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6.5.1 Avaliação de necessidades

Roteiro semiestruturado (Apêndice 3). Composto por três questões abertas norteadoras que visam estimular a reflexão e a discussão entre os participantes sobre os temas: habilidades sociais (Como seus familiares agem/falam quando vocês querem fazer algo que eles não querem?), apoio social (Você sente que a escola é um ambiente seguro? Você é a acolhido na escola?), autoeficácia (Vocês se acham capazes de atender as expectativas das suas famílias?) e discriminação (Vocês acham que são tratados da mesma maneira que outras pessoas?).

Diário de campo. Consiste em uma técnica de registro de dados que permite ao pesquisador participar do cotidiano dos sujeitos, ampliando a observação das várias formas de expressão dos sujeitos (Frizzo, 2010). Na presente pesquisa foram registrados sistematicamente pela pesquisadora, em um caderno, os dados obtidos desde o primeiro contato com a instituição de semiliberdade até o encerramento do contato. Nesse diário foram anotadas as descrições e falas dos participantes, bem como percepções e sentimentos da pesquisadora, para avaliar a compreensão e o engajamento dos participantes nas atividades propostas. Também serviu para fundamentar ajustes metodológicos no decorrer da intervenção.

6.5.2 Avaliação da efetividade do PHSV: pré-testes e pós-testes

Escala de Discriminação Quotidiana (EDQ). Foi desenvolvida por Williams, Yan Yu, Jackson e Anderson (1997) e adaptada por Freitas et al. (2015) para a população de adolescentes e jovens portugueses (idade entre 13 e 26 anos). O instrumento encontra-se em

processo de validação para a população brasileira. Procura avaliar uma ação como injusta ou imerecida, explicada pelo pertencimento de uma pessoa a um grupo socialmente estigmatizado. Os participantes foram convidados a responder aos oito itens, numa escala de resposta Likert de seis pontos, variando de nunca (0) a quase todos os dias (5). O instrumento apresenta dois fatores, com índices aceitáveis de consistência interna no estudo de validação:

(1) tratamento injusto (“É tratado/a com menos respeito do que as outras pessoas”, α=0,72);

(2) Rejeição pessoal (“As pessoas agem como se houvesse algo de errado contigo”, α=0,72).

Versão Breve do Inventário de Habilidades Sociais para Adolescentes (IHSA- Breve). É um instrumento desenvolvido por Z. Del Prette e Del Prette (2009) que avalia as habilidades sociais de adolescentes a partir dos seus autorrelatos sobre situações cotidianas.

Leme, Campos, Del Prette, Del Prette e Valentini (2017) avaliaram as evidências de estrutura interna e precisão dos escores de uma versão breve do Inventário com uma amostra de 2291 estudantes do Ensino Fundamental e Médio, de ambos os sexos (idade entre 12 e 17 anos). A versão ficou composta com 16 itens, com respostas que estão dispostas numa escala Likert de quatro pontos, que varia de nunca (0) a sempre (4), em que o adolescente é solicitado a avaliar a frequência com que apresenta aquela reação. O inventário contempla quatro fatores, com índices aceitáveis de consistência no estudo de Leme et al. (2017): (1) empatia (α=0,78,

“Quando um amigo tem uma posição contrária à minha, consigo negociar uma solução boa para nós dois”); (2) autocontrole (α=0,66, Ao ser injustamente criticado, consigo responder sem perder o controle”); (3) assertividade (α=0,75, “Consigo tomar a iniciativa de encerrar a conversa (bate-papo) com outra pessoa”); (4) abordagem afetiva (α=0,69, “Quando estou a fim de ficar com alguma pessoa, eu digo isso a ele (a) na primeira oportunidade”).

Escala de Percepção de Apoio Social (SSA).É um instrumento desenvolvido por Vaux et al. (1986) para examinar a percepção de apoio social de crianças e adolescentes em relação à família e aos amigos. A escala foi validada para a população de adolescentes brasileiros (idade entre 9 e 18 anos) por Squassoni e Matsukura (2014). É composta por 22 itens dispostos numa escala Likert de seis pontos, que varia de discordo totalmente (1) a concordo totalmente (6) e contemplam quatro fatores, com índices aceitáveis de consistência interna no estudo de validação: (1) Percepção de apoio social da família (α=0,57, “A minha família preocupa-se bastante comigo”; (2) Percepção de apoio social dos amigos (α=0,72,

“Sinto-me muito ligado aos meus amigos”); (3) Percepção de apoio social dos professores (α=0,79, “Eu sou bastante apreciado pelos meus professores”); (4) e Percepção de apoio social dos outros em geral (α=0,71, “Sou respeitado pela generalidade das pessoas”). Esse último fator não será incluído na pesquisa porque se objetiva investigar apoios específicos.

Escala de Autoeficácia Generalizada (EAG). É originária da Alemanha e foi adaptada para diferentes culturas para identificar as crenças de autoeficácia diante de situações difíceis de participantes de diferentes origens socioeconômicas e idades, incluindo adolescentes. O instrumento é constituído por 10 itens distribuídos numa escala tipo Likert de quatro pontos, variando de discordo totalmente (1) a concordo totalmente (4). A EAG foi adaptada por Coimbra (2008) para uma amostra de adolescentes e jovens adultos e encontrou- se um bom valor de consistência interna (α = 0,76). No presente estudo, foi utilizada a versão da escala validada por Leme, Coimbra, Gato, Fontaine e Del Prette (2013), em uma amostra de adolescentes brasileiros. Os autores demonstraram a validade de constructo e a invariância da escala e foi confirmada a sua confiabilidade para a amostra brasileira (α = 0,80).

Questionário de avaliação demográfica (Apêndice 4). Foi elaborado para este estudo com objetivo de investigar informações sociais e demográficas dos participantes, que permitirão a categorização da amostra. O questionário abordou: (1) informações gerais de aplicação; (b) informações sobre o participante e sua família (nome, idade, cor, religião, escolaridade, composição familiar e escolaridade materna e paterna); (c) informações relacionadas a aspectos socioeducativos (histórico de cumprimento de medida socioeducativa e tempo de cumprimento da presente medida).

6.5.3 Avaliações de processo

Protocolo para avaliação da qualidade de implementação. Instrumento desenvolvido por Murta (2017) para investigar indicadores de processo da qualidade de implementação dos programas. Contém uma lista de 15 comportamentos, organizados em quatro partes que avaliam a fidelidade, o desempenho do facilitador, indicadores de apego e adesão dos participantes. No presente estudo foi utilizado seis questões (relatar problemas pessoais, relatar sentimentos, explicar causas do próprio comportamento, fornecer apoio físico ou verbal ao colega e chorar) que descrevem os comportamentos dos participantes de busca de proximidade com o facilitador. A ocorrência desses comportamentos deve ser observada e registrada em cada encontro, independentemente de quem apresentou os comportamentos.

Também serviu para anotar a frequência dos adolescentes nos encontros e avaliar a assiduidade dos participantes.

Avaliação do Impacto Imediato da Sessão. Instrumento desenvolvido por Murta (2008) para investigar a satisfação dos participantes com a sessão, a integridade e fidelidade com a intervenção e as descobertas que foram feitas. Contém uma lista de 23 sentimentos,

pensamentos e comportamentos positivos e negativos (“Me senti relaxado”, “Tive confiança no grupo”), que podem surgir enquanto o grupo está em andamento. Os participantes respondem a escala Likert de três pontos, varia de não aconteceu comigo (1) a aconteceu bastante comigo (3). Foram feitas alterações no instrumento para tornar a avaliação acessível ao grau de instrução, habilidades e interesses dos adolescentes, descritas no Apêndice 5.

Desse modo, o instrumento manteve foi composto por 22 itens.

Pizza de Afetos. Refere-se a vivência denominada “Pizza do Tempo” elaborada por Davis, Eshelman e MacKay (1996). Tem como objetivo investigar como os participantes organizam seu tempo e distribuem suas atividades durante o dia. No presente estudo, o instrumento foi alterado de modo a identificar quem são as principais referências de afeto dos adolescentes e se, após o encontro, eles conseguiriam indicar um número maior de pessoas em sua rede de apoio social. Para isso, escolheu-se o nome “Pizza de Afetos”, manteve-se a representação da pizza, sendo alterada somente a explicação para adequar aos novos propósitos (Apêndice 6).

Elogiar e agradecer. É um instrumento adaptada do autorrelato de percepção de mudança dos participantes após participação na intervenção de Fleury & Murta (2008). No presente estudo teve por objetivo investigar o que os adolescentes em conflito com a lei achavam da expressão de sentimentos positivos, como elogiar e agradecer e se o encontro havia provocado alguma modificação na percepção daqueles comportamentos (Apêndice 7).

As adaptações foram necessárias para facilitar o entendimento dos participantes. Desse modo, foram limitados aos comportamentos positivos de elogiar e agradecer. Além disso, devido às dificuldades com a redação, pediu-se aos adolescentes que escrevessem poucas palavras sobre o que eles achavam daquele comportamento. Optou-se por medir o grau de dificuldade através de uma figura, de modo que, o entendimento do mesmo ficasse mais acessível.

Do que eu sou capaz. Avaliação de processo criada para o presente trabalho que consistiu em uma lista de seis desejos que haviam sido citados pelos adolescentes na avaliação de necessidades (Apêndice 8). Os desejos foram: (a) terminar o ensino médio; (b) passar em uma universidade; (c) conseguir um emprego; (d) ter uma família; (e) terminar de cumprir a medida socioeducativa; (f) não se envolver em atos infracionais ou crimes. Dessa forma, era pedido que os adolescentes assinalassem se sentiam-se capazes de realizar os itens listados e o grau de dificuldade que acreditavam ter de enfrentar para conseguir realizar tais desejos. Dessa forma, buscou-se investigar a percepção dos adolescentes em sua capacidade de executar ações para atingir realizações.

Desenho. Foi pedido que os adolescentes desenhassem como estavam se sentindo ao final do PHSV e escrevessem o tema do encontro que tinham mais gostado.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 65-69)