Identificar o estatuto do conhecimento atualmente atribuído à História através da apresentação de posições contemporâneas no debate da teoria social. Para que você compreenda mais facilmente esta aula, você deve ter estudado na aula 1 a importância da teoria na produção do conhecimento histórico e, nas aulas 5, 6 e 7, as propostas apresentadas por diversas escolas de pensamento para a produção do conhecimento histórico.
INTRODUÇÃO
Entre a arte e a ciência: um falso debate?
Relacione as palavras-chave com as duas posições no debate em torno de paradigmas rivais: Iluminismo e pós-moderno. Em seguida, escreva um texto, utilizando as palavras-chave, para definir cada um dos paradigmas.
Da objetividade cientifi cista ao desafi o pós-moderno
No final do século XVIII e início do século XIX, os estudantes universitários que não precisavam se preocupar com o público para quem a história era uma ciência ética, fizeram da história um assunto para profissionais e especialistas. No século XIX, a História era valorizada como uma ciência objetiva que lidava com pessoas e culturas concretas no tempo.
A escrita da História no século XX
No entanto, o conceito de tempo permaneceu linear e contínuo, como se a história tivesse uma direção fundamentalmente baseada nas noções iluministas de progresso e razão. Essa necessidade já revelava a impossibilidade de recuperar o passado “tal como aconteceu” em documentos, e apontava para o fato de a história ser uma construção que está sempre relacionada ao momento em que o historiador está inserido.
Nos anos de 1960, uma nova orientação na História: crítica à noção de progresso
A partir de Barthes, a crítica do realismo histórico está assim ligada à crítica da sociedade moderna e da sua cultura. Nesse sentido, a crítica do realismo histórico pressupõe que existe uma realidade separada dos discursos e das práticas enunciativas que a revelam.
Mais uma posição no debate sobre o realismo histórico: o novo historicismo
Apesar de estar ligado à virada linguística, o neo-historicismo não prega a autonomia dos textos, mas os percebe como parte de uma complexa rede de negociações simbólicas. Vale ressaltar que o impacto do novo historicismo foi, na prática, pequeno na produção dos historiadores, mas suficiente para minar a certeza presunçosa de certas práticas historiográficas.
Posições intermediárias no debate
Além disso, partilham com a crítica literária pós-moderna os princípios da centralidade e da opacidade da linguagem, e com a antropologia a concepção da cultura como uma rede de significados simbólicos.
Validade da crítica pós-moderna e seus exageros
O filósofo Frederic Jameson define o pós-modernismo como "a agenda cultural dominante no capitalismo avançado". Assim, entendo o pós-modernismo como a condição histórica da sociedade pós-industrial, como uma agenda cultural que periodiza o mundo contemporâneo.
RESUMO
Aula 12
Apresentar os principais elementos que definem a epistemologia da história: o sujeito e o objeto do conhecimento histórico e as condições da atividade historiográfica. Objetivos. Em seguida, conduzimos o estudo para identificar três linhas de relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento dentro da epistemologia da história.
Conhecimento, lógica e epistemologia
A epistemologia centra-se na relação sujeito/objeto, parte integrante do processo de produção do conhecimento. Segundo esta definição, quais são os principais elementos que atuam do ponto de vista epistemológico na produção do conhecimento histórico.
Conhecimento histórico e sua epistemologia
Nesse sentido, as condições para a existência de um objeto de conhecimento histórico residem na objetividade do passado, que existe por si mesmo e não é apenas uma criação do historiador. A epistemologia da história centra-se na definição das condições para a produção do conhecimento histórico.
As condições para a operação historiográfi ca
Operação histórica, um lugar social
O discurso histórico produz o texto como um sítio social, através de uma série de estratégias, incluindo a forma como o sujeito se posiciona na enunciação do texto. Para o historiador francês, o conhecimento histórico é resultado de uma operação definida a partir de um lugar social.
Operação historiográfi ca, uma prática
Portanto, para criticar Veyne, sob a perspectiva da operação historiográfica de Certeau, é fundamental enfatizar que o conhecimento histórico é resultado de uma relação entre um lugar e uma prática. A operação histórica definida como resultado de um lugar social e de uma prática social tem uma história.
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Aula 13
Para que você compreenda mais facilmente esta aula, você deveria ter estudado a aula 1, O significado da teoria na produção do conhecimento histórico; nos 3º, 4º, 5º e 6º anos, propostas apresentadas por diferentes escolas de pensamento relativamente à utilização do conceito de tempo. Exploraremos, portanto, alguns aspectos desse processo de compreensão cultural do tempo, depois discutiremos formas de trabalhar com o conceito de tempo na pesquisa histórica e, por fim, avaliaremos o papel dos eventos na produção do conhecimento histórico atual.
Por uma história cultural do tempo
Da mesma forma, a comunicação de transformações, processos, experiências que ocorrem durante uma trajetória individual ou coletiva se dá por meio da elaboração de um conjunto de símbolos compartilhados no processo de socialização pelos sujeitos sociais. Também neste caso (como na linguagem) podemos falar da individualização de um fato social (ELIAS, 1998, p. 20).
O tempo como categoria para a pesquisa histórica
Nas suas obras, Braudel procurou analisar as relações entre o tempo e o meio geográfico, com as situações económicas e políticas, à luz dos acontecimentos. A principal contribuição dos escritos de Thompson para o tema do tempo foi historicizar o uso do tempo como uma dimensão da experiência social.
O tempo no trabalho dos historiadores
As propostas de periodização da História também se caracterizam pelo debate filosófico entre convencionalistas e realistas. Aproveite que você ainda tem seu livro de História em casa e estude as formas como a obra trata da categoria tempo.
O retorno do fato – sobre a noção de acontecimento moderno
De uma perspectiva mais factual, Boorstein relatou uma série de acontecimentos na história dos Estados Unidos que só ganharam fama através da mídia. Em seguida trabalharemos mais de perto, resumindo as principais ideias de Nora (1979) sobre a importância do evento e o impacto da cultura midiática, na ampliação do escopo da história contemporânea relacionada à reflexão sobre o estatuto da história no tempo presente. como uma nova dimensão. conformação temporária deste período da história.
O perfi l histórico das condições para o retorno do fato
Atualmente, o estudo do presente toma o acontecimento como uma trama temporal a partir da qual podemos avançar para tempos mais longos. Diversos institutos e laboratórios de pesquisa, dentro e fora do Brasil, tomam o presente como plataforma privilegiada de reflexão sobre o passado recente (ver Referências para lista de sites).
Produção do acontecimento: as condições de existência do acontecimento; os meios de
Não que isso os crie artificialmente, como gostariam de acreditar aqueles que estão no poder e que têm interesse em suprimir o que está a acontecer, ou como poderiam usar os seus novos poderes para convencer certas representações de informações bêbadas - por exemplo, Orson Welles. E ainda com um poder muito maior, porque a mídia impõe imediatamente a experiência como história, e o presente nos impõe a experiência em maior medida.
As metamorfoses do acontecimento
Acontecimentos que traduzem de forma catastrófica e selvagem tanto a desintegração dos assassinos no palco como a profunda desilusão das multidões que confiam em falsos conhecimentos para compensar a sua falta de poder. Mas a ambiguidade que está no centro da informação desemboca no paradoxo das metamorfoses do acontecimento.
O paradoxo do acontecimento: as
Cabe ao historiador desemaranhá-los, devolver a evidência do acontecimento à colocação da evidência do sistema. A dialética que se estabelece entre estes dois fenómenos é uma dialética da mudança, perante a qual o historiador do passado está tão desfavorecido quanto o historiador do presente.
Considerações Finais
Ao considerarem o tempo cronológico, o tempo como duração e os ritmos do tempo, envolvem, portanto, as discussões da historiografia, no sentido de incorporar a complexidade da categoria tempo ao espaço da história ensinada. Na produção fabril, por outro lado, onde os trabalhadores são pagos pelas horas que trabalham, o ritmo do tempo é controlado pelo tique-taque mecânico de um relógio.
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Aula 14
A sua estratégia foi descoberta e os habitantes expulsaram-no da cidade; mas como agora precisavam escrever a história da cidade, foram recebê-la em delegação. O filme é uma boa metáfora para a relação entre memória e história e a busca pela verdade do passado.
História e Ficção: entre a invenção e a construção do passado
A reflexão de Ricoeur abre espaço para pensar as possibilidades entre a ficcionalização da história e a historicização da ficção. O trecho acima, do historiador David Lowenthal, identifica alguns elementos importantes para discutir a relação entre história e ficção.
O verdadeiro, o falso e o fi ctício: a escrita da história e as evidências do
A Enargeia queria comunicar a ilusão da presença do passado; As citações enfatizam que o passado nos é acessível apenas indiretamente, mediado (GINZBURG, 2007, pp. 36-37). Foi aí que começou a surgir a consciência de que o nosso conhecimento do passado é inevitavelmente incerto, descontínuo, uma lacuna: baseia-se numa infinidade de fragmentos e ruínas (GINZBURG, 2007, p. 40).
História, narrativa e mundo real
Aula 15
Para ajudá-lo a compreender esta aula, você deveria ter estudado o significado do realismo historiográfico no 11º ano; no 12.º ano, as condições para a atividade historiográfica; no 13º ano o tempo como parte fundamental da definição de história e no 14º ano a relação entre história e ficção. Na aula de hoje estudaremos os princípios do método histórico, seus procedimentos analíticos e o papel que o historiador desempenha nesse processo.
O método histórico em questão: método histórico tradicional e a renovação atual
Por outro lado, é falsa, pois todo conhecimento histórico, e consequentemente todo o trabalho do historiador, a compilação de fontes escritas, interessa ao conhecimento histórico, mas não exclusivamente. Nesse sentido, uma parte fundamental do método tradicional centrava-se no tratamento das fontes escritas, baseado em dois procedimentos fundamentais: a heurística e o apoio às chamadas disciplinas auxiliares.
Princípios básicos do método histórico
Heurística: atividade que consiste em localizar, recolher e classificar fontes históricas através da criação de listas, repertórios, inventários, índices, publicando por vezes aquelas de natureza manuscrita que são consideradas de grande importância. Portanto, toda a fase inicial referente ao estudo em arquivos, sistematização em arquivos e bases de dados, finalmente organização dos instrumentos de pesquisa, prepara o campo de trabalho para a etapa intermediária, que consiste na preparação de um conjunto de operações analíticas realizadas através do uso de fontes.
Atende ao Objetivo 1
Porém, ela chama a atenção para o fato de que toda a narrativa não pode esquecer quem os criou, como foram criados e o sentido de sua existência. A segunda diz respeito à renovação das críticas internas ao documento, uma vez que já não rejeitamos o documento falso, pelo contrário, procuramos compreender as razões que levaram à necessidade de o falsificar.
Hermenêutica e História
Aceitação do sistema interpretativo em que se busca o sentido oculto, ou seja, a verdade moral do texto. O autor explica que a escolha do pensamento do teórico alemão se deve ao fato de que: “por um lado, Koselleck demonstra reconhecimento da hermenêutica, pois reconhece sua ligação intrínseca com a história; por outro lado, tenta marcar as fronteiras entre os dois campos na constituição do terreno não hermenêutico da história”.
Atende ao Objetivo 2
Os procedimentos da análise histórica
É essencial que as condições para dar testemunho sejam explicadas à luz de uma teoria do social, extraída das ciências sociais (este tópico é abordado na lição 16). Nosso tempo, desesperado por uma nova ética, deve admitir que o historiador pertence àqueles que buscam a verdade e a justiça, não fora do tempo, mas dentro do tempo (BLOCH, 2001, p. 30).
Atende ao Objetivo 3
Aula 16
Como vimos na última aula, a história não declarou recentemente a sua independência do domínio dos textos escritos e do testemunho voluntário. Na lição de hoje estudaremos como foi construída a relação entre a História e as Ciências Sociais ao longo do século XX, a forma como o conhecimento histórico sustenta a sua análise das sociedades passadas nas teorias sociais, e identificaremos o significado e a função do princípio da interdisciplinaridade.
História e Ciências Sociais: um panorama
Apontar a dinâmica dessa relação entre disciplinas no tempo é fundamental para compreender a dinâmica da historiografia e da prática histórica atual. Sua obra é reconhecida como precursora no campo dos estudos sobre mentalidades coletivas que deram origem ao atual campo da história cultural.
Unidade e diversidade das ciências do homem: a propósito da contribuição de
A utilização de modelos em História varia de acordo com a perspectiva teórica com a qual se trabalha. Na história, a utilização de conceitos oriundos das ciências sociais, mas devidamente articulados com uma perspectiva histórica, visa explicar a dinâmica das relações sociais passadas.
História e teoria social
A partir deste processo de fragmentação e especialização podem estabelecer-se dois níveis de crise, que não se limitam à relação entre história e ciências sociais, mas que se estendem a toda a produção do conhecimento humano. Já Burke direciona sua reflexão apontando a necessidade de definir que o campo historiográfico visa estudar as sociedades humanas do passado, de acordo com a abordagem da história total, nem defende a existência de uma grande teoria explicativa da cara. ações.
História e interdisciplinaridade
Aula 17
Reconhecer os domínios e dimensões da história não é tarefa fácil, pois envolve uma avaliação ampla da situação da disciplina no âmbito das ciências humanas. Tarefa que exigiria tempo e certa erudição, pois o chamado da história é a síntese, sem perder também uma certa pretensão imperialista, como já lembrou o historiador Fernand Braudel (1986).
Campos” e “canteiros” da História
Em sua introdução à obra de Boutier e Julia, o historiador brasileiro Francisco Calazanz Falcon reflete sobre essa contribuição, enfatizando duas características: “o caráter inovador e a visão de crise da história que dela podemos derivar” (1998, p.16) . Desenvolve pesquisas em torno dos seguintes temas: historiografia brasileira, história da historiografia, história moderna e contemporânea, história cultural e história política.