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Tese - Carolina Rocha Silva - 2021 - Completa.pdf

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Academic year: 2023

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27 Como se chamam os filhos de santo de uma casa de Umbanda ou Candomblé. O silêncio numa favela nunca é bom, sempre precede a eclosão de uma invasão ou de um tiroteio.

Figura 1 - O “narcopentecostalismo" no  Rio de Janeiro
Figura 1 - O “narcopentecostalismo" no Rio de Janeiro

A construção social em torno da figura do Diabo no Ocidente: a

Nos textos do Antigo Testamento a figura do Diabo está praticamente ausente, enquanto no Novo Testamento ele aparece incessantemente – num total de cento e oitenta e oito vezes. Esta ambiguidade entre o poder de Deus e o Diabo dominou a história do Cristianismo desde o século I. A Igreja não negou que os atos sobrenaturais fossem possíveis; entretanto, eles só poderiam vir de duas fontes: de Deus ou do Diabo.

A Intolerância Religiosa acompanha toda a história do Brasil

O período colonial

Sacerdotes maias, incas ou astecas, xamãs, xamãs caribenhos e tupis, enfim, todos os responsáveis ​​pelo espaço sagrado, eram quase sempre chamados de bruxos e feiticeiros [...]” (SOUZA, 1993a, p. 28). As práticas mágicas eram, portanto, necessárias e essenciais neste mundo escravista, como alternativa marcial, “muitas vezes a única possível” (SOUZA, 1993b, p. 272), ao sistema colonial. Contudo, através do árduo e aterrorizante processo, “a lógica da inquisição abalou as crenças do réu, que acabou por se ater ao que lhe era atribuído” (SOUZA, 1993b, p. 415).

O regime do Padroado Régio e os caminhos para uma suposta laicização

Os contactos entre os europeus e o continente africano antecederam a era das chamadas "Grandes Navegações" e do tráfego transatlântico de Negreiro; Portanto, a categorização dos negros como bestiais, selvagens, bárbaros e demoníacos já era esperada há muito tempo, embora o contato, a violência e a criminalização de sua existência tenham se tornado muito maiores posteriormente. O Brasil viveu sob o regime de clientelismo até a proclamação da República, o que tornou o país oficialmente, mas não em termos de mentalidades, representações e práticas, laico. Em todo o panorama acima traçado, é possível perceber claramente como a sociedade brasileira se caracteriza mais por permanências do que por mudanças em relação ao funcionamento de suas instituições oficiais e às construções simbólicas das mentalidades coloniais que as sustentam, mesmo que sejam tão iguais. poderosos, desde a chamada América Portuguesa até hoje, os movimentos de reação, crítica e tentativas de superação deste empreendimento.

O “fim” do monopólio da Igreja Católica no Brasil

Desvendaremos sua trajetória em nosso Capítulo 2, pois suas ações e ações em favor da liberdade religiosa são e serão decisivas na busca pela promoção do Estado laico e da liberdade de culto. É importante ressaltar também que os ditames da Constituição de 1824 não foram o primeiro ato a flexibilizar a liberdade religiosa no Brasil. Santos (2019) observa que a constituição de 1946 afirma os princípios da separação entre Estado e Igreja e a cooperação do Estado com a Igreja para alcançar o bem comum.

A chegada do pentecostalismo ao Brasil

A vertente surgiu no interior da Igreja Metodista, com o chamado Movimento de Santidade51 (Movimento de Santidade), que defendia a conversão como etapa essencial da salvação, através de uma nova e profunda experiência religiosa: o batismo no Espírito Santo. Lá ele aprendeu as doutrinas do movimento de Santidade e desenvolveu a crença na glossolalia (mais conhecida como o dom de falar em línguas), como prova do batismo com o Espírito Santo. 51 O movimento de santidade ensina que a natureza carnal da humanidade pode ser purificada através da fé e do poder do Espírito Santo.

O avanço Neopentecostal

O “jeitinho neopentecostal”

Os habitantes negros da cidade do Rio de Janeiro tiveram seus corpos lidos por uma imaginação racista, o que os torna particularmente vulneráveis ​​à arbitrariedade e à violência do Estado. 55 Em agosto de 2021, testemunhamos um dos piores massacres da história das favelas do Rio de Janeiro no Jacarezinho, zona norte da cidade. Muitas vezes a máquina pública está ligada ao poder económico e político da elite da cidade para oprimir e limitar as pessoas negras e pobres.

Figura 5 - Caso Gabi de Pretas
Figura 5 - Caso Gabi de Pretas

O Diabo tem cor: é preto!

No Capítulo 3 desta tese, discuto a história de um gerente de varejo de drogas de uma favela da zona norte do Rio de Janeiro conhecido como Danso, um “bandido” considerado muito violento. Como se essa fosse a realidade de todos os órgãos considerados “traficantes” no Brasil, independentemente de estarem ou não envolvidos na venda de drogas ilegais. Um homem negro da favela, que atua na venda de drogas ilegais, ensinou o policial, que quando criança cresceu com ele, a vê-lo como um "alemão", assim como outros traficantes que estão no "outro" lado da "guerra".

Figura 7 - Satanás é preso
Figura 7 - Satanás é preso

Desencapetamento total: neopentecostalismo e varejo de drogas

A venda a retalho de drogas ilegais é vista como parte do mal que os religiosos neopentecostais querem remover do mundo. Por isso, alguns padres conseguem até intervir e julgar nos “tribunais” organizados pelos traficantes para punir moradores e/ou outros membros da “empresa” que violaram um código de conduta. Neste cenário foi possível estabelecer uma relação de interesse mútuo entre as igrejas neopentecostais e os traficantes locais.

Encruzilhadas da Resistência

A resistência dos movimentos sociais: a CCIR

Escritas pela jornalista Clarissa Monteagudo, as matérias apresentavam inúmeras reportagens sobre a intolerância religiosa no Brasil, marcando o pioneirismo em denunciar a suposta relação de cumplicidade entre o movimento neopentecostal e a venda de drogas ilegais contra seguidores de religiões de matriz. pela facção TCP. Foi neste contexto que surgiu a criação da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), com o objectivo de combater a atitude discriminatória e preconceituosa em relação às seitas de base africana, que sofriam prováveis ​​perseguições religiosas desde a década de 1990. O passo seguinte, após o evento, foi a formalização da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), que, além de denunciar e articular-se no esforço de combater atitudes discriminatórias e preconceituosas em relação às seitas afro-brasileiras, por meio do grupo foi interpretado ao expressar intolerância religiosa, ele também queria pressionar as autoridades para que tomassem medidas em relação aos ataques.

Figura  10  -  Denúncias  dos  casos  de       intolerância  religiosa  no  Morro  do  Dendê
Figura 10 - Denúncias dos casos de intolerância religiosa no Morro do Dendê

Ebó coletivo

A Oferenda

E também houve momentos de vácuo, dias e dias em que eu não estava em campo (inclusive por motivos que não posso, como operações policiais), mas o campo estava dentro de mim, até porque faz parte da minha trajetória. Então comecei a experimentar a harmonia e percebi uma parte da minha melodia, o que eu queria e precisava trazer para o mundo. O poema ilustra o ato de escrever como um ato de fazer e, à medida que escrevo, torno-me o narrador e escritor da minha realidade, o autor e a autoridade da minha história.

Abusos em nome de Deus!

Porque assim muita gente saiu da Espiga, a vida melhorou e assim por diante, foi para outro lado. Aqui, de vez em quando, tem cultos de rua e assim por diante, mas ele não interfere na religião de ninguém. Ele já foi espírita, disse que teve decepções com a religião e não a queria mais.

Pastor Adofo

Durante esta pesquisa, ouvi muitas vezes sobre a importância do espaço do baile funk para a evangelização dos moradores de favelas do Rio de Janeiro. Na sua relação contraditória com a indústria cultural, que beneficia simultaneamente da sua criminalização e mercantilização, o funk abre espaço para uma existência social aos jovens negros das favelas. O funk não é apenas um tipo de música, mas também molda estilos de vida e consumo que caracterizam as favelas.

A mulherada aqui né mole não!

Para eles o funk é diversão, trabalho e sensualidade, mas também é realidade e linguagem da favela, condenação e movimento cultural. Se você é traficante, se mata, se estupra, se bate, se estupra, se não respeita o próximo. Então se tiver uma mãe de santo e ela apanhar e o outro for e falar também, não vão poder bater e matar todo mundo.

Quem é que decide mesmo?

Uma realidade muito diferente dos seguidores de religiões afro-brasileiras que viviam na favela do Pente e que não conseguiam nem pendurar a roupa branca no varal. Em 2019, suas aparições públicas foram organizadas no livro Sojourner Truth – “Não sou mulher. Porém, isso não a aproximou imediatamente do terreiro: “Eu ainda tinha medo do Candomblé”.

Eu falei para ele ainda rindo: “Tenho prova que fui no Pente” [a favela do Pente e o Morro Alto são da mesma facção], não sei o quê”. Tenho na cabeça que não consigo esconder algo que amo.

Figura 13 - Casa da Mãe Amara
Figura 13 - Casa da Mãe Amara

Ele já foi espírita, mas teve desilusões com a religião

Oração na porta do quarto de Xangô

E garante que até hoje, mesmo depois da “conversão” de Bomani, é abordado por alguns “criminosos” que pedem sua ajuda, mas permanecem calados por medo de represálias. Por volta de 2008, Adelowo testemunhou o fechamento das “casas de santo” em Pente e a violência com que muitos pais de santo foram tratados, a maioria deles seus amigos. Adelowo me contou que certa vez tentaram montar uma “armadilha de fumaça” em Ouro; porém “só durou meia hora, a polícia veio imediatamente e acabou com tudo”.

Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus

Mas assim, está na moda ser evangélico, está na mídia, todo mundo é evangélico, tem gente que nem sabe o que está acompanhando. Falo assim, por exemplo no carnaval, agora tem igrejas evangélicas que fazem pequenos bailes dentro da igreja. Mas lá dizem que as pessoas vão no cemitério, moem o osso, sim, na igreja evangélica dizem.

Existir é o nosso maior luxo

Em São Cosmas e São Damião, a igreja evangélica distribui sacos de doces, para que as crianças não peguem os doces do diabo na rua. Mãe de Santa Amara tem uma casa de Umbanda no Morro do Ouro há mais de vinte anos e, segundo ela, nunca precisou lidar com ameaças de farmácias. Perto de sua casa existe uma igreja neopentecostal que já lhe causou alguns problemas como uma das “irmãs evangélicas”.

A maioria desses meninos eu vi nascer

Depois de muitas tentativas sem sucesso, consegui finalmente falar directamente sobre o assunto com Vój Kieza, um dos habitantes mais antigos da Espiga, que ainda mantém a prática de rezar pelas crianças e pelos doentes, e observa alguns feriados sagrados, como o dia de Santa Bárbara, identificada como Iansã na Umbanda, todo dia 12/04. Quando eu caminhava por uma das ruas que levava à casa da vovó Kieze, vi que todas as paredes das casas estavam pintadas com mensagens bíblicas, menos a dela. Mas no momento em que pedi para tirar uma foto ao lado dela na porta da frente, ela hesitou: disse que eu poderia, mas rápido demais, para que os “meninos da droga” não o fizessem.

Os bandidos morrem de medo de Vó Kieza e das suas mandingas

O salário do pecado é a morte

Abayomi é capoeirista, mora na favela do Pente e me contou que sabe muito sobre o “traficante”. Em 2008, trabalhou em um projeto comunitário liderado por um pastor como professora de informática na favela da Chapa, que fica ao lado da favela do Pente. Abayomi me contou que na favela do Pente os “traficantes evangelizados” justificam os assassinatos cometidos com uma passagem bíblica: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor”.

Que igreja? Nunca vi, só ouço falar

Salve D. Maria Padilha!

Jesus preto

Ele estava construindo um projeto cultural na região para jovens negros, que eu queria conhecer, e também queria saber dele sobre a relação entre o neopentecostalismo, o tráfico de drogas e os terreiros na região vizinha à favela do Pente. No caminho, na rua principal que dava acesso à parte mais alta do morro, notei muitos grafites bíblicos nas paredes.

Chegou a hora de cuidar das pessoas!

De acordo com o balanço divulgado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), através dos casos registados através do “Disque 100”, número de telefone do governo criado em 2011 (precedido pelo Disque Denúncia), que funciona 24 horas por dia. por dia para receber denúncias de violações de direitos humanos, as denúncias de intolerância religiosa têm aumentado no Brasil. Comissão de Combate à Intolerância Religiosa – CCIR (2008); CPI da Intolerância Religiosa (2021); aprovando a entrega da Medalha Pedro Ernesto, considerada a maior homenagem da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, ao jogador de futebol José Paulo Bezerra Maciel Júnior, conhecido como Paulinho, campeão olímpico com a seleção brasileira nos jogos de Tóquio, no Japão. , em 2021 – a homenagem ocorre após o atacante simular um tiro de flecha em homenagem ao orixá Oxóssi, do Candomblé, durante a comemoração de um gol e para ele falar sobre o assunto. Exu e outros orixás aparecem repetidamente em suas entrevistas, posição que gerou debate sobre a intolerância religiosa no país;

Figura 14 - Denúncias de intolerância  religiosa no Brasil
Figura 14 - Denúncias de intolerância religiosa no Brasil

A morte de Bomani

Não conheço ninguém que pesquise temas relacionados à violência, segurança pública e conflitos que não sinta medo. Eu disse a eles que Jesus Cristo já havia dado sangue por mim, eu não precisava mais me sacrificar. Quando dou aula não escondo mais minha religião, minhas crenças, tanto que fui até a diretora e disse que ia fazer por obrigação.

Uma vida poupada é válida, mas

E eu não sou uma mulher?

E não se trata de histórias quaisquer, mas sim de narrativas de escuta/proferimento que não são categorizadas como importantes, que não estão presentes nos roteiros dos meios de comunicação de massa e que, quando consideradas, são interpretadas a partir de um olhar arrogante e hierárquico: o outro, subordinado e exótico. Quando você passa a vida dentro de um sistema educacional que não conta histórias sobre você e pessoas como você, do passado ou do presente, é difícil imaginar ter agência para moldar o futuro. Estão certos de que não podem cometer erros, de que não podem refazer os seus passos, de que não devem correr riscos.

Salva pelo gongo?! Não, foi por Seu Zé Pilintra mesmo!

Aí ele foi, começou a colocar a mão na minha cabeça, chamando o trabalhador, dizendo que eu estava demonizado, e eu disse que não, e ele me sacudiu, e eu disse: “Não, não é demônio, é Zaya. quem está aqui". Aí quando voltei, os caras armaram para mim, falaram que eu estava no Espinheiro, e eu falei: "Não, falei isso de brincadeira." Eu falei: "Rapaz, posso provar que estou não estava lá, posso provar que estava em Penteu, então, assim, assim, e os criminosos me viram, eu fiquei lá e assim."

Salva pelo menos a alma, porque a vida já tá comprometida!

Devemos, portanto, realizar esta análise para entender como surgem essas inconsistências. Mas para aquela pessoa que é mentalmente vulnerável, que trabalha à margem da sociedade, onde muitas vezes tem que matar e roubar, vai lá para justificar todas as suas ações e, infelizmente, na sua mente procura o perdão de Deus. Dentro dessas religiões evangélicas existe o pressuposto de que cada pessoa deve levar a mensagem de Deus.

Mãe Aba: onde tudo começou

Ele me deu um prazo e disse que não queria mais essa coisa de macumba no morro. Aí ela disse que não gostava de voltar a esse assunto, tinha medo de não saber o que poderia estar passando pela cabeça de Boman. Ela disse que estava tudo bem, queria contribuir, achava importante, mas também tinha medo por mim.

A questão da ética

Ele ressaltou que não queria problemas porque gostava de lá e as pessoas tinham acesso fácil à sua casa. Ela disse que não, deixou a casa fechada; Então alguém invadiu o apartamento e o próprio Bomani pediu que entrassem em contato com ela e avisassem. Os fragmentos acima falam especificamente de terreiros, utilizando termos como: trabalho que não condizia com o intuito da Umbanda e do Candomblé; trabalho questionável; escorregar; falta de ética.

A força de um império

Aprendendo com o griot

Quando explode até o seu lugar de resistência

Malandro que é malandro

Eu morro de medo!

A bula

Como se fosse na era dos escravos

Aulas

Imagem

Figura 1 - O “narcopentecostalismo" no  Rio de Janeiro
Figura 6 - Caso Gabi de Pretas
Figura 5 - Caso Gabi de Pretas
Figura 7 - Satanás é preso
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Referências

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E, quer dizer, eu quando vi até eles ficando ultrapassados eu fiquei até chateado por que eu vi que isso dói, é processo que não é justo e a arte também é assim: é uma