A morosidade dos processos que envolvem violência doméstica e familiar à luz dos critérios definidos pelos tribunais internacionais de direitos humanos / Jeverson Luiz Quintieri. A morosidade dos processos que envolvem violência doméstica e familiar à luz dos critérios definidos pelos tribunais internacionais de direitos humanos.
A crise do Poder Judiciário
Observa ainda que o volume de processos é tão grande que, em caso de interrupção da distribuição de novas ações hoje, dependendo do Poder Judiciário, por exemplo. Uma rápida análise dos números apresentados pelo CNJ revela que o atual modelo de gestão do sistema produtivo do Poder Judiciário não é capaz de mudar a triste realidade da inércia judicial.
Principais causas da morosidade
Mão de obra e recursos materiais insuficientes
Como resultado, esta sobrecarga com novos processos judiciais e pedidos repetidos prejudica claramente o desempenho do poder judicial, especialmente dada a sua estrutura incerta e falta de agilidade. Para muitos, ele é um grande negativo, responsável pela lentidão do Judiciário, pela falta de mão de obra e de recursos materiais.
Problemas afetos à esfera legislativa e aos ritos
Em decorrência da norma fundamental contida no art. 4º do CPC/2015, é possível verificar alguns dispositivos do CPC/2015 que enfatizam a celeridade e a duração razoável do processo. A preocupação com a razoável duração do processo no CPC/2015 fica imediatamente aparente devido ao acréscimo do art. 4º, em que foi incluída atividade satisfatória no cálculo desse prazo razoável.
Indenização por demora desarrazoada do processo
Critérios definidos para se aferir a razoável duração do
Como vimos, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos definiu critérios para avaliar a duração razoável do julgamento. Eduardo Oiteza afirma que, no que diz respeito à duração razoável do julgamento, a Corte Interamericana de Direitos Humanos aplicou os mesmos critérios definidos por. 8º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, a seguir os mesmos critérios da Corte Europeia.
Ao contrário do Tribunal Europeu, o Tribunal Interamericano de Direitos Humanos não tem este obstáculo quando se trata de atrasos injustificados. 1o267, o cumprimento dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos em vigor no Brasil e a utilização da jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Tribunal IDH).
Contraditório e ampla defesa no inquérito policial
155 do CPP/1941 e para avaliar a viabilidade deste novo paradigma de investigação policial, é necessário analisar a aplicabilidade do sistema de contraditório e de ampla defesa nesta fase da persecução penal pré-processual. Para Aury Lopes Junior e Ricardo Jacobsen Gloeckner em sentido estrito não pode haver contradição plena na investigação porque não há relação jurídica processual, não está presente a estrutura dialética que caracteriza o processo. Em suma, o inquérito policial é considerado um procedimento administrativo de natureza meramente informativa, sem litigantes e sem arguidos, e não se destina a decidir qualquer litígio, mesmo na esfera administrativa.
Fundamentos que admitem o contraditório pleno no
A intervenção estatal deve ser pautada pelo respeito à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/1988) e pelo direito à defesa, constituído pelo contraditório e pelas amplas defesas (art. 5º, LV, da CF/1988), que permeiam o direito à efetiva proteção jurídica (art. 5º, XXXV, da CF/1988) e, assim, possibilitar ao acusado o conhecimento detalhado de tudo o que foi movido contra ele300. Nele, a autoridade policial é responsável apenas pela instrução e ao final do processo apresenta relatório e encaminha os casos à autoridade competente (art. 10, § 1º, do CPP/1941)310. Como visto, o inquérito policial deve ser considerado um processo administrativo que limita os direitos e nele há litígio administrativo, devendo, portanto, ser assegurado contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV, na CF/1988).
Como exemplo do uso de defesas contraditórias e amplas em investigações policiais, o art. 185 CPP/1941335, que exige a presença do advogado do arguido durante a audiência, o que também deve ser rigorosamente observado pelo delegado (artigo 6.º V CPP/1941)336.
Direito de defesa à luz da Convenção Americana de
5º, LIV e LV, da CF/1988, o que mais amplia o gozo e o exercício do direito de defesa é aquele que permite o pleno uso do contraditório e da ampla defesa, inclusive em inquéritos policiais. 5º, LV, da CF/1988 ao inquérito policial, seja pela supremacia da CF/1988 e, portanto, pela necessidade de utilizar uma interpretação coerente com a CF/1988, desconsiderando qualquer norma processual de natureza inquisitorial , inclusive em conexão com uma investigação policial; quer pela difusão dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos, quer pelo estatuto extrajudicial destes diplomas internacionais357; Seja pela aplicação do princípio pro homine, é certo que o contraditório e a ampla defesa deverão ser utilizados no inquérito policial. Não havendo melhor julgamento, se o condenado não se enquadrar em nenhuma das situações previstas em lei, deverá ser aplicada a regra mais favorável, mais de acordo com o princípio do mais favorável.
Se existirem diferentes possibilidades de analogia e bonam partem, deverá ser adoptada a abordagem mais protectora dos direitos fundamentais. E se houver mais de uma interpretação possível, deve-se inclinar-se para a interpretação pro homine, ou seja, a solução que mais amplia o gozo e o exercício do direito, da liberdade ou da garantia deve sempre ser aplicada em um caso específico (art. 29) . Artigo 2 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e Artigo 5 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos).
Valor probatório definitivo das provas produzidas no
É, como se viu, justamente o apaziguamento ou ausência de contradição no inquérito policial que limita o valor probatório das provas orais colhidas neste contexto. Ao assegurar integralmente o contraditório e ampla defesa no inquérito policial pós-indiciamento, não seria mais necessária a repetição da prova oral em juízo, salvo quando restasse algum ponto que não tenha sido esclarecido no depoimento prestado. na investigação policial. Assim, se houver contestação oral, cabal e eficaz e ampla defesa no inquérito policial, representa na prática um aumento de agilidade368 no futuro.
Com efeito, a interpretação que permite a plena utilização do contraditório e da ampla defesa no inquérito policial é coerente, entre outras coisas, com o s. Em suma, recusar a plena utilização do contraditório no inquérito policial e exigir que as provas orais ali prestadas sejam repetidas em conflitos judiciais com os princípios da eficiência processual, da celeridade, da razoável duração do processo372, do devido processo legal373, o processo contraditório, a ampla defesa374 e o pro homine.
Possíveis soluções para tramitação em tempo razoável
Solução para o problema da insuficiência de recursos
O objetivo é um grande volume de produção, mas desconsiderando a qualidade necessária das decisões e a eficiência do sistema produtivo. Os critérios utilizados para alocação de mão de obra no sistema de produção judicial são os mais adequados dada a morosidade processual. A distribuição da mão de obra no sistema produtivo das pessoas jurídicas deveria estar relacionada à quantidade de insumos e à capacidade máxima de produção, o que não é o caso.
O sistema de produção do poder judicial já não pode utilizar os mesmos recursos para servir diferentes grupos-alvo. Da mesma forma, é impossível ao Judiciário entregar um grande volume de produção de forma rápida e com baixos custos de produção.
Solução para o problema afeto à esfera legislativa e aos
A título de ilustração, refere-se que a habitual cerimónia conjunta no processo penal em condições normais tem 9 etapas, que se dividem da seguinte forma: 1) o juiz aceita ou rejeita a acusação ou reclamação e ordena que o arguido seja chamado a responder no prazo de um limite de tempo. prazo 10 dias (CPP/1941, Art. 396)413;. Portanto, embora a posição defendida por Saulo Fanaia Castrillon seja contrária à posição do STJ e do STF, é sem dúvida a que melhor corresponde ao princípio da razoável duração do processo. Disponível em: https://atfbc.jusbrasil.com.br/artigos/111843900/a-duracaora-razoavel-do-processo-a-celeridade-e-a-relacao-que-tem-com-a-justica.
Outra sugestão interessante trazida pelo autor sobre a simplificação do processo civil é a exigência de depósito recursal. Em suma, a solução do problema que afecta a esfera legislativa e os ritos processuais depende principalmente: da simplificação dos procedimentos e do consequente aumento da capacidade produtiva das unidades judiciárias; a interpretação do CPP/1941 à luz da CF/1988 e sua renovação para adequação à Constituição, especialmente ao princípio da razoável duração do processo; da mudança de interpretação quanto ao prazo de suspensão do curso de prescrição na hipótese do art.
Metodologia da pesquisa
Além da revisão bibliográfica, como procedimento técnico, foram buscados dados em processos criminais fora de sigilo judicial, envolvendo violência doméstica e familiar contra a mulher, tramitados por período igual ou superior a 8 anos, continuando nos tribunais especializados do estado. do Mato Grosso. A busca foi realizada no sistema PJE e teve como parâmetro processos criminais em andamento, distribuídos até 2013, envolvendo violência doméstica e familiar contra mulheres no estado de Mato Grosso.
Resultados da pesquisa
Dados levantados no estudo dos processos judiciais
- Tipos de delitos verificados nos processos estudados
- Relação de processos mais antigos
- Comparação do tempo de tramitação dos processos
- Causas comuns de atrasos verificadas nos processos
- Fases em que houve maior demora na tramitação
Atraso na conclusão do inquérito policial (fase pré-processual), medido em relação ao prazo legal previsto no Art. 2º. Durante o exame dos autos, houve atraso na conclusão da investigação, que durou 196 dias (6 meses e 15 dias) (6 meses e 15 dias) contra o prazo legal de 30 dias, pois o arguido foi libertado. Durante a análise dos autos, houve um atraso na conclusão da investigação que demorou 536 dias (1 ano, 5 meses e 20 dias) quando o prazo legal é de 30 dias, uma vez que o arguido foi libertado sob fiança.
Os autos mostram atraso na conclusão do inquérito, que só foi encerrado 196 dias após a sua abertura, quando o prazo legal é de 30 dias, desde que o arguido foi libertado. Os autos mostram um pequeno atraso na conclusão do inquérito policial, que foi concluído em 39 dias, quando o prazo legal é de 30 dias, desde que o réu foi preso. Os autos apontam atraso na conclusão do inquérito policial, que foi encerrado 2.477 dias (6 anos, 9 meses e 13 dias) após seu início, quando o prazo legal era de 30 dias, pois o réu foi libertado.
Houve também um pequeno atraso na conclusão da investigação, que foi concluída em apenas 90 dias (3 meses) quando o prazo de conclusão é de 30 dias, após a libertação do arguido.
Dados levantados nos questionários
Na sua opinião, dada a sua experiência com o tribunal especializado em violência doméstica contra a mulher, qual dos seguintes atores é o maior responsável pela demora no processamento de processos criminais nos tribunais especializados em violência doméstica? Dada a sua experiência com o tribunal especializado em violência doméstica e familiar contra as mulheres, qual considera ser a principal causa dos atrasos processuais em processos criminais julgados por tribunais especializados em violência doméstica? A primeira mostrou que houve a participação de conselheiros, analistas, juízes e procuradores.
Relativamente à questão sobre quem é o maior responsável pela demora na tramitação dos processos criminais envolvendo violência doméstica, as respostas foram dadas na seguinte proporção: unidade judiciária (45%); causadas pelas partes, advogados ou defensores (30%); delegacia (25%); especialistas (20%) e deputados (15%).
Dados levantados nas entrevistas
Quais são, na sua opinião, as principais razões para o atraso em alguns processos criminais envolvendo violência doméstica? Do total de 6 pessoas citadas, a falta de atualização dos endereços das partes e das testemunhas, o que impede a realização das audiências nas datas indicadas; 3 indicaram a demora na realização das audiências pré-julgamento e judiciais por falta de agenda; 1 registrou a grande demanda de processos e finalmente atribuiu o problema ao constante remanejamento das audiências. Em relação à segunda questão (Tabela 3), 9 respostas indicaram que a demora processual se deve mais a problemas estruturais do estado; 2º indicou a atuação das partes devido a alterações de endereço sem atualização dos prontuários e advogados não especialistas interferindo no andamento do processo.
Tabela 3 — Causas dos atrasos processuais segundo critérios objetivos definidos pelos Tribunais Internacionais de Direitos Humanos, segundo os entrevistados. Do total, 4 indicaram a limitação do número de processos por unidade judiciária, com base no quantitativo de efetivos, a limitação do número de remanejamentos de julgamento e o prazo para atribuição de audiências de instrução e julgamento.
Discussão dos dados
Análise dos dados resultantes da pesquisa dos processos
Análise da razoável duração do processo à luz dos
- Análise do tempo global de duração dos processos
- Análise da complexidade da causa
- Análise do comportamento dos interessados
- Análise da atuação das autoridades
Análise dos dados resultantes do questionário e das