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EFEITOS DA PERSONALIDADE JURÍDICA

No documento SOCIEDADE EMPRESÁRIA - Univali (páginas 33-38)

Para Rocha Filho91, ao adquirir personalidade jurídica, a sociedade se transforma em um novo ser, posto que passa a ter um novo patrimônio, que será próprio da sociedade. Passa, também, a possuir órgãos de deliberação e de execução. Enfim, órgão para fazer cumprir a vontade desta pessoa jurídica, pois ao ser considerada pessoa jurídica, torna-se sujeito de direitos e obrigações, possuindo existência distinta da pessoa dos membros que a compõe.

88 TIMM, Luciano Benetti. Direito de Empresa e Contratos. São Paulo: IOB Thomson, 2005.

p.175.

89 ROCHA FILHO. José Maria. Curso de Direito Comercial. p. 262.

90 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em:

<www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 15 nov. 2007.

91 ROCHA FILHO. José Maria. Curso de Direito Comercial. p. 277.

Acrescenta Tomazette92 que a personalidade jurídica é um instrumento que tem como objetivo alcançar determinados fins práticos e para este fim, o direito reconhece às pessoa jurídicas alguns atributos, dentre eles, cita o autor, o nome, nacionalidade, domicílio, capacidade contratual e processual, autonomia patrimonial dentre outros.

Esclarece ainda Rocha Filho93 que:

“A sociedade, como pessoa jurídica, passa a ter uma individualidade própria, que não se confunde com a das pessoas – seus sócios – que a constituíram; tanto que essas pessoas não se tornam, pelo fato de serem seus sócios, empresárias. Empresária é a sociedade, a pessoa jurídica formada pela união de esforços e de recursos dos sócios.”

Comenta Venosa94 que a capacidade da pessoa jurídica é limitada à finalidade para a qual foi criada. Assim, os poderes outorgados pelos sócios à pessoa jurídica estão delimitados nos atos constitutivos, no seu ordenamento interno e, também, delimitados por lei. Registrada a sociedade, portanto, personificada, a pessoa jurídica adquire capacidade no mundo do Direito.

De acordo com Freitas95 a personalização da sociedade empresária “consiste em uma técnica jurídica que visa atingir certos objetivos práticos’, destaca que dentre estes objetivos estão a autonomia patrimonial, a limitação ou a supressão de responsabilidades individuais, que, porém, não recobre toda a esfera da subjetividade em direito, servindo como técnica de separação patrimonial.

Como a pessoa jurídica não pode praticar diretamente atos da vida jurídica, utiliza-se de seus administradores para fazê-lo, e estes obrigam a

92 TOMAZETTE, Marlon. Direito Societário. p. 57.

93 ROCHA FILHO. José Maria. Curso de Direito Comercial. p. 278

94 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: parte geral. p. 264.

95 FREITAS, Elizabeth Cristina Campos Martins de. Desconsideração da Personalidade Jurídica: análise à luz do código de defesa do consumidor e do novo código civil. p. 28.

pessoa jurídica, quando o exercício de suas ações forem nos limites estabelecidos no seu ato constitutivo.96

Concernente a personificação Tomazette97 destaca que uma importante conseqüência é a existência distinta de seus sócios, é reconhecer a sociedade empresária como um centro autônomo, ou seja, seus atos praticados são vinculados a sociedade e não a pessoa de seus sócios, produzindo efeitos na órbita jurídica.

Para os doutrinadores Fabio Ulhoa98 e Fazzio Júnior99, a personalização da sociedade empresária gera três conseqüências importantes: a titularidade negocial, a titularidade processual e a responsabilidade patrimonial.

Colhe-se, dos ensinamentos destes autores que a titularidade negocial determina que, quando a sociedade empresária realiza negócios jurídicos, é a pessoa jurídica que assume a posição de sujeito autônomo, assumindo um dos pólos da relação jurídica, mesmo que a faça por intermédio de seu representante legal, sendo assim, ao assumir estas obrigações, a mesma pode ser executada em virtude do não adimplemento das mesmas, ocorrendo contra ela a demanda processual.

Ainda, consoante seus ensinamentos, a titularidade processual relaciona-se com a possibilidade de a sociedade empresária poder figurar em um dos pólos de uma demanda jurídica, que correrá contra a pessoa jurídica e não contra a pessoa de seus sócios. Para Requião100 a sociedade é uma pessoa de direitos e obrigações e pode estar em juízo por si, contratar e obrigar-se. Desta forma, esta sociedade adquire direitos e assume obrigações pelos seus administradores.

96 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. p. 238.

97 TOMAZETTE, Marlon. Direito Societário. p. 62

98 COELHO, Fabio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. p. 113.

99 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Manual de Direito Comercial. p. 164.

100 REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial. p. 395.

A responsabilidade patrimonial resulta como efeito da personificação, que a sociedade passa a ter um patrimônio próprio, independente de seus sócios. Assim, a pessoa jurídica responderá com seu patrimônio posto que, em regra, os sócios não responderão com seu patrimônio.

As sociedades têm personalidade jurídica própria, de tal forma que possuem patrimônio e responsabilidade distintos em relação aos sócios ou acionistas. Trata-se do princípio da separação patrimonial.101

Rocha Filho102, discorre que a sociedade ao adquirir autonomia patrimonial, passa a ter seu patrimônio, a sociedade responderá ilimitadamente pelo seu passivo, ressaltando ainda que a sociedade após adquirir personalidade poderá modificar sua estrutura jurídica ou econômica e até admite- se que possa ser sujeito passivo de imputação penal.

Entretanto, salienta Freitas103, que apesar da pessoa jurídica não se confundir com a dos seus sócios, não pode transformar-se em um dogma que obste a atuação do Estado na realização da justiça, e desta forma, a separação patrimonial por vezes precisa ser desprezada em determinadas situações.

A autonomia patrimonial é a existência de um patrimônio próprio, o qual responde por suas obrigações, o que não significa um distanciamento completo da pessoa dos sócios, porquanto, pertencendo aos sócios as quotas e os frutos destas, o patrimônio da pessoa jurídica é expressão também do patrimônio dos sócios.

104

101 DESTEFENNI, Marcos. Curso de Processo Civil: processo de execução dos títulos extrajudiciais. 2. vol. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 78.

102 ROCHA FILHO. José Maria. Curso de Direito Comercial. p. 278.

103 FREITAS, Elizabeth Cristina Campos Martins de. Desconsideração da Personalidade Jurídica: análise à luz do código de defesa do consumidor e do novo código civil. p. 48.

104 TOMAZETTE, Marlon. Direito Societário. p. 63

Para elucidar o assunto Freitas105 evidencia como sendo um dos principais efeitos decorrentes do principio da existência das pessoas jurídicas distintas de seus sócios a autonomia patrimonial, posto que o patrimônio adquirido pela sociedade seria distinto do de seus sócios, portanto, somente o patrimônio da sociedade responderia por suas obrigações.

Alerta Destefenni106 que, mesmo nas sociedades de responsabilidade limitada pode ocorrer a responsabilização dos sócios, principalmente nos casos de fraude, o que dará ensejo a desconsideração da personalidade jurídica, por meio de ação judicial, mormente, ação de execução cível.

Ressalta Freitas 107 que após a personificação, este novo ente passa a existir juridicamente, com isto, adquire personalidade, capacitando-o a atuar no mundo jurídico que o personificou. Portanto, “demonstra o fato de o ordenamento jurídico que o personificou não poder esquecer essa nova realidade, ou afastarem de forma arbitrária e não fundamentada seus efeitos” como ocorre quando, após o devido processo legal, defere-se a desconsideração da personalidade jurídica.

Este deferimento, entretanto, decorre de um processo de execução em que é parte passiva na demanda a sociedade empresária, ao qual se vincula uma obrigação por esta assumida, motivo pelo qual passa-se agora a estudar o processo de execução cível.

105 FREITAS, Elizabeth Cristina Campos Martins de. Desconsideração da Personalidade Jurídica: análise à luz do código de defesa do consumidor e do novo código civil. p. 49.

106 DESTEFENNI, Marcos. Curso de Processo Civil: processo de execução dos títulos extrajudiciais. p. 80.

107 FREITAS, Elizabeth Cristina Campos Martins de. Desconsideração da Personalidade Jurídica: análise à luz do código de defesa do consumidor e do novo código civil. p. 41.

No documento SOCIEDADE EMPRESÁRIA - Univali (páginas 33-38)