Programa de competências sociais e de vida com adolescentes em medida socioeducativa de semiliberdade / Carolina Seixas da Rocha. No presente estudo, por meio da intervenção com adolescentes em conflito com a lei, foi possível acessar o microtempo e o mesotempo.
Discriminação
O conceito de discriminação aproxima-se do conceito de preconceito, pois se refere a arranjos culturais e sociais relativos a um grupo social que criam atitudes negativas relacionadas à discriminação (Domingues et al., 2013). O desenvolvimento de competências sociais e de vida como pensamento crítico, valores de convivência e empatia promove o aumento da percepção de discriminação.
Habilidades Sociais
A definição de competências sociais é complementar ao conceito de competência social (Del Prette & Del Prette, 2005), mas as diferenças são destacadas, incluindo implicações práticas. Por outro lado, um baixo repertório de habilidades sociais é um fator de risco para o desenvolvimento saudável.
Percepção de Apoio Social
Por fim, a percepção do apoio social estará relacionada com a percepção do indivíduo sobre o apoio disponível (Cramer, Henderson, & Scott, 1997). Apesar das diferentes dimensões do apoio social, a percepção do apoio social tem demonstrado ser um melhor preditor do bem-estar de um indivíduo do que medidas objetivas da rede de apoio (Vaux, Burda, & Stewart, 1986).
Crenças de autoeficácia
Programas de intervenção que enfatizam a promoção de habilidades sociais têm sinalizado a melhora de fatores de proteção em seus resultados, como a percepção de apoio social (Gonçalves & Murta, 2008; Silva & Murta, 2009) e a percepção de autoeficácia (Murta et al. al., 2012). Além disso, a implementação de intervenções em competências sociais e de vida tem sido associada a mecanismos de promoção da saúde mental, com impacto nas crenças de autoeficácia e nas perceções de apoio social (Leme et al., 2016; Valois et al., 2017).
Intervenções com adolescentes em conflito com a lei
A tendência de trabalhar com a população masculina pode ser explicada pela maior representação de homens no total de adolescentes em conflito com a lei. A revisão identificou uma série de lacunas em relação às intervenções com adolescentes em conflito com a lei. Embora tenha sido observado um número limitado de pesquisas de intervenção com adolescentes em conflito com a lei, muitos estudos destacam a necessidade de pesquisas que desenvolvam intervenções com essa população (Cid, Garcia, & Silva, 2014; Maruschi, Estevão, & Bazon, 2014 ; Nardi et al., 2014; Patias et al., 2013; Zappe & Dell'Aglio, 2016).
Nesse sentido, a revisão da literatura identificou uma série de lacunas em relação às intervenções com adolescentes em conflito com a lei, como a necessidade de trabalho com essa população que utiliza avaliações sistemáticas para investigar a efetividade e eficiência das intervenções.
Perguntas de pesquisa
Objetivos
Hipótese
Considerações éticas
Local da Pesquisa
Como a maior parte das instituições de semiliberdade estava localizada em bairros da região metropolitana do Rio ou em outros municípios do estado, a unidade onde o estudo foi realizado acolheu adolescentes de diferentes pontos da cidade e de diferentes comunidades. Os dados foram coletados em um instituto de semiliberdade designado pela Escola de Gestão Socioeducacional do DEGASE, que coordenou a pesquisa nas unidades. O estabelecimento em questão se diferenciava das demais unidades de semiliberdade porque sua estrutura foi construída para acomodar internações hospitalares.
Além disso, havia bares nos quartos dos hóspedes, de modo que eram necessários agentes socioeducativos para abrir e liberar os adolescentes para as atividades diárias (escola, trabalho, lazer e por motivos de saúde).
Modelo Lógico da Intervenção
Participantes
Grupos focais
PHSV
Instrumentos
Avaliação de necessidades
Avaliação da efetividade do PHSV: pré-testes e pós-testes
Os participantes foram convidados a responder a oito itens em uma escala de resposta Likert de seis pontos, variando de nunca (0) a quase todos os dias (5). A Escala de Suporte Social Percebido (SSA) é um instrumento desenvolvido por Vaux et al. 1986) para examinar as percepções de crianças e adolescentes sobre o apoio social em relação à família e amigos. É composto por 22 itens avaliados em uma escala Likert de seis pontos que variam de discordo totalmente (1) a concordo totalmente (6) e inclui quatro fatores com índices de consistência interna aceitáveis no estudo de validação: (1) Percepção de apoio social da família ( α=0,57, “Minha família se preocupa muito comigo”; (2) Percepção de apoio social de amigos (α=0,72, . “Sinto-me muito conectado com meus amigos”) (3) Percepção de apoio social de amigos e professores (α= 0,79, “Meus professores me respeitam muito”); (4) e apoio social percebido de outras pessoas em geral (α=0,71, “A maioria das pessoas me respeita”).
O instrumento é composto por 10 itens distribuídos em uma escala Likert de quatro pontos, variando de discordo totalmente (1) a concordo totalmente (4).
Avaliações de processo
Neste estudo, foi utilizada a versão da escala validada por Leme, Coimbra, Gato, Fontaine e Del Prette (2013) em uma amostra de jovens brasileiros. O presente estudo teve como objetivo investigar o que os jovens em conflito com a lei pensavam sobre as expressões de emoções positivas, como elogiá-los e agradecer, e se o encontro provocou alguma alteração na percepção desse comportamento (Anexo 7). Portanto, foi solicitado aos jovens que indicassem se se sentiam capazes de realizar os itens elencados e o grau de dificuldade que achavam que teriam que enfrentar para alcançar esses desejos.
Os adolescentes foram solicitados a fazer um desenho de como se sentiram ao final do PHSV e escrever o tema do encontro que mais gostaram.
Procedimentos
Coleta de dados
Treino da equipe de pesquisadoras
- Avaliação de necessidades
- O Programa de Habilidades Sociais e de Vida (PHSV)
Para o encontro “Expressando sentimentos positivos” foram utilizados exemplos da aula “Amigos” que surgiram nos grupos focais. Posteriormente, foi explicada a Tarefa Interpessoal da Semana (TIS) e solicitado aos adolescentes que completassem individualmente a avaliação do processo relacionado a esse encontro. Ao final de cada encontro, os adolescentes foram solicitados a realizar a avaliação do processo daquele dia e após foi realizado um lanche festivo com os participantes.
Desenvolver competências para expressar emoções positivas que permitam identificar situações positivas para estimular a autoeficácia.
Análise de dados
- Avaliação de necessidades (grupos focais)
- Avaliação da efetividade do PHSV: pré-teste e pós-teste
- Análise por comparação de dados normativos e mediana dos instrumentos
- Avaliações de processo
Como a Escala de Discriminação Cotidiana ainda não foi validada para a amostra brasileira, foram consideradas pontuações abaixo e acima da mediana (24), definidas com base na pontuação máxima (48) e mínima (0). Para a Escala de Percepção de Suporte Social foram utilizados os escores máximo (180) e mínimo (30) para calcular a mediana (105) e determinar quais adolescentes estariam abaixo ou acima. Por fim, o mesmo procedimento foi realizado para a Escala de Autoeficácia Generalizada, que teve pontuação máxima de 40 e mínima de 10, portanto a mediana foi considerada 25.
Foram quantificadas as referências de apoio social identificadas pelos participantes na avaliação e posteriormente calculada a frequência de cada resposta.
Avaliação de Necessidades
Quando eu cumpri uma ordem de semi-liberdade em (escondido), os agentes só nos trancavam para dormir, podíamos ficar livres o dia todo, fazer coisas. Nessa unidade os agentes trancam a gente o dia todo, só deixam a gente ir na Justiça e não todo dia” (Kássio, 14 anos). Essa semiliberdade é diferente das outras, essa unidade parece uma internação, faz os agentes pensarem que podem fazer tudo” (Paulo, 17 anos).
Esta aula demonstrou a relação entre adolescentes e agentes socioeducativos, e o conteúdo identificado reflete problemas interpessoais e situações de confronto entre agentes e adolescentes.
Avaliação da efetividade do PHSV: pré-teste e pós-teste
- Percepção de discriminação
- Habilidades Sociais
- Apoio Social
- Crenças de Autoeficácia
Quanto à significância clínica, todos os participantes permaneceram na mesma população inicial (população disfuncional). Quanto à significância clínica, apenas S3 estava na população disfuncional e nela permaneceu após a intervenção, sem alteração do quadro clínico. Em relação ao Índice de Mudança Clínica, apenas o S7 obteve melhora atribuída à intervenção, nada podendo ser inferido para os demais, pois estão na faixa de incerteza.
Em termos de significância clínica, não houve alterações no quadro clínico de nenhum dos participantes (população disfuncional).
Avaliação de processo
- Protocolo para avaliação da qualidade de implementação
- Avaliação do Impacto Imediato da Sessão
- Pizza de Afetos
- Elogiar e Agradecer
- Do que eu sou capaz
- Desenho
- Diários de Campo
E o primeiro e o terceiro encontros são os encontros em que os adolescentes apresentam menos comportamentos descritos no instrumento (n=3). Assim, é possível observar quais fontes os adolescentes consideram maiores fontes de apoio e afeto. Em termos de dificuldade, apenas três participantes afirmam ter dificuldade em algum comportamento, sendo o elogio a expressão de um sentimento positivo que os adolescentes referem ter mais dificuldade (46%).
Em relação à avaliação qualitativa que os jovens deram a cada comportamento, todos os jovens declararam que acharam fácil agradecer, e essa facilidade permaneceu com todos após o encontro.
Avaliação de necessidades
- Relações familiares
- Medida de Semiliberdade
- Adolescências e masculinidades
- Escola
- Amigos
- Agentes Socioeducativos
Ao mesmo tempo, mostram que as relações estabelecidas entre os jovens e as suas famílias podem promover o surgimento de laços de intimidade, cooperação e afeto (Alves & Dell'Aglio, 2015; Costa et al., 2015; Moreira et al., 2018). O DEGASE garante que os jovens tenham acesso a serviços de saúde, como imunização, vacinas e exames de sangue (Nascimento et al., 2018). Os resultados encontrados confirmam os resultados da intervenção realizada por Nascimento et al. 2018), que destacou a banalização e naturalização da violência e das práticas sexuais de risco entre jovens do sexo masculino devido à existência de valores tradicionais e heteronormativos em relação à sexualidade.
Assim, observou-se que os jovens consideraram as relações interpessoais temas relevantes, principalmente para manter as relações familiares e as interações positivas com os pares.
Avaliação da efetividade do PHSV: pré-teste e pós-teste
- Percepção de discriminação
- Habilidades Sociais
- Percepção de Apoio Social
- Crenças de autoeficácia
Esse resultado vai ao encontro das afirmações feitas nos grupos focais e sugere que os adolescentes em conflito com a lei percebem a rede de apoio familiar existente em seus contextos. Dois desses adolescentes apresentaram aumento no apoio social percebido (um para amigos e outro para todos os fatores, incluindo o escore geral). O aumento da percepção de apoio social após intervenção em habilidades sociais também foi observado no estudo de Leme et al. 2016), com adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
A promoção do apoio social tem sido verificada em intervenções que focam em habilidades sociais, como empatia, valores de convivência e resolução de problemas interpessoais (Carneiro et al., 2007; Leme et al., 2016).
Avaliação de processo
Intervenções com este propósito, baseadas no desenvolvimento de competências sociais e de vida, podem ser promissoras para a reinserção social de jovens em conflito com a lei. Autoestima e habilidades sociais de jovens em conflito com a lei que seguem medidas socioeducativas no Centro Sócio-Educativo Temporário (CASEP). Perspectivas dos Adolescentes sobre a Criminalidade, a Medida de Hospitalização e as Expectativas Futuras.
A trajetória de adolescentes em conflito com a lei após cumprimento da medida socioeducativa em ambiente fechado. Você está convidado como voluntário a participar da pesquisa “Programa de competências sociais e de vida com adolescentes em medida socioeducativa de semiliberdade”. O objetivo geral da pesquisa é desenvolver e avaliar a efetividade de um Programa de Competências Sociais e para a Vida (PHSV) com adolescentes que cumprem medida socioeducativa de semiliberdade.
Desenho