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Tese - Danilo Souza Melo - 2021.pdf

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Academic year: 2023

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O caminho do pesquisador e a problemática da pesquisa

Almeida ainda estuda geografia, onde ocorreram os primeiros contatos com a geografia agrária e a questão agrícola em Mato Grosso do Sul (MS) por meio da iniciação científica (IC). No processo de pesquisa, foram definidos um conjunto de municípios dos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul no âmbito da questão agropecuária e locais de aplicação do Programa Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (PRONAT).

Hipótese, objetivo geral e específicos

Revisão bibliográfica e pressupostos teóricos

Toda a complexidade do campesinato, as contradições e os problemas gerados pelo processo de produção e reprodução do capital constituem a questão agrária da tese. As contribuições de Martins (1981) são aceitas como referência sobre a questão agrária no Brasil como expressão do modo de produção capitalista.

As categorias da pesquisa

Portanto, o desenvolvimento desigual não pode ser resumido como um processo pragmático em que os camponeses permanecem dentro do modo de produção capitalista. Ao mesmo tempo, Martins (1981) entende a produção e reprodução do capital no campo como partes da reprodução ampliada do capital.

Conceitos

O território é, portanto, um produto concreto da luta de classes travada pela sociedade no processo de concretização da sua existência. Dessa forma, com a compreensão da hegemonia do modo de produção capitalista no mundo, o território é considerado como uma totalidade, produto das relações capitalistas e, portanto, da luta de classes.

Técnica de mapeamento da estrutura fundiária

Definidas as duas fontes de informação (SNCI e SIGEF) sobre os imóveis rurais, determinam-se os critérios ou parâmetros para a classificação da estrutura fundiária. Com os dados do INCRA em mãos e os critérios de classificação definidos, foi realizado um processo para representar a estrutura fundiária no software de geoprocessamento.

Políticos e a questão agrária: PARALELO entre dados do TSE e DO INCRA

Nesse sentido, foram coletados e organizados dados sobre as emendas parlamentares para a agricultura entre 2010 e 2019. Nesse sentido, foram obtidas informações junto às prefeituras, assessorias de imprensa de políticos e agricultores sobre as emendas destinadas aos municípios pertencentes ao Parque das Emas (GO). . e os de Bolsão (MS).

O preço da terra

O relatório anual do mercado de terras também é vendido separadamente23 e a edição atual (2019) custa R$ 3.930,00 (três mil, novecentos e trinta reais). Com a aquisição destas publicações foi possível começar a organizar e analisar a informação do mercado fundiário entre 2000 e 2009.

Uso e ocupação do solo

Por fim, com as informações organizadas, foi produzido um gráfico com o objetivo de mostrar o aumento dos preços dos terrenos ao longo dos anos nas áreas estudadas. Essa busca possibilitou identificar as características desses indivíduos em áreas de desenvolvimento da agricultura capitalista, principalmente na região Centro-Oeste.

Análise da cadeia dominial

Quando foi apresentado o pedido da cadeia de propriedade da Fazenda Jatobá, a entrega do documento demorou duas semanas. Infelizmente, o primeiro registro da cadeia de domínios da Fazenda Jatobá foi inconclusivo, pois indicava sua origem na Fazenda Arapuá, já mencionada no caso de Arthur José Hofig Junior.

Trabalho de campo

O trabalho de campo baseou-se nas experiências de Marcos (2006) e na utilização de fontes orais de Almeida (2006). O trabalho de campo foi realizado principalmente nos assentamentos de Reforma Agrária do Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS). Nesta pesquisa, estima-se que apenas em trabalhos de campo em assentamentos rurais foram percorridos mais de 3 mil quilômetros em rodovias, sem levar em conta o trajeto entre lotes familiares.

Em Bolsão (MS), a distância total percorrida para todos os trabalhos de campo nos assentamentos da reforma agrária foi de 1.732 quilômetros.

Mapa 2 –Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS): rodovias e distâncias percorridas na pesquisa
Mapa 2 –Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS): rodovias e distâncias percorridas na pesquisa

Por uma análise geográfica do Estado

A compreensão do Estado, como guardião dos interesses comuns, limita a análise de como as classes sociais se constituem atualmente como parte do Estado e agem com base nos seus interesses particulares. A despersonalização dos interesses individuais pelo Estado permite que as ações classistas se transformem no interesse comum da sociedade. É neste ponto que a Geografia se torna fundamental na compreensão do Estado e da sua relação na reprodução extensiva do capital.

Em resumo, a análise geográfica do Estado envolve compreender como a burguesia se apoia na representação dos seus interesses através da política e como isso é necessário nos processos de acumulação e expansão geográfica do capital.

A formação do Estado agrário brasileiro

  • Coronelismo nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul

Assim: “A transferência da capital do estado de Goiás da cidade de Goiás, ou Vila Boa, para. Portanto, o crescimento das oligarquias no sul do antigo Mato Grosso e o desejo de controle político do estado promoveram ideais separatistas. Ainda segundo o autor, com o processo de “modernização da agricultura”, os grandes proprietários rurais no Brasil mantiveram seu poder através do controle político do Estado.

A manutenção do controle e do poder político dos latifundiários no Brasil deixa clara a continuação desta classe como parte do Estado e continua a reproduzir seus interesses hoje através de seus representantes.

República latifundiária

Atualmente, um grupo de políticos associados à agenda da agricultura capitalista no Congresso Brasileiro, comumente conhecido como Banco Ruralista. 43 Disponível em:. Na região Centro-Oeste, o senador pelo estado do Mato Grosso, Jayme Verissimo de Campos (DEM), com 58 propriedades rurais, totalizando 55.821 hectares, é o maior político/proprietário de terras do Brasil, com mandato entre 2019-2022.

No mapa 3, as propriedades rurais são propriedade de políticos nas principais áreas da agricultura associadas ao agronegócio.

Mapa 3 – Brasil: Imóveis rurais de políticos (2019-2022)
Mapa 3 – Brasil: Imóveis rurais de políticos (2019-2022)

Ruralismo e política no Parque das Emas (GO) e no Bolsão (MS)

Como resultado das campanhas municipais analisadas no Parque das Emas (GO), quatro proprietários rurais tiveram como principais doadores, o mesmo número em Bolsão (MS). Os proprietários de terras e as empresas agrícolas obviamente não limitam sua influência financeira e política apenas aos candidatos a prefeitos dos municípios de Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS). Foram identificadas doações de R83 mil, quatrocentos e vinte reais) de empresas agrícolas localizadas no Parque das Emas (GO) para candidatos de diferentes partidos políticos.

O financiamento de campanhas eleitorais por empresas agrícolas territorializadas no Parque das Emas (GO) e no Bolsão (MS) e a transformação dos “coronéis” em políticos locais mostram que o estado é uma instituição de grande interesse para proprietários de terras e empresários. na agricultura capitalista de hoje.

Qual o lugar do campesinato no Estado?

Nesta tese, sob a luz teórica de Oliveira, o campesinato é considerado como uma classe social resultante do desenvolvimento desigual, combinado e contraditório do capitalismo na paisagem brasileira. Dessa forma, a utilização do conceito de agricultura familiar, tal como apresentado por Abramovay (1992), separa o papel político do campesinato ao longo da história dos sujeitos e, consequentemente, os coloca numa parte economicamente acessória do capitalismo rural. A estrutura fundiária concentrada e a aliança entre latifundiários e capitalistas na década de 1970 produziram a territorialização do capital no campo nos municípios de Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS).

Um gigante que apoia o agronegócio, porém, tem “pés de barro”, a propriedade capitalista da terra, base do desenvolvimento do capital no campo e entendida como intocável, tem origem na apropriação ilegal de terras devolutas.

O latifundio no Brasil

Conclusões sobre o monopólio da terra e a posição do Brasil dentro do modo de produção capitalista permearam o debate sobre o desenvolvimento no Brasil na década de 1960. O obstáculo ao desenvolvimento capitalista no campo surge da necessidade do capitalista de usar parte do capital para pagar a renda do proprietário da terra. A modernização da agricultura e a possibilidade de cobrança de renda fundiária da sociedade transformaram os capitalistas industriais e urbanos em proprietários de terras (OLIVEIRA, 2001).

A propriedade da terra é uma alternativa segura, dada a dinâmica do capitalismo e as mudanças nas taxas de juro.

Mapa 4 – Brasil: imóveis rurais por estrato de área (2020)
Mapa 4 – Brasil: imóveis rurais por estrato de área (2020)

A Territorialização e monopolização do capital no campo nos territórios rurais Parque

Ao aproximar a escala de análise das áreas de estudo, é possível compreender e identificar a reprodução do latifúndio no Parque das Emas (GO) e no Bolsão (MS), uma vez que a territorialização do capital no campo não rompeu com a estrutura arcaica da grande propriedade fundiária e do rentismo, pelo contrário: reforçou-os. A globalização da agricultura brasileira consolidou a reprodução extensiva do capital, manifestando a exploração do trabalho assalariado e a apropriação da renda da terra. Ao analisar o desenvolvimento do capital no meio rural e sua relação com a renda fundiária, Oliveira (2012) compreende a ocorrência de duas formas distintas de ação do capital no meio rural: a territorialização dos monopólios e a monopolização do território pelo capital.

Associado à territorialização do capital nas áreas rurais e ao avanço da agricultura capitalista, um grupo de corporações globais envolvidas na venda, processamento, comercialização e prestação de serviços de mercadorias começou a operar sem necessariamente comprar ou arrendar terras agrícolas.

Mapa 6 - Territórios rurais Parque das e Emas e do Bolsão: Uso e ocupação do solo 2018
Mapa 6 - Territórios rurais Parque das e Emas e do Bolsão: Uso e ocupação do solo 2018

A reprodução do latifúndio no Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS)

Por possuírem informações georreferenciadas, os dados do INCRA possibilitam a representação cartográfica da estrutura do solo no Parque das Emas e. Um grupo restrito composto por empresas e pessoas físicas possui hectares no Parque das Emas (GO), conforme mostra a tabela 7. Ildeu de Castro Alvarenga, com duas propriedades no município de Serranópolis (GO), soma 39.998,00 hectares, sendo o maior proprietário no Parque das Emas (GO).

A busca por renda e variações de mercado provocam disputas entre latifundiários e capitalistas, intensificando a dinâmica fundiária no Parque das Emas e no Bolsão.

Mapa 7 -  Parque das e Emas(GO) e Bolsão (MS): Estrutura Fundiária 2020
Mapa 7 - Parque das e Emas(GO) e Bolsão (MS): Estrutura Fundiária 2020

Dinâmica Fundiária: disputa pela renda da terra PELOS AGENTES DO

A intensificação das disputas entre produtores de soja, usineiros do setor sucroenergético e empresários do setor celulose-papel para expansão das atividades agrícolas, observada em Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS), contribuiu para o aumento dos preços dos terrenos . Em Três Lagoas (MS) e municípios vizinhos, como Brasilândia, Água Clara (MS) e Selvíria (MS), as empresas de papel e celulose encontraram terrenos adequados para sua territorialização em termos de preços de terrenos e arrendamento. A baixa renda das terras extraídas através da pecuária extensiva fez com que os proprietários encontrassem no arrendamento para empresas de celulose a possibilidade de maior rentabilidade.

A disputa entre capitalistas aumentou o preço da terra nos municípios estudados, o que contribuiu para a manutenção do rentismo existente.

O gigante de pés de barro: A insegurança jurídica da propriedade capitalista privada

  • Grilagem no Parque das emas (GO) e NO Bolsão (MS)
  • Cercas virtuais: o georreferenciamento como instrumento de grilagem

Contudo, a consolidação da agricultura capitalista no Parque das Emas (GO) e no Bolsão (MS) também ocorreu com a apropriação de terras devolutas no século XIX, promovida por famílias mineiras e paulistas. É o pagamento da renda da terra no âmbito da política de reforma agrária, que se caracteriza por uma dupla ilegalidade: na origem dos direitos de propriedade e na compra de terras com direitos de propriedade ilegais. Por outro lado, a denominação de terras de reforma agrária pode trazer essas áreas reformadas de volta ao mercado fundiário.

O gráfico (figura 13) mostra o número de ocupações de terras realizadas no Brasil entre 1988 e 2019.

Mapa 8 – Brasil: Status dos imóveis certificados no SIGEF (2020)
Mapa 8 – Brasil: Status dos imóveis certificados no SIGEF (2020)

Imagem

Mapa 1 – Territórios rurais Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS): localização
Mapa 2 –Parque das Emas (GO) e Bolsão (MS): rodovias e distâncias percorridas na pesquisa
Fonte: Trabalho de campo, 2019. Foto: do autor.
Mapa 3 – Brasil: Imóveis rurais de políticos (2019-2022)
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Referências

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(xi) pensar globalmente e saber (re)agir localmente e, sobre- tudo, pensar bem e (re)agir melhor; (xii) monitorizar o impacto da(s) crise(s) nos grupos mais vulneráveis da populac¸ão