atividade do processo é o conhecimento, porquanto este é predominantemente executivo, ou seja, predomina a atividade da prática de atos executivos, tendo como principal finalidade satisfazer um direito já reconhecido.
Completa Baptista111 ao dizer que “o processo de execução cuida de submeter o patrimônio do condenado à sanção executória, de modo que dele se extraiam os bens e valores idôneos a satisfazer o direito do credor”.
O processo de execução cria, assim, para o devedor uma situação ou estado de sujeição, ficando seu patrimônio a mercê da vontade do Estado, para dele extrair-se o bem devido ou o valor a que tem direito o credor.112
Ainda, neste sentido, Ovídio Baptista113 ensina que o ato executivo pode ser definido como o ato pelo qual o Estado utilizando-se de seus órgãos jurisdicionais, invade o patrimônio do devedor, transferindo algum valor jurídico do seu patrimônio para o patrimônio do exeqüente, na busca da satisfação de determinada pretensão que foi reconhecida como legítima no ordenamento jurídico.
Sob a ótica jus-filosófica, a execução restaura efetivamente a ordem jurídica afrontada pela lesão, realizando a sanção correspondente a violação. A atividade judicial que atua essa sanção denomina-se “execução”. Através dela o estado cumpre a promessa do legislador de que, diante da lesão o Judiciário deve atuar prontamente de sorte a repará-la a tal ponto que a parte lesada não sofra as conseqüências do inadimplemento.114
Para que se tenha um entendimento mais claro sobre este procedimento, necessário se faz a realização de um breve relato histórico sobre a origem do processo de execução.
111 SILVA, Ovídio A. Baptista da. Curso de Processo Civil: execução obrigacional, execução real, ações mandamentais. 2. vol. 5. ed. rev. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002. p. 29.
112 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Processo de Execução. p.34.
113 SILVA, Ovídio A. Baptista da. Curso de Processo Civil: execução obrigacional, execução real, ações mandamentais. p. 25.
114 FUX, Luiz. Curso de Direito Processual Civil. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004. p. 1248.
Comenta Humberto Theodoro115, que nos primórdios, remontando o Direito Romano, não existia título executivo que não fosse a sentença judicial, como também não havia um processo, podendo até mesmo a pena imputada agir fisicamente sobre o devedor. Posteriormente surge a actio iudicati, forma de intervenção estatal para realização da chamada justiça. Após a sentença era fornecido um prazo ao devedor para que pudesse cumprir de forma voluntária a condenação, não ocorrendo, procedia-se a execução que passou a ser vista como modo de satisfazer às necessidades sociais e jurídicas da época.
Então, abolindo a actio iudicati, surge um novo procedimento, a execução forçada, como uma atividade complementar do juiz, que bastava a solicitação do credor para que fosse imputada ao devedor a execução do que lhe fora pleiteado. Evoluindo, ainda, agora com influência do Direito Germânico, e devido a grande expansão do comércio, passou-se a admitir que determinados negócios particulares fossem conduzidos diretamente à execução, sem a necessidade de sentença, surgindo assim a execução independente de uma sentença. Pela diferença acentuada entre a execução com sentença e sem sentença, passou-se a distinguir estes dois tipos de execução.
O Direito Brasileiro, muito influenciado pelo Direito Romano, assumiu sempre o posicionamento das duas espécies de execução, sendo que com a evolução do processo de execução, dentre os efeitos executórios, não há diferença entre as duas espécies.116
Lecionando a este respeito, expõe Didier117:
A tutela jurisdicional executiva pode operar-se de duas formas: (a) ou no bojo de uma relação jurídica processual especialmente formada com esse objetivo; (b) ou como fase de um processo já instaurado – fase complementar, por certo. Fala-se, assim, de dois
“módulos processuais executivos”.
115 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Processo de Execução. p.35.
116 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Processo de Execução. p.38.
117 DIDIER JR, Fredie, BRAGA, Paula Sarno, Oliveira, Rafael. Curso de Direito Processual Civil.
2.vol. Salvador: Edições Podivm, 2007. p. 333.
Acrescenta Wambier118 que a ação de execução abrange o pedido de execução formulado ao juiz, bem como os demais atos praticados pelo exeqüente no curso do processo. Aduz, ainda, que possui os mesmos atributos essenciais encontrados na ação de conhecimento, quais sejam: é pública, independente, autônoma, abstrata e condicionada. Neste sentido, colhe-se dos ensinamentos de Araken de Assis119:
É executiva a ação dotada, originariamente, dessa força, realizando-se os atos de satisfação sem a necessidade de outro processo e no patrimônio do vencedor. Já a ação (executiva) que nasce da condenação, embora os atos de satisfação se realizem também in similtaneo processu, recaem sobre bens do patrimônio do vencido.
Lecionando sobre este tema Didier120 expõe que a execução pode ocorrer com ou sem a presença do executado, o que determina este fator é o tipo de providência executiva que será determinada pelo juiz em sua decisão, ou seja, se será uma decisão executiva ou mandamental.
Apreciando o assunto, afirma Humberto Theodoro121:
O processo de execução contém a disciplina da ação executiva própria para a satisfação dos direitos representados pelos títulos executivos extrajudiciais. Serve também de fonte normativa subsidiária para o procedimento do cumprimento da sentença.
Importante destacar que se aplicam ao processo de execução, subsidiariamente, as normas do processo de conhecimento, conforme preceitos ínsitos no artigo 598 do Código de Processo Civil, assim, sempre que
118 WAMBIER, Luiz Rodrigues. ALMEIDA, Flávio Renato Correia de. TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil: processo de execução. 2. vol. 9. ed. rev. ampl. atual. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 200 7. p.79.
119 ASSIS, Araken de. Manual da Execução. 11. ed. ampl. Atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 108.
120 DIDIER JR, Fredie, BRAGA, Paula Sarno, Oliveira, Rafael. Curso de Direito Processual Civil.
p. 335.
121 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência. 2. vol. 40. ed. Rio de janeiro:
Forense, 2006. p. 120.
não houver uma regra própria para regular o caso no processo de execução, incidirão as regras contidas no processo de conhecimento.122