentais. p.71.

Neste sentido, dispõe o artigo 592 do Código de Processo Civil203:

Art. 592. Ficam sujeitos à execução os bens:

I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória;

II - do sócio, nos termos da lei;

III - do devedor, quando em poder de terceiros;

IV- do cônjuge, nos casos em que os seus bens próprios, reservados ou de sua meação respondem pela dívida;

V - alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução.

(grifo nosso)

Assim, destacando os preceitos contidos no artigo 592, II, da Lei Adjetiva Civil, colhe-se dos ensinamentos de Wambier204 que esse dispositivo será aplicado aos sócios normalmente solidários, nas sociedades irregulares ou de fato e aos sócios com responsabilidade subsidiária. “Além disso, mesmo nas sociedades em que a responsabilidade do sócio seja limitada, poderá este responder por dívidas sociais, quando o juiz aplicar a “desconsideração da pessoa jurídica”. Corroborando tal assertiva, dispõe ainda o artigo 596, caput e parágrafo único, do Código de Processo Civil:

Art. 596. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade senão nos casos previstos em lei; o sócio, demandado pelo pagamento da dívida, tem direito a exigir que sejam primeiro excutidos os bens da sociedade.

§ 1o Cumpre ao sócio, que alegar o benefício deste artigo, nomear bens da sociedade, sitos na mesma comarca, livres e desembargados, quantos bastem para pagar o débito.205

Tendo em vista o artigo supracitado, necessário destacar que no direito atual a pessoa jurídica é, em muitos casos, autônoma e distinta dos sócios que a compõe, tendo direitos, deveres e patrimônio próprio. Entretanto, a

203 BRASIL. Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L5869.htm>. Acesso em: 20 fev. 2008.

204 WAMBIER, Luiz Rodrigues. ALMEIDA, Flávio Renato Correia de. TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil: processo de execução. p.127.

205 BRASIL. Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L5869.htm>. Acesso em: 20 fev. 2008.

doutrina, e a legislação atual, tem adotado princípios jurídicos para evitar esta distinção entre empresa e sócios principalmente no tocante a distinção patrimonial, de modo a responsabilizá-la perante aqueles que de alguma forma vier a prejudicar, e este meio de invadir a esfera patrimonial dos sócios é conhecido como desconsideração da personalidade jurídica,206 que poderá ser suscitada quando da inexistência de bens da sociedade a serem penhorados no processo de execução.

Completa Tomazette207 ao dizer que a princípio a sociedade empresária responde por suas obrigações com o patrimônio próprio da sociedade, dada sua autonomia patrimonial, entretanto, quando da insuficiência de seu patrimônio, os sócios podem ser chamados a responder com seu patrimônio particular.

Portanto, se durante o curso processual, constatar-se que houve desajuste na sua condução provocada pela pessoa natural que se utilizou da pessoa jurídica para obter vantagem, o juiz também poderá desconsiderar a personalidade jurídica.208 Diante do exposto, passa-se a estudar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, sendo este um importante meio para adentrar a esfera patrimonial dos sócios da sociedade empresária que figura no pólo passivo de uma demanda de execução civil.

206 SILVA, Ovídio A. Baptista da. Curso de Processo Civil: execução obrigacional, execução real, ações mandamentais. p.74.

207 TOMAZETTE, Marlon. Direito Societário. p. 120.

208 SILVA, Alexandre Couto. Aplicação da Desconsideração da Personalidade Jurídica no Direito Brasileiro. p.125.

No documento SOCIEDADE EMPRESÁRIA - Univali (páginas 61-65)